sexta-feira, 22 de maio de 2026

O HERÓI NACIONAL DE ITABAIANA.

 

Num dia qualquer, de 1874, um escravo seguiu, provavelmente portando uma canga no pescoço, e acorrentado, rumo a sua sina miserável, ditada por outros. Ao desconhecido. E se tornou o maior personagem da história de Itabaiana

Ele nasceu como qualquer escravo: com o nome de Quintino; mas sem sobrenome.

Escravo era um "bicho de trabalho"; como boi, burro, cavalo, jegue. Apenas mais sofisticado.

Havia até homéricas e bem-intencionadas discussões, se preto tinha alma. E não foram poucos os piedosos assistentes assíduos de missas que se apiedaram do seu escravo de estimação não a ter.

Bem, mas Quintino, uma raridade, inteligente, sábio, além de aprender a ler, e ser escravo, mais pra ganho, do que pra enxada, deu sorte que em 1874, além da impiedosa seca nordestina, que no Ceará, matou 300 mil, e em Sergipe causou muitos danos, essa, por outro lado, lhe foi compensada pela cafeicultura paulista, que então necessitava de infinitos braços.

Só que escravos eram bens de produção. Sem eles, nada funcionava, como bem observou Manoel Bomfim, que ainda os alcançou.

O governo de Sergipe, desde a década de 1840, impôs severas restrições à venda de escravos.(*)

Em 1874, só podia ser vendido, se criminoso bárbaro. Ou ladrão.

As Flechas (acima, o pequeno e importantíssimo cemitério do povoado), hoje pouco mais de dois quilômetros e meio do complexo Santa Mônica (Bairro Macela), era o ponto de partida para uma vasta área de plantio do algodão, que ia do povoado, ao então povoado de Mãe Carira (abaixo). E foi nas Flechas, onde nasceu Quintino, em 8 de junho de 1839,em crise, no ano de 1874, como todo o Nordeste, Sergipe, e naturalmente Itabaiana, causada pela terrível seca, de 1870, a 1878.

Quintino "roubou" Antônio dos Santos Leite; e por isso deu adeus ao povoado Flechas, cruzando a então minúscula cidade, e pegando a estrada real de Laranjeiras até o porto, talvez o dos Barcos, hoje Riachuelo. Enfim, oito anos depois era uma espécie de filho adotivo do megaempresário da exportação no porto de Santos-SP, Antônio Lacerda Franco. Na mesma liberal Santos, tornou-se herdeiro do seu patrono, adquirindo musculatura para agir na política santista, onde chegou à presidência do Conselho Municipal, hoje Câmara Municipal.

Quintino de Lacerda. Na galeria dos ex-presidentes da décima mais antiga Câmara de Vereadores na História do Brasil: a de Santos de Brás Cubas.

Abolicionista prático, fundou o quilombo de Jabaquara, onde hoje estão, a Santa Casa de Santos; e os estádios do Santos Futebol Club e da Portuguesa Santista. Ali recolheu e protegeu multidões de escravos, sendo por isso reconhecido nacionalmente. Foi apoio fundamental ao general-presidente Floriano Peixoto, quando contra esse foi intentado um golpe, através da Marinha. Lacerda defendeu a veia aorta da economia brasileira, o porto de Santos, sendo depois condecorado com o posto honorário de major de Exército.

Enfim, um herói. Sem discusseiras e identitarismos fúteis e inconsequentes.


Quintino de Lacerda, um herói itabaianense.

A primeira semana de junho, em que pese a barulheira - sempre bem-vinda - em torno do Trezenário de Santo Antônio - o dono da cidade de Santo Antônio de Itabaiana - e da sua faceta cultural mais popular, chamativa, a Festa do Caminhoneiro, oficialmente pode ser a Semana da Consciência Negra, já que aprovado em Lei, a municipal, de número 965, de 20 de setembro de 2001, o dia 8, nascimento de Quintino, como dia consagrado a supradita Consciência Negra, no âmbito municipal.

Curiosamente, a política coronelista da cidade, na República Velha, retirou o poético nome de Rua das Flores, substituindo-o pela do general-presidente Floriano Peixoto. Porém, a ampliação da Rua da Jaqueira, depois denominada de Manuel Garangau, ao cruzar a Avenida Ivo de Carvalho, ganhou o nome do nosso (itabaianense) herói nacional: Quintino de Lacerda.

Exatamente ao lado; paralela, uma à outra.

Rua Quintino de Lacerda, desde os fundos do CTP.

