segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

MUSIQUINHA DE VÍDEO GAME.

Pois, que aproveitará a um homem ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma? (16 Mt, 26)

Fotograma da cena de O Último Grande Discurso, de O Grande Ditador, em montagem com o mundo dos games, a princípio um inocente passatempo; mas que, parece, com consequências profundas.

"Meu moleque, é inteligente!" Dizia-me um velho amigo em fins dos 90, sobre um filho, então fera no vídeo game.

Ora, “não sois máquinas; homens é que sois”, dizia o Adenoid Hynkel, personagem de Charles Spencer Chaplin, o eterno Carlitos, no Grande Discurso do filme o Grande Ditador, 1940. 

E, a máquina, por mais sofisticada que um dia venha a ser, jamais atingirá a capacidade humana. 

Exceto, se num processo de inversão, ela tornar toda a humanidade limitada como ela. Emburrecida.

A Feirinha de Natal, há um século realizada. Inicialmente com efêmeras apresentações das nossas bandas, incorporaria a presença de som eletrônico a partir de 1954, e ainda hoje indissociado em cada edição anual.
Acima, em foto de Percílio Andrade, a realização na Praça Fausto Cardoso;
Embaixo, repetição da cena, cem anos depois, no último fim de semana.

De casa, 300 metros em linha reta para a Praça Etelvino Mendonça, onde está a Feirinha de Natal, desde 1970, ouço musiquinhas lá tocadas, todas fanks ou fankeadas, cariocas, obviamente; umas “criações” originais; outras, “estupradas”, como a tristíssima cópia da lindíssima “Sálvame” do grupo mexicano RBD.
Aí não tem jeito de não partir para o comparativo; para o saudosismo; de quando eram lançados os ricamente arranjados e produzidos discos de Roberto Carlos e a reca de excelentes artistas que o seguia nos lançamentos de fim de ano, na Feirinha, entre “um alguém de camisa listrada, para outro alguém, morena, trajando macacão jeans, a música que segue”. É! Eram assim os “presentes musicais”; os oferecimentos aos candidatos ou candidatas à paquera. E a feirinha de Natal era campo de caça ao sexo oposto.
A dita música, literalmente uma espécie de "samba de uma nota só", repete ad nauseam, palavras e curtíssimas expressões, quase sempre chulas, no mínimo vazias, torpes, paupérrima. Dignas de cérebros de minhocas.
Nada de produções, como a original da citada “Sálvame”, ou da repetitividade criativa do Bolero, de Ravel; de fato, é daquelas musiquinhas irritantes de vídeos games mesmo, de desde os anos 1980. Só para manter o foco num parâmetro único. Atrofia intelectual. Emburrecimento, ao contrário do que apregoava aquele meu amigo, embevecido com a “inteligência” do filho em ganhar todas, contra uma máquina, muito mais elementar que as de hoje. Abuso da Programação Neurolinguista(PNL). Infelizmente, nas últimas quatro décadas, as massas foram programadas neurologicamente com os repetitivos toques dos joquinhos.
E no último sábado, além da sofrível trilha futurista, seguindo a linha, mais um show ao vivo até as cinco da manhã. Palavrões, revoltas sem revolta, escandalizações gourmet, insinuações sexistas, e a mesma pegada na batida eletrônica do “samba de uma nota só”. Mais vídeo game.
Em resumo, concluo que a musicalidade atual é fruto da quebra do sistema de produção e distribuição de música, ajudada pela padronização neuropsicológica do massivo uso do vídeo game (desde os poderosos, conectados às TVs, aos portáteis, pequenos) e suas malditas musiquinhas de uma nota só. Todo mundo desaprendeu a ouvir sons mais complexos, ricos e harmoniosos.
Estamos nos rebaixando às máquinas.
Praça Etelvino Mendonça, início dos 90, pouco antes da pavimentação. O serviço de som sempre presente, na Feirinha, repetindo o modelo dos programas de rádio da época, trazia sucessos e "flashbacks", que eram oferecidos, em geral e anonimamente pelos(as) paqueradores(as) aos paquerados(as), também anônimos. As músicas, claro, eram as melhores, harmoniosas, letras tocantes, bem tocadas, bem cantadas e bem gravados. Vez em quando, raramente, podia sair um gracejo. Mas só como um tempero e sob risco de censura da galera.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

FAZENDA GRANDE

 

Ninguém se faz por si só. É preciso ter força de vontade, disposição para trabalhar e ter senso de oportunidade. Porém, tudo isso de nada vale sem os meios; sem a providencial ajuda.

O eu por mim mesmo é uma grande tolice. Às vezes até falta de caráter.

A tão esquecida Fazenda Grande, e seu Posto Agropecuário, foi um dos motores que nos trouxe à Itabaiana vencedora de hoje, progressista, opulenta, autoconfiante, às vezes até demais. 

Gente inteligente e trabalhadora, há 400 anos que é cheio dela por aqui. Os meios, porém, de transformar tudo isso em riqueza, só de um século pra cá. O Posto Agropecuário da Fazenda Grande é parte disso.

A seguir, um texto de 1969, epitáfio daquela que tanto fez, mas que só foi subnotada como lugar de recreio; de passeio. E que por isso, por popular desimportância, desapareceu por completo.

Na foto de 2007, acima, a franca decadência de desde 1970; na segunda, de 2019, até os eucaliptos haviam sido cortados, e a área tomada por construções de residências. 
Recentemente, ao transitar pela estrada, agora asfaltada, dei pela falta do último sinal que ainda lembrava a grande Estação Agrícola das décadas de virada de mesa de Itabaiana.


O Posto Agrícola Faliu

José Silveira Filho

(O Serrano, nº 37, 23/04/1969, Ponto de Vista, p.2)

Rumores e boatos correm a cidade dando conta da existência de gestões entre o INDA e Fomento Agrícola, para transferência do Posto Agropecuário de Itabaiana (PAPI) para aquele órgão do Ministério da Agricultura. Se tal gestão chegar a bom termo), se o INDA levar à frente o plano de entregar o PAPI ao Instituto de Pesquisas Agronômicas do Leste (IPEAL), deverá haver festa no meio rural de Itabaiana. Mesmo sem a possibilidade da entrega ao IPEAL, a simples mudança de estrutura do Posto já seria para nós motivo de satisfação. 

A maioria das administrações do Posto de Itabaiana tem sido tão negativa, tão desastrosa e em alguns casos vergonhosa, que mesmo a possibilidade de o INDA vir a administrá-lo nos enche de satisfação, pois devemos reconhecer que o órgão do INDA, aqui sediado, nada tem feito, até agora, que mereça nossos elogios. 

O PAP de Itabaiana foi fundado pela antiga Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas e, durante todo o tempo em que. esteve subordinado àquela repartição, funcionava tão bem que chamava a atenção de todos no Estado. Chegou a se transformar em ponto de turismo, pois todos que nos visitavam tinham um passeio obrigatório programado para o Posto. 

Daqui saíram as mudas de laranja da "Bahia", que na época foram distribuídas por todo Estado e que não soubemos aproveitar para melhoria de nossa economia agrícola. 

As essências florestais feiram distribuídas aos milhões por todo Estado, destacando-se o eucalipto, em suas várias espécies, num louváveI esforço de reflorestamento e de cura das chagas deixadas pela seca de 32. 

