quinta-feira, 9 de julho de 2026

SINAIS DE GLÓRIA

 

Caminhão e tricolormania: uma sina serrana.

Em 1938 foi ano de boas colheitas, depois dos tristes anos de seca, especialmente 1932. E principalmente de grandes esperanças.

Fila da água salobra, no poço da Praça Fausto Cardoso(hoje sob o coreto), em 1932. Revista Noite Ilustrada de 26-05-1934, p.13, Rio de Janeiro-RJ.
A administração se encontrava sob o prefeito Silvio Teixeira, eleito em 1935. Na sua administração já estava consolidado o Cinema Popular, o Hospital Regional ainda não funcionava, mas sua imponência impressionava, bem como o Grupo Escolar Guilhermino Bezerra, inaugurado há dois anos, ali já funcionavam as primeiras turmas. As fofocaiadas da politicagem local, que antes explodiam nos jornais da capital, achavam-se sob controle do DIP, ou seja, da censura do Estado Novo. Estado Novo que acabara com a vila, como sede municipal, deixando tudo, doravante chamado de cidade.
Em 1937, duas construções robustas, um (o Grupo Escolar Guilhermino Bezerra) com funcionabilidade imediata, mudaram a paisagem atrasada de Itabaiana, estagnada há 300 anos.
O futuro prometia, e é nesse clima que, surge no dia 10 de julho de 1938 o Botafogo Sport Club; três meses depois, mudado para Itabaiana Sport Club, preservando as cores do Botafogo carioca. E, mudando a denominação para Associação Olímpica de Itabaiana, e as cores para as atuais, em 1950. 
Ainda com as cores do Botafogo carioca
As cores Vermelho e Azul e faixa branca é uma homenagem ao Brasil e Santa Cruz, primeiros clubes de futebol lá pelo início dos anos 1920
O tricolor serrano levaria 21 anos para conseguir o primeiro título regional do interior, porém, dez anos depois chegaria à maturidade, surpreendendo o Brasil ao se tornar Campeão do Nordeste, dois anos após, até hoje o único título nacional do futebol sergipano, mesmo que relativo à região Nordeste.
Se em 1938, a nova agremiação pungava nos bons momentos que então pairavam, em 1969 e anos seguintes, o clube amalgamou o espírito serrano para não esmorecer, num momento-chave da nossa história recente, conduzindo a cidade a resistir contra toda má sorte e até perseguição, para chegar ao que hoje é e mais promete para o futuro.

Parabéns, Associação Olímpica de Itabaiana; e todos os seus benfeitores, por esses 88 anos de glória!


(Texto baseado no original BREVE HISTÓRICO DA ASSOCIAÇÃO OLÍMPICA DE ITABAIANA. Por Antônio de Oliveira, patrimônio tricolor e itabaianense, completando 100 anos de nascimento, neste dia 11, depois do aniversário do clube a que tanto amor devotou) 

terça-feira, 7 de julho de 2026

A INAUGURACÃO

"Nossos amigos, e até nossos inimigos, precisam se sentir seguros. Precisam ir dormir, sabendo que o presidente está sentado nessa cadeira. Protegendo-os."

O conjunto, Residencial Prefeito Serapião Antônio de Gois, em ato de inauguração, no último dia 3 deste julho.
A política partidária, não deveria ser, mas acaba sendo um negócio. O topo das relações humanas. Sua alternativa, é a guerra; o mata-mata. Mas nem toda negociação política envolve usura, na forma de dinheiro ou qualquer espécie de bem. Na maioria das vezes é somente a busca pela segurança. Pertencimento.

Em Itabaiana, como em qualquer lugar do mundo, e em qualquer momento da história humana, sempre que houve instabilidade severa no comando, na liderança, houve hesitação da sociedade; medo. E até desesperança, o pior estágio mental do ser humano. Confirmando a frase com que abro esse artiguete, do filme, uma comédia americana dos anos 90, “Dave, presidente por um dia”. Estagnação.

O exemplo mais marcante é o da nossa história recente, depois de 1950. Golpes e contragolpes, na política serrana, cessaram desde então. Vinham eles, de desde a Proclamação da República. E não foram cessados com a estabilidade forçada do Estado Novo, onde houve um certo armistício, recomeçando as escaramuças logo após a queda de Getúlio Vargas, em 1945.

Entre 1890 e 1930, vinte e um prefeitos, então chamados de intendentes, mais ou menos, sob comando central de dois chefes políticos, se revezaram na administração de Itabaiana. Depois de duzentos anos de estagnação total.

No período pós-revolucionário de 1930, até 1935, seis prefeitos se apresentam, deles por apenas três meses.

A administração do jornalista Silvio Teixeira, a partir de 1935, confere certa estabilidade. Mesmo com a sua renúncia, em 1941, e substituição pelo candidato que derrotara em 1935, Manoel Francisco Teles. Mas o golpe que derrubou este, em 1945, retornou à instabilidade, com quatro prefeitos, entre 1945 e 16 de novembro 1947, quando toma posse Jason Correia, eleito em 19 de outubro, próximo passado.