(*)

RELATÓRIO com que foi aberta a 1ª Sessão da Undécima Legislatura da Assembleia Provincial de Sergipe, no dia 2 de julho de 1856, pelo Exmo. Sr. Presidente, Dr. Salvador Correia de Sá e Benevides. Bahia, na Tipografia de Carlos Poggetti, Rua do Corpo Santo, 47. 1856. Página 49. Et

RELATÓRIO com que o Exmo. Sr. Dr. José Martins Fontes, 1º vice-presidente da Província abriu a 2ª Sessão da 21ª Legislatura da Assembleia Provincial no dia 6 de março de 1877. Sergipe, Tipografia do Jornal do Aracaju, 1877. Página 108.


terça-feira, 19 de maio de 2026

CEM ANOS DO PRIMEIRO "CADERNO".

 

Lousa de ardósia para escrever. Há cem anos na família.

O menino era fraquinho, mirrado; e desenvolveu uma chaga na face direita que lhe marcou, como cicatriz, até o fim da vida. 

Vendo sua situação, sua tia de cortesia, professora no povoado Urubutinga, município de Lagarto, mais próximo desta cidade, com quem ela tinha mais laços, pediu à concunhada para levá-lo a passar por lá pelos próximos seis meses. Pedido aceito, porque D. Evangelista já andava desesperada pelo fato de nada curar aquela ferida, que só fazia crescer. 

Do povoado Mangabeira, onde vivia, para Itabaiana são 15 quilômetros pela velha Estrada dos Entradistas, trecho conhecido como Estrada de São Cristóvão (depois Itaporanga), e, ainda por cima, sua região havia sido desmembrada, e composta com o então novo município do Campo do Brito, com quem ficou, até 1933. Já o povoado Urubutinga, ficava apenas a cinco quilômetros da matriz de Nossa Senhora da Piedade, aos pés de qual nasceu e cresceu a cidade de Lagarto.

O menino, Alexandre Frutuoso Bispo, que veio a ser o meu pai aos quarenta e cinco de idade, então, tinha 12 anos. 1926.

Curioso, despertou na tia de cortesia o interesse de ensinar-lhe a “ler, escrever e contar”.

De volta à Mangabeira, semialfabetizado, às escondidas – meu avô então detestava quem sabia ler, exceto as autoridades – deu continuidade, aprendendo, especialmente aritmética, com seu Martim de Cuta (Martinho Bispo dos Santos), casado com sua prima Maria, pelo lado materno.

E foi seu Martim de Cuta quem lhe conseguiu a “pedra de escrever”, ainda em fins de 1926, especialmente para as inúmeras operações aritméticas.

Daí pra frente foi só aproveitar a inovações tecnológicas.

domingo, 17 de maio de 2026

DEVANEIOS TOLOS A ME TORTURAR.

Projeto pensado em janeiro de 2012. Nunca pôde chegar a quem decide.

O belo verso do Zé Ramalho da Paraíba (Chão de Giz) me remete a ideias, tidas e mortas, antes mesmo que alguém viesse tentar; parafraseando outra belíssima canção, a do grupo Os Originais do Samba, do saudoso Mussum, Esperanças Perdidas.

Uma das ideias, já vem sendo executada: a instalação de câmeras de segurança.

Mas há pouco tempo.

Em 16 de janeiro de 2012, depois da selvageria ter atingido em Itabaiana, 54 cadáveres em 2011, doze vezes os cinco a cada 100 mil habitantes, tido como normal pela Organização Mundial da Saúde; e quase o dobro do ano anterior de 2010, voltei a romanticamente pensar na possibilidade de reação da sociedade, com o ressurgimento do natimorto Conselho Municipal de Segurança. 

Uma das medidas urgentes seria a instalação de câmeras, a princípio no centro, como forma de inibir a criminalidade. 

Nada!

Comentários da ideia, e respectiva prospecção resultaram, quando muito, num lamento.

E, naquele ano eleitoral, como vem ocorrendo desde 1986, o número de assassinatos bateu outro recorde: 70 casos.

Dado preocupante.

Desde 1989, ano subsequente às eleições municipais, que um fenômeno, no mínimo curioso, vem ocorrendo em Itabaiana: o aumento exponencial de assassinatos em ano eleitoral, ou subsequente.
Às vezes, a espiral de violência ocorre no mesmo ano da eleição. Foram os casos de 1996; das eleições gerais de 2002; 2006; e das municipais de 2008; 2012; e 2016.
Às vezes, os “pagamentos” ficam para o ano seguinte. Foi assim em 1993, 1999 e 2019.
Isso acende um alerta para a possibilidade de compra expressiva de votos; e, sua possível cobrança pela não realização. Banditização da política.
E, bandido não cobra na justiça, não é?


quarta-feira, 6 de maio de 2026

COTIDIANO

 

Lixo realizado; recolhido. E lixo futuro a chegar.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

AGENDA CHEIA


Logo mais à noite, dois eventos culturais de magnitude, na Velha Loba, como diria Sebrão, o sobrinho.

