terça-feira, 6 de janeiro de 2026

E TERMINA MAIS UM NATAL SERRANO TRADICIONAL.

 

Fui informado que a priori, amanhã, estará se desfazendo mais um clima de fim de ano, popular e resumidamente chamado por aqui de Natal.

Outrora era mais simples. 

Não me recordo de iluminação especial pública, até os anos 1980. Salvo engano, a ornamentação só começou pra valer, mesmo que timidamente, a partir da chegada do Clube de Diretores Lojistas, hoje Câmara, CDL, em 1989, e suas campanhas. Apesar de algumas lojas e residências já a fazer desde uma ou duas décadas antes.

Mas a Feirinha é nossa companheira desde 1924, pelo menos. (Foto acima, colorizada via IA, via o Diego Procópio)

Antes reduzida a uns poucos brinquedos, como o carrossel, já apelidado de Tivoli(*) – trivoli no popular - eternizado por Percílio Andrade, depois ganhou o concurso de balanço, barcas, ondas, roda gigante, chapéu mexicano, montanha russa etc., etc.

Na atualidade, com enriquecimento geral, redução de preços dos insumos, e, claro, vontade política, a festa vem se sofisticando. 

Neste ano desapareceu o monte de barracas de jogos, e ganhamos um castelo que, ao substituir a casa de D. Caçula Teixeira, numa das principais entradas da Praça de Eventos, Etelvino Mendonça, mais embelezou o espaço do antigo sítio Santa Cruz, do casal João Teixeira e da já citada Caçula – a dita praça - permeando de sonhos a garotada, e trazendo certa dose de nostalgia nas gerações de maior quilometragem.

“Agora só no ano que vem”, sempre se disse antes; se diz agora; e, tomara, sempre se dirá.

De fato, não será ano que vem; mas ao final desse que ora começa.

Que venha o próximo Natal!

Montagem, vendo-se a casa dos Teixeira, nos anos 1930, em festa junina. No mesmo local, a administração municipal contruiu nesse ano um castelo, como portal ao parquinho ou feirinha; que, abaixo, em montagem sobre foto do início da Praça, esteve repeleto de pessoas pelos quase últimos 30 dias. No final do ano tem mais.


domingo, 4 de janeiro de 2026

CARAMELO

 “Sabe essas noites que cê sai caminhando sozinho, de madrugada, com a mão no bolso”

(Você Não Soube Me Amar, Evandro Mesquita e outros)


Noite do dia 03 de janeiro, de repente me sinto saturado de festas (e como tem festas na atualidade), declarações de Feliz Ano Novo (a grande maioria, fria; mecânica; e até mais falsa que beijo de rapariga), depois de leve papo com presentemente reduzida família, quero procurar algo que me ocupe o tempo até o sono chegar. E, obviamente esquecer violentos assaltantes. Os comuns; e os oficiais, como o governo da maior empresa banqueira da história – os Estados Unidos da América – como o último assalto, roubo ou garfada (você é livre pra decidir), em cima da Venezuela, um país tampa de um imenso barril de petróleo... e sem uma bombinha atômica sequer. Só bravatas.

Bem, quero relaxar. Esquecer as mazelas do mundo.

A TV aberta, acabou. E continuo a resistir em assinar, pagar para ver uma TV-propaganda

Vou para a velha locação de filme. Não a da loja de até vinte anos atrás; mas a virtual. Americana, obviamente. Via internet. No sistema “corrente”, chamada pelos tabaréus colonizados de “streaming”. Pars servitus, como se diria num fórum romano, vinte séculos atrás. Ou seja, parte, sinal, da nossa servidão ao supracitado império banqueiro, que também planta, cria e fabrica. E faz guerras. Muitas guerras. Um assalto atrás de outro.

Às vezes, passo preciosos minutos, correndo com o controle remoto as intermináveis listas de filmes. Quase tudo lixo. Tudo produto da “caixinha”: sexo, violência, terror, desespero... pronto para preencher o tempo dos zumbis, viciados em cenas tétricas.

