quinta-feira, 1 de outubro de 2026

TESTEMUNHA CENTENÁRIA DA HISTÓRIA SERRANA.

 

A acadêmica sorridente, depois de ser empossada na Academia Itabaianense de Letras, em 27/11/2015. No mapa, da cidade de Itabaiana, em 1938, em vermelho, o local do sítio onde nasceu.

Hoje, dois de outubro do ano de Nosso Senhor Jesus Cristo, de dois mil e vinte e seis, a Academia Itabaianense de Letras; a família Itabaianense; e sua sociedade desse velho município tem a comemorar uma data emblemática para sua história: o centenário de D. Ieda Tavares Silveira.
D. Ieda é testemunha, como agente, e como beneficiária, da rápida evolução do sistema educacional do município, um dos pilares da sua atual grandeza. Foi aluna da primeira turma do Grupo Escolar Guilhermino Bezerra, a primeira escola de fato em Itabaiana, se formando no Normal em Aracaju, depois assumindo uma cadeira de mestra, devolvendo à sua terra o que ela pôde lhe dar de melhor.
As décadas de 1930 e 1940 foram riquíssimas para Itabaiana. E para a geração como a da garota Ieda Tavares, assinalada em vermelho.

Foi testemunha da reorganização administrativa, com o surgimento da estatística profissionalizada, método racional de compreender e acompanhar os frutos do progresso, fazendo precisas correções. Seu esposo, José Silveira Filho, foi durante anos agente estatístico do IBGE. 
Nasceu em um sítio, no subúrbio da pequenina cidade, hoje zona urbana, já sob o ronco dos motores, com seu futuro sogro introduzindo o primeiro automóvel na cidade, antes mesmo de 1° de abril de 1927, quando foi inaugurada a rodovia Itabaiana-Laranjeiras. Tinha apenas um ano e meio, quando o bom senso fez retornar a feira livre, ainda hoje o coração econômico de Itabaiana, ao Largo Santo Antônio. A garota Ieda viu também roncar o primeiro caminhão, de Esperidião Noronha.
Porém, uma das histórias, presentes na memória da família, traz que a então garotinha Ieda, conviveu por breves meses com a presença de um garoto do povoado Saco Torto, município de Malhador, a ajudar nas lides do sítio, antes deste se debandar e se converter no poeta e cangaceiro Antônio dos Santos, o Volta Seca.
Aos sete anos, saíram do sítio para a Praça Maior, ou seja, a Praça da Matriz, ou Fausto Cardoso. Foi testemunha ocular dos efeitos da terrível seca de 1932, registrada em fotografia, publicada em jornal.
Viu surgir mais um traço de refinamento de Itabaiana, com a inauguração do coreto da praça da matriz, certamente ali assistindo alguma retreta de que não se lembra.
A Praça Fausto Cardoso, em 1941: nova morada da garotinha Ieda. No seta em amarelo, o platibanda do Grupo Escolar Guilhermino Bezerra. A esquerda da seta, o Hospital Dr. Rodrigues Dórea. Sem funcionar. 

Em 4 de abril de 1937, testemunhou a consolidação de um sonho multissecular, qual seja a inauguração da primeira escola construída em solo serrano: o Grupo Escolar Guilhermino Bezerra. No qual concluiu seus terceiro e quarto ano do curso primário, aproveitando os bons ventos, que nascia com as ideias universalizantes na Educação, trazidas por Anízio Teixeira e outros.
Jornal O Progresso, de Itabaiana, e o Posto Agropecuário da Fazenda Grande. De 31 de agosto de 1941.

Testemunhou o burburinho sobre a Fazenda Grande e sua transformação em projeto de qualificação agropecuária; os lamentos e apreensões com nossos pracinhas, rumo à Itália conflagrada pela cruel Segunda Guerra Mundial, e as procissões promovidas pelo Padre Eraldo Barbosa, incluindo o fim do conflito, e a alegria do retorno dos que lá foram.
Procissão em 13 de maio de 1945, para comemorar o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.