Ali começou  estabilidade, mesmo que relativa.

Mapa da Fazenda Grande, de 1950, (em montagem sobre foto de onde foi a sede), mostra a imponência do investimento federal, e sua estrutura, que revolucionou a pequena agricultura, no Agreste de Itabaiana.

Foram momentos auspiciosos, com pesados investimentos federais, mormente com o apogeu do projeto do Posto Agropecuário da Fazenda Grande, que reprogramou a agricultura agresteira; e especialmente da construção do Colégio Estadual Murilo Braga, e início da construção da BR-235, a traqueia da economia itabaiananense.

A eleição, a seguir, da até hoje, maior liderança política na história itabaianense, Euclides Paes Mendonça, apesar da radicalização partidária que se seguiu, trouxe relativa estabilidade de comando, que se manifestou no esplendor de uma cidade que até então só tinha colhido decepções e estagnação. Não à toa, seu nome é tão lembrado quanto os das lideranças atuais, mesmo só tendo durado treze anos no comando, e desaparecido violenta e precocemente há quase 63 anos.

Itabaiana dobrou em dez anos: 1950-1960.

A morte de Euclides Paes Mendonça, deu um tremendo baque na cidade; mas a máquina do desenvolvimentismo já andava tão azeitada, que mesmo por vinte anos só tendo praticamente o seu sucessor, inicialmente num doloroso processo de consolidação, se firmado quase dez anos depois, o município se manteve em crescimento com a troca de comando, explodindo este nos últimos vinte anos.

O Serapião II

O Residencial, que está no limite urbano oriental máximo, conta com 214 unidades de padrão decente para uma família de baixa renda, com casas mais espaçosas e bem construídas; com instrumental necessário a uma população, com ruas pavimentadas a concreto, esgoto, água, quadra de esporte, e até uma biblioteca (abaixo), montada pela Secretaria de Municipal de Cultura. Um templo do saber.

A inauguração do Residencial Prefeito Serapião Antônio de Gois II, no último dia 03, mais que a mera inauguração, é também momento de celebrar a história e suas felizes coincidências. 

Depois de 75 anos de relativa estabilidade; de atravessar os comandos de Euclides Paes Mendonça, Francisco Teles de Mendonça e Luciano Bispo de Lima, ora estamos na fase Valmir dos Santos Costa. Com o privilégio de podermos, na mesma foto, ter três prefeitos: o líder maior e seus amigos, o atual prefeito, José Paes dos Santos, e o anterior, Adailton Rezende Souza.

Não deixa de ser um momento histórico, a cena rara de três administradores juntos, comemorando um projeto que começou com Adailton Souza, continuou sob Valmir Costa, e está entregue ao povo, pelo atual, José Paes dos Santos, o Zequinha da Cenoura. Desconhecemos tal nível de compartilhamento de momentos como esses em toda a história, logo registrados, em Itabaiana. Uma demonstração de maturidade política.

A própria obra, produto da política federal de habitação do Presidente Lula, e dos esforços do deputado federal Ícaro Costa, não teria vindo não fosse o espírito de agente público do então prefeito Adailton Souza, que foi continuado pelo sucessor, Valmir Costa, e ora inaugurada pelo atual, José Paes dos Santos.

O Residencial Prefeito Serapião Antônio de Góis, homenageia esse outro agente público por excelência, o ex-prefeito em Ribeirópolis e depois de Itabaiana, depois tabelião do Registro Civil por três décadas, desde sua última experiência administrativa. Um funcionário do povo, que criou a Festa do Caminhão e renomeou o bairro onde se assentado o sobredito Residencial.

Justiça feita.

Limite urbano (por enquanto) com direito a cheirinho do interior (zona rural), mesmo se residindo na cidade. Ao fundo a ex-Fazenda Grande compõe com a Itabaiana Grande a linha do horizonte.


segunda-feira, 6 de julho de 2026

OS RIACHOS SECOS DA CIDADE DE ITABAIANA

 

O sítio urbano atual espraia-se sobre um divisor de águas, com córregos e riachos, que adiante vão alimentar as barragens, que abastecem a cidade e os perímetros irrigados. Das barragens, uma delas, o Açude da Macela (planta; e não Marcela, pessoa), já se encontra envolvida pela zona urbana. 