Modéstia à parte, acho-me demodê; careta. Não gosto de filmes violentos ou dramáticos, tensos... quando me sento em frente à uma tela é para relaxar; rir, sonhar e até me enternecer. Pra pensar, leio. Pra induzir ao pré-pensamento, vejo documentários. Não os espetaculosos; eivados de breves, ou às vezes grandes mentiras como se fossem verdades. Também a mentira, tem que ser como o dos caubóis: clara e insofismável. Adoro a série Trinity por isso: “Mentiras sinceras me interessam”, já dizia o Cazuza.

Bem, sem mais trololó, ontem encontrei Caramelo. O cachorro mais safado do mundo. Um vira-lata de verdade, magnificamente historiado, numa história simplória, como convém a pessoas comuns, interagindo comumente com um vira-lata comum, que só faltou ter nome de peixe, como disse o grande Luiz Gonzaga, e também grafou o grande Graciliano, entre outros.

Assisti até a última raspa.

Caninamente humano.


Uma grande produção nacional, dessas que despretensiosamente saem da “caixinha” do intelectualismo tóxico, nos aproximando daquilo que continuamos e continuaremos a ser: humanos.

Palmas para os excelentes atores e toda a equipe envolvida, porque sozinho não se faz nada.

E para o Amendoim, o nosso Caramelo.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

MUSIQUINHA DE VÍDEO GAME.

Pois, que aproveitará a um homem ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma? (16 Mt, 26)

Fotograma da cena de O Último Grande Discurso, de O Grande Ditador, em montagem com o mundo dos games, a princípio um inocente passatempo; mas que, parece, com consequências profundas.

"Meu moleque, é inteligente!" Dizia-me um velho amigo em fins dos 90, sobre um filho, então fera no vídeo game.

Ora, “não sois máquinas; homens é que sois”, dizia o Adenoid Hynkel, personagem de Charles Spencer Chaplin, o eterno Carlitos, no Grande Discurso do filme o Grande Ditador, 1940. 

E, a máquina, por mais sofisticada que um dia venha a ser, jamais atingirá a capacidade humana. 

Exceto, se num processo de inversão, ela tornar toda a humanidade limitada como ela. Emburrecida.

A Feirinha de Natal, há um século realizada. Inicialmente com efêmeras apresentações das nossas bandas, incorporaria a presença de som eletrônico a partir de 1954, e ainda hoje indissociado em cada edição anual.
Acima, em foto de Percílio Andrade, a realização na Praça Fausto Cardoso;
Embaixo, repetição da cena, cem anos depois, no último fim de semana.

De casa, 300 metros em linha reta para a Praça Etelvino Mendonça, onde está a Feirinha de Natal, desde 1970, ouço musiquinhas lá tocadas, todas fanks ou fankeadas, cariocas, obviamente; umas “criações” originais; outras, “estupradas”, como a tristíssima cópia da lindíssima “Sálvame” do grupo mexicano RBD.
Aí não tem jeito de não partir para o comparativo; para o saudosismo; de quando eram lançados os ricamente arranjados e produzidos discos de Roberto Carlos e a reca de excelentes artistas que o seguia nos lançamentos de fim de ano, na Feirinha, entre “um alguém de camisa listrada, para outro alguém, morena, trajando macacão jeans, a música que segue”. É! Eram assim os “presentes musicais”; os oferecimentos aos candidatos ou candidatas à paquera. E a feirinha de Natal era campo de caça ao sexo oposto.
A dita música, literalmente uma espécie de "samba de uma nota só", repete ad nauseam, palavras e curtíssimas expressões, quase sempre chulas, no mínimo vazias, torpes, paupérrima. Dignas de cérebros de minhocas.
Nada de produções, como a original da citada “Sálvame”, ou da repetitividade criativa do Bolero, de Ravel; de fato, é daquelas musiquinhas irritantes de vídeos games mesmo, de desde os anos 1980. Só para manter o foco num parâmetro único. Atrofia intelectual. Emburrecimento, ao contrário do que apregoava aquele meu amigo, embevecido com a “inteligência” do filho em ganhar todas, contra uma máquina, muito mais elementar que as de hoje. Abuso da Programação Neurolinguista(PNL). Infelizmente, nas últimas quatro décadas, as massas foram programadas neurologicamente com os repetitivos toques dos joquinhos.
E no último sábado, além da sofrível trilha futurista, seguindo a linha, mais um show ao vivo até as cinco da manhã. Palavrões, revoltas sem revolta, escandalizações gourmet, insinuações sexistas, e a mesma pegada na batida eletrônica do “samba de uma nota só”. Mais vídeo game.
Em resumo, concluo que a musicalidade atual é fruto da quebra do sistema de produção e distribuição de música, ajudada pela padronização neuropsicológica do massivo uso do vídeo game (desde os poderosos, conectados às TVs, aos portáteis, pequenos) e suas malditas musiquinhas de uma nota só. Todo mundo desaprendeu a ouvir sons mais complexos, ricos e harmoniosos.
Estamos nos rebaixando às máquinas.
Praça Etelvino Mendonça, início dos 90, pouco antes da pavimentação. O serviço de som sempre presente, na Feirinha, repetindo o modelo dos programas de rádio da época, trazia sucessos e "flashbacks", que eram oferecidos, em geral e anonimamente pelos(as) paqueradores(as) aos paquerados(as), também anônimos. As músicas, claro, eram as melhores, harmoniosas, letras tocantes, bem tocadas, bem cantadas e bem gravados. Vez em quando, raramente, podia sair um gracejo. Mas só como um tempero e sob risco de censura da galera.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