De algum modo foi também afetada pelas brigas entre pessidistas e udenistas, da qual resultaria as mortes de seus dois maiores líderes, duas décadas depois.
Enquanto isso, a pequenina cidade em que tinha nascido se transformava celeremente.
Em 1949 foi inaugurado aquele que seria seu endereço de trabalho, e a redenção da vetusta cidade: a Escola Normal Murilo Braga, hoje Colégio Estadual. Naquele ano, também, dez grupos escolares, denominados Escola Rural, foram construídos no município, que ainda englobava o atual município de Moita Bonita. E, começaram as obras d'arte, preparando a BR-235, inaugurada em 1954.
Do ponto de vista estritamente pessoal, finalmente, o que começara com recadinhos musicais no alto-falante da Praça, operado, obviamente pelo Dom Juan, José Silveira Filho, em nove de junho de 1951 veio o enlace matrimonial entre os dois; união que perduraria até o falecimento dele, em 21 de julho de 2000, quase meio século, depois de enriquecer a família Itabaianense com mais nove cidadãos e cidadãs de primeira classe.
A Veraneio de Dr. Pedro Garcia Moreno Filho. Com amigos.

Num belo dia de 1971, na Veraneio de Dr. Pedro Garcia Moreno Filho, embarcou todo mundo definitivamente pra morar na capital.
Ali D. Ieda acabou de criar os nove filhos, e está hoje, cercada de netos, bisnetos, como se a mirar desde a cumeeira exclusiva de Sergipe - a serra de Itabaiana – a contemplar esse século de vida, riquíssimo de história. A nossa História.
Parabéns, confreira da Academia Itabaianense de Letras, D. Ieda Tavares Silveira.
Itabaiana sente-se grata pela sua existência.


sábado, 19 de setembro de 2026

LONGA VIDA À CASA DE ZÉ CRISPIM! MEMÓRIA PRESERVADA.

 

A velha fachada de 1990 (1ª, à esq.), depois da residência ser substituída por uma mais nova, na outra rua, aos fundos, começou a vestir roupa nova. Aqui, (à dir.), em obras, em fins do último setembro.

Faz tempos que a vi pela primeira vez. Foi em 1975, quando me matriculei na escola de datilografia de Antônio Alves dos Santos, Tonho Patola, sob as orientações de Lenita, sua então futura esposa, à época, na Rua das Flores.

Acima, recibo do meu primeiro mês de datilografia, na escola que funcionava na Rua das Flores (Rua Marechal Floriano Peixoto).
Embaixo, foto panorâmica, de 1941, a partir da torre direita da matriz de Santo Antônio e Almas, vendo-se por cima das casas da praça, sobressaindo os enfeites do platibanda, os mais ao centro da foto, agora repintados.(Foto João Teixeira Lobo)
Logo me disseram que era a morada de Zé Crispim da Loja, o alfaiate e comerciante José Crispim de Souza, poeta e cronista nas horas vagas.

Achei a arquitetura interessante; um pouco parecida com as supostas ruas de Ilhéus, da novela Gabriela, Cravo e Canela, então passando em primeira versão.

O impacto era porque, na zona rural de onde eu vinha, a maior parte das vivendas, todas médias, de sitiantes; ou pobres, de pataqueiros, o modelo comum era o chalé e o vão, poucos em alvenaria, e a maioria de taipa com acabamento de piso de tijolo e reboco e pintura; e as mais pobres, a “mão na testa”, de uma única água.

A cidade, estava em franca construção e reconstrução, em alvenaria, mesmo de residências ainda humildes. Ver algo mais caprichado, causou-me certo prazer em deslumbrar.

A Rua das Flores já tinha 15 anos de dividida pela Avenida Ivo de Carvalho, mas, território da incipiente classe média da pequenina urbe, apesar de em franco crescimento. Nela, tanto na parte renomeada de Floriano Peixoto, como na Barão do Rio Branco, endereço do prédio em foco, várias casas no mesmo estilo, que foram desaparecendo, principalmente à medida que as contas bancárias ficavam mais polpudas.