Foto de 1986, por Walmir Almeida, mostra a cidade menor que hoje. Assinalado em círculos amarelo e vermelho as nascentes dos dois córregos, que formam o riacho e açude da Macela. O amarelo, onde hoje se encontra o campus da UFS; e o vermelho, na mesma avenida, início da Rua Manoel Teles de Mendonça.
Quando foi fundada, através da sua matriz, Santo Antônio de Itabaiana, foi num local rodeado de nascentes, de riachos secos, da microbacia do rio “Do Esconderijo (cova), do Jaguar”. Jaguar, na língua tupi, é onça em português. Ou simplesmente rio Jacaracica.
Por 250 anos a cidade quase nada cresceu. Porém, desde 1950, se espraiou, cobrindo essas nascentes secas, mas perfeitamente identificáveis nos dias atuais.
Devido à pouquíssima importância, quase ninguém as identifica; obviamente só lembrando de algo relacionado, quando sob efeito das esporádicas enchentes.
Ei-las aqui:

Nascença do riacho do Fuzil:

Acima, foto de 1995, o Tanque das Queimadas, hoje bairro, marcava a nascença do riacho do Fuzil, hoje quase todo dentro da zona urbana. O tanque, como visto na foto inferior, desapareceu.

Nascente do riacho doce

Ainda em processo de urbanização, porém já cercada pelo bairro que lhe toma o nome emprestado.

A nascente do riacho da Macela

O outrora tanque particular, na nascente do córrego da Macela I, jaz hoje, sob uma via de intenso movimento, entre a Escola Estadual Augusto César Leite e a Universidade Federal de Sergipe, Campus Alberto Carvalho, Itabaiana.

Nascença do riacho da Macela II

A esquina em frente (carros em movimento) é onde nasce o riacho Macela II, o primeiro barrado na zona suburbana, de 1848, quando construído o primeiro Tanque do Povo; depois, em 1864, com a construção do tradicional, maior, ainda na memória dos mais idosos, onde hoje se encontra o Mercadão. Tem sido o riacho mais rebelde em cheias, contra a imprudência de lhe fecharem o leito. Ora, acha-se canalizado, e em boa parte retificado.

Nascença do riacho Canabrava

O Tanque da Santa Cruz não mais existe. Desde 1970. Hoje sobre o local, uma quadra inteira, contígua à Praça de Eventos Etelvino Mendonça; mas, originalmente é aí que nasce o riacho da Canabrava, hoje, metade em zona urbana, deste ponto até a Rua Tarcísio Meneses Santos, confins do Loteamento Oscar Niemeyer.

Nascente do riacho do Barrado

Aqui, neste ponto da passagem da BR-235 fica a origem do riacho do Barrado. Hoje, completamente em zona urbana, canalizado, e por enquanto, sem nenhum tratamento; como o Canabrava, de quem é afluente, transformado em canal de esgoto.

Onde nasce o riacho do Batula

Jaz sob o aterro, do qual faz parte a futura matriz da Imaculada Conceição e São Lucas, no Bairro Miguel Teles de Mendonça, a nascente do riacho do Batula, também quase todo em sítio urbano, e transformado em esgoto.




sexta-feira, 3 de julho de 2026

DESUMANIDADE

 

Quando comprei o meu primeiro computador pessoal, em 1996, as bancas de jornais estavam repletas de revistas de informática. Programinhas DE GRAÇA para todos os gostos. Tinha até jogos (hoje, e “on line” quase só tem jogos).

Consumi os tais programinhas, alguns de excelsa utilidade, como os de C+++ e outros, que possibilitaram ao meu filho programar o primeiro site de Itabaiana, publicado por mim, em 26 de marco de 2001.

Mas em 2008, mudei o tom.

Entrei na internet em 1999, e em 2008 a lixaria digital já se agigantava, apesar da larapiada que hoje tomou conta do meio ainda ser raríssima. É que ela veio com força depois do smartphone. E foi aí, em 2008, que desisti de “me atualizar”, com novos e mais novos programas, restringindo-me apenas aos essenciais, e já com prazo vencido. Não dá para acompanhar a loucura da "novomania", a menos que eu me torne uma mera projeção idiota dos porta-algoritmos.

Logo, me tornei um dinossauro digital. Ainda uso CDs, pendrives, HDs... e só não uso disquete (Foi da sua época, hein?) por falta de insumos: discos e leitores. A "nuvem", só em ultimíssimo caso. Quero continuar com a ilusão que tenho alguma coisa, e "nuvem" é dos detentores, dos donos de ultra data centers.

A desumanização

Há três anos que vou me valendo da minha agência bancária.

Aposentado, necessitando fazer todo o ano, a prova de vida, além de saco cheio, de ter de dialogar com máquina, ainda me oferecem a tal prova de vida, “online”. Como se fosse um bocó, em busca de preencher o espírito com essas tralhas digitais. 

Ocorre que como quase todos da minha idade, tenho deficiências visuais, carecendo do uso de óculos. Que a máquina não enxerga. Não consegue me identificar, usando óculos. E como peste eu vou ler e digitar informações sem óculos?

Trabalhei no serviço público de saúde por 36 anos. Mais precisamente num laboratório clínico. Então, eu e colegas fazíamos tudo; inclusive recepção e cadastramento de clientes-contribuintes. Fazíamos uma ficha completa do paciente em dois minutos e meio. Atualmente, quando preciso ir a um laboratório realizar algum exame, para conferir o cadastro, exímias e experientes funcionárias levam cinco, entre acessos e conferências nas fichas digitais e outros badulaques.

