terça-feira, 21 de abril de 2026

O PRIMEIRO INCONFIDENTE NÃO FOI TIRADENTES; FOI PESTANA DE BRITO.

 

Hoje, 21 de Abril, celebra-se, com justiça, o martírio do alferes Joaquim José da Silva Xavier, como mártir da Independência do Brasil.

Em verdade foi o sacrificado maior, entre os envolvidos na conjuração anti-imposto, de fins do século XVIII, que envolvia muita gente poderosa, a maioria escapada sem sequer um arranhão.

Quanto ao alferes, funcionário público, da segurança, que completava a renda arrancando dentes – daí o apelido, Tiradentes – ele pagaria por alta traição à Coroa portuguesa, tendo castigo exemplar, em 21 de abril de 1792.

Quanto ao rigor da pena, Tiradentes deu o azar de a Revolução Francesa ter explodido exatamente quando da sua prisão, 1789. Oito meses depois, o rei Luiz XVI teve a cabeça cortada, num festival de selvageria que só teria fim com a chegada de Napoleão Bonaparte ao poder francês.


A rebeldia dentro de um império onde o sol quase não punha.

Em 1789, o Império Português, da Macau, na China, ao Brasil, continuava a decair, ser ultrapassado por outros, como a já poderosíssima Inglaterra, fato iniciado com a morte em batalha de D. Sebastião, no distante 1578.

As medidas de Pombal, construtor da atual Matriz de Santo Antônio e Almas, deram leve alívio à Coroa; porém, insuficiente para restabelecer toda a magnitude de meados do século XVI, quando Lisboa era a capital da civilização europeia. O grande mercado.

No extenso Brasil, vez por outra, uma rebeliãozinha. Na maioria das vezes brigas do coronelismo local, algumas, com envolvimento e natural intervenção direta de Lisboa.


O Inconfidente Manuel Pestana de Brito

A primeira delas (dobrem as línguas, os despeitados. Vão estudar os documentos, de fato)... a primeira delas ocorreu em Sergipe, com epicentro nos campos de criação de gado, ainda concentrados em Itabaiana.

Manuel Pestana de Brito, oficial na guerra de reconquista em Pernambuco, contra os holandeses, foi o primeiro governador de Sergipe nomeado diretamente por Lisboa, sem a intervenção da Câmara de Vereadores de Salvador, em 9 de março de 1654.

A realidade, a rotina administrativa, porém, era outra: Quem efetivamente mandava era a Bahia, que, não aceitou o novo governante.

Sergipe era a dispensa baiana. Até 1823, mesmo a dependência tendo caído muito, mas quem alimentava o recôncavo baiano era Sergipe. E em 1650, era farinha da bacia do Real-Piauí; e carne do entre rios, Sergipe e Vaza-Barris. Itabaiana.

Para completar a renda de governador, o capitão-mor Pestana de Brito arrendou terras na Itabaiana; tornou-se curraleiro. Criador de gado em terra arrendada. E foi proibido por Salvador de cobrar impostos para a Capitania de Sergipe.

São Cristóvão ainda estava em frangalhos.

Nunca tinha tido uma arquitetura decente. Era uma vila de casebres. Assim bem o narra Gregório de Matos em seu soneto, sobre Sergipe d'El-rei. Sequer a igreja matriz era de alvenaria; e a fuga do comandante Bagnuolo, em 1637, havia incendiado tudo. Em 1655, ao assumir o governo, Pestana de Brito não tinha cidade; e, sem impostos, não tinha como construir uma. 

Pestana de Brito resolveu encrencar. Possivelmente, num ato desesperado, para tentar uma definição de Lisboa, uniu-se à vaqueirama descontente.

Em Itabaiana, onde vivia, em sua fazenda, havia mais um descontentamento: a capela de Santo Antônio, próxima do rio Jacaracica, hoje em ruínas, uma hercúlea realização, para rudes criadores, feita entre 1620 e 1617, quando os holandeses a encontraram já pronta, continuava sendo desprezada pelas autoridades centrais. Nunca foi reconhecida.