Porém, Zé Crispim fez outra casa, ao fundo, de frente para a Rua da Jaqueira (R. Manoel Garangau), pedaço da antiquíssima estrada real Salvador-Olinda; mas não mexeu na fachada da Rua das Flores.

Bem, depois de ter resistido por quase um século, a velha fachada do imóvel, hoje sob a administração do seu filho, Antônio “Grampão” Crispim de Souza, recebeu ampla reforma, terminada na semana passada, no alvorecer deste setembro, antecipando a primavera. E volta a encantar quem gosta de ter história pra ouvir e contar.

A outra resistente é a casa que pertenceu a Francisco Vilobaldo de Oliveira, o antológico Chico do Cantagalo, construída em 1926, aqui, à dir., e com detalhe, o mais antigo registro, feito por Percílio Andrade, em 1929.

Restam só duas construções centenárias. Simbolicamente, de um momento em que Itabaiana finalmente estava despertando de um sono letárgico de dois séculos e meio, parada no tempo, como um município rico, mas com uma sede paupérrima.

Longa vida à casa de Zé Crispim!




sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A FEIRA LIVRE E AS “VELHAS NOVIDADES”.

Faz 60 anos, vinte vezes mais. E a feira, talvez surgida há seis mil anos na Mesopotâmia, continua, em praticamente todas as culturas. 

Em 1968, ano da foto à esquerda, a grande preocupação era com os nascentes pegues-pagues, hoje supermercados. E a feira não parou de crescer, como em 2010, lado direito.
Hoje vi um podcast no Instagram. E, como foi de Instagram, desapareceu para mim, em seguida. Coisa típica dessas redes sociais: frívolas, rasas, e que, mesmo o que tem de conteúdo sério, é tratado como mero lixo descartável, sem mais ninguém conseguir rever. Consumismo idiota, tão ao (des)gosto geral atual.
O material do referido podcast, contudo, muito interessante.  Sobre a Feira Livre de Itabaiana.
A feira. Firme; contínua, de antes da pandemia, e consequente explosão do "delivery" ou entrega, no bom português. Que veio pra ficar.
Desde o fim da pandemia, em 2022, que venho observando as mudanças de comportamento no comércio local.
Uma novidade que veio pra ficar foi o delivery – a entrega, em nosso velho português.
Com as restrições de circulação de pessoas, devido à mal administrada pandemia, os serviços de entrega que quase inexistia, especialmente para pequenos volumes se projetou vigorosamente, criando uma nova cultura.
De fato, reprogramando o velho reembolso postal, antes pelos Correios, desde os anos 1970; agora por entregadores avulsos, turbinando as vendas por internet, de variados gêneros, especialmente de roupas, acessórios e equipamentos. 
A feira livre de Itabaiana, sentiu.
Especialmente nos setores de calçados, confecções e acessórios, desde 2022 que não mais se refez.
Foto de 23 de julho de 2023. Desde o fim da pandemia, um ano antes da foto, os produtos comercializados neste largo - calçados, vestuário e acessórios - sofreram redução. Já o setor alimentar, segue seu curso normal.


O primeiro sobressalto.

Em 1966, o Pegue-Pague causou sobressaltos, quando os irmãos Gentil e Noel Barbosa abriram sua filial no antigo armazém de Euclides Paes Mendonça, este assassinado em 08 de agosto de 1963.
Era algo novo. Desconhecido. Trazia embutido, além da ideia de modernidade, a vantagem de não vender a crédito. Fiado.
Não mais um mal-humorado atendente atrás do balcão; mas a vantagem de passear entre as gôndolas de produtos variados; quase todos importados de outros estados e até estrangeiros. E industrializados. Em autosserviço. Bastando encher o carrinho e pagar no caixa.
O comércio da cidade, especialmente os dos gêneros de alimentação, higiene e limpeza ficou assombrado. Os botecos de feira, especialmente. E nas bodegas, hoje rebatizadas de mercearias, nem se fale.
Lembro de um papo entre meu saudoso pai, com Seu Valdomiro, bodegueiro no Rio das Pedras e um terceiro de que não me lembro, a lamentar o provável fim da feira e das bodegas para dois ou três anos.
Faz 60 anos, vinte vezes mais. E a feira, talvez surgida há seis mil anos na Mesopotâmia, continua, em praticamente todas as culturas.
Feira da quarta-feira, por volta da 15 horas, em 1986, dois anos antes da redução da jornada de trabalho, de 48 para 44 horas semanais: esvaziada (no terreno, foi construído o Mercadão, em 1989)



segunda-feira, 7 de setembro de 2026

MEUS PARABÉNS!