Às sete da noite, será exibido na Praça Chiara Lubich, documentário histórico em vídeo, VOU ME EMBORA, sobre o drama vivido por muitos itabaianenses, na perene e forte diáspora, que começou com Simão Dias, o mameluco ou francês, na década de 1640, até hoje.

No caso em particular, e com uma particularidade comum á República Velha e seus rescaldos, antes de 1964, trata-se da história da migração forçada, do comerciante e ex-vereador, oriundo do povoado Sobrado, limites oeste do município, Vital José da Lapa, edil na segunda legislatura pós-Estado Novo, de 1951 a 1954.

Mais aqui. (clique)


Ecos de glórias serranas


Também no horário, haverá a entrega do Título de Cidadão Honorário de Itabaiana, na mesma Câmara, à qual pertenceu Vital José da Lapa, ao legendário cantor de frevo, o pernambucano, Claudionor Germano da Hora.

Claudionor está intrinsecamente associado aos sucessos do município no último século. É dele a voz a voz oficial, a entoar o hino, mantra sagrado Tricolor. 

O hino é uma composição do ceboleiro, poeta e professor Alberto Carvalho; musicada pelo maestro Nelson Ferreira; e interpretada pela potente voz dos carnavais de Recife e Olinda, de meados do século XX: Claudionor Germano da Hora.

Receberá em seu nome - e do seu curador e filho, Nonô Germano - o advogado e ativista cultural, Adelmo Torres pernambucano-itabaianense, radicado há quase 40 anos em terras serranas.

O nonagenário grande ídolo, envergando o manto sagrado do Tricolor Serrano, junto ao seu filho e curador, Nonô Germano, em pose para a solenidade que ocorrerá nesta noite, na 47ª mais antiga Câmara Municipal do Brasil: a de Itabaiana.

O referido Título foi uma iniciativa do vereador e ex-diretor da Associação Olímpica de Itabaiana, Roosevelt Alves de Santana, em 2013.


terça-feira, 21 de abril de 2026

O PRIMEIRO INCONFIDENTE NÃO FOI TIRADENTES; FOI PESTANA DE BRITO.

 

Hoje, 21 de Abril, celebra-se, com justiça, o martírio do alferes Joaquim José da Silva Xavier, como mártir da Independência do Brasil.

Em verdade foi o sacrificado maior, entre os envolvidos na conjuração anti-imposto, de fins do século XVIII, que envolvia muita gente poderosa, a maioria escapada sem sequer um arranhão.

Quanto ao alferes, funcionário público, da segurança, que completava a renda arrancando dentes – daí o apelido, Tiradentes – ele pagaria por alta traição à Coroa portuguesa, tendo castigo exemplar, em 21 de abril de 1792.

Quanto ao rigor da pena, Tiradentes deu o azar de a Revolução Francesa ter explodido exatamente quando da sua prisão, 1789. Oito meses depois, o rei Luiz XVI teve a cabeça cortada, num festival de selvageria que só teria fim com a chegada de Napoleão Bonaparte ao poder francês.


A rebeldia dentro de um império onde o sol quase não punha.

Em 1789, o Império Português, da Macau, na China, ao Brasil, continuava a decair, ser ultrapassado por outros, como a já poderosíssima Inglaterra, fato iniciado com a morte em batalha de D. Sebastião, no distante 1578.

As medidas de Pombal, construtor da atual Matriz de Santo Antônio e Almas, deram leve alívio à Coroa; porém, insuficiente para restabelecer toda a magnitude de meados do século XVI, quando Lisboa era a capital da civilização europeia. O grande mercado.

No extenso Brasil, vez por outra, uma rebeliãozinha. Na maioria das vezes brigas do coronelismo local, algumas, com envolvimento e natural intervenção direta de Lisboa.


O Inconfidente Manuel Pestana de Brito

A primeira delas (dobrem as línguas, os despeitados. Vão estudar os documentos, de fato)... a primeira delas ocorreu em Sergipe, com epicentro nos campos de criação de gado, ainda concentrados em Itabaiana.

Manuel Pestana de Brito, oficial na guerra de reconquista em Pernambuco, contra os holandeses, foi o primeiro governador de Sergipe nomeado diretamente por Lisboa, sem a intervenção da Câmara de Vereadores de Salvador, em 9 de março de 1654.