No dia 5 de novembro de 1656, a vaqueirama invadiu São Cristóvão, soltou presos, prendeu alguns soltos, e depois debandou, frente à força mandada pela Bahia.

Contra os impostos baianos e outros abusos.

O que se seguiu foram dezenas de processados e apenados sem provas; a nascente sociedade sergipana desmoronou. 

De Pestana de Brito nada mais foi encontrado. Desapareceu. Se morto, degredado, condenado às galés... nada! Pode ter tido um destino qual o de Tiradentes; porém é possível que, como natural da metrópole, tenha sido levado preso para lá, e lá morrido. Sumiu.

Com efeito, é a primeira manifestação colonial de rebeldia social e política na História do Brasil. Documentada. Mesmo que historiadores importantes a tenham ignorado até o momento.


sexta-feira, 17 de abril de 2026

O CONVITE

 

Honrosa e agradecidamente, recebi na última quinta-feira um convite para a celebração de uma Missa em Ação de Graças, pelos 60 anos de existência da Casa São Vicente, a ser realizada no próximo 21 de abril, feriado, às 16 horas, na matriz de Santo Antônio e Almas da Itabaiana.

Infelizmente o seu fundador, o ex-vereador e ex-prefeito Vicente Machado Menezes, o Vicente de Belo do Pé do Veado, já não se encontra entre nós, tendo nos deixado, aos 67 anos de idade, há 32 anos. Mas deixou-nos marcas que ainda hoje, e certamente se projetarão pelo futuro. Nos acompanharão. Uma delas, obviamente, é a aniversariante. Construída, passo a passo; sempre com a cabeça no ar, nos sonhos; mas os pés firmemente plantados no chão da prudência, no avançar sempre, contudo sem jamais perder-se em aventuras, tão comuns aos meros ganhadores de dinheiro, muito aquém de empresários, portanto. Outra, são seus filhos - João Vicente e Luciene – que nestes mais de 32 anos mantém o seu modus operandi, mesmo tendo recebido a incumbência de ir tocando em frente muito jovens, desde o momento de sua enfermidade e depois, com o seu desaparecimento.

Vista parcial da cidade de Itabaiana-SE, quadrante noroeste, ao fim da administração Vicente Machado Meneses, em 1970. Sua então novíssima loja, a aniversariante em referência, se encontra na Rua Sete de Setembro, em frente a torre da "Igreja dos Crentes" (Presbiteriana), canto esquerdo, embaixo, na foto. (Acervo da família)

É uma grande data para um estabelecimento comercial. Um grande feito numa empresa familiar, por natureza, sujeita às intempéries do mercado, mas, bem pior, às de cunho administrativo, em geral, produto de egos inflamados sucessórios, em que a grande maioria não suporta a saída do seu fundador, sem logo naufragar.

O grande administrador municipal, de pé, ao lado da àrvore, com seu secretário João Silveira(de camisa  branca)no canto noroeste do Largo Santo Antônio, inspecionando os trabalhos de esgotamento sanitário.

Em Itabaiana temos numerosos exemplos de empresas que desapareceram no último século, vitimadas por sucessões equivocadas, a maioria por inabilidade, inaptidão ou natural falta de interesse na arte de administrar. Às vezes, também traídas por momentos difíceis na economia, como a dos Irmãos Paes Mendonça, que mesmo depois divididas, a terceira rede varejista do Brasil, com sede em Salvador, mas nascimento aqui, com Euclides e Mamede Paes Mendonça não aguentou a loucura econômica do país e seus planos mirabolantes de contenção inflacionária.

Porém localmente mais de uma dezena delas resistiu, especialmente ao dificílimo teste da sucessão. E uma é a aniversariante Casa São Vicente, em que João Vicente Meneses vem no comando geral, desde a morte do pai, maximizando as experiências, e avançando, como próprio do próprio pai a passos largos, mas não tão largos que se possa perder o controle.

60 anos. De vida, maturidade e sucesso.

Uma bonita data!

Parabéns à Casa São Vicente!

quinta-feira, 16 de abril de 2026

VALMIR, GOVERNADOR?

