quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A RODA DA HISTÓRIA.

 

A chegada dos seis altos postes de iluminação, em novembro de 1975, segundo o jornal O Serrano (em destaque, O Serrano 238, de 1º daquele mês) reavivou o ânimo tricolor, e da própria cidade, que passou a ter jogos e outros grandes eventos noturnos.
A retirada das cinquentenárias torres de iluminação do ex-estádio Presidente Médici, e atual Etelvino Mendonça, desde o início desta semana, com pequena diferença, repete o momento da sua instalação em novembro de 1975.
O bicampeonato, a duras penas conseguido em cima do Clube Sportivo Sergipe e da máfia da Federação Sergipano de Desportos, em 1973, não se repetiu em 1974 e 1975, e, o torcedor tricolor chegou ao fim daquele ano desalentado.
O time começou com três empates sucessivos, uma derrota para o Vasco Esporte Clube; outro empate com o Confiança; e por fim a primeira vitória contra o Maruinense, em 30 de abril. Enfim, terminou o primeiro turno em 6º lugar, repetindo no segundo, e, apesar de melhorar no fim do campeonato, ficou em terceiro lugar na classificação geral, vendo o seu arqui-inimigo, Club Sportivo Sergipe ser campeão.
A moral tricolor estava lá embaixo.

Os seis postes de iluminação, acima, em foto de 1993, depois de meio século, serão substituídos.

Mas em fins de outubro o governador José Rollemberg Leite, finalizando seu primeiro ano do segundo mandato, acenou com uma estrondosa melhoria na praça esportiva, construída no cruzamento da antiquíssima estrada real para Salvador, e a BR-235, trecho já substituído e nomeado como Avenida Manoel Francisco Teles: a iluminação por potentes refletores, o que significava, assistir partidas noturnas, doravante.

Em novembro de 1975, o rebuliço na cidade com a chegada das carretas trazendo os seis enormes postes foi colossal.

No cruzamento de duas importantes e históricas estradas, o então Estádio Presidente Médici foi inaugurado no dia 7 de março de 1971 (foto), em amistoso do Tricolor com o Grêmio Portalegrense. Jogo iniciado pra terminar às cinco da tarde, por falta de refletor. E assim permaneceria até meados de novembro de 1975.
Nos escapa quando foi o jogo inaugural da iluminação; porém, em 19 de janeiro de 1977, eu vi o Tricolor meter seis a um no Estanciano, a luz dos refletores. E em 24 de março de 1978, ao lado de dezenas de companheiros da Juventude Unida a Cristo, participei da apresentação da Paixão de Cristo no mesmo gramado, com direito a arquibancadas cheias, fato que se repetiria, agora como Via-Sacra até um ou dois anos atrás.
Dizem que a retirada das torres é para substituí-las por algo mais moderno. Tomara que sirva de alento ao ânimo do torcedor tricolor, bastante abalado com o último e infausto resultado na série C do Campeonato Brasileiro, de volta à serie D.
Que venha o renascer no próximo campeonato. 
E que não enrolem na questão iluminação.


domingo, 30 de agosto de 2026

COSTUMES DE ANTANHO.

 

Composição da mais antiga fotografia da Praça Maior e matriz, cerca de 1890, mostra o velho “fofocômetro”, documentado pela jornalista Amanda Rossi, em 2008, com a narrativa do dia a dia do “apostômetro”, narrado em entrevista por Airton Almeida Maciel. A árvore sob a qual os dois senhores sentam é quase o mesmo local do antigo jenipapeiro.

Uma foto, publicada hoje nas redes sociais por Antônio Samarone de Santana me alertou para a manutenção de uma tradição: a multissecular fofoca política itabaianense.

Trata-se da frente da trissecular Casa de Câmara e Cadeia, dos tempos coloniais, ou, atualmente chamada apenas Câmara Municipal. Hoje, há 1.500 metros, exatos um quilômetro e meio ao sul, pela avenida aberta em 1962.