A realidade, a rotina administrativa, porém, era outra: Quem efetivamente mandava era a Bahia, que, não aceitou o novo governante.

Sergipe era a dispensa baiana. Até 1823, mesmo a dependência tendo caído muito, mas quem alimentava o recôncavo baiano era Sergipe. E em 1650, era farinha da bacia do Real-Piauí; e carne do entre rios, Sergipe e Vaza-Barris. Itabaiana.

Para completar a renda de governador, o capitão-mor Pestana de Brito arrendou terras na Itabaiana; tornou-se curraleiro. Criador de gado em terra arrendada. E foi proibido por Salvador de cobrar impostos para a Capitania de Sergipe.

São Cristóvão ainda estava em frangalhos.

Nunca tinha tido uma arquitetura decente. Era uma vila de casebres. Assim bem o narra Gregório de Matos em seu soneto, sobre Sergipe d'El-rei. Sequer a igreja matriz era de alvenaria; e a fuga do comandante Bagnuolo, em 1637, havia incendiado tudo. Em 1655, ao assumir o governo, Pestana de Brito não tinha cidade; e, sem impostos, não tinha como construir uma. 

Pestana de Brito resolveu encrencar. Possivelmente, num ato desesperado, para tentar uma definição de Lisboa, uniu-se à vaqueirama descontente.

Em Itabaiana, onde vivia, em sua fazenda, havia mais um descontentamento: a capela de Santo Antônio, próxima do rio Jacaracica, hoje em ruínas, uma hercúlea realização, para rudes criadores, feita entre 1620 e 1617, quando os holandeses a encontraram já pronta, continuava sendo desprezada pelas autoridades centrais. Nunca foi reconhecida.

No dia 5 de novembro de 1656, a vaqueirama invadiu São Cristóvão, soltou presos, prendeu alguns soltos, e depois debandou, frente à força mandada pela Bahia.

Contra os impostos baianos e outros abusos.

O que se seguiu foram dezenas de processados e apenados sem provas; a nascente sociedade sergipana desmoronou. 

De Pestana de Brito nada mais foi encontrado. Desapareceu. Se morto, degredado, condenado às galés... nada! Pode ter tido um destino qual o de Tiradentes; porém é possível que, como natural da metrópole, tenha sido levado preso para lá, e lá morrido. Sumiu.

Com efeito, é a primeira manifestação colonial de rebeldia social e política na História do Brasil. Documentada. Mesmo que historiadores importantes a tenham ignorado até o momento.


sexta-feira, 17 de abril de 2026

O CONVITE

 

Honrosa e agradecidamente, recebi na última quinta-feira um convite para a celebração de uma Missa em Ação de Graças, pelos 60 anos de existência da Casa São Vicente, a ser realizada no próximo 21 de abril, feriado, às 16 horas, na matriz de Santo Antônio e Almas da Itabaiana.

Infelizmente o seu fundador, o ex-vereador e ex-prefeito Vicente Machado Menezes, o Vicente de Belo do Pé do Veado, já não se encontra entre nós, tendo nos deixado, aos 67 anos de idade, há 32 anos. Mas deixou-nos marcas que ainda hoje, e certamente se projetarão pelo futuro. Nos acompanharão. Uma delas, obviamente, é a aniversariante. Construída, passo a passo; sempre com a cabeça no ar, nos sonhos; mas os pés firmemente plantados no chão da prudência, no avançar sempre, contudo sem jamais perder-se em aventuras, tão comuns aos meros ganhadores de dinheiro, muito aquém de empresários, portanto. Outra, são seus filhos - João Vicente e Luciene – que nestes mais de 32 anos mantém o seu modus operandi, mesmo tendo recebido a incumbência de ir tocando em frente muito jovens, desde o momento de sua enfermidade e depois, com o seu desaparecimento.

Vista parcial da cidade de Itabaiana-SE, quadrante noroeste, ao fim da administração Vicente Machado Meneses, em 1970. Sua então novíssima loja, a aniversariante em referência, se encontra na Rua Sete de Setembro, em frente a torre da "Igreja dos Crentes" (Presbiteriana), canto esquerdo, embaixo, na foto. (Acervo da família)

É uma grande data para um estabelecimento comercial. Um grande feito numa empresa familiar, por natureza, sujeita às intempéries do mercado, mas, bem pior, às de cunho administrativo, em geral, produto de egos inflamados sucessórios, em que a grande maioria não suporta a saída do seu fundador, sem logo naufragar.

O grande administrador municipal, de pé, ao lado da àrvore, com seu secretário João Silveira(de camisa  branca)no canto noroeste do Largo Santo Antônio, inspecionando os trabalhos de esgotamento sanitário.

