Dessa vez... vão deixar?
Tomei um susto, quando um jornalista amigo me passou os números: 494.229 votos para Valmir dos Santos Costa. Muito mais que os 338.796 dados a Rogério Carvalho; e mais além, a votação de Fábio Mitidieri, o deixou em terceiro lugar, com 294.936 votos. Outubro de 2022.
A sempre mesquinha política de Sergipe havia tomado um baita susto. Mas não passou disso: um susto.
Os senhores dos livros, do mesmo modo como fizeram na República Velha, a de Rapinas e Camundongos, depois, de Pebas e Cabaus, mediante seus homens e mulheres nos tribunais e algures tinham dado um basta "na patuleia"; em suas rebeldias.
E, no segundo turno, de 2022, o óbvio.
Tem que ser o "homem dos acordos". O homem certo; não qualquer orelha seca, por mais polido que se mostre; por mais negociador, democrata, que se imponha. Um político, na mais nobre acepção da palavra.
A velha Casa Grande não brinca em serviço.
E Valmir Costa, Valmir de Francisquinho, está na estrada. De novo.
E, ao que parece, aqueles 494.229, não se moveram do lugar. Pelo contrário, aumentou, e não foi devido as estatísticas do IBGE. É que há 15 anos que o estado perdeu qualquer naco de sonhos. Vive sem futuro. Não consegue acreditar na legião de falsos profetas que poluem a política sergipana. Sequer tem tido as esperanças de 2006; muito menos aquele tempo mágico de 1982.
Sempre as mesmas raposas velhas, carcomidas de vícios, a comandar, e quando alguma coisa de leve aparência diferente bota a cabeça, ou se descobre que é mais um teleguiado, ou logo se decepa-lhe a cabeça.
E, parafraseando o verso do grande Belchior, Sergipe tem pressa de viver. De parar de eternamente “ser jipe”, e virar um tri-trem.
Valmir Costa promete muita dor de cabeça aos viciados da velha elite da cana, mesmo hoje mimetizada em altos cargos do Estado; a maioria de meros sinecuras.
Não é, nem nunca sê-lo-á da panelinha. Mesmo querendo. Então, só lhe resta fazer o que vem fazendo desde 1988: no sistema, contudo sem com ele, com seus vícios compactuar.
E aceitar o desafio de vencer a “maldição serrana”, desde o capitão-mor Manuel Pestana de Brito, passando por José Matheus da Graça Leite Sampaio e Batista Itajaí, todos não nascidos; e dos itabaianenses natos, General José Calazans, e Euclides Paes Mendonça.
Itabaiana, um dos tripés formadores da sergipanidade, nunca elegeu um governador de Estado.
Pestana de Brito, escorraçado do governo por Salvador-BA, apoiado na nascente elite entreguista de Sergipe; Leite Sampaio, o herói esquecido, deliberadamente ignorado, da emancipação sergipana, só passou alguns meses à frente da primeira junta governativa; Itajaí, escorraçado por ser lagartense, e chefe político em Itabaiana; Calazans, sempre preterido; e Euclides Paes Mendonça, a maior prova que a elite preguiçosa não tolera a ousadia, intrepidez e dinamismo serrano.
Valmir Costa vem se construindo lentamente ao longo das últimas quatro décadas.
A trajetória de um líder
Mais um vereador de interior, porém calma e diligentemente se preparou ao longo dos cinco mandatos, na 47ª mais antiga casa legislativa da história do Brasil para o grande salto na administração pública. Em 2013, ao pegar a administração municipal, em completa ruína, hábil e pacientemente, andou por águas turbulentas da complicada política, e superou a todas, resgatando o que já se achava quase perdido, e mais realizando, dentro da máxima da res publica romana, de nunca destruir o que os outros fizeram de bom; e sim melhorá-los, acrescentando a sua própria marca. Isso o capacitou a um segundo mandato, o preparando para ser aclamado pelo povo do seu estado. Porém, Sergipe, como sempre, traído pela sua elite, seu estado profundo, que histórica e mesquinhamente só tem enxergado o próprio umbigo.
Em 2022, quando seria esperado se contentar com uma certa cadeira a Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, ou até um incerto voo mais alto, na Câmara dos Deputados, surpreendeu meio mundo de incrédulos, ao se lançar candidato a governador do Estado, sendo cassado assim que sua viabilidade se tornou irreversível. Não adiantou, pelo visto. Está vindo mais forte nesse ano.
Particularmente, da elite que golpeou Batista Itajai em 1909, e fabricou o assassinato de Euclides Paes Mendonça, 1963, eu espero tudo.
De uma coisa é certa: "Não é para ser candidato; se for candidato, não é para ser eleito; se eleito, não é para governar".
Vem-me à lembrança, o grande Raymundo Faoro, sobre o golpe do impeachment de Collor, na revista IstoÉ, 1.212, de 23/12/1992: “...um poder por força de uma representação constitucionalmente viciada. De qualquer modo, já que a previsão existe, em abstrato, fatalmente ocupará as fantasias dos conspiradores de sempre. Sobretudo se o governo falhar; se não falhar procurar-se-á fazer-lhe com que falhe, até pelo prazer de confirmar a profecia.”
Logo, a guerra apenas está sendo anunciada; nem ainda começou.
Valmir deixou a Prefeitura Municipal de Itabaiana, definitivamente, no último dia 2 de abril.
Quanto à eleição, particularmente não tenho a menor dúvida. Pelo povo, pela vontade da maioria, já há quatro anos que Valmir Costa é governador. Resta saber se agora o deixarão se capacitar legalmente; e se assumirá em 1º de janeiro.
A sorte está lançada.









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