A antiga Casa de Câmara e Cadeia, em fins da década de 1950, já desativada há quatro décadas, mais ainda se mantendo com o Beco (Hoje Avenida) e a residência do ex-prefeito Ivo Carvalho. Em 2001, o espaço do velho jenipapeiro rejuvenescido em vigoroso teatro político. Em destaque, à direita da foto em cores, de janeiro de 2001, o então vereador Valmir dos Santos Costa, no início seu terceiro mandato.
Ali, entre a Câmara, hoje uma casa baixa, onde funciona um bingo; e a matriz, de frente a então casa paroquial, nasceu um jenipapeiro que, sob sua sombra, homéricas contendas políticas – e talvez as também tradicionais apostas – foram travadas.
É salutar lembrar que logo atrás, e ao lado da Câmara, desta separadas pelo Beco, hoje Avenida Ivo Carvalho, ficavam, em momentos pouco diferentes, as residências do Coronel José Cornélio da Fonseca, e do citado Ivo de Carvalho, este, ocupante do cargo inaugurado por Manoel da Silva de Souza, em 16 de junho de 1700, duzentos e doze anos depois; e tendo no período assumido a Prefeitura Municipal como interino, em 1935.
O velho jenipapeiro do “fofocômetro” aguentou até a seca de 1932. À direita da matriz, quase desfolhado, observa melancolicamente a fila enorme de coletores de água salobra, no poço recém-aberto pelo DNOCs, no centro da velha Praça Maior, ou Fausto Cardoso, durante a terrível seca. À direita, registro fotográfico do inaugurado coreto, pela administração Otoniel Dórea, em meados de 1935, por cima do antigo catavento e do poço, que ainda existe, mostra à direita, a ausência do velho jenipapeiro. A fofoca, contudo, não morreu.
Hoje o lugar, mesmo depois das mudanças sofridas pela Câmara, continua ativo.
Excelente a observação feita por Samarone, com a foto abaixo.



terça-feira, 25 de agosto de 2026

A PRAÇA MAIOR ESVAZIADA

Faz 1.616 anos, hoje, que Roma caiu. O fim do grande império, contudo deixou marcas, não só nas leis e na língua que falamos; mas até como construímos nossas cidades, com uma praça central. A praça do poder.

Primeiro, a Casa de Câmara e Cadeia ficou sem a Cadeia, no processo de Independência do Brasil. Em 1835, a Cadeia já funcionava em separada da Câmara de Vereadores ou Conselheiros Municipais.

Segundo, saiu a Câmara, em 1969, retornando exatamente 20 anos depois.

Acima, prédio da Casa de Câmara e Cadeia, (Foto de Jurandi Rosa) do velho sistema português, que perdeu a cadeia no início do Brasil independente, e mudou-se para dentro da Prefeitura, e, 1913. Embaixo, mudança da Câmara, entre 1969 e 1988, para o prédio da antiga Associação Atlética, de volta à Praça. E por fim, mudança para prédio onde hoje está.



Em terceiro, saiu o Fórum. O Poder Judiciário. Em 1988.

E por fim, nos últimos dois anos, os cartórios de 1º e 2º ofícios. No ano que passou, foi a vez do 1º Ofício; neste ano o também velho 2º Ofício deixou a praça do poder clássico no mundo latino.

Apenas o simbólico prédio da Alcaidaria, Intendência ou Prefeitura, permanece no lugar. E a sede da instituição mãe de tudo: a Matriz de Santo Antônio e Almas de Itabaiana.


No prédio - em azul - funcionou o Fórum Maurício Gracco Cardoso, até 1988. Atualmente em reforma, abrigará a sede da Academia Itabaianense de Letras.
Os cartórios de 1º e 2º ofícios, embaixo, instituídos por D. Pedro II (de Portugal), em 16 de junho de 1700, são as últimas defecções do poder na Praça do Poder, nos últimos dois anos, agora só restando a Prefeitura e matriz de Santo Antônio, sem mais o poder de antigamente.