Em Itabaiana temos numerosos exemplos de empresas que desapareceram no último século, vitimadas por sucessões equivocadas, a maioria por inabilidade, inaptidão ou natural falta de interesse na arte de administrar. Às vezes, também traídas por momentos difíceis na economia, como a dos Irmãos Paes Mendonça, que mesmo depois divididas, a terceira rede varejista do Brasil, com sede em Salvador, mas nascimento aqui, com Euclides e Mamede Paes Mendonça não aguentou a loucura econômica do país e seus planos mirabolantes de contenção inflacionária.

Porém localmente mais de uma dezena delas resistiu, especialmente ao dificílimo teste da sucessão. E uma é a aniversariante Casa São Vicente, em que João Vicente Meneses vem no comando geral, desde a morte do pai, maximizando as experiências, e avançando, como próprio do próprio pai a passos largos, mas não tão largos que se possa perder o controle.

60 anos. De vida, maturidade e sucesso.

Uma bonita data!

Parabéns à Casa São Vicente!

quinta-feira, 16 de abril de 2026

VALMIR, GOVERNADOR?

 

Dessa vez... vão deixar?

Tomei um susto, quando um jornalista amigo me passou os números: 494.229 votos para Valmir dos Santos Costa. Muito mais que os 338.796 dados a Rogério Carvalho; e mais além, a votação de Fábio Mitidieri, o deixou em terceiro lugar, com 294.936 votos. Outubro de 2022.

A sempre mesquinha política de Sergipe havia tomado um baita susto. Mas não passou disso: um susto. 

Os senhores dos livros, do mesmo modo como fizeram na República Velha, a de Rapinas e Camundongos, depois, de Pebas e Cabaus, mediante seus homens e mulheres nos tribunais e algures tinham dado um basta "na patuleia"; em suas rebeldias. 

E, no segundo turno, de 2022, o óbvio.

Tem que ser o "homem dos acordos". O homem certo; não qualquer orelha seca, por mais polido que se mostre; por mais negociador, democrata, que se imponha. Um político, na mais nobre acepção da palavra.

A velha Casa Grande não brinca em serviço.

O belo prédio do Museu do Judiciário. Início do século XX. Memória viva de Sergipe.


E Valmir Costa, Valmir de Francisquinho, está na estrada. De novo.

E, ao que parece, aqueles 494.229, não se moveram do lugar. Pelo contrário, aumentou, e não foi devido as estatísticas do IBGE. É que há 15 anos que o estado perdeu qualquer naco de sonhos. Vive sem futuro. Não consegue acreditar na legião de falsos profetas que poluem a política sergipana. Sequer tem tido as esperanças de 2006; muito menos aquele tempo mágico de 1982.

Sempre as mesmas raposas velhas, carcomidas de vícios, a comandar, e quando alguma coisa de leve aparência diferente bota a cabeça, ou se descobre que é mais um teleguiado, ou logo se decepa-lhe a cabeça.

Mais uma chance de Sergipe parar de "ser jipe", para virar tri-trem.

E, parafraseando o verso do grande Belchior, Sergipe tem pressa de viver. De parar de eternamente “ser jipe”, e virar um tri-trem.

Valmir Costa promete muita dor de cabeça aos viciados da velha elite da cana, mesmo hoje mimetizada em altos cargos do Estado; a maioria de meros sinecuras.

Não é, nem nunca sê-lo-á da panelinha. Mesmo querendo. Então, só lhe resta fazer o que vem fazendo desde 1988: no sistema, contudo sem com ele, com seus vícios compactuar.

E aceitar o desafio de vencer a “maldição serrana”, desde o capitão-mor Manuel Pestana de Brito, passando por José Matheus da Graça Leite Sampaio e Batista Itajaí, todos não nascidos; e dos itabaianenses natos, General José Calazans, e Euclides Paes Mendonça. 

Itabaiana, um dos tripés formadores da sergipanidade, nunca elegeu um governador de Estado.

Pestana de Brito, escorraçado do governo por Salvador-BA, apoiado na nascente elite entreguista de Sergipe; Leite Sampaio, o herói esquecido, deliberadamente ignorado, da emancipação sergipana, só passou alguns meses à frente da primeira junta governativa; Itajaí, escorraçado por ser lagartense, e chefe político em Itabaiana; Calazans, sempre preterido; e Euclides Paes Mendonça, a maior prova que a elite preguiçosa não tolera a ousadia, intrepidez e dinamismo serrano.

Valmir Costa vem se construindo lentamente ao longo das últimas quatro décadas.