Para a contabilidade e as estatísticas, ótimo! As totalizações em segundos, a um simples toque de dedo. Porém, quando se trata de gente, de carne, osso e alma, só promessas e amolação de paciência. Humilhação.

Em tempo: descontar um cheque no banco demorava menos de três minutos de atendimento. Pagar uma conta, o tempo que demora pagar o talão de água no correspondente bancário.

terça-feira, 30 de junho de 2026

RODOVIA BR-349. CONHECES?

 

A segunda ponte sobre o rio São Francisco será entre Neópolis e Penedo.
Já a primeira (acima), há tempos que existe. Em Bom Jesus da Lapa-BA.

É que a BR-349 tem origem em Brasília... e termina em Marechal Deodoro. No projeto.
Com pouco mais de 500 quilômetros asfaltados em território goiano e baiano, dos cerca dos 1.300 total; e menos de duzentos em Sergipe e Alagoas, a rodovia deveria recolocar Itabaiana como entroncamento nacional, ao compor com BR-235 um eixo rodoviário, senão da importância de Feira de Santana, porém semelhante. Contudo, seu traçado em Sergipe ainda é incerto. Aventando-se a hipótese, inclusive de logo chegar ao litoral, ao partir de Riachão do Dantas. Sem obviamente passar pelo restante do traçado da SE-170, de Riachão à Moita Bonita.
A seguir a lógica, a rodovia que liga Itabaiana à Moita Bonita - a SE-170 - por ela seria sobreposta a BR-349, a encontro da SE-335, até Neópolis.

É interessante que apenas em alguns trechos, todos sob administração dos Estados, tem acostamento.
A ponte, ora em construção, entre Neópolis e Penedo tende a ser um investimento doméstico; sem aspirações maiores, como próprio de assuntos provincianos.
E Sergipe continuará agarrado às areias da praia como caranguejo, sem atentar para a importância de desenvolver seu interior. Sem a sua segunda artéria de ligação norte-sul, implementada pelos conquistadores portugueses em 1600; mas nunca levada a sério.
A menos que o governo federal assuma a rodovia que projetou.
Das duas grandes estradas no século XVII, uma delas, desde Itapicuru, na Bahia, seguia justo o curso provável da BR-349, até Alagoas, hoje Marechal Deodoro, no estado de mesmo nome.


quinta-feira, 18 de junho de 2026

AZAR HISTÓRICO E ARTÍSTICO.

 

No desenho, acima, representando a fuga de Bagnoulo e sua pequena tropa, em 17 de julho de 1637, a matéria prima que Frans Post depois usou para compor a lindíssima tela abaixo.

Em 1637, Maurício de Nassau assumiu o governo holandês em Pernambuco, pondo ordem na casa, referente as querelas entre autoridade menores, e combatendo efetivamente Matias de Albuquerque, que antes de sair de cena matou Domingos Fernandes Calabar, em Porto Calvo-AL, peça-chave na política holandesa de dominação.

Exímio conhecedor da parte do Brasil, hoje chamado Nordeste, Calabar havia estado em Itabaiana, guiando a expedição de Francisco Barbosa Leal, em busca de prata, de 1628. E, quando Nassau chegou, farejou nele o grande governante, lhe repassando todas as informações que o levou a já invadir Sergipe, até Itabaiana, em 17 de julho de 1637.

Mas Nassau nunca esteve em Itabaiana. Voltou de Penedo, hoje Alagoas. Uma dor de barriga acompanhada de diarreia levou o grande governante a desistir de cruzar o rio e ver com seus próprios os campos de “infinitos gados”, como dito pelo Sargento Moreno, 25 anos antes.

Azar de Itabaiana!

Junto com Nassau tinham vindo seus técnicos, cientistas e artistas, como Frans Post, que rascunhou em desenho, a fuga do general Bagnuolo, e que depois faria a excelente pintura nele baseado, onde, de Sergipe, apenas grafou a pequenina parte da margem sergipano do São Francisco. Tivesse ele vindo até Itabaiana, certamente teríamos a serra, talvez seus campos de gado, algo que nos lembrasse nas suas maravilhosas pinturas.

Uma fazenda comum, de Pernambuco. Certamente, se tivesse posto os pés em Itabaiana, alguma coisa assim o grande artista teria feito; mas com a nossa serrania servindo de horizonte. Maldita dor de barriga, aquela de Nassau!


quinta-feira, 11 de junho de 2026

A MULTIPLICAÇÃO DA FESTA NO SÍTIO SANTA CRUZ.

 

Talvez em meados dos anos 1930, alguém tirou a foto da sede do Sítio Santa Cruz. Provavelmente, no dia 24 de junho de 1936, último aniversário do patriarca João Teixeira, ainda vivo onde se vê claramente um ramo de taquara servindo de mastro junino.