Bem aparelhada estação de monta, com animais de raça, funcionava no PAPI, sem domingos ou feriados. Animais preciosos davam palpitante vida a suas baías, sendo de se destacar o garanhão árabe Poty, quase indomável, como se tivesse consciência de haver nascido apenas para disseminar a raça. 

Por razões, que não me é possível determinar, o Posto passou para a administração do Estado e, posteriormente, para o Fomento. Daí para cá entrou em fase regressiva. Das muitas administrações que teve, bem poucas podem ser citadas como boas, sendo que das últimas, podemos destacar a de Wilson Lima, quando o Posto foi reaparelhado e voltou a funcionar. 

Atualmente, apesar de contar com 12 funcionários e 1 agrônoma, apresenta um aspecto lamentável de coisa abandonada. Seu aviário há muito tempo não vê uma galinha e está em péssimo estado; a fábrica de óleo, uma das mais modernas do Estado, não funciona por falta de verba; o posto em si nada tem que se recomende; há muito tempo lá não se planta um pé de coentro que possa justificar os dinheiros ali gastos. 

Se o PAP de Itabaiana fosse um estabelecimento particular, com o que gasta e com o que produz, de há muito tempo teria sua falência decretada! Esta é a triste verdade. Bem analisados os fatos, o Posto Agropecuário de Itabaiana FALIU.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

ENIGMAS SERRANOS

 

Aterrado na década de 1960, o Tanque da Pedreira foi durante quase três séculos um deficiente recurso hídrico na minúscula povoação. Em foto aérea de 1970, a área circulada, ao lado da Praça João Pereira mostra o avanço da urbanização e sua área, consequentemente aterrada. Quem o abriu? E, de fato, para o que?

Ao menos para mim, constituem-se em enigmas na história de Itabaiana, a pequena relação abaixo.


Tanque da Pedreira.

Porque cavar um tanque num lugar seco, sem corrente pluvial natural alguma que o abasteça, e que já existia em 1757, conhecido como Tanque da Pedreira, num lugar onde a primeira construção em pedra e cal foi a matriz de Santo Antônio e Almas, em 1761-1764, em substituição a primeira, desde 1675, de taipa?


Capela do São Cristóvão

Tem-se que a capela do Cruzeiro do Século, no Tabuleiro dos Caboclos, hoje Bairro São Cristóvão teria sido construída pelo padre Valentim Cunha, para comemorar a passagem do século XIX para o XII. Narrativas, porque aquele símbolo de missão acima da porta principal é uma clara identificação de ali está uma robusta construção por uma missão religiosa. Logo, bem mais antiga.


Escola Municipal 30 de Agosto

Para encurtar a história, porque uma escola com a denominação de 30 de Agosto?

Seria uma atrapalhação de alguém, com a data do status de cidade de Itabaiana; ou seria uma data sagrada para o Trabalhismo; já que originalmente foi criada e mantida pela Associação Beneficente dos Trabalhadores.

À esquerda, em recorte do jornal O Serrano, de 1968, a pista de onde pode estar a origem da aparentemente estranha denominação da Escola Municipal 30 de Agosto. À direita a enigmática capela no Bairro São Cristóvão, com simbologia missionária, a exatamente quatro quilômetros do atual povoado Boimé; Boi Mel, na linguagem popular.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

VISÃO EMBAÇADA

 

- Não vai ter Curso Científico em Itabaiana e acabou-se!

Mais enrubescido que de costume, o jovem estudante da conceituada faculdade de Química, esqueceu Ditadura, AI-5, pau-de-arara correndo solto, e o cargo plenipotenciário do Secretário de Estado da Educação, Carlos Alberto Sampaio, e partiu para o desespero:

- Por que não? Então o Senhor me enganou. Me fez de trouxa!

Mais algumas palavras ácidas, ditas num clima irracional por um aluno, “Apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior”(*)... a uma grande autoridade, descendo o nível, quase irascível, irredutível e desesperado; e aí o Secretário vai e cai na tolice de desafiar:

- Como eu vou permitir um curso Científico em Itabaiana, se eu não tenho quem ensine matemática, física e química?

Aí o jovem, mantendo o clima:

- Eu ensino as três!

O Secretário o olhou detidamente, e manteve o desafio:

- O Senhor se compromete por escrito?

O jovem assentiu, e no dia 12 de fevereiro do ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1969, deu-se início às matrículas para o curso Científico; ao apogeu do Colégio Estadual Murilo Braga; e à transformação de Itabaiana, não mais somente na maior feira do interior sergipano; mas sua transformação em polo de desenvolvimento regional, em definitivo; e incremento vigoroso em sua economia, tipicamente comercial e de serviços.

O então jovem foi José Augusto Machado, e a sua atitude desesperada e exitosa foi fundamental para com outros complementos se chegasse à cidade que hoje temos.


Testemunhos do jornal, O Serrano

Mais uma vez me traz a esse assunto, a leitura sobre o mesmo, do cronista Zé Silveira Filho, ao se perguntar, no Ponto de Vista de O Serrano, número 9, de 11 de setembro (a gráfica errou no mês, grafando agosto), de 1968, se alguém realmente estava querendo o Científico.

Naquele momento, com todo mundo admirando o tamanho e a beleza do próprio umbigo - outros se sentindo previamente derrotados - talvez só o mesmo Zé Silveira tivesse noção de que um ato, aparentemente tão trivial, poderia provocar de progresso da cidade. O fato é que depois o já engenheiro José Augusto Machado declarou em entrevista à Televisão da Assembleia Legislativa – a TV Alese – que, por desânimo, por julgar inatingível, ou por talvez vontade de araque, todo mundo desistiu; restando unicamente ele na trincheira. Trincheira que foi parte substancial na revolução progressista de Itabaiana.

Em 1975, ao chegar à Casa do Estudante, república do CASCI (o mesmo CASCI do Lar Cidade de Deus) tornei-me colega de uma estudante da margem do São Francisco. Eu, na "casa dos homens", para começar o antigo Ginásio; ela, na "casa das mulheres",  para fazer o Científico no Murilo Braga. A referida senhora veio depois a tornar-se mãe de uma grande autoridade do, e de Estado, o atual Presidente da Assembleia Legislativa, Jefferson Andrade. Itabaiana tinha virado um segundo centro de Sergipe; e o Murilo Braga um segundo Ateneu Sergipense.

José Silveira Filho termina seu artigo, condenando os derrotistas, e apostando na ousadia. Assumida integralmente por José Augusto Machado.

Deu certo.

No dia 11 de fevereiro, o próprio Zé Augusto trouxe a comunicação oficial, à direção e à sociedade serrana. E no dia 3 de março, dia de início das aulas naquele ano, entraram em sala os primeiros futuros advogados, médicos, odontólogos, engenheiros, pedagogogos, etc., etc..

Assim, a adinamia, a miopia, visão embaçada dos poderosos do Estado e do município foram vencidas. Com excelentes resultados.


(*) Versos de Belchior, no grande sucesso de 1975, “Apenas um rapaz latino-americano”.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

HONRANDO O PASSADO.

 

Se não conhece qualquer fotografia de Itabaiana, antes de 1890, quando Seu Teixeirinha resolveu apontar a sua já velha câmera para a matriz de Santo Antônio e Almas, colhendo sua imagem com uma pequena palmeira imperial, à direita da mesma, tendo à esquerda (direita da foto) um ainda imberbe jenipapeiro, que seria o ‘fofocômetro’ da acanhada cidade de até meados do século XX.