A trajetória de um líder

Fotograma: Jornal de Itabaiana, Edição de 8 de janeiro de 1989. Valmir assumindo o seu primeiro mandato.

Mais um vereador de interior, porém calma e diligentemente se preparou ao longo dos cinco mandatos, na 47ª mais antiga casa legislativa da história do Brasil para o grande salto na administração pública. Em 2013, ao pegar a administração municipal, em completa ruína, hábil e pacientemente, andou por águas turbulentas da complicada política, e superou a todas, resgatando o que já se achava quase perdido, e mais realizando, dentro da máxima da res publica romana, de nunca destruir o que os outros fizeram de bom; e sim melhorá-los, acrescentando a sua própria marca. Isso o capacitou a um segundo mandato, o preparando para ser aclamado pelo povo do seu estado. Porém, Sergipe, como sempre, traído pela sua elite, seu estado profundo, que histórica e mesquinhamente só tem enxergado o próprio umbigo.

Em 2022, quando seria esperado se contentar com uma certa cadeira a Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, ou até um incerto voo mais alto, na Câmara dos Deputados, surpreendeu meio mundo de incrédulos, ao se lançar candidato a governador do Estado, sendo cassado assim que sua viabilidade se tornou irreversível. Não adiantou, pelo visto. Está vindo mais forte nesse ano.

Particularmente, da elite que golpeou Batista Itajai em 1909, e fabricou o assassinato de Euclides Paes Mendonça, 1963, eu espero tudo.

De uma coisa é certa: "Não é para ser candidato; se for candidato, não é para ser eleito; se eleito, não é para governar".

Vem-me à lembrança, o grande Raymundo Faoro, sobre o golpe do impeachment de Collor, na revista IstoÉ, 1.212, de 23/12/1992: “...um poder por força de uma representação constitucionalmente viciada. De qualquer modo, já que a previsão existe, em abstrato, fatalmente ocupará as fantasias dos conspiradores de sempre. Sobretudo se o governo falhar; se não falhar procurar-se-á fazer-lhe com que falhe, até pelo prazer de confirmar a profecia.”

Logo, a guerra apenas está sendo anunciada; nem ainda começou.

Valmir deixou a Prefeitura Municipal de Itabaiana, definitivamente, no último dia 2 de abril.

Quanto à eleição, particularmente não tenho a menor dúvida. Pelo povo, pela vontade da maioria, já há quatro anos que Valmir Costa é governador. Resta saber se agora o deixarão se capacitar legalmente; e se assumirá em 1º de janeiro.

A sorte está lançada.



quarta-feira, 15 de abril de 2026

SERGIPE: VERGONHA DOIS PONTO ZERO

E o papelão do senador, hein?

Lembrou o outro, 22 anos atrás.

Em fevereiro de 2004, com praticamente toda a imprensa contra o primeiro governo Lula, o senador oposicionista, Almeida Lima resolveu se promover, batendo duro no governo, acusando-o de corrupto, o velho e manjado mantra.

Se levou tão a sério que começou a incomodar a própria oposição, máxime, então comandada pelo maior coroné baiano de todos os tempos, Antônio Carlos Magalhães, que lhe deu um senhor pito no início de abril, encerrando o assunto. E a carreira meteórica do punguista senador sergipano, o breve. Ingresso como muleta pelo primo, o ex-governador Jackson Barreto, na Prefeitura de Aracaju, é que logo se achou o bam-bam, ao se eleger senador.

O papelão representado pelo senador sergipano da República de Curitiba, Alessandro Vieira, com esse Relatório da CPI do Crime Organizado, repete, em maior e mais grave grau, aquela inocente tentativa de desestabilização de governo de 2004.

Meu pequenino Sergipe, sempre a reboque dos malandros.

terça-feira, 14 de abril de 2026

ECOS DA MEMÓRIA

 

No próximo dia 29, às 20 horas, na Praça Chiara Lubich, Bairro Anízio Amâncio de Oliveira, será lançado em Itabaiana o documentário da paulista Denise Szabo, Vou-me embora.

A exibição tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Itabaiana e o filme, meio que remexe nas feridas abertas pela política de excessos, praticado em Itabaiana até recentes tempos.