Noventa anos depois, hoje, 11 de junho, a cidade em festa de Santo Antônio, e véspera do grande dia da Festa do Caminhoneiro (no dia 12, noite de reza patrocinada pelos guerreiros da estrada), o Sítio Santa Cruz está tomado, quase em todo ele, com exceção do espaço ocupado pelo Estádio Etelvino Mendonça e Terminal Intermunicipal, por quiosques e festeiros.

A modista D. Caçula, o que diria vendo tal evolução?

E o jornalista Silvio Teixeira, provavelmente já prefeito de Itabaiana, à época da foto histórica, escreveria algo para publicar no diário carioca A Noite?


Mais sobre a Praça de Evento Etelvino Mendonça:

Aqui;

E aqui.

terça-feira, 9 de junho de 2026

CAPITAL DO CAMINHÃO EM FESTA

 

Montagem sobre mapa (extrato) do jesuíta Jacques Cocleo, de 1700. Nele, a presença de "Feira", ao norte da aldeia do Geru (hoje Tomar do Geru). Provavelmente, a "Feira" é a atual Itabaianinha.

De meados de 1600, até 1928, foi em lombo de burro e até a pés; de 22 de abril de 1928 pra cá, cada vez mais se aposentou o lombo do burro e o carro de boi. E cada vez mais foi sobre quatro pneus, depois seis, dez, até os dias de hoje e seus tri trens, com dezenas de pneus.

Itabaiana é uma cidade que já nasceu com o pé na estrada.

A economia de Itabaiana atual é muito diversificada; mas o caminhão ainda é o maior aporte de capital por aqui. Por isso a cidade ganhou o título de Capital Nacional do Caminhão, um projeto do então senador da República, e filho da terra, Eduardo Amorim.

A Festa do Caminhão, de fato, começou com uma sucessão de shows, no sábado, (e a Carreata-mirim no domingo); mas a Feira do Caminhão, parte daquela, teve início na noite de hoje.

É mais que comemoração. É agradecimento, a aqueles que, desde meados da década de 1950 só têm feito crescer a cidade. Sua pujança.

Sob as bênçãos de Santo Antônio, cuja noite máxima do seu Trezenário será justo na sexta-feira, 12, patrocinada pelos caminhoneiros, o ápice.

Todavia, a agitação na cidade, somente cessará, voltando ao normal, no domingo, depois do feriado municipal e encerramento da festa, com procissão ao santo, patrono (já foi padroeiro único) da cidade, no dia 13.

E até lá, sejam todos bem-vindo!

Há 70 anos, o brinquedo, especialmente para a garotada masculina, é o caminhão de brinquedo.


quarta-feira, 3 de junho de 2026

A EVOLUÇÃO DO ESPETÁCULO.

 

Os 32 metros de palco fixo (da esquerda) ficaram pequenos para as exigências dos megashows da atualidade, onde o dobro, (à direita) diante da parafernália agregada, é o mínimo necessário.

Na conservadora e pragmatíssima Itabaiana, até 1940, festa popular era coisa de vagabundos. Não era para gente séria. Porém. dez anos depois, já estava entrado em cena, a sociedade do espetáculo.

Timidamente, a princípio, foi ganhando corpo, acompanhado a evolução dos grandes centros, e, em 1986, a campanha eleitoral já foi regada ao nascente axé baiano.

Da única festa popular (uma licenciosidade) permitida em  24 de junho de 1908, na hoje Rua Marechal Floriano Peixoto, foco da minúscula classe média itabaianense, a Festa do Mastro evoluiu até por volta de 1960. 
Embaixo, João Marcelo de Oliveira (o da popular foto com Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Anastácia), ao centro, sentado, pandeiro à mão, comanda a Festa em 23 de junho de 1944.

Em 1988, a concorrência política, numa acirradíssima campanha eleitoral entre as duas alas dominantes, acabou por promover uma belíssima superfesta; que, além de marcar, ficar na mente da sociedade itabaianense, em geral, gerou repetições no estado e até fora dele, consolidando um colossal erro na história da maioria dos municípios do estado. Os que se emanciparam pelo modo antigo, antes do Decreto-lei Federal 33, de 1938: como vila.
Em 1992, mais uma superfesta: juntou-se o sagrado e o profano, que se repete até a atualidade, da Trezena de Santo Antônio, patrocinada pelos caminhoneiros, e a Feira do Caminhão.