Em nova e bem melhor foto, de cerca de 1906 (quando também fotografou o “Mercado Cabaú”, contudo ainda não tinha sido colocado os postes de iluminação a querosene, de 1908), a palmeira já aparece bem maior, o jenipapeiro, frondoso, já era poleiro dos relatores da vida alheia.

A Praça, hoje Fausto Cardoso, e sua matriz, se constituem, pois, no mais antigo registro fotográfico de Itabaiana.

E o Photo Nacional, o mais antigo, genuinamente sergipano, e itabaianense, obviamente, teve início quando em 1871, no lombo de um burro, provavelmente portando caçuás, o então jovem Miguel Teixeira da Cunha cortou os mais de 300 quilômetros, de Itabaiana a Salvador, para de lá trazer seu “daguerreotipo”; os insumos, e os conhecimentos rudimentares sobre a invenção de Louis Jacques Mandé Daguerre, que substituía a pintura: a fotografia.


(Quase) Sem História

Itabaiana, cidade de não ricos, só pobres e remediados, nunca teve imprensa efetiva. 

Até o fim do século XX, apenas a hercúlea experiência de O Serrano, 1968-1974, com espasmos até 1978. Fora disso somente raras publicações, mesmo tendo entre seus políticos um correspondente local da imprensa nacional: o jornalista Silvio Teixeira.

É, portanto, uma cidade antiga, sem preservação da sua memória, além dos documentos oficiais, e das  raríssimas crônicas, nem sempre tão isentas, mormente em jornais da capital.

Até 1950, salva-nos a fotografia. Especialmente dos três primeiros documentaristas: os profissionais, Miguel Teixeira da Cunha, e João Teixeira Lobo; e o amador, Percílio da Costa Andrade.


Concurso.

Foi justamente buscando enaltecer o valor dessa tradição de registros, através da fotografia, que a Prefeitura Municipal de Itabaiana publicou recente Lei criando o Concurso de Fotografia Miguel Teixeira Lobo, instrumentalizando assim a Secretaria Municipal de Cultura a anualmente promovê-lo, doravante. (Veja mais aqui)

O desse ano, de fato, diante do adiantado do exercício, e da citada aprovação recente em Lei, terá início nessa sexta-feira, 5; mas só finalizará em janeiro, transcorridas todas as etapas previstas.

Miguel Teixeira da Cunha (Seu Teixeirinha); João Teixeira Lobo (Seu Joãozinho Retratista); e Percílio da Costa Andrade, amador e compulsivo em documentar, foram os três primeiros. Seguidos por Romeu Alves dos Santos.

O Concurso fará homenagem a quatros fotógrafos já falecidos, obviamente; e a uma profissional, também falecida, marcante entre nós, quer como funcionária de um deles, de Romeu Alves dos Santos, do Foto Romeu; que de moto próprio, onde resistiu até o domínio da fotografia digital, por volta de 2005: Helena Vasconcelos Lapa.

Helena, fotógrafa muitos anos no estúdio Foto Romeu, na Sete de Setembro, encerrou a carreira em estúdio próprio, quase em frente, por volta de 2005, com o fim da era do filme, e inicío da era dos bites. Falecida recentemente.

A premiação incidirá sobre os treze finalistas na classificação geral, com o primeiro, o segundo e o terceiro lugar, respectivamente, ganhando cinco mil, três mil, e dois mil reais; e os demais, do quarto ao décimo-terceiro, um mil reais, como forma de estímulo, pela participação.

O tema, e demais particularidades será publicado no Edital do 1º Concurso, no “site” da Prefeitura.

A Praça Fausto Cardoso, com a lindíssima iluminação desse ano, certamente será gravada como foi por Percílio Andrade, a um século atrás, com suas humildes mesas de jogos; doces e a presença do trivoli, que depois muito rendeu, e desde 1971 que se encontra no antigo sítio de D. Caçula Teixeira, hoje Praça Etelvino Mendonça ou de Eventos. 

Daqui a cem anos, as fotografias a serem agora tiradas serão deleite dos nossos bisnetos e tataranetos e outros descendentes.

Cem anos separam essas duas cenas. Foto de Percílio Andrade, de cerca de 1922, mostrando parque de diversões natalinas, com tivoli e bancas de jogos, doces e mais. Em foto de hoje à noite, teste de iluminação de natal desse ano, a partir desse dia 5, início do 1º Concurso Municipal de Fotografia, Miguel Teixeira da Cunha.



segunda-feira, 24 de novembro de 2025

HOMENS DE VALOR

 


“E graças a esse feito, de homens que tem valor, meu Paulo Afonso foi sonho que já se concretizou”.
Com esses versos da epopéica canção popular, publicada em 1955, a dupla Zé Dantas e Luiz Gonzaga saudaram a redenção do ex-rico nordeste, processo que ainda hoje não se completou; mas que já deu grandes passos. A música Paulo Afonso é uma homenagem à inauguração da hidrelétrica.

Quem estará nas trincheiras ao teu lado? – E isso importa? – Mais do que a própria guerra (Hemingway)
João Alves e seu escudeiro-mor, José Carlos Machado, recepcionam o Ministro do Interior, Mário Andreazza. 1985, em visita ao outro projeto de irrigação, o Ribeira.

E é sobre homens que tem valor que agora delineio.
Hoje pela tarde recebi do amigo Aluizio Santos, colega de Casa dos Estudantes nos anos 70; e ex-prefeito de Pedra Mole, um videozinho, lembrando que fazem cinco anos da morte do ex-governador de Sergipe, o engenheiro João Alves Filho.
Nos meus parcos estudos sobre meu Sergipe, o estado pouco parecendo que nunca será tri-trem; nunca passará de “ser jipe”; do que pude depreender, só houve três governantes de destaque; que por algum modo escaparam das armadilhas de uma elite política, pior que a nacional, que já é bastante sofrível: Maurício Graccho Cardoso; José Rollemberg Leite, I e II; e sua criatura, o Negão da água. Os demais, foram completos inabilidosos, e manietados pela caterva da preguiça, mas com esperteza para sempre se manter agarrado ao butim; ou preguiçosos, mesmo. “Bonecos de posto”.
João, contudo, cometeu um grave erro: Tentou uma segunda, terceira e até quarta vez, parafraseando Vicente Celestino, “caindo, caindo”. Não merecia ter passado por isso. Pelo que João Alves representou para Sergipe, jamais deveria ter retornado em 1991. Muito menos em 2002. 
Porém, com todos esses erros políticos, e administrativos deles advindos, inclusive a desastrosa administração da capital, capital, diga-se, refeita por ele, entre 1975 e 1978... continuará o Negão.
Aquele que inverteu as expectativas negativas, que, infelizmente, ora estão de volta.
Eu, entre mestres da Escola Municipal Governador João Alves Filho, na Agrovila
hoje á tarde.

Ao ser convidado há três semanas atrás, pelo amigo, guerreiro de causas populares, inclusive a causa negra, professor Luciano Soares Santos, o Tito, para ministrar uma palestra sobre este tema, no dia de hoje, coincidiu que: é uma data especial, porque do falecimento do nosso único governador negro; na escola que ostenta o seu nome: Escola Governador João Alves Filho; num povoado que nasceu há quatro décadas, de um dos principais focos de seus governos, a água e seus desdobramentos como motor de desenvolvimento: A Agrovila, assim chamada por uma vila de agricultores irrigantes.