Instituição romana

Timgad, ao sul da hoje Argélia, na África, foi um típica cidade romana, com seu clássico espaço de fórum. Em Madri, Espanha, o modelo de núcleo do poder se espalhou por todo o mundo ibérico, Portugal, inclusive.
O apogeu do Império Romano, conquanto tenha dado a Roma o imenso poder, trouxe-lhe também responsabilidades.
Um monte de novas cidades surgiu onde nada existia, enquanto outras, pré-existentes, foram reconstruídas, seguindo sempre um modelo padrão, ao menos na sua origem.
Roma caiu em 25 de agosto de 410, hoje faz 1.616 anos; e pelos próximos três séculos seu império foi saqueado por todo tipo de bandido. Dos que aspiravam a ser rei, aos reles assaltantes. O modelo de cidade, com uma praça, um fórum central entrou em decadência, substituído pelo modelo fortificado, com torres, muros e fossos e ponte.
Mas nas fraldas do que foi o Império Romano, um novo poder, mais civilizado, e forte militarmente foi se impondo: o mundo muçulmano, que dominou a península ibérica, mantendo à sua maneira o modelito de praça central com ruas ao redor, ligadas à praça por travessas estreitas.


Núcleo original de Itabaiana: Quatro ruas circundantes, dando proteção à praça central, ou Praça Maior: a praça do poder.
Assim nasceu a cidade de Santo Antônio de Itabaiana.
Mesmo que esse padrão não logo tenha se confirmado.
A Rua da Vitória, hoje General Siqueira, somente foi aberta entre a Tobias Barreto e Largo Santo Antônio da década de 1910.
A Rua das Flores, na parte que é hoje a Barão do Rio Branco, e a 13 de Maio, são do final do século XIX.
Das ruas de proteção à Praça do Poder, ou Praça Maior, somente o Rua do Sol, atualmente General Valadão se materializou com o nascimento da cidade. 
E obviamente, todas as travessas de ligação das ruas à praça.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

UMA HOMENAGEM À NEGRITUDE ITABAIANENSE.

Já houve tempo, não faz muito tempo, que a tradição oral da cidade de Itabaiana era a de que, em Itabaiana nunca houve pretos nem indígenas. 

Mas, lentamente se vai consertando os equívocos.

A solenidade na noite desta quarta-feira, 19, na Câmara Municipal de Itabaiana - 47ª mais antiga casa legislativa brasileira e 2ª sergipana – que concedeu título de cidadania ao poeta, ator e ativista causa negra, Severo José dos Santos, o Severo de Acelino, foi mais um capítulo na imersão em um tema que foi ignorado e esquecido por muito tempo na sociedade itabaianense.

O referido título foi uma proposta do edil João Cândido Sobrinho.

Mesmo que no primeiro Censo feito pelo IBGE, em 1940, a proporção de brancos no município sem mais as áreas ricas em engenhos, tenha se revelado alta, todavia, nos recenseamentos provinciais, anteriores, não era o que ocorria. O último Censo de 2022, guarda-lhe certa semelhança, no que se refere aos pardos.
Documentação ultimamente levantada nos arquivos, contudo, desdiz essa cultura de branquitude quase total. O que é natural, sendo Itabaiana a região mais antiga de Sergipe, ao lado de São Cristóvão e Lagarto; primeira produção pecuária para exportação de carne e couro do Brasil; e também contendo o segundo mais antigo povoado do estado, depois da cidade de São Cristóvão, por, em cujo povoado se abrigar a segunda paróquia na história do mesmo estado.
O desconhecimento, contudo, da incipiente classe alfabetizada, em relação a história do município, até a primeira escola de verdade, o Grupo Escolar Guilhermino Bezerra, levou muita gente boa a duvidar da “Velha Loba”, como a ela frequentemente se referia o historiador Sebrão Sobrinho.
Os documentos, ora vindos à tona, nestes tempos de informação total – apesar de igual desinformação – tem nos munido de instrumentos para avaliação mais precisa da nossa história.