 

Hoje, com inúmeros prestadores do serviço, o Itnet é só mais; mas há vinte e cinco atrás, quando o chiadinho da conexão discada ecoou nos altofalantes do computador, foi mais do que sensação de gol tricolor a decidir um campeonato.
Que me perdoe(m) o linguajar, só um louco pra sonhar tão alto naquele momento. E, como dizia Ariano Suassuna, "em me dou bem com os loucos. Deve ser por afinidade".
Em 7 de setembro de 2001, não foi um dia qualquer: foi um marco histórico da grandeza de um 13 de junho de 1978, quando a Rádio Princesa da Serra entrou no ar.
Parabéns Itabaiana!

Muito obrigado, Jâmisson Machado.

PARABÉNS, ITNET!

domingo, 6 de setembro de 2026

ESPERIDÃO NORONHA: DE HERÓIS MAIS OU MENOS ESQUECIDOS.

 

Prestes a completar um século de rodovias, em 2028, hoje se fala por aqui em caminhão e caminhoneiro, em geral, tendendo a esquecer os heróis do passado; das décadas de 1930 e 1940; os que desbravaram estradas horríveis; rios sem pontes, atoleiros intermináveis, juntas de bois pra puxar carro atolado. Mas em 1930, um jornal laranjeirense realçava a loucura do maestro, comerciante, político e promotor de festas, Esperidião Noronha, com mais dois companheiros, entre outras, a enfrentar a temível ladeira do Engenho São Paulo, muito mais perigosa que a do outro engenho, o Cafuz, ponteões de madeira, enfim coisa pra empreendodores-raiz. Chauffeurs malucos. Coisa pra gente de tutano.
Ponte de madeira sobre o rio das Traíras, rodagem velha para Campo do Brito. Comum na primeira rodovia em barro, aqui citada.

Em tempo: chauffeur, hoje aportuguesado para chofer. E Onnibus era carro de transporte coletivo. Como o tradicional pau-de-arara, ou caminhão de feira; independentemente do tipo de carroceria.

Segue transcrição do artigo.

Auto-Viação 
Eficientes Empresas particulares
(Vida Laranjeirense, Ano I, Número II, 11, 05, 1930, p.2. Laranjeiras-SE.)