Ao percorrer a estrada que leva às ruinas da Igreja Velha e cercanias, incluindo a hoje grande povoação da Agrovila, um filme veio a me passar pela cabeça, ao ver as lindas e soberbas plantações, e as centenas de aspersores a fazer chover, gerar riqueza em forma de alimentos no município de Itabaiana, onde, o celeiro do Estado quase “fecha pra balanço”, com o fim da agricultura de sequeiro, ao fim dos anos 70. Dados do Censo Agropecuário de 2017, das 3.262 propriedades do município de Itabaiana, 1.480, 45,4%, quase metade, praticavam a irrigação.
Em 1980, dos 5.660, apenas 117 eram irrigados. Um terço estava vendendo o solo (areia) para construção; e metade deles, as famílias estavam vendendo por preço barato para reconcentradores de terras, que aumentou os tamanhos médios das propriedades, enquanto reduziam seu número para 3.561, em 2006; e 3.262, agora em 2017. 
Mas em 2006, ano do penúltimo Censo Agropecuário, o número de propriedades irrigadas saltou para mais de 29%. E em 2017, repito, 45,4%.
Aspecto da Agrovila. Mais parecendo uma bucólica cidadezinha que uma vila de agricultores. O enriquecimento das famílias está à vista.

Estancou-se o empobrecimento, virando para enriquecimento.
Graças aos projetos de irrigação. Projetos do Negão. Do João da Água. O homem do Chapéu de Couro.
Que a sua memória seja eterna e que outros nele se inspirem.  Só assim Sergipe voltará a ter esperança. 

domingo, 23 de novembro de 2025

ANTES DE SER CAMINHONEIRO, O ITABAIANENSE FOI VAQUEIRO.

 

Dia 30 de novembro, Itabaiana, a cidade-mãe da pecuária nacional, segundo o que deixou grafado o sargento-mor, Diogo Campos Moreno, em 1612, realizará mais uma Festa do Vaqueiro. 

A data não chega nem de perto a ter o simbolismo do dia 5, do mesmo mês de novembro; mas já é alguma coisa.

Também a festa será muito distante daquelas primeiras apartações, de 1610, 1620, para apurar a produção; pagar os impostos – as fintas; os arrendamentos, enfim, levar as boiadas para Salvador ou para Olinda. 


A fazenda na área do Mandeme preserva traços do encontrado e grafado em mapa, pelos holandeses, em 1637, quando Itabaiana tinha "campos de infinitos gados", conforme tinha dito o sargento-mor, Diogo Campos Moreno, vinte e cinco anos antes; e era o grande centro abastecedor de gado, à Bahia e a Pernambuco, que, praticamente resumia o Brasil, ao nascer.

Certamente no domingo, aboios se ouvirá, como se ouviu há quatrocentos anos; mas não haverá derrubadas, ferradas, etc.. Ao invés disso, cantores do show-bizz, em cima trios elétricos, e nenhum boi na manada.
E será dia 30; não no dia 5. Ou próximo disso.

O 5 de novembro

Um curral natural, cercado de serras, em cuja área, atualmente, cinco municípios se formam dentro das serras, e quatro nas suas fraldas externas. Epicentro, no dia 5 de novembro de 1656, da primeira rebelião contra o abuso de autoridade na história da formação brasileira.

E porque insisto em falar sobre o simbolismo do dia 5? 
O cercado natural de serras, se encheu de gado, tão logo veio a Conquista de Sergipe, oficializada em 1º de janeiro de 1590. 
Era seguro, apesar de próximo do mar; fica a 300 km (em linha reta de Salvador); e 400 de Olinda. Quase no meio do caminho entre os dois grandes centros. Olinda - leia-se Pernambuco - cheia de dinheiro do açúcar; Salvador, a capital da Brasil, seu Recôncavo, e suas imensas frotas de caravelas, necessitando de milhares de cordas de couro de boi; e couro para embalar o fumo que levavam para a África e Índia. Além do monte de marinheiros, famintos por carne do sol.
Em 1600, sob o império espanhol, abarcando quatro dos cinco continentes, o curraleiro, criador arrendatário das terras, praticamente não pagava imposto. Mas em 1650, depois de consolidar a Restauração do domínio português as coisas mudaram. Para pior.
Teoricamente, Sergipe era independente do governo baiano; mas todo ano Salvador vinha cobrar imposto, que também tinha de ser pago a São Cristóvão, a capital de Sergipe, e por ele responsável. 
O imposto se tornou extorsivo; e aí, num claro ato de desespero, para chamar a atenção de Lisboa, o próprio governador de Sergipe, criador arrendatário em Itabaiana, Capitão-Mor Manuel Pestana de Brito (Teria vindo daí “o Campo”?) liderou a primeira revolta contra o governo no Brasil: a Rebelião dos Curraleiros, em 5 de novembro de 1656.
Foi um desastre! 

Abuso na cobrança de impostos levou ao desespero, resultando em rebelião que envolveu até o governador Pestana de Brito.

Foram presos o governador, Pestana de Brito; vários vereadores em São Cristóvão, todos criadores de gado em Itabaiana; enfim, cerca de cem proprietários tiveram suas vidas afetados – e afetaram a produção por anos – sendo que somente seis anos depois os processos, na maioria irregulares e até criminosos foram jogados na lata do lixo. E queimados para não deixar provas dos abusos. E Sergipe passou desde então a ser verdadeira colônia de Salvador.
Logo, quanto tilinta um chocalho; ou alguém solta um aboio, fatos históricos recém revelados nas pesquisas do Programa de Documentação e Pesquisa Histórica, do Departamento de História da Universidade de São Cristóvão, conduzidas pela itabaianense Maria Thetis Nunes e seu parceiro, Lourival Santana Santos, me reavivam a memória da grandeza sonegada ou ignorada do meu lugar.
Viva mais uma Festa do Vaqueiro! 
Quiçá, um dia, se amarre festa, à magnânima data da sergipanidade. A meu ver, a maior. Nascida sob heroísmo real e sofrimento. 
Há 16 anos que tento. 
Um dia sai.



quinta-feira, 20 de novembro de 2025

"P'OFESSOR, CANTE SALVE LINDO."

 

Ontem, 19, foi o Dia da Bandeira. Símbolo cívico que, em geral, é mau usado; abusivamente usado.

Falsos patriotas vestem-na para fazerem lambanças; bandidos empunham-na para parecer fervor patriota; ‘goelas’ pregam patriotismo com ela, enquanto traem princípios, a que supostamente defendem; e tem a turma dos torcedores de quatro em quatro anos, mais fervorosos à medida que a bola entra na rede, do adversário; murchando, até desaparecer, quando em contrário.

Mas ontem esqueci essa galera, incluindo a caterva acima citada e lembrei de um patriota de coração: meu saudoso aluno, Valdileno Santana da Silva, ou Val de Dionetes; ou de Zefa de Dionetes, conforme o apelo popular de quem o citava.

Patriotismo nunca foi o forte do brasileiro, sempre comandado por uma elite colonial, que detesta o país, em que pese dele se nutrir há cinco séculos, e que por isso está muito distante de infundi-lo – o patriotismo - pra valer no populacho.

Parte indissociável da identidade de uma pátria, os símbolos nacionais têm servido a meros protocolos hipócritas, mesmo assim, só se tornando frequente com alguma medida de força.