A cidade de Itabaiana foi fundada na rota dos entradistas, aos sertões de Jeremoabo, em resumo, os populares e odiados capitães do mato, onde o mais notório dele foi Fernão Carrilho. Logo, está ligada ao drama da escravidão desde o seu nascimento. Fugas, quilombos, capturas.

A rotina do capturado era terrivelmente desumana.

O original município de Itabaiana, do rio Cotinguiba ao riacho Cansanção, entre os rios Sergipe e Vaza-Barris, foi, em si, local de vários esconderijos de escravos fugitivos.

Caenda, hoje nos municípios de São Miguel do Aleixo e Ribeirópolis; Ribeira, em Itabaiana; mais tardiamente, Mocambo, em Frei Paulo, são registros precisos de atividade quilombola, contudo, várias localidades dentro da atual do município de Itabaiana, como os povoados Barro Preto, Taboca, e especialmente no Tabuleiro dos Caboclos, este, de possível associação de pretos e índios (caboclo é o termo popular para os miscigenados das duas raças), foram notoriamente ambientes de pequenas concentrações de pretos. De fato, Mocambos. Já que marginalizados, mas forros.

Porém a Itabaiana, além da cidade, originalmente se iniciava no rio Cotinguiba, e numa linha deste ao rio Sergipe, e ao Vaza-Barris, e chegou a ter a maior população escrava, nas décadas de 1860 e 1870. 95% de serras abaixo, nos atuais municípios de Malhador, Santa Rosa de Lima, Riachuelo, Areia Branca, Itaporanga d’Ajuda (margem esquerda do Vaza-Barris) e Campo do Brito.

Extrato do mapa Carta Corográfica de Sergipe, por João Bloem, 1844, quando a fronteira açucareira estava começando a se ampliar na Cotinguiba itabaianense.
E é esse território que gera João Mulungu, herói sergipano da causa negra.
Dentro das serras, nasceu e cresceu outro, que se tornou expoente, nacionalmente, Quintino de Lacerda, major, primeiro vereador negro da História do Brasil, chegando a presidente da Câmara Municipal de Santos-SP, sendo, primeiro protetor de seus irmãos de cor, no quilombo do Jabaquara, em sua propriedade; e também artífice político do fim da escravidão no Brasil.
E a essa presença, é que resume essa homenagem, de fato, a solenidade desta quarta-feira, dia 19, Dia do Historiador, a um expoente da luta, em busca de igualdade daqueles que um dia foi lhes negada até a presença de alma, o Sr. Severo José dos Santos.
Em 1877, já em franca venda de braços itabaianenses para os cafezais paulistas (Quintino de Lacerda foi vendido em 1874), mesmo assim Itabaiana ainda tinha a maior população escrava de Sergipe.

Boas vindas ao novo itabaianense!

quinta-feira, 30 de julho de 2026

ORQUESTRA SILENCIADA

Há mais de uma semana que eles não mais coaxaram.

A festa emudeceu.

O palco? Um pequenino sítio que ainda resta, entre as ruas São Luiz e Vera Cândida de Santana, cujas retificações, sepultaram um pequenino trecho da quatrocentona estrada colonial, Salvador-Olinda, a do sertão. Passando, naturalmente por Itabaiana.

Traços da quatrocentona estrada (em vermelho), ainda visíveis na fotografia aérea de Walmir Almeida, de 1986. Em verde a localização atual do "palco" em questão.
E a depressão restante no terreno criou uma espécie de lagoinha seca, mas em que todo os invernos, brotam sapos, caçotes, jias e outras modalidades de rãs, que quando em tempos bons, coaxam e coaxam, revivendo a orquestra da natureza, que a humanidade cada vez mais sepulta.

Porém. neste ano, mesmo sem alteração física no seu meio, por intervenção humana, a orquestra anda devagar.

O local referido, paraíso da saparia, e de ouvidos que com seu cantar se delicia, entre as ruas São Luiz, acima; e Vera Cândida, em baixo. Bairro Club.

