Já houve tempo, não faz muito tempo, que a tradição oral da cidade de Itabaiana era a de que, em Itabaiana nunca houve pretos nem indígenas.
Mas, lentamente se vai consertando os equívocos.
A solenidade na noite desta quarta-feira, 19, na Câmara Municipal de Itabaiana - 47ª mais antiga casa legislativa brasileira e 2ª sergipana – que concedeu título de cidadania ao poeta, ator e ativista causa negra, Severo José dos Santos, o Severo de Acelino, foi mais um capítulo na imersão em um tema que foi ignorado e esquecido por muito tempo na sociedade itabaianense.
O referido título foi uma proposta do edil João Cândido Sobrinho.
A cidade de Itabaiana foi fundada na rota dos entradistas, aos sertões de Jeremoabo, em resumo, os populares e odiados capitães do mato, onde o mais notório dele foi Fernão Carrilho. Logo, está ligada ao drama da escravidão desde o seu nascimento. Fugas, quilombos, capturas.
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| A rotina do capturado era terrivelmente desumana. |
O original município de Itabaiana, do rio Cotinguiba ao riacho Cansanção, entre os rios Sergipe e Vaza-Barris, foi, em si, local de vários esconderijos de escravos fugitivos.
Caenda, hoje nos municípios de São Miguel do Aleixo e Ribeirópolis; Ribeira, em Itabaiana; mais tardiamente, Mocambo, em Frei Paulo, são registros precisos de atividade quilombola, contudo, várias localidades dentro da atual do município de Itabaiana, como os povoados Barro Preto, Taboca, e especialmente no Tabuleiro dos Caboclos, este, de possível associação de pretos e índios (caboclo é o termo popular para os miscigenados das duas raças), foram notoriamente ambientes de pequenas concentrações de pretos. De fato, Mocambos. Já que marginalizados, mas forros.
Porém a Itabaiana, além da cidade, originalmente se iniciava no rio Cotinguiba, e numa linha deste ao rio Sergipe, e ao Vaza-Barris, e chegou a ter a maior população escrava, nas décadas de 1860 e 1870. 95% de serras abaixo, nos atuais municípios de Malhador, Santa Rosa de Lima, Riachuelo, Areia Branca, Itaporanga d’Ajuda (margem esquerda do Vaza-Barris) e Campo do Brito.
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| Extrato do mapa Carta Corográfica de Sergipe, por João Bloem, 1844, quando a fronteira açucareira estava começando a se ampliar na Cotinguiba itabaianense. |
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| Em 1877, já em franca venda de braços itabaianenses para os cafezais paulistas (Quintino de Lacerda foi vendido em 1874), mesmo assim Itabaiana ainda tinha a maior população escrava de Sergipe. |
Boas vindas ao novo itabaianense!







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