Na pretensa mini floresta, na parte de baixo do projeto da Praça de Eventos, de 1994, está o atual Terminal Rodoviário Intermunicipal.
E foi a Feira do Caminhão, e a cultura estradeira quem fez surgir a Praça de Eventos Etelvino Mendonça, no ano eleitoral de 1994.
Algo diferente.
Uma meia-lua, em sua metade; e o gracioso, intimista, quase romântico palco, para apresentação de artistas de todos os calados faziam a parte principal. Comecei, por breves momentos, a me achar num grande centro civilizatório, tipo São Paulo e sua concha acústica, do Parque do Ibirapuera, onde todos os domingos tinha alguém da MPB a se apresentar.
Parte do espaço – o junto ao Estádio, à época Presidente Médici – foi destinada a quadras esportivas, que em breve, despesas de manutenção por um lado; e necessidade de acolitar uma massa, cada vez mais gigantesca de pessoas, de outro, as levaram ao desaparecimento.
No primeiro - e até agora o único - Encontro Cultural de Itabaiana, em 1995, realizado na Praça, e usando o palco, ressoam nomes ainda presentes em nossas atividades culturais. A recém criada Reserva Biológica da Serra de Itabaiana, tema do Encontro, dez anos depois viraria o Parque Nacional da Serra de Itabaiana, ainda lutando para se estabelecer definitivamente.
Mas o tempo não para. Como dizia meu saudoso amigo e colega de rádio, José Francisco (Francis) de Andrade, para os mais íntimos, Zé de Seu Brió, ao repetir o também saudoso cantor e compositor Cazuza.
Aportes externos, indispensáveis, de dinheiro; e necessidades adaptativas as massas levaram à morte o singelo palco inicial, substituído por monstrengos, cada vez maiores. Só que mesmo a última versão, três vezes maiores, já dá para toda a parafernália de som e outros recursos, exigidos em cada apresentação.
Do palco original, de cerca de 14 metros, em 2000 foi para gigantes 25 metros; teve a parede de fundo completamente fechada em 2003; e em 2015 ganhou a atual feição com 32 metros de "boca". Há cerca de cinco anos, tem repetidamente sido usado palco móvel suplementar. Simplesmente o palco fixo, como a própria Praça de Eventos não dá mais vazão aos atuais grandes espetáculos.
Nesse fim de semana haverá a abertura da grande Festa do Caminhoneiro, cuja Feira, muito maior do que o espaço comporta, será realizada no anexo do Shopping Peixoto, à margem da BR-235. Todavia, parte da programação de shows, começa neste sábado na velha Praça de Eventos Etelvino Mendonça. Em palco suplementar e móvel, a ocupar quase cinco vezes o palco original, gracioso, intimista, quase romântico.
“A chaminé do progresso não pode parar”. Com dizem Roberto e Erasmo Carlos, em música, pelo primeiro gravada: “O Progresso”.

A primeira grande festa popular, de 1986, foi promovida pela Prefeitura Municipal. Em ano eleitoral, apresentou à Itabaiana, o Trio Elétrico. A partir daí, os espaços foram ficando cada vez mais insuficientes.



quinta-feira, 28 de maio de 2026

DEVANEIOS DESVANECIDOS.

 

Soluções orientais: Japão e especialmente da China.

Desde o início da semana que a SMTT se rendeu à realidade: não dá para apostar no bom senso de motoristas cada vez mais apressados, estressados; e principalmente arrogantes, no comando de suas “potentes máquinas”: Acaba de colocar em funcionamento mais um conjunto de semáforos, desta vez, no cruzamento das Avenidas Airton Teles/Nivalda Figueiredo com Ivo Carvalho/Dr. Luiz Magalhães.

O trânsito ali vem se tornando muito perigoso; quase caótico. Ora, ganha um mecanismo de controle. E trava. Mas não há outro remédio, numa cidade em que a frota cresce exponencialmente, desde 2002, ao menos é que mostram os números do DENATRAN; e que não foi projetada para a realidade atual, não tem jeito. Só que dá pra fazer.

Em 1970, ninguém imaginava a citada esquina como hoje. Exceto a visão administrativa e urbanista de 1956, que já tinha projetada a hoje Avenida Dr. Luiz Magalhães.

Quero dizer: haveria, se alguma providência tivesse sido tomada anteriormente, porque se trata de duas artérias, planejadas pelo engenheiro Hermann Centurian, em 1956, largas, em especial a Dr. Airton Teles. (Lei Municipal 166, de 7 de março de 1958).

Uma rótula, com um sistema de passarelas, dotando o espaço de fluidez com total segurança, e ainda o luxo do nosso mascote popular, a cebola, ao centro.
Em fins de 2011, vendo o avanço cada vez mais no número de veículos dentro do município, sugeri aos organizadores do trânsito que pensassem em rotular todas as esquinas possíveis, sujeitas a aumento natural de tráfego.
Especialmente, devaneei acerca da citada esquina.
Uma rótula, semelhante a que veio ser feita no ponto de estreitamento (um crime!) da Nivalda Figueiredo, com a Rua Manoel Domingos Pereira (fundo do cemitério de Santo Antônio).
Porém, como já estava posto o costume de caminhadas, sugeri também uma passarela de mobilidade total, e no centro da rotula e da passarela, um símbolo querido da cidade: uma cebola.
Se tivesse sido feita ali, não haveria necessidade de mais uma trava na malha urbana.
E a frota vai continuar a se expandir, como vem há 25 anos.
Ninguém nem ligou, e a ideia, “alguém deixou morrer sem nem mesmo tentar”, como cantam Os Originais do Samba em Esperanças Perdidas.
Por enquanto, a SMTT vai fazendo milagres. Porém, a permanecer o crescimento do número de veículos, em breve terá que se dizer adeus aos estacionamentos públicos em praticamente todo o centro, e reservar as pistas de rolagem apenas para os veículos em movimento.
E o cruzamento sino-japonês que sonhei há 15 anos... esqueçamos.



sexta-feira, 22 de maio de 2026

O HERÓI NACIONAL DE ITABAIANA.