Os nossos Omnibus Suburbanos e os seus relevantes serviço à causa pública - Homenagens de "Vida Laranjeirense" às empreendedoras figuras dos senhores Esperidião Noronha, Marinho de Oliveira e José Freire de Lima.
- "Não há regra sem exceção."
Certamente. Nós que não morremos de amores pela perigosíssima classe de chauffeurs não podemos nos esquivar do reconhecimento de tão irrefutável verdade.
- "Não há regra sem exceção."
Falemos dos nossos meios de transporte para o interior.
Os Omnibus de Itabaiana! 
Gente heroica! Gente digna!
Antigamente, que representava, uma viagem de Aracajú, daqui até Campo do Brito, Itabaiana, São Paulo?
Uma verdadeira, uma temerosíssima batalha. Dois, três, quatro dias de luta por caminhos ermos, ao sol abrasador de dezembro; ao frio regelante do inverno. Pernoites ao relento em meio à mataria inóspita; comendo-se mal, bebendo-se da pior água, retiradas de paludosos, improvisados açudes. enfim, uma maldita, homérica temeridade.
E veio o governo do Doutor Epitácio Pessoa, Com ele, a elaboração de abençoado projeto, projeto que se convertera empós na bem redigida e oportuna Lei das Obras Contra as Secas
Partem para o Ceará, para a Paraíba, para Pernambuco as maravilhosas comissões. Milhares de operária, centenas de caminhões, um exército de técnicos!
Para nosso Sergipe, coitado, 
Um único traçado! De Laranjeiras a São Paulo. Uma malandragem de traçado. Somente para que se viesse a dizer que o lillput da confederação ficara de todo esquecido.
E a miniatura veio á héj
Estudos, explorações, locações, início de construções.
Exercícios findos. Retorno dos senhores Engenheiros com auxiliares imediatos. Carroça, pás, estacamentos, ao abandono. Novas queixas, novas desesperanças, novas desilusões.
E o interland sempre na penúria. Apesar da sua nunca desmentida abnegação, da sua estoica resistência e da promissora eficiência de sua atividade pobre povo! Sempre o mesmo ducaso(descaso?), sempre a mesma injustificável pretensão!
Passaram-se dias, meses, anos, até quando nosso próprio Estado resolveu empreender a edificante conquista. E o que era sonho tornara se para logo realidade. Felizmente.
Hoje temos Estradas de Aracajú a Socorro; dali a esta cidade (ótima); desta cidade até Itabaiana, com florescente ramal para Campo do Brito. É graças aos Senhores Esperidião Noronha, José Freire de Lima, Marinho de Oliveira, etc, etc., o mais regularizado serviço de transportes intermunicipais.
Empreendimentos de alta utilidade e (diga-se a verdade) mais patrióticos que remuneradores.
São uns abnegados todos, repetimos. Laboriosos, incansáveis quando no intuito de bem desempenharam-se da árdua tarefa que, graciosamente, quase se propuseram concretizar.
Eis porque nós, que não morreremos de amores pela perigosíssima classe de chauffeurs, eis porque não nos podemos esquivar do reconhecimento de tão verdadeiro, de tão notável prolóquio.
Abramos, pois, tem parêntesis, e rendamos aos referidos empresários e motoreiros, o nosso justo pleito de merecida simpatia e confortadora aprovação.
"Não há regra sem exceção!"
Provável modelo usado por Esperidião Noronha para nos conectar além, preparando para o viria a ser a Capital Nacional do Caminhão.



quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A RODA DA HISTÓRIA.

 

A chegada dos seis altos postes de iluminação, em novembro de 1975, segundo o jornal O Serrano (em destaque, O Serrano 238, de 1º daquele mês) reavivou o ânimo tricolor, e da própria cidade, que passou a ter jogos e outros grandes eventos noturnos.
A retirada das cinquentenárias torres de iluminação do ex-estádio Presidente Médici, e atual Etelvino Mendonça, desde o início desta semana, com pequena diferença, repete o momento da sua instalação em novembro de 1975.
O bicampeonato, a duras penas conseguido em cima do Clube Sportivo Sergipe e da máfia da Federação Sergipano de Desportos, em 1973, não se repetiu em 1974 e 1975, e, o torcedor tricolor chegou ao fim daquele ano desalentado.
O time começou com três empates sucessivos, uma derrota para o Vasco Esporte Clube; outro empate com o Confiança; e por fim a primeira vitória contra o Maruinense, em 30 de abril. Enfim, terminou o primeiro turno em 6º lugar, repetindo no segundo, e, apesar de melhorar no fim do campeonato, ficou em terceiro lugar na classificação geral, vendo o seu arqui-inimigo, Club Sportivo Sergipe ser campeão.
A moral tricolor estava lá embaixo.

Os seis postes de iluminação, acima, em foto de 1993, depois de meio século, serão substituídos.

Mas em fins de outubro o governador José Rollemberg Leite, finalizando seu primeiro ano do segundo mandato, acenou com uma estrondosa melhoria na praça esportiva, construída no cruzamento da antiquíssima estrada real para Salvador, e a BR-235, trecho já substituído e nomeado como Avenida Manoel Francisco Teles: a iluminação por potentes refletores, o que significava, assistir partidas noturnas, doravante.