FAZENDA GRANDE

 

Ninguém se faz por si só. É preciso ter força de vontade, disposição para trabalhar e ter senso de oportunidade. Porém, tudo isso de nada vale sem os meios; sem a providencial ajuda.

O eu por mim mesmo é uma grande tolice. Às vezes até falta de caráter.

A tão esquecida Fazenda Grande, e seu Posto Agropecuário, foi um dos motores que nos trouxe à Itabaiana vencedora de hoje, progressista, opulenta, autoconfiante, às vezes até demais. 

Gente inteligente e trabalhadora, há 400 anos que é cheio dela por aqui. Os meios, porém, de transformar tudo isso em riqueza, só de um século pra cá. O Posto Agropecuário da Fazenda Grande é parte disso.

A seguir, um texto de 1969, epitáfio daquela que tanto fez, mas que só foi subnotada como lugar de recreio; de passeio. E que por isso, por popular desimportância, desapareceu por completo.

Na foto de 2007, acima, a franca decadência de desde 1970; na segunda, de 2019, até os eucaliptos haviam sido cortados, e a área tomada por construções de residências. 
Recentemente, ao transitar pela estrada, agora asfaltada, dei pela falta do último sinal que ainda lembrava a grande Estação Agrícola das décadas de virada de mesa de Itabaiana.


O Posto Agrícola Faliu

José Silveira Filho

(O Serrano, nº 37, 23/04/1969, Ponto de Vista, p.2)

Rumores e boatos correm a cidade dando conta da existência de gestões entre o INDA e Fomento Agrícola, para transferência do Posto Agropecuário de Itabaiana (PAPI) para aquele órgão do Ministério da Agricultura. Se tal gestão chegar a bom termo), se o INDA levar à frente o plano de entregar o PAPI ao Instituto de Pesquisas Agronômicas do Leste (IPEAL), deverá haver festa no meio rural de Itabaiana. Mesmo sem a possibilidade da entrega ao IPEAL, a simples mudança de estrutura do Posto já seria para nós motivo de satisfação. 

A maioria das administrações do Posto de Itabaiana tem sido tão negativa, tão desastrosa e em alguns casos vergonhosa, que mesmo a possibilidade de o INDA vir a administrá-lo nos enche de satisfação, pois devemos reconhecer que o órgão do INDA, aqui sediado, nada tem feito, até agora, que mereça nossos elogios. 

O PAP de Itabaiana foi fundado pela antiga Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas e, durante todo o tempo em que. esteve subordinado àquela repartição, funcionava tão bem que chamava a atenção de todos no Estado. Chegou a se transformar em ponto de turismo, pois todos que nos visitavam tinham um passeio obrigatório programado para o Posto. 