 

Num dia qualquer, de 1874, um escravo seguiu, provavelmente portando uma canga no pescoço, e acorrentado, rumo a sua sina miserável, ditada por outros. Ao desconhecido. E se tornou o maior personagem da história de Itabaiana

Ele nasceu como qualquer escravo: com o nome de Quintino; mas sem sobrenome.

Escravo era um "bicho de trabalho"; como boi, burro, cavalo, jegue. Apenas mais sofisticado.

Havia até homéricas e bem-intencionadas discussões, se preto tinha alma. E não foram poucos os piedosos assistentes assíduos de missas que se apiedaram do seu escravo de estimação não a ter.

Bem, mas Quintino, uma raridade, inteligente, sábio, além de aprender a ler, e ser escravo, mais pra ganho, do que pra enxada, deu sorte que em 1874, além da impiedosa seca nordestina, que no Ceará, matou 300 mil, e em Sergipe causou muitos danos, essa, por outro lado, lhe foi compensada pela cafeicultura paulista, que então necessitava de infinitos braços.

Só que escravos eram bens de produção. Sem eles, nada funcionava, como bem observou Manoel Bomfim, que ainda os alcançou.

O governo de Sergipe, desde a década de 1840, impôs severas restrições à venda de escravos.(*)

Em 1874, só podia ser vendido, se criminoso bárbaro. Ou ladrão.

As Flechas (acima, o pequeno e importantíssimo cemitério do povoado), hoje pouco mais de dois quilômetros e meio do complexo Santa Mônica (Bairro Macela), era o ponto de partida para uma vasta área de plantio do algodão, que ia do povoado, ao então povoado de Mãe Carira (abaixo). E foi nas Flechas, onde nasceu Quintino, em 8 de junho de 1839,em crise, no ano de 1874, como todo o Nordeste, Sergipe, e naturalmente Itabaiana, causada pela terrível seca, de 1870, a 1878.

Quintino "roubou" Antônio dos Santos Leite; e por isso deu adeus ao povoado Flechas, cruzando a então minúscula cidade, e pegando a estrada real de Laranjeiras até o porto, talvez o dos Barcos, hoje Riachuelo. Enfim, oito anos depois era uma espécie de filho adotivo do megaempresário da exportação no porto de Santos-SP, Antônio Lacerda Franco. Na mesma liberal Santos, tornou-se herdeiro do seu patrono, adquirindo musculatura para agir na política santista, onde chegou à presidência do Conselho Municipal, hoje Câmara Municipal.

Quintino de Lacerda. Na galeria dos ex-presidentes da décima mais antiga Câmara de Vereadores na História do Brasil: a de Santos de Brás Cubas.

Abolicionista prático, fundou o quilombo de Jabaquara, onde hoje estão, a Santa Casa de Santos; e os estádios do Santos Futebol Club e da Portuguesa Santista. Ali recolheu e protegeu multidões de escravos, sendo por isso reconhecido nacionalmente. Foi apoio fundamental ao general-presidente Floriano Peixoto, quando contra esse foi intentado um golpe, através da Marinha. Lacerda defendeu a veia aorta da economia brasileira, o porto de Santos, sendo depois condecorado com o posto honorário de major de Exército.

Enfim, um herói. Sem discusseiras e identitarismos fúteis e inconsequentes.


Quintino de Lacerda, um herói itabaianense.

A primeira semana de junho, em que pese a barulheira - sempre bem-vinda - em torno do Trezenário de Santo Antônio - o dono da cidade de Santo Antônio de Itabaiana - e da sua faceta cultural mais popular, chamativa, a Festa do Caminhoneiro, oficialmente pode ser a Semana da Consciência Negra, já que aprovado em Lei, a municipal, de número 965, de 20 de setembro de 2001, o dia 8, nascimento de Quintino, como dia consagrado a supradita Consciência Negra, no âmbito municipal.

Curiosamente, a política coronelista da cidade, na República Velha, retirou o poético nome de Rua das Flores, substituindo-o pela do general-presidente Floriano Peixoto. Porém, a ampliação da Rua da Jaqueira, depois denominada de Manuel Garangau, ao cruzar a Avenida Ivo de Carvalho, ganhou o nome do nosso (itabaianense) herói nacional: Quintino de Lacerda.

