quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

A MORTE DO ORELHÃO.

 

Cena da excelente publicidade da agência DPZ, São Paulo, de 1980. Intitulada A MORTE DO ORELHÃO, alertava para a necessidade de conservar o patrimônio público. Não depredar. 

O anúncio, pela Antel, na última terça-feira, de retirada total dos outrora tão úteis telefones públicos, os orelhões – onde ainda existem - desperta memórias nas gerações mais antigas, e marca mais um corte temporal, na era do uso da tecnologia em solo nacional; e, no caso do orelhão da tecnologia nacional mesmo. O nosso jeitinho brasileiro, surpreendentemente barato, útil, e de certa forma, acolhedor. Cálido.

"Apenas 3 minutos". E a ficha (a local) caía e a ligação ia pro espaço, sem nem mesmo pedir a música; ou dar outro recado.

E a música popular, do radialista paulista dos anos 1970-80, Barros de Alencar, Apenas Três Minutos, ficará completamente sem sentido para as futuras gerações.

O telefone público foi inventado nos grandes centros tecnológicos, e no Brasil, demorou muito a se popularizar.

Em Itabaiana, o telefone de fato, só passou a ser rotina em 1978. Apesar de inaugurado em 29 de janeiro de 1930. Em 1933 já há reclamações de não funcionamento. O que se manteve por mais 45 anos, arrancando ácidas críticas do jornal O Serrano, a partir de sua criação, em 1968.

E, coincidentemente é em 1978 que também surgem os primeiros orelhões, o que contribuiu para a primeira febre de trotes, já que por ligação automática, sem intermediários; como também para turbinar as participações populares pelo então 422-1746, na então novíssima Rádio Princesa da Serra.

Desde então, o orelhão passou a ser parte do nosso cotidiano.

Chu Ming da Silveira, a arquiteta inventora de algo revolucionário, que aguentou por 60 anos, fazendo parte da rotina brasileira. À direita, um dos últimos na cidade de Itabaiana, em 2002, em frente à Escola Benedito Figueiredo, Conjunto José Luiz Conceição. A comodidade do celular liquidou tudo.

Escapa-me, contudo, quando o último por aqui deixou de existir. Destes, vi um em frente à Escola Municipal Benedito Figueiredo, em 25 de dezembro de 2002. Desde lá, à medida que se popularizaram os celulares, desapareceram por completo.

Em 1970, Itabaiana tinha telefone desde 1930. Mas não funcionava. Todos particulares, exceto um de uso público, abrigado numa casa. Até 1978. (Pontos no mapa).

Atualmente, segundo a Anatel, somente um município dentro das serras, na grande Itabaiana, possui um único aparelho em funcionamento: Macambira. No próprio município de Itabaiana, nada. E dos municípios sergipanos, somente entre os mais extensos, no Agreste, e principalmente no Sertão, é possível ainda se encontrar algum. Típico de local com cobertura ruim ou zero, da telefonia celular.

E a morte definitiva do velho orelhão, de tantas chamadas aflitas, apaixonadas, e até pra encher saco, de vez em quando, foi decretada.

E lá se vai mais um símbolo da nação real; que tanto imperou na segunda metade do século próximo passado.