Nas escolas, por exemplo, foi parte do nacionalismo na marra da Ditadura do Estado Novo, reforçado pela ditadura civil-militar de 1964. Que terminou em 1985, depois de 21 anos.

A escola, até fins da década de 1970, tinha o salutar hábito de cantar um dos principais hinos, em geral, antes das aulas; e, em 19 de novembro de 1973, aos treze anos, um mês e onze dias de vida, pasmem: eu estava professor. Um guri ensinando outros guris. No povoado Caroba, extremo sul do município de Areia Branca, que foi parte de Itabaiana, há dois séculos.

A falta crônica de professores, em geral levava comunidades inteiras a se valer de quem simplesmente sabia ler e escrever para servir como professor dos filhos. Crianças, como eu, inclusive.

O dia 19 de novembro de 1973 caiu numa segunda-feira; porém, antecedido pelo 15 de novembro, na semana anterior, comecei já na segunda da semana anterior a ensinar aos meus guris, o Hino Nacional, e o Hino à Bandeira.

Val, nos seus nove anos logo se apaixonou pela melodia e letra do Hino à Bandeira. Meio tímido, mesmo falando com um menino maior, mas preservava a ritualística do relacionamento mestre-pupilo, que era lembrado em casa, ao sair para a aula. Notei que estava querendo algo, porém sem querer dizer. Foi então que me dirigi até ele e perguntei o que desejava.

Val corou, olhou os outros, meninas e meninas ao redor; criou coragem e respondeu em forma de pedido, evidenciando sua natural dificuldade em pronunciar o encontro consonantal “pr”: P’ofessor, cante Salve Lindo!

Cantamos o Salve Lindo até o fim do ano, já próximo, quando me despedi deles e de um dos lugares mais mágicos e simples, em que tive o prazer de viver.

Mas aquele apelo jamais saiu de mim. Mesmo quando cerca de 15 anos depois soube de seu falecimento num acidente.

Sou apaixonado por gente.

Em 2007 estive no mesmo local de minha experiência mágica. Ali, escombros da velha casa, que um dia me serviu de escola; traços nos entulhos marcados pela linha amarela, e as lembranças dos meus 21 alunos, cuja lista de chamada ainda preservo, 52 anos depois.


quarta-feira, 19 de novembro de 2025

50 ANOS DE UM RENASCER

 

A possante ponte, sobre o histórico rio Vaza-Barris, inaugurada em 1975, marcou o reatamento entre os dois municípios sergipanos mais antigos, depois de São Cristóvão: Itabaiana e Lagarto; mas não só isso, como também refez, no trajeto sul, a antiquíssima estrada colonial Salvador-Olinda. Ou estradas das boiadas, dos primeiros 50 anos de Sergipe, ainda no nascer do Brasil.

Ignorando completamente uma matéria recém descoberta na edição 228, do jornal itabaianense, “O Serrano”, de 8 de março de 1975, sempre tive que a SE-170, entre Itabaiana e Lagarto teria sido aberta com seu asfaltamento em 1980. Ledo engano. Como a maioria das obras estruturantes e de desinteresse dos mais poderosos, a estrada de rodagem, com alguma diferença em seu curso, foi inaugurada em 5 de março de 1975, uma quarta-feira, dois dias depois da minha mudança para a cidade para estudar, de onde não mais retornei à zona rural, minha origem.

Prejuízos que a falta ou deficiência da história, escrita, obviamente, sempre produz.

Portanto, há 50 anos, feitos em março, ao menos relativamente ao trajeto do Caminho de Sertão ou estrada colonial Salvador Olinda, sentido Itabaiana-Salvador voltou a ser totalmente operacional. Mesmo que ainda hoje tenha certas limitações entre Itabaiana e Itapicuru, já na Bahia.

O mapa de 1825 confirma o escrito por D. Marcos Antônio de Souza, em suas "Memórias sobre a Capitania de Sergipe", de 1808, sobre a antiga estrada colonial Salvador-Olinda ou das Boiadas já ter sido em parte abandonada; e seu trajeto, em parte, "por terrenos particulares". Detalhe em vermelho.

A estrada colonial foi aberta assim que se consolidou a Conquista de Sergipe, em 1590. Ela foi trajeto preferencial de missionários, principalmente jesuítas, e de transporte da nascente economia sergipano, especialmente boiadas, até 1700. Mas ao romper o século XVIII e a descoberta de ouro em Minas Gerais, todo o Nordeste tomou um baque. E o gado de Itabaiana e de todo o interior de Sergipe perdeu completamente a importância, levando a estrada ao desuso. Em 1800 já quase não mais existia, exceto em trechos. Entre Itabaiana e Lagarto se passou a usar a alternativa pelo povoado Ribeira.

Um dos trechos que se manteve em uso todo o tempo foi entre a cidade de Itabaiana e seu povoado Campo do Brito, o velho, até 1845.

Dois trechos do novo trajeto, já por volta de 1800: Estrada de Itabaiana para o povoado Ribeira, passando por pedreira, originária da escavações holandesas. em 1640, atrás de prata; e, sua sequência até Lagarto, na passagem pelo rio Vaza-Barris, logo abaixo da foz do rio das Pedras nesse, no local conhecido como Barra de Santo Antônio.

Com a instalação da matriz de Nossa Senhora da Boa Hora, em 1845, no local onde passou a ser a futura cidade, novo caminho passou a existir desde Itabaiana, identificável hoje pelo popular nome de Rua da Caixa d’Água. Só até Campo do Brito, a nova.

Em 1937, noutro trajeto, veio a estrada de rodagem. Até a cidade de Campo do Brito. Informações ora recuperadas, mostram, no entanto que em 1975 o velho trajeto de uma das mais antigas estradas do Brasil foi refeito, integralmente. O que houve cinco anos depois, em 1980, foi mais um trajeto, a atual, SE-170, asfaltada, que segue numa linha reta até cruzar com a rodagem, hoje acesso a São Domingos.

Se a estrada de rodagem para Campo do Brito, de 1937, tivesse sido até Lagarto, talvez a era do caminhão talvez tivesse chegado vinte anos antes; ainda com seu criador, o comerciante, músico, compositor, maestro e político, deputado Esperidião Noronha. Coube a Euclides Paes Mendonça, seu sucessor partidário implementá-la, por outra rota: a dos sertões do Jeremoabo, depois de 1954, quando a BR-235 chegou àquela cidade.

Mesmo que não tenha merecido a devida atenção até os dias de hoje, mas a ideia começada sob o governo Paulo Barreto de Menezes, e só inaugurada por Augusto Franco começou a devolver a Itabaiana sua ligação direta com a primeira capital do país.


sábado, 15 de novembro de 2025

COMO HÁ 50 ANOS ATRÁS

 

De fato, jovem sempre foi jovem, mas agora à boquinha da noite eu me senti como há 50 anos atrás. Explico.

Fui convidado pelo Naajohn a me fazer presente em mais um sarau, dos tantos que tem promovido, desde as atividades no Campus Alberto Carvalho, a outras, como esse de hoje, realizado na meia-lua da Avenida Nivalda Lima Figueiredo, quase esquina com Luiz Magalhães.

Eu fui; mas não me demorei muito. O ambiente completamente estranho – tudo jovem, com idade de serem meus netos. A falta de alguém conhecido para trocar algumas ideias. O próprio John lá não estava no momento... me senti um peixe fora d’água.