Daqui saíram as mudas de laranja da "Bahia", que na época foram distribuídas por todo Estado e que não soubemos aproveitar para melhoria de nossa economia agrícola. 

As essências florestais feiram distribuídas aos milhões por todo Estado, destacando-se o eucalipto, em suas várias espécies, num louváveI esforço de reflorestamento e de cura das chagas deixadas pela seca de 32. 

Bem aparelhada estação de monta, com animais de raça, funcionava no PAPI, sem domingos ou feriados. Animais preciosos davam palpitante vida a suas baías, sendo de se destacar o garanhão árabe Poty, quase indomável, como se tivesse consciência de haver nascido apenas para disseminar a raça. 

Por razões, que não me é possível determinar, o Posto passou para a administração do Estado e, posteriormente, para o Fomento. Daí para cá entrou em fase regressiva. Das muitas administrações que teve, bem poucas podem ser citadas como boas, sendo que das últimas, podemos destacar a de Wilson Lima, quando o Posto foi reaparelhado e voltou a funcionar. 

Atualmente, apesar de contar com 12 funcionários e 1 agrônoma, apresenta um aspecto lamentável de coisa abandonada. Seu aviário há muito tempo não vê uma galinha e está em péssimo estado; a fábrica de óleo, uma das mais modernas do Estado, não funciona por falta de verba; o posto em si nada tem que se recomende; há muito tempo lá não se planta um pé de coentro que possa justificar os dinheiros ali gastos. 

Se o PAP de Itabaiana fosse um estabelecimento particular, com o que gasta e com o que produz, de há muito tempo teria sua falência decretada! Esta é a triste verdade. Bem analisados os fatos, o Posto Agropecuário de Itabaiana FALIU.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

ENIGMAS SERRANOS

 

Aterrado na década de 1960, o Tanque da Pedreira foi durante quase três séculos um deficiente recurso hídrico na minúscula povoação. Em foto aérea de 1970, a área circulada, ao lado da Praça João Pereira mostra o avanço da urbanização e sua área, consequentemente aterrada. Quem o abriu? E, de fato, para o que?

Ao menos para mim, constituem-se em enigmas na história de Itabaiana, a pequena relação abaixo.


Tanque da Pedreira.

Porque cavar um tanque num lugar seco, sem corrente pluvial natural alguma que o abasteça, e que já existia em 1757, conhecido como Tanque da Pedreira, num lugar onde a primeira construção em pedra e cal foi a matriz de Santo Antônio e Almas, em 1761-1764, em substituição a primeira, desde 1675, de taipa?


Capela do São Cristóvão

Tem-se que a capela do Cruzeiro do Século, no Tabuleiro dos Caboclos, hoje Bairro São Cristóvão teria sido construída pelo padre Valentim Cunha, para comemorar a passagem do século XIX para o XII. Narrativas, porque aquele símbolo de missão acima da porta principal é uma clara identificação de ali está uma robusta construção por uma missão religiosa. Logo, bem mais antiga.


Escola Municipal 30 de Agosto

Para encurtar a história, porque uma escola com a denominação de 30 de Agosto?

Seria uma atrapalhação de alguém, com a data do status de cidade de Itabaiana; ou seria uma data sagrada para o Trabalhismo; já que originalmente foi criada e mantida pela Associação Beneficente dos Trabalhadores.

À esquerda, em recorte do jornal O Serrano, de 1968, a pista de onde pode estar a origem da aparentemente estranha denominação da Escola Municipal 30 de Agosto. À direita a enigmática capela no Bairro São Cristóvão, com simbologia missionária, a exatamente quatro quilômetros do atual povoado Boimé; Boi Mel, na linguagem popular.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

VISÃO EMBAÇADA

 

- Não vai ter Curso Científico em Itabaiana e acabou-se!

Mais enrubescido que de costume, o jovem estudante da conceituada faculdade de Química, esqueceu Ditadura, AI-5, pau-de-arara correndo solto, e o cargo plenipotenciário do Secretário de Estado da Educação, Carlos Alberto Sampaio, e partiu para o desespero:

- Por que não? Então o Senhor me enganou. Me fez de trouxa!