 

Dessa vez... vão deixar?

Tomei um susto, quando um jornalista amigo me passou os números: 494.229 votos para Valmir dos Santos Costa. Muito mais que os 338.796 dados a Rogério Carvalho; e mais além, a votação de Fábio Mitidieri, o deixou em terceiro lugar, com 294.936 votos. Outubro de 2022.

A sempre mesquinha política de Sergipe havia tomado um baita susto. Mas não passou disso: um susto. 

Os senhores dos livros, do mesmo modo como fizeram na República Velha, a de Rapinas e Camundongos, depois, de Pebas e Cabaus, mediante seus homens e mulheres nos tribunais e algures tinham dado um basta "na patuleia"; em suas rebeldias. 

E, no segundo turno, de 2022, o óbvio.

Tem que ser o "homem dos acordos". O homem certo; não qualquer orelha seca, por mais polido que se mostre; por mais negociador, democrata, que se imponha. Um político, na mais nobre acepção da palavra.

A velha Casa Grande não brinca em serviço.

O belo prédio do Museu do Judiciário. Início do século XX. Memória viva de Sergipe.


E Valmir Costa, Valmir de Francisquinho, está na estrada. De novo.

E, ao que parece, aqueles 494.229, não se moveram do lugar. Pelo contrário, aumentou, e não foi devido as estatísticas do IBGE. É que há 15 anos que o estado perdeu qualquer naco de sonhos. Vive sem futuro. Não consegue acreditar na legião de falsos profetas que poluem a política sergipana. Sequer tem tido as esperanças de 2006; muito menos aquele tempo mágico de 1982.

Sempre as mesmas raposas velhas, carcomidas de vícios, a comandar, e quando alguma coisa de leve aparência diferente bota a cabeça, ou se descobre que é mais um teleguiado, ou logo se decepa-lhe a cabeça.

Mais uma chance de Sergipe parar de "ser jipe", para virar tri-trem.

E, parafraseando o verso do grande Belchior, Sergipe tem pressa de viver. De parar de eternamente “ser jipe”, e virar um tri-trem.

Valmir Costa promete muita dor de cabeça aos viciados da velha elite da cana, mesmo hoje mimetizada em altos cargos do Estado; a maioria de meros sinecuras.

Não é, nem nunca sê-lo-á da panelinha. Mesmo querendo. Então, só lhe resta fazer o que vem fazendo desde 1988: no sistema, contudo sem com ele, com seus vícios compactuar.

E aceitar o desafio de vencer a “maldição serrana”, desde o capitão-mor Manuel Pestana de Brito, passando por José Matheus da Graça Leite Sampaio e Batista Itajaí, todos não nascidos; e dos itabaianenses natos, General José Calazans, e Euclides Paes Mendonça. 

Itabaiana, um dos tripés formadores da sergipanidade, nunca elegeu um governador de Estado.

Pestana de Brito, escorraçado do governo por Salvador-BA, apoiado na nascente elite entreguista de Sergipe; Leite Sampaio, o herói esquecido, deliberadamente ignorado, da emancipação sergipana, só passou alguns meses à frente da primeira junta governativa; Itajaí, escorraçado por ser lagartense, e chefe político em Itabaiana; Calazans, sempre preterido; e Euclides Paes Mendonça, a maior prova que a elite preguiçosa não tolera a ousadia, intrepidez e dinamismo serrano.

Valmir Costa vem se construindo lentamente ao longo das últimas quatro décadas.


A trajetória de um líder

Fotograma: Jornal de Itabaiana, Edição de 8 de janeiro de 1989. Valmir assumindo o seu primeiro mandato.