Em novembro de 1975, o rebuliço na cidade com a chegada das carretas trazendo os seis enormes postes foi colossal.

No cruzamento de duas importantes e históricas estradas, o então Estádio Presidente Médici foi inaugurado no dia 7 de março de 1971 (foto), em amistoso do Tricolor com o Grêmio Portalegrense. Jogo iniciado pra terminar às cinco da tarde, por falta de refletor. E assim permaneceria até meados de novembro de 1975.
Nos escapa quando foi o jogo inaugural da iluminação; porém, em 19 de janeiro de 1977, eu vi o Tricolor meter seis a um no Estanciano, a luz dos refletores. E em 24 de março de 1978, ao lado de dezenas de companheiros da Juventude Unida a Cristo, participei da apresentação da Paixão de Cristo no mesmo gramado, com direito a arquibancadas cheias, fato que se repetiria, agora como Via-Sacra até um ou dois anos atrás.
Dizem que a retirada das torres é para substituí-las por algo mais moderno. Tomara que sirva de alento ao ânimo do torcedor tricolor, bastante abalado com o último e infausto resultado na série C do Campeonato Brasileiro, de volta à serie D.
Que venha o renascer no próximo campeonato. 
E que não enrolem na questão iluminação.


domingo, 30 de agosto de 2026

COSTUMES DE ANTANHO.

 

Composição da mais antiga fotografia da Praça Maior e matriz, cerca de 1890, mostra o velho “fofocômetro”, documentado pela jornalista Amanda Rossi, em 2008, com a narrativa do dia a dia do “apostômetro”, narrado em entrevista por Airton Almeida Maciel. A árvore sob a qual os dois senhores sentam é quase o mesmo local do antigo jenipapeiro.

Uma foto, publicada hoje nas redes sociais por Antônio Samarone de Santana me alertou para a manutenção de uma tradição: a multissecular fofoca política itabaianense.

Trata-se da frente da trissecular Casa de Câmara e Cadeia, dos tempos coloniais, ou, atualmente chamada apenas Câmara Municipal. Hoje, há 1.500 metros, exatos um quilômetro e meio ao sul, pela avenida aberta em 1962.

A antiga Casa de Câmara e Cadeia, em fins da década de 1950, já desativada há quatro décadas, mais ainda se mantendo com o Beco (Hoje Avenida) e a residência do ex-prefeito Ivo Carvalho. Em 2001, o espaço do velho jenipapeiro rejuvenescido em vigoroso teatro político. Em destaque, à direita da foto em cores, de janeiro de 2001, o então vereador Valmir dos Santos Costa, no início seu terceiro mandato.
Ali, entre a Câmara, hoje uma casa baixa, onde funciona um bingo; e a matriz, de frente a então casa paroquial, nasceu um jenipapeiro que, sob sua sombra, homéricas contendas políticas – e talvez as também tradicionais apostas – foram travadas.
É salutar lembrar que logo atrás, e ao lado da Câmara, desta separadas pelo Beco, hoje Avenida Ivo Carvalho, ficavam, em momentos pouco diferentes, as residências do Coronel José Cornélio da Fonseca, e do citado Ivo de Carvalho, este, ocupante do cargo inaugurado por Manoel da Silva de Souza, em 16 de junho de 1700, duzentos e doze anos depois; e tendo no período assumido a Prefeitura Municipal como interino, em 1935.
O velho jenipapeiro do “fofocômetro” aguentou até a seca de 1932. À direita da matriz, quase desfolhado, observa melancolicamente a fila enorme de coletores de água salobra, no poço recém-aberto pelo DNOCs, no centro da velha Praça Maior, ou Fausto Cardoso, durante a terrível seca. À direita, registro fotográfico do inaugurado coreto, pela administração Otoniel Dórea, em meados de 1935, por cima do antigo catavento e do poço, que ainda existe, mostra à direita, a ausência do velho jenipapeiro. A fofoca, contudo, não morreu.
Hoje o lugar, mesmo depois das mudanças sofridas pela Câmara, continua ativo.
Excelente a observação feita por Samarone, com a foto abaixo.