Mais algumas palavras ácidas, ditas num clima irracional por um aluno, “Apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior”(*)... a uma grande autoridade, descendo o nível, quase irascível, irredutível e desesperado; e aí o Secretário vai e cai na tolice de desafiar:

- Como eu vou permitir um curso Científico em Itabaiana, se eu não tenho quem ensine matemática, física e química?

Aí o jovem, mantendo o clima:

- Eu ensino as três!

O Secretário o olhou detidamente, e manteve o desafio:

- O Senhor se compromete por escrito?

O jovem assentiu, e no dia 12 de fevereiro do ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1969, deu-se início às matrículas para o curso Científico; ao apogeu do Colégio Estadual Murilo Braga; e à transformação de Itabaiana, não mais somente na maior feira do interior sergipano; mas sua transformação em polo de desenvolvimento regional, em definitivo; e incremento vigoroso em sua economia, tipicamente comercial e de serviços.

O então jovem foi José Augusto Machado, e a sua atitude desesperada e exitosa foi fundamental para com outros complementos se chegasse à cidade que hoje temos.


Testemunhos do jornal, O Serrano

Mais uma vez me traz a esse assunto, a leitura sobre o mesmo, do cronista Zé Silveira Filho, ao se perguntar, no Ponto de Vista de O Serrano, número 9, de 11 de setembro (a gráfica errou no mês, grafando agosto), de 1968, se alguém realmente estava querendo o Científico.

Naquele momento, com todo mundo admirando o tamanho e a beleza do próprio umbigo - outros se sentindo previamente derrotados - talvez só o mesmo Zé Silveira tivesse noção de que um ato, aparentemente tão trivial, poderia provocar de progresso da cidade. O fato é que depois o já engenheiro José Augusto Machado declarou em entrevista à Televisão da Assembleia Legislativa – a TV Alese – que, por desânimo, por julgar inatingível, ou por talvez vontade de araque, todo mundo desistiu; restando unicamente ele na trincheira. Trincheira que foi parte substancial na revolução progressista de Itabaiana.

Em 1975, ao chegar à Casa do Estudante, república do CASCI (o mesmo CASCI do Lar Cidade de Deus) tornei-me colega de uma estudante da margem do São Francisco. Eu, na "casa dos homens", para começar o antigo Ginásio; ela, na "casa das mulheres",  para fazer o Científico no Murilo Braga. A referida senhora veio depois a tornar-se mãe de uma grande autoridade do, e de Estado, o atual Presidente da Assembleia Legislativa, Jefferson Andrade. Itabaiana tinha virado um segundo centro de Sergipe; e o Murilo Braga um segundo Ateneu Sergipense.

José Silveira Filho termina seu artigo, condenando os derrotistas, e apostando na ousadia. Assumida integralmente por José Augusto Machado.

Deu certo.

No dia 11 de fevereiro, o próprio Zé Augusto trouxe a comunicação oficial, à direção e à sociedade serrana. E no dia 3 de março, dia de início das aulas naquele ano, entraram em sala os primeiros futuros advogados, médicos, odontólogos, engenheiros, pedagogogos, etc., etc..

Assim, a adinamia, a miopia, visão embaçada dos poderosos do Estado e do município foram vencidas. Com excelentes resultados.


(*) Versos de Belchior, no grande sucesso de 1975, “Apenas um rapaz latino-americano”.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

HONRANDO O PASSADO.

 

Se não conhece qualquer fotografia de Itabaiana, antes de 1890, quando Seu Teixeirinha resolveu apontar a sua já velha câmera para a matriz de Santo Antônio e Almas, colhendo sua imagem com uma pequena palmeira imperial, à direita da mesma, tendo à esquerda (direita da foto) um ainda imberbe jenipapeiro, que seria o ‘fofocômetro’ da acanhada cidade de até meados do século XX.

Em nova e bem melhor foto, de cerca de 1906 (quando também fotografou o “Mercado Cabaú”, contudo ainda não tinha sido colocado os postes de iluminação a querosene, de 1908), a palmeira já aparece bem maior, o jenipapeiro, frondoso, já era poleiro dos relatores da vida alheia.

