No próximo dia 29, às 20 horas, na Praça Chiara Lubich, Bairro Anízio Amâncio de Oliveira, será lançado em Itabaiana o documentário da paulista Denise Szabo, Vou-me embora.
A exibição tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Itabaiana e o filme, meio que remexe nas feridas abertas pela política de excessos, praticado em Itabaiana até recentes tempos.
Trata-se de mais um êxodo nordestino, rumo às terras paulistas, que poderia ser classificado como comum. Mas não é. (Leia mais, Clique aqui)
A polaridade política, advinda da República, a partir de 1890, com os golpes e contragolpes a seguir, incluindo o do Estado Novo, e o consequente liberalismo radical incluído na romântica - e até maldosamente pensada - Constituição Federal de 1946, levou aos extremos, dos quais tivemos copiosas amostras na Itabaiana das décadas de 1940, 50 e 60, culminando com o assassinato de Euclides Paes Mendonça e seu filho, Antônio de Oliveira Mendonça, em 8 de agosto de 1963; com respingos no também assassinato de Manoel Francisco Teles, em 31 de agosto de 1967, encerrando assim uma sequência de 20 anos de violência política, com forte DNA econômico, especialmente na concorrência comercial.
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| Ao entrar para a política, no partido contrário ao líder Euclides Paes Mendonça, este maximizou a concorrência comercial ao seu estabelecimento, no Largo Santo Antônio. Hoje uma loja multinacional. |
A história da família Lapa em Itabaiana remonta a pelo menos o final da monarquia com o ourives Francisco da Lapa Troncoso, e o alfaiate Francisco Fabiano da Lapa, listados como eleitores prováveis, no quarteirão da cidade, levantado pelo historiador José Rivadálvio Lima, em 1875. Um dos seus troncos, Manoel da Lapa Troncoso, surge como conselheiro no então confuso sistema administrativo municipal do início da República, em 1991 (Carvalho, A República Velha em Itabaiana, p. 92), e nomeia importante rua, com início no Centro e final no limite norte do Bairro Mamede Paes Mendonça. Seu filho, Felinto Lapa, aparece como um dos líderes políticos médios da cidade, em 1915.
Recentemente, João Batista da Lapa, o João Bombeiro, assumiu como suplente de vereador, eleito em 1988, e reelegendo-se para o período seguinte, 1993-1996.
Mas o Lapa retratado no filme (clique aqui para ver o trailer) trata tão somente do drama, quase tragédia que se abateu para família de Vital José da Lapa.
Comerciante, ao iniciar suas atividades na antiquíssima Estrada Real das Entradas aos Sertões de Jeremoabo, no trecho urbano já denominado Rua Augusto Maynard, na esquina com a Rua Barão do Rio Branco, entrou em concorrência natural com os demais, isso acabou gerando rixas com o ascendente Euclides Paes Mendonça.
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| Gravei isso firmemente na mente: ESQUINA DE VITAL, a hoje loja da Vivo. Sem o primeiro andar. Assim chamava meu saudoso pai, sempre lembrando do fato ocorrido com seu titular. |
Seu ingresso na política, do lado dos Pebas, com outra denominação, de PSD, é claro, mas, uma tradição da família, acentuou o ódio do chefe udenista (neo Cabau), levando o lado mais fraco a desertar da cidade depois de agredido. Por segurança à sua própria vida.
E é essa história que a Denize promete contar, sete décadas depois.
Itabaiana atual é outra. Mas vale a pena conhecer os malfeitos do passado para não deixar acontecer de novo.
Vale a pena assistir.
Em tempo: Pebas eram os conservadores tradicionalistas; Cabaus, os conservadores mais progressistas. Todos, coronelistas. Todos, violentos.





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