Mais um vereador de interior, porém calma e diligentemente se preparou ao longo dos cinco mandatos, na 47ª mais antiga casa legislativa da história do Brasil para o grande salto na administração pública. Em 2013, ao pegar a administração municipal, em completa ruína, hábil e pacientemente, andou por águas turbulentas da complicada política, e superou a todas, resgatando o que já se achava quase perdido, e mais realizando, dentro da máxima da res publica romana, de nunca destruir o que os outros fizeram de bom; e sim melhorá-los, acrescentando a sua própria marca. Isso o capacitou a um segundo mandato, o preparando para ser aclamado pelo povo do seu estado. Porém, Sergipe, como sempre, traído pela sua elite, seu estado profundo, que histórica e mesquinhamente só tem enxergado o próprio umbigo.

Em 2022, quando seria esperado se contentar com uma certa cadeira a Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, ou até um incerto voo mais alto, na Câmara dos Deputados, surpreendeu meio mundo de incrédulos, ao se lançar candidato a governador do Estado, sendo cassado assim que sua viabilidade se tornou irreversível. Não adiantou, pelo visto. Está vindo mais forte nesse ano.

Particularmente, da elite que golpeou Batista Itajai em 1909, e fabricou o assassinato de Euclides Paes Mendonça, 1963, eu espero tudo.

De uma coisa é certa: "Não é para ser candidato; se for candidato, não é para ser eleito; se eleito, não é para governar".

Vem-me à lembrança, o grande Raymundo Faoro, sobre o golpe do impeachment de Collor, na revista IstoÉ, 1.212, de 23/12/1992: “...um poder por força de uma representação constitucionalmente viciada. De qualquer modo, já que a previsão existe, em abstrato, fatalmente ocupará as fantasias dos conspiradores de sempre. Sobretudo se o governo falhar; se não falhar procurar-se-á fazer-lhe com que falhe, até pelo prazer de confirmar a profecia.”

Logo, a guerra apenas está sendo anunciada; nem ainda começou.

Valmir deixou a Prefeitura Municipal de Itabaiana, definitivamente, no último dia 2 de abril.

Quanto à eleição, particularmente não tenho a menor dúvida. Pelo povo, pela vontade da maioria, já há quatro anos que Valmir Costa é governador. Resta saber se agora o deixarão se capacitar legalmente; e se assumirá em 1º de janeiro.

A sorte está lançada.



quarta-feira, 15 de abril de 2026

SERGIPE: VERGONHA DOIS PONTO ZERO

E o papelão do senador, hein?

Lembrou o outro, 22 anos atrás.

Em fevereiro de 2004, com praticamente toda a imprensa contra o primeiro governo Lula, o senador oposicionista, Almeida Lima resolveu se promover, batendo duro no governo, acusando-o de corrupto, o velho e manjado mantra.

Se levou tão a sério que começou a incomodar a própria oposição, máxime, então comandada pelo maior coroné baiano de todos os tempos, Antônio Carlos Magalhães, que lhe deu um senhor pito no início de abril, encerrando o assunto. E a carreira meteórica do punguista senador sergipano, o breve. Ingresso como muleta pelo primo, o ex-governador Jackson Barreto, na Prefeitura de Aracaju, é que logo se achou o bam-bam, ao se eleger senador.

O papelão representado pelo senador sergipano da República de Curitiba, Alessandro Vieira, com esse Relatório da CPI do Crime Organizado, repete, em maior e mais grave grau, aquela inocente tentativa de desestabilização de governo de 2004.

Meu pequenino Sergipe, sempre a reboque dos malandros.

terça-feira, 14 de abril de 2026

ECOS DA MEMÓRIA

 

No próximo dia 29, às 20 horas, na Praça Chiara Lubich, Bairro Anízio Amâncio de Oliveira, será lançado em Itabaiana o documentário da paulista Denise Szabo, Vou-me embora.

A exibição tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Itabaiana e o filme, meio que remexe nas feridas abertas pela política de excessos, praticado em Itabaiana até recentes tempos.