Em abril, só veio chover por aqui no finzinho do mês.

Em maio, continuou o iniciado em abril, parando completamente por uns quinze dias; dando um pequeno agrado em junho, depois do Santo Antônio, e só voltando a chover, também no finalzinho do mês e início desse que ora termina. Nesse, choveu bem no dia 16, e menos no dia 17. Hoje, 30 de mês, só uma ameaça a cada semana. Ameaça, mesmo.

Aí a turma da maravilhosa orquestra não aguentou: guardou os instrumentos para dias melhores.

Uma pena: serve de atração especial toda vez que vou ao estúdio de pilates, especialíssimo porque é o único da cidade com visão para a história – ao menos para mim – contida no fiapo de estrada acima citada, com coqueiral a farfalhar suas palmas preguiçosamente, infundindo calma e bem-estar, enquanto as instrutoras capricham em seu afazer de desbastar a ferrugem de articulações viciadas e cansadas, operando milagres. 

Sem a orquestra ranária, fica faltando um pedaço.

E sobram, de certo modo preocupações, já que o consumo de água explodiu na últimos 30 anos, e as nossas barragens construídas nos governos pós-redemocratização – João Alves Filho e Antônio Carlos Valadares – sequer estão sangrando como de outros anos.

Em 2019, mesmo com a barragem sangrando por algum tempo, chegamos ao fim do ano em situação crítica de abastecimento, com suspensão da irrigação. Itabaiana continua no semiárido; apesar de toda tecnologia hoje disponível.



quarta-feira, 29 de julho de 2026

PEREGRINAÇÃO DE SANTA DULCE, 2026

"Coisa que pra mode ver, o cristão tem que andar a pé" 

(Estrada do Canindé - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)

No próximo domingo, 2 de agosto, tem início mais uma esplêndida jornada, de fé, oração e ecologia. De enlevo. (Leia também aqui. Clique.)

Trata-se de mais uma jornada, na maior parte, de um seleto e pequeno grupo; mas que iniciará irmanada com ruidosa e festiva multidão, acima de cinco mil caminhantes, na primeira etapa do tramo sergipano. Os 13 quilômetros do marco zero, oitão da Maternidade São José, até a ermida de Santa Dulce dos Pobres, vizinha a outro ponto emblemático, que é o Parque dos Falcões; e próximo de outro ponto, ainda inexplorado, mas de grande peso na História do Brasil: o local da prisão de Melchior Dias Moreia, e consequente nascimento da Lenda da Prata, em 16 de julho de 1619 (mais aqui).

Saída da estrada principal, no povoado Serra; e entrada numa secundária, sob o olhar da imagem de Santa Paulina.

A saída está marcada para as seis da manhã, com previsão de chegada às nove, a seguir, na sobredita e bendita ermida.

Essa primeira etapa é de inteira responsabilidade da Casa de Santa Dulce, com amplo apoio do Executivo municipal; de empresas, da mídia, impressa e eletrônica e deve repetir, com algum ganho, obviamente, as que já ocorreram nos anos anteriores.

Em foto de 2023, o apoio logístico do Município, com a segurança da SMTT e Guarda Municipal, coorganizando a saída com a comissão da Casa Santa Dulce.

A primeira e mais concorrida etapa será encerrada com Santa Missa às 9h, presidida por Dom Josafá Menezes, Arcebispo Metropolitano de Aracaju.

Em foto de 2025, um mesmo momento em duas posições: passando pelo riacho do Cedro, atual limite entre a cidade e o povoado Lagamar, com a cidade, ao fundo; e com a cidade deixada para trás.

Sinalização impecável: Na própria trilha; e na própria BR-235, acessos, e ao mesmo tempo escape. 

Completando a jornada

Deixada a massa de peregrinos, ao fim da primeira etapa, na ermida, os com destino a Salvador terminam de subir a serra, entrando no município de Areia Branca, a partir da capelinha em cima da serra. Sempre tocando em frente.