Ao mesmo instante bateu uma lembrança “de quando eu era assim”. E isso se fez mais forte quando o garoto ao violão, aprendiz de João Gilberto e toda a sua calma, saiu de seu repertório atual de composições, visivelmente de bom nível, e adentrou velhas canções da minha adolescência.

Em 1975, não sabia tocar um violão quem não solasse a introdução, claro, depois entrando na canção de Fernando Mendes, “A Desconhecida”. Era obrigatório. Em geral, terminava tocando também “Preta Pretinha”, do saudoso Moraes Moreira, em geral com o grupo todo, Os Novos Baianos.

Pois foi por “A Desconhecida” que justamente o garoto de voz calma, gilbertiana, começou.

Passou-me um filme na cabeça, incluindo os saraus de meus amigos roqueiros, os saudosos amigos Nem de Abdon, Adelardinho e Cacá de Alcino, ao som do violão divinamente tocado pelo irmão deste, Luiz Antônio; às apresentações do saudoso Ivan Andrade. Gerações de jovens que se sucedem lutando, firmes, para tornar mais adoçada a vida.

Que venham mais e mais saraus, e que o Naajohn continue me convidando. Vai que, de repente me baixe de novo o espírito jovem, e eu me reenturme, né?

Sem cabelo quase nenhum à cabeça, mas me continua a ecoar nos ouvidos os versos de Belchior, “cabelo ao vento, gente jovem reunida”. E como berra o alemão – em inglês – Marian Gold (Alphaville), “eternamente jovem, eu quero ser eternamente jovem”. Seja “Como há dez anos atrás”, como disse o saudoso Renato, do Renato e Seus Blue Caps”; seja há cinquenta, cem, o que for.

“Eu acredito é na rapaziada!”



sexta-feira, 14 de novembro de 2025

O MUSEU DE ZÉ DE ANA.

 

Recentemente, mais precisamente durante a VII Bienal Internacional do Livro de Itabaiana, promovida pela Academia Itabaianense de Letras, fins de outubro próximo passado, o prefeito municipal de Itabaiana, Valmir Costa, assinou um calhamaço de leis (para os padrões históricos culturais de Itabaiana), promovendo a cultura no município.

Dentre estas, a lei que fixa em prédio próprio, o Museu Municipal, desde a sua criação, em ambiente não muito apropriado, para algo de extrema necessidade de estabilidade.

A casa de memórias itabaianenses mudará definitivamente para um endereço emblemático, qual seja onde funcionou por décadas o cartório de 3º Ofício, ou Cartório de Registro Civil, em que todo mundo foi algum dia, ou ainda Cartório de Serapião, ex-prefeito Serapião Antônio de Góis, dele tabelião por mais de trinta anos, justo na fase de maior crescimento da cidade.

Conforme o que sabemos, toda a estrutura frontal, clássica do curto período do Estado-Novo, será preservada; com mudança da estrutura apenas na parte interna, consoante a necessidade do objetivo.


Minha Itabaiana de tantas tentativas.

O local onde funcionou "o Cartório de Serapião", e a casa adjacente indenizados e aguardando a estruturação para abrigar, em definitivo, o Museu Municipal, criado a menos de duas décadas.
Em 1872, Miguel Teixeira da Cunha foi a Salvador, pela velha e seiscentista trilha das boiadas, buscar seu daguerreotipo, na época já em processo de mudança de nome pra câmera fotográfica. Aguentou. E nos legou excelentes registros da antiga Santo Antônio de Itabaiana. Mas sabe Deus a que duras penas.
Em 1875, duas bombas: em 30 de março foi assinada toda a documentação para a construção da ferrovia Alagoinhas-BA e Itabaiana-SE, de onde deveria sair ramais para o resto do estado. Foi tudo providenciado. Menos o início das obras.  Muito menos o trem chegou. E logo mais à frente foi criado em Itabaiana o primeiro Gabinete de Leitura do interior sergipano. Existiu até a saída do professor que o criou.
Em resumo, sempre houve por aqui os Dom Quixote a combater os moinhos da ignorância; e as promessas de um futuro promissor. O problema é que os ditos moinhos sempre foram muitos e objetivamente poderosos. Em contrário.
Em 1980 me tornei carteiro, numa promoção interna e fui para as ruas entregar cartas. Um dos endereços mais frequentados, aonde mais chegavam cartas, estava na Rua Padre Felismino. O museu de Zé de Ana.
No entanto, havia cada vez mais desânimo daquele projeto ter continuidade. E não teve. De fato, depreende-se do artigo de Vladimir Souza Carvalho, de 1969, ainda um estudante secundarista; hoje um desembargador federal aposentado, que ali já se vivia sem muitas expectativas positivas.
Mas, como disse Galileu Galilei, eppur se muove; e o Museu Municipal já vai com quase duas dezenas de anos.
Agora, com endereço definitivo, esperamos que cresça; enriqueça o acervo, enfim faça jus à até agora tão mal tratada identidade serrana, mesma com mais de quatro séculos total, e três e meio de sua cidade; seu núcleo administrativo.
Para mim, que vivi um pouco o drama de José Conrado dos Santos, o Zé de Ana, e tantas outras lutas inglórias, isso tem gosto de vitória.
Viva os novos tempos.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

A ETERNIDADE DA ESCRITA

 

Há quatro mil anos, uma senhora, de nome Lamassi escreveu uma carta desaforada ao folgado do marido, Push-ken. Ela, morando em Assur, cidade do então futuro Império Assírio, hoje norte do Iraque; ele, comerciante, 900 quilômetros a noroeste, na cidade de Kanesh, na atual Turquia. Ambas as cidades já não existem há dois mil anos.

E o que disse, e porque o disse D. Lamassi? Bem, previamente ela reclamou que há muito tempo não recebia nada do marido para manter a família. Então, frente a cobrança em assumir as responsabilidades de família, ele a acusou de desperdiçada. E ela não engoliu o desaforo. Foi para cima, inclusive o acusando de ter levado seus tecidos, fabricados artesanalmente por ela; tê-los vendidos e embolsado o dinheiro, não mandado nada para casa. 

Botou o malando no lugar dele. E aí vem a humilhação total: “O vizinho construiu uma casa nova para a esposa; enquanto ele a deixava vivendo numa arapuca”. Matou!

Por que sabemos isso?

Porque foi escrito. Como se fazia na época, e naquela região: no barro. Que depois queimou. Virou pedra. Depois que a casa caiu, foi encoberto pela areia, barro... e há cem anos, por volta de 1920, foi reencontrado, limpo, e interpretado pelos estudiosos ingleses. 

Só fica o que é escrito e impresso. O resto voa com o tempo e o vento.

O extrato do jornal O Serrano, acima, de 31 de maio de 1975, acaba de me confirmar, documentalmente, algo com que convivi, ou seja o assombro de Mané de Zeca dos Peixes, ou Manoel Gois que “sozinho mandou asfaltar a avenida nova, da nova estrada (BR-235 asfaltada) até o posto”. 

Eu sempre soube disso. Mas não dispunha do documento. Que a então garotada do Serrano grafou, e agora eu recupero: a primeira via pública asfaltada de Itabaiana foi uma iniciativa particular.

Viva o livro, a revista e o jornal.