Trata-se de mais um êxodo nordestino, rumo às terras paulistas, que poderia ser classificado como comum. Mas não é. (Leia mais, Clique aqui)

A polaridade política, advinda da República, a partir de 1890, com os golpes e contragolpes a seguir, incluindo o do Estado Novo, e o consequente liberalismo radical incluído na romântica - e até maldosamente pensada - Constituição Federal de 1946, levou aos extremos, dos quais tivemos copiosas amostras na Itabaiana das décadas de 1940, 50 e 60, culminando com o assassinato de Euclides Paes Mendonça e seu filho, Antônio de Oliveira Mendonça, em 8 de agosto de 1963; com respingos no também assassinato de Manoel Francisco Teles, em 31 de agosto de 1967, encerrando assim uma sequência de 20 anos de violência política, com forte DNA econômico, especialmente na concorrência comercial.

Ao entrar para a política, no partido contrário ao líder Euclides Paes Mendonça, este maximizou a concorrência comercial ao seu estabelecimento, no Largo Santo Antônio. Hoje uma loja multinacional.

A história da família Lapa em Itabaiana remonta a pelo menos o final da monarquia com o ourives Francisco da Lapa Troncoso, e o alfaiate Francisco Fabiano da Lapa, listados como eleitores prováveis, no quarteirão da cidade, levantado pelo historiador José Rivadálvio Lima, em 1875. Um dos seus troncos, Manoel da Lapa Troncoso, surge como conselheiro no então confuso sistema administrativo municipal do início da República, em 1991 (Carvalho, A República Velha em Itabaiana, p. 92), e nomeia importante rua, com início no Centro e final no limite norte do Bairro Mamede Paes Mendonça. Seu filho, Felinto Lapa, aparece como um dos líderes políticos médios da cidade, em 1915.

Recentemente, João Batista da Lapa, o João Bombeiro, assumiu como suplente de  vereador, eleito em 1988, e reelegendo-se para o período seguinte, 1993-1996.

Mas o Lapa retratado no filme (clique aqui para ver o trailer) trata tão somente do drama, quase tragédia que se abateu para família de Vital José da Lapa.

Comerciante, ao iniciar suas atividades na antiquíssima Estrada Real das Entradas aos Sertões de Jeremoabo, no trecho urbano já denominado Rua Augusto Maynard, na esquina com a Rua Barão do Rio Branco, entrou em concorrência natural com os demais, isso acabou gerando rixas com o ascendente Euclides Paes Mendonça.

Gravei isso firmemente na mente: ESQUINA DE VITAL, a hoje loja da Vivo. Sem o primeiro andar. Assim chamava meu saudoso pai, sempre lembrando do fato ocorrido com seu titular.

Seu ingresso na política, do lado dos Pebas, com outra denominação, de PSD, é claro, mas, uma tradição da família, acentuou o ódio do chefe udenista (neo Cabau), levando o lado mais fraco a desertar da cidade depois de agredido. Por segurança à sua própria vida.

E é essa história que a Denize promete contar, sete décadas depois.

Montagem fotográfica com o casal Vital da Lapa e a sua historiadora.

Itabaiana atual é outra. Mas vale a pena conhecer os malfeitos do passado para não deixar acontecer de novo.

Vale a pena assistir.

Em tempo: Pebas eram os conservadores tradicionalistas; Cabaus, os conservadores mais progressistas. Todos, coronelistas. Todos, violentos.



segunda-feira, 13 de abril de 2026

EXPRESSÔES POPULARES

 

O incidente narrado ocorreu depois da lombada, adiante,

Ontem, domingo, 12 de abril, pelas 13 horas, km 57 da BR-235, povoado Sambaíba, Itabaiana, voltando de uma excursão ao Ceará, um pneu do ônibus estourou. Naquele barulho típico. Uma bomba de certa potência.

Experiente, o motorista controlou o veículo com tranquilidade - foi um pneu traseiro - e levou o veículo a local seguro, com certa distância da pista, para realizar os serviços de troca.

Os passageiros, depois do baita susto, respiraram aliviados, ficando só com uma pontinha de frustração por terem de esperar um pouco mais para almoçar. Mas, como brinca um amigo, viajante, logo turista inveterado, "Todo castigo pra turista é pouco".

E aí as gargalhadas com o incidente se concentraram no azarado ciclista que passava pelo local, exatamente no momento do pipoco. Passado o susto, parado e o interagindo com motoristas e passageiros, ele desabafou: "O susto foi tão grande, que só não me caguei porque não tinha merda pra cagar".