A Praça, hoje Fausto Cardoso, e sua matriz, se constituem, pois, no mais antigo registro fotográfico de Itabaiana.

E o Photo Nacional, o mais antigo, genuinamente sergipano, e itabaianense, obviamente, teve início quando em 1871, no lombo de um burro, provavelmente portando caçuás, o então jovem Miguel Teixeira da Cunha cortou os mais de 300 quilômetros, de Itabaiana a Salvador, para de lá trazer seu “daguerreotipo”; os insumos, e os conhecimentos rudimentares sobre a invenção de Louis Jacques Mandé Daguerre, que substituía a pintura: a fotografia.


(Quase) Sem História

Itabaiana, cidade de não ricos, só pobres e remediados, nunca teve imprensa efetiva. 

Até o fim do século XX, apenas a hercúlea experiência de O Serrano, 1968-1974, com espasmos até 1978. Fora disso somente raras publicações, mesmo tendo entre seus políticos um correspondente local da imprensa nacional: o jornalista Silvio Teixeira.

É, portanto, uma cidade antiga, sem preservação da sua memória, além dos documentos oficiais, e das  raríssimas crônicas, nem sempre tão isentas, mormente em jornais da capital.

Até 1950, salva-nos a fotografia. Especialmente dos três primeiros documentaristas: os profissionais, Miguel Teixeira da Cunha, e João Teixeira Lobo; e o amador, Percílio da Costa Andrade.


Concurso.

Foi justamente buscando enaltecer o valor dessa tradição de registros, através da fotografia, que a Prefeitura Municipal de Itabaiana publicou recente Lei criando o Concurso de Fotografia Miguel Teixeira Lobo, instrumentalizando assim a Secretaria Municipal de Cultura a anualmente promovê-lo, doravante. (Veja mais aqui)

O desse ano, de fato, diante do adiantado do exercício, e da citada aprovação recente em Lei, terá início nessa sexta-feira, 5; mas só finalizará em janeiro, transcorridas todas as etapas previstas.

Miguel Teixeira da Cunha (Seu Teixeirinha); João Teixeira Lobo (Seu Joãozinho Retratista); e Percílio da Costa Andrade, amador e compulsivo em documentar, foram os três primeiros. Seguidos por Romeu Alves dos Santos.

O Concurso fará homenagem a quatros fotógrafos já falecidos, obviamente; e a uma profissional, também falecida, marcante entre nós, quer como funcionária de um deles, de Romeu Alves dos Santos, do Foto Romeu; que de moto próprio, onde resistiu até o domínio da fotografia digital, por volta de 2005: Helena Vasconcelos Lapa.

Helena, fotógrafa muitos anos no estúdio Foto Romeu, na Sete de Setembro, encerrou a carreira em estúdio próprio, quase em frente, por volta de 2005, com o fim da era do filme, e inicío da era dos bites. Falecida recentemente.

A premiação incidirá sobre os treze finalistas na classificação geral, com o primeiro, o segundo e o terceiro lugar, respectivamente, ganhando cinco mil, três mil, e dois mil reais; e os demais, do quarto ao décimo-terceiro, um mil reais, como forma de estímulo, pela participação.

O tema, e demais particularidades será publicado no Edital do 1º Concurso, no “site” da Prefeitura.

A Praça Fausto Cardoso, com a lindíssima iluminação desse ano, certamente será gravada como foi por Percílio Andrade, a um século atrás, com suas humildes mesas de jogos; doces e a presença do trivoli, que depois muito rendeu, e desde 1971 que se encontra no antigo sítio de D. Caçula Teixeira, hoje Praça Etelvino Mendonça ou de Eventos. 

Daqui a cem anos, as fotografias a serem agora tiradas serão deleite dos nossos bisnetos e tataranetos e outros descendentes.

Cem anos separam essas duas cenas. Foto de Percílio Andrade, de cerca de 1922, mostrando parque de diversões natalinas, com tivoli e bancas de jogos, doces e mais. Em foto de hoje à noite, teste de iluminação de natal desse ano, a partir desse dia 5, início do 1º Concurso Municipal de Fotografia, Miguel Teixeira da Cunha.