Exatamente ao lado; paralela, uma à outra.

Rua Quintino de Lacerda, desde os fundos do CTP.

(*)

RELATÓRIO com que foi aberta a 1ª Sessão da Undécima Legislatura da Assembleia Provincial de Sergipe, no dia 2 de julho de 1856, pelo Exmo. Sr. Presidente, Dr. Salvador Correia de Sá e Benevides. Bahia, na Tipografia de Carlos Poggetti, Rua do Corpo Santo, 47. 1856. Página 49. Et

RELATÓRIO com que o Exmo. Sr. Dr. José Martins Fontes, 1º vice-presidente da Província abriu a 2ª Sessão da 21ª Legislatura da Assembleia Provincial no dia 6 de março de 1877. Sergipe, Tipografia do Jornal do Aracaju, 1877. Página 108.


terça-feira, 19 de maio de 2026

CEM ANOS DO PRIMEIRO "CADERNO".

 

Lousa de ardósia para escrever. Há cem anos na família.

O menino era fraquinho, mirrado; e desenvolveu uma chaga na face direita que lhe marcou, como cicatriz, até o fim da vida. 

Vendo sua situação, sua tia de cortesia, professora no povoado Urubutinga, município de Lagarto, mais próximo desta cidade, com quem ela tinha mais laços, pediu à concunhada para levá-lo a passar por lá pelos próximos seis meses. Pedido aceito, porque D. Evangelista já andava desesperada pelo fato de nada curar aquela ferida, que só fazia crescer. 

Do povoado Mangabeira, onde vivia, para Itabaiana são 15 quilômetros pela velha Estrada dos Entradistas, trecho conhecido como Estrada de São Cristóvão (depois Itaporanga), e, ainda por cima, sua região havia sido desmembrada, e composta com o então novo município do Campo do Brito, com quem ficou, até 1933. Já o povoado Urubutinga, ficava apenas a cinco quilômetros da matriz de Nossa Senhora da Piedade, aos pés de qual nasceu e cresceu a cidade de Lagarto.

O menino, Alexandre Frutuoso Bispo, que veio a ser o meu pai aos quarenta e cinco de idade, então, tinha 12 anos. 1926.

Curioso, despertou na tia de cortesia o interesse de ensinar-lhe a “ler, escrever e contar”.

De volta à Mangabeira, semialfabetizado, às escondidas – meu avô então detestava quem sabia ler, exceto as autoridades – deu continuidade, aprendendo, especialmente aritmética, com seu Martim de Cuta (Martinho Bispo dos Santos), casado com sua prima Maria, pelo lado materno.

E foi seu Martim de Cuta quem lhe conseguiu a “pedra de escrever”, ainda em fins de 1926, especialmente para as inúmeras operações aritméticas.

Daí pra frente foi só aproveitar a inovações tecnológicas.

domingo, 17 de maio de 2026

DEVANEIOS TOLOS A ME TORTURAR.

Projeto pensado em janeiro de 2012. Nunca pôde chegar a quem decide.

O belo verso do Zé Ramalho da Paraíba (Chão de Giz) me remete a ideias, tidas e mortas, antes mesmo que alguém viesse tentar; parafraseando outra belíssima canção, a do grupo Os Originais do Samba, do saudoso Mussum, Esperanças Perdidas.

Uma das ideias, já vem sendo executada: a instalação de câmeras de segurança.

Mas há pouco tempo.

Em 16 de janeiro de 2012, depois da selvageria ter atingido em Itabaiana, 54 cadáveres em 2011, doze vezes os cinco a cada 100 mil habitantes, tido como normal pela Organização Mundial da Saúde; e quase o dobro do ano anterior de 2010, voltei a romanticamente pensar na possibilidade de reação da sociedade, com o ressurgimento do natimorto Conselho Municipal de Segurança. 

Uma das medidas urgentes seria a instalação de câmeras, a princípio no centro, como forma de inibir a criminalidade. 

Nada!

Comentários da ideia, e respectiva prospecção resultaram, quando muito, num lamento.

E, naquele ano eleitoral, como vem ocorrendo desde 1986, o número de assassinatos bateu outro recorde: 70 casos.

Dado preocupante.

Desde 1989, ano subsequente às eleições municipais, que um fenômeno, no mínimo curioso, vem ocorrendo em Itabaiana: o aumento exponencial de assassinatos em ano eleitoral, ou subsequente.
Às vezes, a espiral de violência ocorre no mesmo ano da eleição. Foram os casos de 1996; das eleições gerais de 2002; 2006; e das municipais de 2008; 2012; e 2016.
Às vezes, os “pagamentos” ficam para o ano seguinte. Foi assim em 1993, 1999 e 2019.
Isso acende um alerta para a possibilidade de compra expressiva de votos; e, sua possível cobrança pela não realização. Banditização da política.
E, bandido não cobra na justiça, não é?