Viva o impresso!


terça-feira, 11 de novembro de 2025

ENVELHECIMENTO GERAL: E QUEM VAI CUIDAR DE MIM?

 

O Lar Cidade de Deus, iniciativa da paróquia-mãe de Itabaiana - Santo Antônio e Almas - produto do encolhimento das famílias e ao mesmo tempo aumento exponencial de pessoas de terceira idade. Num mundo com cada vez menos crianças e jovens.

Neste fim de semana, próximo passado, um apelo do pároco da Paróquia de Santo Antônio e Almas, Padre Paulo Lima no Instagram da mesma, em prol da arrecadação de fundos para o Lar Cidade de Deus; como também a leitura de uma notícia de jornal, sobre a mais que certa redução da população brasileira nestes próximos 16 anos (mais mortes por velhice que nascimentos), me chamou a atenção, e resolvi fazer uma singela pesquisa rápida sobre Itabaiana.

O resultado, de certa forma, preocupa.

No Censo do IBGE, em 1970, Itabaiana tinha 41.640 habitantes e quase 4.000 nascimentos ao ano, conforme dados do SERFHAU – Ministério do Interior, de 1969. Mas no Censo-IBGE, de 1991, o número de nascimentos tinha caído para menos de 3.000, mesmo a população tendo crescido mais de cinquenta por cento.

Em 1991, o Censo do IBGE apurou 64.838 habitantes. Porém é a partir de 1995 que a redução se inverte ao crescimento populacional pra valer: de 2.068 nascimentos para uma população de 72.052 (Na contagem de 1996) para 1.315 nascimentos em 2024, numa população de 103.620 habitantes no Censo de 2022, 65% a mais.

Levando em conta o número crescente na queda de nascimentos, e o crescimento de número no percentual de idosos, que dobra a cada 25 anos, e consequente aumento na porcentagem de óbitos em 2041, como previsto para o país, vai estar mais gente morrendo que nascendo em Itabaiana.

Risco alto de colapso na assistência à terceira idade, por absoluta falta de gente para cuidar de tanto velho.

A cena rara é por demais cheia de simbolismo: ternura, lembranças de meus tempos felizes de criança; e óbvia esperança. Uma 'boiada' de crianças a se socializarem e se prepararem o futuro, com amor, compaixão e toda a cesta de sentimentos humanos maravilhosos que a brincadeira infantil de grupo traz. Atual rotina no meu trecho de rua. Graças a Deus.

Em 30 anos, os nascimentos em Itabaiana caíram quase pela metade, numericamente falando. Sem se levar em conta o aumento de 50 por cento na população geral, de quase cem por cento no segmento em idade de reprodução. E nos mesmos 30 anos a proporção de mortes naturais dobrou.

Em 2040, daqui a apenas quinze anos teremos mais mortes por ano do que nascimentos. 

Com tão poucos jovens e meia idade, quem tomará conta da multidão de idosos?

População itabaianense, como a de todo o país, em rápida e até preocupante tranformação. (Procissão de Santo Antônio, 2007).



domingo, 9 de novembro de 2025

FOI HÁ 15 DIAS, MAS JÁ DÁ SAUDADE.

 

“Pelo meu caminho vou; vou como quem vai chegar. Quem quiser comigo ir, tem que vir do amor; tem que ter pra dar”

(Geraldo Vandré, Fica mal com Deus).


Foi de certo modo, uma atitude arriscada, porque precipitada; em cima da hora para esse tipo e grandiosidade de evento. E não é que deu certo?

E, há apenas quinze dias do final, a VII Bienal de Itabaiana já traz saudades.

Só saiu pelo empenho do secretário Municipal de Cultura, Antônio Samarone; pelo desprendimento do presidente da Academia Itabaianense de Letras, Vladimir Carvalho, e o óbvio apoio do prefeito, Valmir Costa, garantindo generoso aporte ao evento de apogeu cultural, que transcorre em Itabaiana a cada dois anos, há mais de 15 deles.

E mais uma vez contou com a indiscutível ajuda do Shopping Peixoto, com a cessão do espaço e estrutura básica, qual seu proprietário, Messias Peixoto é também acadêmico, membro da Academia Itabaianense de Letras.

O presidente da Academia Itabaianense de Letras, Vladimir Souza Carvalho e o empresário Marcos Henrique de Lima, ladeando o secretário de Cultura do Município, Antônio Samarone de Santana.

O prefeito municipal, Valmir dos Santos Costa, cuja atividade política foi iniciada no Grêmio Estudantil do Colégio Estadual Murilo Braga, em 1982, concedendo, em nome do Município genoroso apoio financeiro, que proporcionou, entre outras coisas, esse mundo de estudantes estimulados à literatura.

A “química” entre o coeso e decidido grupo gestor da magnânima festa literária satisfez as expectativas do estado e além fronteiras.

Nada de invencionices: apostou-se no que vem dando certo desde 2011. Obviamente que acrescentando alguma novidade. Sempre assim será.

Apesar das tentativas dos de sempre, pebas e cabaus ficaram somente nas torcidas óbvias: uns pelo fracasso; outros pela glorificação total. Politizam tudo! Inevitável. Ao fim, todos se recolheram às suas insignificâncias de radicalização político-partidária, ao sentir o peso de algo que transcende, em muito, suas mesquinharias: a Bienal tem dono, que é a cultura sergipana.

Escolares chegam em massa na sexta, segundo dia, para se deliciar com os milhares de títulos e gêneros, dispostos pela centena e meia de escritores presentes, mas também pelas editoras e livrarias. Além da vastíssima programação de eventos.

Em busca da fórmula perfeita

Três momentos no histórico da Bienal: a aventura despretensiosa de Robério Santos teve consequencias, no trabalho sério e exitoso de Honorino Jr (1º à esquerda, no quadro abaixo, acompanhado de Jamisson Machada e Carlos Eloy); porém, quando perigou ter solução de continuidade, encontrou em Josevanda (acima, posando com o escritor Ginaldo de Jesus) o vital apoio para que ora se voltasse ao leito, "sob nova direção".

Essa é a segunda edição administrada pela Academia Itabaianense de Letras, as demais foram louváveis e arrojadas atitudes da iniciativa privada, seguindo a provocação do irrequieto agente cultural Robério Santos, depois membro da citada Academia.
Por ser uma atividade tipicamente não rentável, sob o ponto de vista financeiro, somente poderia surgir, como surgiu; continuado e se agigantado, como o foi... e depois sofrer uma baita solução de continuidade, pelo cansaço em malhar em ferro frio, como financeiramente aparenta, esse tipo de evento.
A edição de 2019, a 5ª, chegou ao topo; e à exaustão. O cansaço dos organizadores, “restos a pagar”, a condenaram ali a desparecer.
A pandemia do corona vírus, a partir de março de 1920 reprogramou tudo, e em 2021, obviamente, não houve.
Em 2023, na presidência da Academia, com todas as perspectivas e expectativas em contrário, Josevanda Mendonça Franco logrou intrepidamente fazê-la no primeiro modelo institucional: pela Academia. Direto. Sem um real apoio de uma empresa de produção de eventos, e sem uma equipe própria, da Academia, obviamente.
Foi um esquenta. Um teste. Para o momento, e do modo como foi realizada, às pressas, e usando recursos de adaptação, como o fato de dividir entre dois poderosos espaços, mesmo assim divididos; dispersores. Foi, digamos, atípica; contudo de importância ímpar, qual a “maluquice” de um jovem professor, criando quinze anos atrás, uma Bienal do Livro, numa cidade na qual todos sempre acreditaram, ser de exímios empresários; comerciantes; jamais de intelectuais. Muito menos de alto consumo de leitura; que dirá de escritores.
Josevanda, com sua atitude quase solitária, fez renascer a Bienal do Livro de Itabaiana, que, agora, mesmo mais uma vez preparada às pressas, voltou com força total.
A providencial contratação de produtora de eventos, a SerSergipe Comunicacao Marketing e Servicos Ltda(*), sob o gerenciamento do girento Marcos Henrique de Lima, fechou o círculo, com execução e uma organização invejáveis. Completo.
Agora é se preparar para 2027.
Visita institucional em busca de parcerias. da esq. pra direita: secretário Carvalho Jr., imprescíndivel apoio da Comunicação do Município; Marcos Lima; o diretor da CCTECA, Augusto Cesar Silva Almeida; Samarone e este escriba dessas mal traçadas linhas.