Concluída a primeira etapa, com a celebração da Santa Missa, já à meia serra, na ermida de Santa Dulce dos Pobres, os peregrinos da grande jornada até Salvador, agora sob a coordenação da Associação Sergipana de Peregrinos, seguirão adiante, descortinando o belo horizonte de cima da montanha sagrada sergipana, até Areia Branca, depois Laranjeiras, enfim, seguindo pelos próximos 15 a 21 dias, em belíssimas paisagens, com praias maravilhosas, campinas exuberantes, belas colinas, e abundantes pontos turísticos, em Sergipe e na Bahia, até o Santuário de Santa Dulce, em Salvador.

Flagrante da jornada inaugural completa, em 2022, no local onde a Irmã Dulce demonstrou sua santidade futura, ao recolher enfermos extremamente necessitados.



terça-feira, 21 de julho de 2026

ALEA JACTA EST, OU... A SORTE ESTÁ LANÇADA.

 

Ontem, pela noite, foi oficializada a candidatura ao governo do Estado, de Valmir dos Santos Costa.

É a sua segunda tentativa. A primeira foi abortada pelo pessoal da Justiça, pouco antes do primeiro turno, quando teve surpreendente votação, com o candidato que seria depois eleito, ficando em terceiro lugar.

A navalha, típica da República Velha, continua afiada. Resta saber se ousarão usá-la, ou não.

Valmir é o segundo itabaianense aspirante à cadeira máxima do executivo sergipano desde 1590, quando Sergipe nasceu. Traz ele, na sua chapa, justo o primeiro, Eduardo Amorim, que concorreu com Jackson Barreto, em 2014, agora candidato ao retorno ao Senado. Se vitorioso, será o primeiro eleito de Itabaiana, e com uma característica, um político do estado; e não somente da capital, como tem se apresentado todos os mandatários-mores, mesmo identificados com municípios do interior onde nasceram.

Valmir dos Santos Costa nasceu no povoado Pé do Veado, povoado que deu também a figura de Albino Silva da Fonseca, (1909 – 1992), empreendedor, fundador da primeira emissora privada de rádio, a Rádio Liberdade de Sergipe, AM, e entre outros empreendimentos, o homem que inaugurou a avicultura moderna no estado.

Depois de caminhar por dois mandatos de vereador (1989-1996), Valmir viveu a experiência de uma candidatura a vice-prefeito, heroica, observadas as condições da época; retornando ao velho parlamento serrano a partir de 2001, dele somente saindo para candidatura, agora vitoriosa, de 2012, sendo reeleito em 2016. Foi substituído pelo fiel escudeiro, Adailton Rezende de Souza, no quadriênio 2021-2024, retornando ao executivo municipal depois de garfado na eleição pra governador, em 2022, em 2025, licenciado e passando a batuta ao outro fiel escudeiro, José Paes dos Santos, Zequinha da Verdura. Agora, Valmir é franco concorrente ao cargo máximo no quadriênio 2027-2030.

A vetusta Câmara Municipal de Itabaiana - a escola de política desde 20 de outubro de 1697: escola onde Valmir se formou em política e administração de haveres da "Res Publica", tal como no SPQR latino.

Valmir de Francisquinho é político em tempo integral. Desde sua experiência com presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Estadual Murilo Braga, de Itabaiana, que o preparou para o seu primeiro mandato de vereador.

Leal, uma raridade na política; empreendedor nato, intrépido qual Euclides Paes Mendonça, sem, contudo, a agressividade que caracterizou a política da época; Euclides em particular. Administrador político; ou um político administrador.

À esquerda, "santinho" da campanha eleitoral de 1988. À direita, cópia do hebdomadário, Jornal de Itabaiana, do saudoso José Queiroz da Costa, nº 2, 08/01/1989, p.8, edição sobre a posse dos eleitos na Câmara Municipal de Itabaiana, em 1º de janeiro, oito dias antes.
Se deixarem, Sergipe poderá voltar a sonhar como em 1982.
A sorte está lançada. No original, em latim, “alea jacta est”.