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| A República Velha, e seus terríveis vícios, voltou com força. Sem nunca ter saído de fato. Da primeira vez ela derrubou o Sergipe ao penúltimo lugar dos estados brasileiros... |
Um lugar vai bem quando tem sucessões equilibradas no seu governo.
Nada mais nefasto do que a estabilidade total; nada mais aterrador que a instabilidade total.
A primeira, leva inexoravelmente aos vícios; donde o menos danoso é a preguiça. No segundo caso - da instabilidade - só a bandidagem prospera num clima de comoção total.
Entramos em mais um ano nervoso, com todo mundo de olho nos cofres da viúva, nos níveis, estaduais e federal.
Domesticamente, a nós, itabaianenses, interessam a Presidência da República e o Governo do Estado. Quem manejará as verbas, os investimentos. E, obviamente, conduzirá a máquina pelos próximos quatro anos, após janeiro vindouro. Seja em Aracaju; seja em Brasília.
Em Brasília, permanece a incerteza, com um presidente enfraquecido, porém o único político que restou de pé, a dar algum sentido a uma nação dividida ao meio; e uma oposição supostamente caótica, porém coordenada pelo Departamento de Estado americano e seus soldados da Faria Lima e tentáculos na mídia grande e estamento, em geral. (Será que um dia esse país ainda será independente???)
Em Aracaju, caminhamos para mais um pleito estressante, onde o estado profundo - o que realmente manda, apesar de caótico, "Mateus, primeiro os teus" - ditará mais uma vitória do candidato "confiável", o atual governador, reconduzindo-o ao cargo, com o natural comprometimento total, engessado pelos retrógrados, que deixa morrendo de inveja os então presidentes do Estado, na República Velha, que em duas décadas derrubaram Sergipe do nono estado mais rico para vigésimo segundo no Brasil.
A torcida é por milagres.
Muito mais em Sergipe que no país.
Valmir Costa, em Sergipe, foi o único político com musculatura suficiente que sobrou nesse moinho de moer lideranças políticas. Mas Sergipe profundo o obsta, trava, a qualquer custo. Os motivos? Ora, inventa-se! Como certa vez afirmou o saudoso Raymundo Faoro: “(...) até pelo prazer de confirmar a profecia”.(*)
A prefeita da Capital, segundo maior poder no estado, não vai. E o governador está livre para viver alegremente sua prisão, num estado que moeu gente do naipe de José Rollemberg Leite, João Alves Filho, triturou ao pó, Marcelo Déda, e até Augusto Franco e seu filho, Albano, penaram nas mãos da velha máquina sergipana de destruir futuros.
Mas... política é como nuvem: a cada segundo, um formato diferente.
Barco pra frente.
(*) Em dezembro de 1992, depois de cabeçadas, mas principalmente ter desagradado Roberto Marinho, dono da Globo, Fernando Collor estava para ser empichado num Congresso, de anjos, comparado ao atual. O grande jurista Raymundo Faoro, na IstoÉ, 1212, de 23 de dezembro, página 21, no artigo A semana final, ao analisar a tragédia humana por suas formas de governo em especial o regime republicano, termina com o seguinte período:
“Uma eleição congressual significa constituir um poder por força de uma representação constitucionalmente viciada. De qualquer modo, já que a previsão existe, em abstrato, fatalmente ocupará as fantasias dos conspiradores de sempre. Sobretudo se o governo falhar; se não falhar procurar-se-á fazer-lhe com que falhe, até pelo prazer de confirmar a profecia”.