(*) Foi grafado inicialmente como SIC. de fato uma empresa de apoio.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

PRAÇAS E CIVILIDADE


A Praça Fausto Cardoso, ou da Matriz, repete o padrão ibérico, especialmente o espanhol, herdado dos mouros muçulmanos de uma cidade: praça central, com ruas laterais, acessadas por travessas, geralmente estreitas.
(Foto de Walmir Almeida, para a administração Vicente Machado Meneses, 1970).

O termo praça vem do latim platea, lugar aberto; para o lazer; sociável. Bem mais leve e amplo que o fórum, também romano. Ou a ágora grega.

A ideia de formação urbana, com uma praça central vem da civilização muçulmana, com sua polidez de fins do primeiro milênio, e remete à Meca; enquanto a Europa, mergulhada nas trevas da ignorância, amargava a queda civilizacional, pós desaparecimento do Império Romano e seus fóruns e ágoras.

Por 700 anos os muçulmanos dominaram toda a península ibérica, Portugal, inclusive, herdando não só as palavras começadas em al (alface, álcool, almoxarifado, alpercatas etc.), mas muito da estrutura de governo e de arquitetura moura, os mulçumanos da Iberia.

A cidade mais sagrada do islamismo - Meca - inspirou inúmeras outras no mundo muçulmano, deixando sua herança arquitetônica, especialmente na Espanha, de onde se transportou para o Brasil. E para Itabaiana.

Itabaiana se formou com uma praça central, circulada por ruas laterais, a ela ligadas por seis travessas.

Até os anos 1950, com vida social mínima, numa cidade pequenina, a praça central, a Fausto Cardoso foi desde a sua formação a Praça da matriz; em 1863 viu nascer nela a feira, saída dela definitivamente em 1928; e as festas profanas, desde as comemorativas a Canudos, da primeira década do século XX, às feirinhas de Natal, a partir da década de 1920.

Mas de 1950 em diante, tudo mudou rapidamente e a Praça passou a ser um espaço público, cada vez mais frequentado, todos os dias da semana.

Até fins dos anos 80, era território da imensa população juvenil da cidade, embalada pela socialização do Colégio Estadual Murilo Braga, especialmente; mas também pelos clubes recreativos, ela se reunia todos os dias na Praça, sendo que aos sábados e domingos, a sobrelotava, no sagrado exercício da caça ao sexo oposto, de onde numerosas famílias advieram; acabaram se formando posteriormente.

Em 1980, a população urbana foi praticamente igual à rural; de 1991 em diante a população rural diminuiu, numérica e proporcionalmente, com desaparecimento de povoados inteiros, despovoados, e concentração cada vez maior no sítio urbano.

A redução da natalidade também levou a população a começar a envelhecer, proporcionalmente.

Se em 1980, eram menos de 4% na chamada terceira idade; em 2.000, já eram 6,5%, e agora em 2022 foram encontrados mais de 13,3% acima de 60 anos.


A chegada da turma da bexiga frouxa.

Em 23 de setembro último, a instalação de banheiros eficientes passou a minimizar os vexames, dos incontidos; e de demais frequentadores, a suportarem  os odores por aqueles produzidos.
Nos 13,3% da população acima dos 60 anos, 12,5 são contumazes frequentadores de algum lugar público. 
Aposentados ou quase lá, gastam boa parte dos seus tempos nas praças, batendo papo ou fazendo alguma atividade de lazer. Até a bexiga acender o alarme: precisar-se urgentemente de um sanitário.
Acima dos 60, mesmo não se empanturrando de cerveja e refrigerantes, mas quase todas as pessoas, especialmente no gênero masculino, têm certa deficiência em controlar a vontade de urinar. Sequelas de AVCs, inflamações prostáticas e outras disfunções urinárias... não faltam motivos.
Nos últimos dez anos tem-se notado certa fedentina crescente, especialmente nas duas praças centrais e outras vias. É o produto da concentração cada vez maior de pessoas da terceira idade, em substituição aquele caudal de jovens dos anos 70 e 80, hoje em menores concentrações, e em geral, deslocados aos novos espaços, na atual zona de expansão urbana. 
No dia 23 de setembro, próximo, passado, fomos surpreendidos com uma louvável medida saneadora por parte do Executivo municipal, com a instalação, não dos quebra-galhos banheiros químicos; mas de algo novo, sofisticado, porque instalações mais robustas, e que se deseja, venha suprir o velho problema dos sanitários públicos, em geral: a manutenção. Sempre cara e deficiente, diante da demanda, e principalmente a clássica falta de educação, as novas instalações, que avançam além da Praça Central, a Fausto Cardoso, são autolimpantes, o que evita o mau cheiro dentro delas, principal causa de desistência do seu uso.
Espera-se, cumpram bem o seu papel, para o bem de todos. E da imagem da cidade.

O Serra do Machado – um marco.

O Edifício Serra do Machado, com a Câmara Municipal, no pavimento superior, e sanitário público, no térreo (círculo amarelo). A denominação foi uma homenagem ao povoado de origem de Euclides Paes Mendonça, a Serra do Machado, cuja serra foi desprentensiosamente captada ao horizonte pela lente do fotógrafo Jurandi Rosa, em 1987(seta vermelha), justo ao fundo da edificação.

Em 1961, com o pessedista Padre Artur Moura Pereira exibindo sua conquista, a do primeiro andar do Edifício Pio XII, que viria a logo ser Cine Santo Antônio, e Rádio Princesa da Serra, o visionário Euclides Paes Mendonça, chefe udenista viu a oportunidade de empatar o jogo. Até ali, todas as edificações em sobrado, na cidade, com andar superior, eram de taipa. 
E foi construído o Edifício Serra do Machado.
Resolvia um problema de ego do chefe udenista; e outro mais real, na cada vez maior feira de Itabaiana, qual seja, um monte de gente precisando fazer seus “precisos”, como diziam meu pai e tios.
Em 1973, o vereador e presidente da Câmara Municipal, Romeu Alves dos Santos resolveu efetivar a independência entre os poderes municipais, retirando a quase tricentenária Câmara de dentro da Prefeitura, desde 1913. Levou para o andar de cima do Serra do Machado, onde ficou até 31 de dezembro de 1988.
As instalações sanitárias de Euclides permaneceram por mais dois anos, até a derrubada do edifício, durante a construção do Mercadão de Hortifrutigranjeiros.