Trata-se de mais um êxodo nordestino, rumo às terras paulistas, que poderia ser classificado como comum. Mas não é. (Leia mais, Clique aqui)

A polaridade política, advinda da República, a partir de 1890, com os golpes e contragolpes a seguir, incluindo o do Estado Novo, e o consequente liberalismo radical incluído na romântica - e até maldosamente pensada - Constituição Federal de 1946, levou aos extremos, dos quais tivemos copiosas amostras na Itabaiana das décadas de 1940, 50 e 60, culminando com o assassinato de Euclides Paes Mendonça e seu filho, Antônio de Oliveira Mendonça, em 8 de agosto de 1963; com respingos no também assassinato de Manoel Francisco Teles, em 31 de agosto de 1967, encerrando assim uma sequência de 20 anos de violência política, com forte DNA econômico, especialmente na concorrência comercial.

Ao entrar para a política, no partido contrário ao líder Euclides Paes Mendonça, este maximizou a concorrência comercial ao seu estabelecimento, no Largo Santo Antônio. Hoje uma loja multinacional.

A história da família Lapa em Itabaiana remonta a pelo menos o final da monarquia com o ourives Francisco da Lapa Troncoso, e o alfaiate Francisco Fabiano da Lapa, listados como eleitores prováveis, no quarteirão da cidade, levantado pelo historiador José Rivadálvio Lima, em 1875. Um dos seus troncos, Manoel da Lapa Troncoso, surge como conselheiro no então confuso sistema administrativo municipal do início da República, em 1991 (Carvalho, A República Velha em Itabaiana, p. 92), e nomeia importante rua, com início no Centro e final no limite norte do Bairro Mamede Paes Mendonça. Seu filho, Felinto Lapa, aparece como um dos líderes políticos médios da cidade, em 1915.

Recentemente, João Batista da Lapa, o João Bombeiro, assumiu como suplente de  vereador, eleito em 1988, e reelegendo-se para o período seguinte, 1993-1996.

Mas o Lapa retratado no filme (clique aqui para ver o trailer) trata tão somente do drama, quase tragédia que se abateu para família de Vital José da Lapa.

Comerciante, ao iniciar suas atividades na antiquíssima Estrada Real das Entradas aos Sertões de Jeremoabo, no trecho urbano já denominado Rua Augusto Maynard, na esquina com a Rua Barão do Rio Branco, entrou em concorrência natural com os demais, isso acabou gerando rixas com o ascendente Euclides Paes Mendonça.

Gravei isso firmemente na mente: ESQUINA DE VITAL, a hoje loja da Vivo. Sem o primeiro andar. Assim chamava meu saudoso pai, sempre lembrando do fato ocorrido com seu titular.

Seu ingresso na política, do lado dos Pebas, com outra denominação, de PSD, é claro, mas, uma tradição da família, acentuou o ódio do chefe udenista (neo Cabau), levando o lado mais fraco a desertar da cidade depois de agredido. Por segurança à sua própria vida.

E é essa história que a Denize promete contar, sete décadas depois.

Montagem fotográfica com o casal Vital da Lapa e a sua historiadora.

Itabaiana atual é outra. Mas vale a pena conhecer os malfeitos do passado para não deixar acontecer de novo.

Vale a pena assistir.

Em tempo: Pebas eram os conservadores tradicionalistas; Cabaus, os conservadores mais progressistas. Todos, coronelistas. Todos, violentos.



segunda-feira, 13 de abril de 2026

EXPRESSÔES POPULARES

 

O incidente narrado ocorreu depois da lombada, adiante,

Ontem, domingo, 12 de abril, pelas 13 horas, km 57 da BR-235, povoado Sambaíba, Itabaiana, voltando de uma excursão ao Ceará, um pneu do ônibus estourou. Naquele barulho típico. Uma bomba de certa potência.

Experiente, o motorista controlou o veículo com tranquilidade - foi um pneu traseiro - e levou o veículo a local seguro, com certa distância da pista, para realizar os serviços de troca.

Os passageiros, depois do baita susto, respiraram aliviados, ficando só com uma pontinha de frustração por terem de esperar um pouco mais para almoçar. Mas, como brinca um amigo, viajante, logo turista inveterado, "Todo castigo pra turista é pouco".

E aí as gargalhadas com o incidente se concentraram no azarado ciclista que passava pelo local, exatamente no momento do pipoco. Passado o susto, parado e o interagindo com motoristas e passageiros, ele desabafou: "O susto foi tão grande, que só não me caguei porque não tinha merda pra cagar".

A sabedoria popular é precisa. 

Risos.

domingo, 29 de março de 2026

SEPULTADO MAIS UM MONUMENTO HISTÓRICO DE ITABAIANA.

 

Ironicamente, por remoção completa, caíram os últimos tijolos do cemitério dos crentes, nessa sexta-feira, dia 27 de março, deixando o chão onde se assentou limpo de qualquer vestígio de um símbolo sagrado para humanidade, qual seja, o seu último descanso, ao menos desde que o primeiro faraó se eternizou em sua tumba, acompanhado de texto mágico, prometendo sua ressureição, há cerca de cinco a seis mil anos.