A sabedoria popular é precisa. 

Risos.

domingo, 29 de março de 2026

SEPULTADO MAIS UM MONUMENTO HISTÓRICO DE ITABAIANA.

 

Ironicamente, por remoção completa, caíram os últimos tijolos do cemitério dos crentes, nessa sexta-feira, dia 27 de março, deixando o chão onde se assentou limpo de qualquer vestígio de um símbolo sagrado para humanidade, qual seja, o seu último descanso, ao menos desde que o primeiro faraó se eternizou em sua tumba, acompanhado de texto mágico, prometendo sua ressureição, há cerca de cinco a seis mil anos.

A construção, há décadas em ruínas, era também o último símbolo de uma era socioeconômica gigante na história serrana: A Era do Algodão.

Nos escapa quando foi vendido para empreendedores pela congregação presbiteriana. Porém, em 1995 já estava abandonado, Aí, derrubaram a capelinha; logo a seguir se convertendo em lixeira. Hoje pedaço de terra tão valorizado, foi limpado para nova destinação, ficando apenas na memória, pelas imagens recolhidas. Os corpos lá sepultados? Ora, os mortos; quem liga pra eles, né?

Mesmo tardiamente, mas, como a capela da Igreja Presbiteriana, inaugurada em dezembro de 1939, e derrubada 2019, o Cemitério Presbiteriano, que nos escapa o ano de construção, e que teve o seu fim final nesta semana, era um raro símbolo do nascimento da nova Itabaiana que começou com as feiras de algodão de 1863. Ali, a bicentenária pequenina vila deixou de ser o lugar da paróquia, da Câmara de Vereadores se reunindo de ano em ano; dos cartórios, onde registrava terras e escravos, e dos enforcamentos, para ser também a feira dos sábados e assim dar o seu primeiro respiro na finalidade de hoje ser o que é, prometendo ser bem mais, futuramente.

A belíssima e singela capela, na esquina das ruas Sete de Setembo com Barão do Rio Branco, marco na cidade, desde dezembro de 1939, tombou, literalmente, em 2019. Oitenta anos depois.

O protestantismo na serra.

Foi a cultura do algodão e a influência inglesa, por seu imenso parque fabril, que em 1885 trouxe o primeiro credo protestante para as Caraíbas, e dali, se espalhando muito lenta, mas firmemente, até a construção, em 1939, da primeira igreja protestante em solo serrano, na Rua Sete de Setembro, na cidade, onde sobreviveria por exatos 80 anos.
O cemiteriozinho e a capela presbiteriana, símbolo do pluralismo religioso entre nós, com o vapor de Joãozinho Tavares (Fábrica de Beneficiamento São Luiz) eram os símbolos que ainda sobreviviam até o presente século XXI.
Vale das serras da Itabaiana, com a Estrada dos Entradistas do século XVII (dos Sertões do Jeremoabo-BA), ao descer da baixa serra do Pinhão, tendo em primeiro plano o povoado Caraíbas, que com o povoado Flechas, abrigou a primeira fase do grande projeto de expansão da cotonicultura de D. Pedro II, resultante da crise no mercado mundial do algodão, provocada pela Guerra de Secessão americana, de 1861-1864.

O vapor despareceu em 2009; a capela em 2019; e o cemitério que vive em decadência a aproximadamente cinco décadas desapareceu para sempre na última sexta-feira, 27.
Ao menos em termos de lembrança física, estão enterrados pra sempre dois momentos na construção da Itabaiana atual: a Era do Algodão e a chegada do protestantismo.
Memórias apagadas da Era do Algodão. 
O Vapor de Joãozinho Tavares, ou Fábrica de Beneficiar de Algodão 
São Luiz: logo após a inauguração, em 1939; fechado, em 2007; e o terreno limpo em 2009... pra evitar aventuras do governador Marcelo Déda, em transformá-lo em centro de memória??? (Terreno passou quase quatro anos servindo de estacionamento, até ser reconstruído).