A construção, há décadas em ruínas, era também o último símbolo de uma era socioeconômica gigante na história serrana: A Era do Algodão.

Nos escapa quando foi vendido para empreendedores pela congregação presbiteriana. Porém, em 1995 já estava abandonado, Aí, derrubaram a capelinha; logo a seguir se convertendo em lixeira. Hoje pedaço de terra tão valorizado, foi limpado para nova destinação, ficando apenas na memória, pelas imagens recolhidas. Os corpos lá sepultados? Ora, os mortos; quem liga pra eles, né?

Mesmo tardiamente, mas, como a capela da Igreja Presbiteriana, inaugurada em dezembro de 1939, e derrubada 2019, o Cemitério Presbiteriano, que nos escapa o ano de construção, e que teve o seu fim final nesta semana, era um raro símbolo do nascimento da nova Itabaiana que começou com as feiras de algodão de 1863. Ali, a bicentenária pequenina vila deixou de ser o lugar da paróquia, da Câmara de Vereadores se reunindo de ano em ano; dos cartórios, onde registrava terras e escravos, e dos enforcamentos, para ser também a feira dos sábados e assim dar o seu primeiro respiro na finalidade de hoje ser o que é, prometendo ser bem mais, futuramente.

A belíssima e singela capela, na esquina das ruas Sete de Setembo com Barão do Rio Branco, marco na cidade, desde dezembro de 1939, tombou, literalmente, em 2019. Oitenta anos depois.

O protestantismo na serra.

Foi a cultura do algodão e a influência inglesa, por seu imenso parque fabril, que em 1885 trouxe o primeiro credo protestante para as Caraíbas, e dali, se espalhando muito lenta, mas firmemente, até a construção, em 1939, da primeira igreja protestante em solo serrano, na Rua Sete de Setembro, na cidade, onde sobreviveria por exatos 80 anos.
O cemiteriozinho e a capela presbiteriana, símbolo do pluralismo religioso entre nós, com o vapor de Joãozinho Tavares (Fábrica de Beneficiamento São Luiz) eram os símbolos que ainda sobreviviam até o presente século XXI.
Vale das serras da Itabaiana, com a Estrada dos Entradistas do século XVII (dos Sertões do Jeremoabo-BA), ao descer da baixa serra do Pinhão, tendo em primeiro plano o povoado Caraíbas, que com o povoado Flechas, abrigou a primeira fase do grande projeto de expansão da cotonicultura de D. Pedro II, resultante da crise no mercado mundial do algodão, provocada pela Guerra de Secessão americana, de 1861-1864.

O vapor despareceu em 2009; a capela em 2019; e o cemitério que vive em decadência a aproximadamente cinco décadas desapareceu para sempre na última sexta-feira, 27.
Ao menos em termos de lembrança física, estão enterrados pra sempre dois momentos na construção da Itabaiana atual: a Era do Algodão e a chegada do protestantismo.
Memórias apagadas da Era do Algodão. 
O Vapor de Joãozinho Tavares, ou Fábrica de Beneficiar de Algodão 
São Luiz: logo após a inauguração, em 1939; fechado, em 2007; e o terreno limpo em 2009... pra evitar aventuras do governador Marcelo Déda, em transformá-lo em centro de memória??? (Terreno passou quase quatro anos servindo de estacionamento, até ser reconstruído).




segunda-feira, 23 de março de 2026

ITABAIANA - 25 ANOS NA INTERNET. 4ª e última parte

 

4ª e Última Parte: 
A luta silenciosa e solitária


Resumo da rescisão contratual, em 30 de junho de 2004

No dia 26 de março de 2001, Itabaiana era exposta ao mundo pela internet. Mais que uma ideia, um engrandecimento ao meu lugar, foi também pura provocação; quase desesperada, para ver se alguém, com poder de resolver – público ou privado - mordia a isca e trazia um provedor, ao menos nos livrando do caro e indigesto DDD (Discagem Direta à Distância), da concessionária de telefone.

Depois de já três anos de resmungões, sugestões, apresentações... restou isso: provocar.

Antes mesmo de entrar na rede, já em 1998 eu sugeria à Comunicação Municipal, à Educação, à Assessoria do Prefeito e até ao próprio, com quem iniciei breve conversa sobre o assunto, mais brevíssima, porque educadamente, Sua Excelência me deixou falando sozinho e se mandou.

Ao entrar na rede em 1999, vislumbrei, não a exuberância irracional, da atualidade (parafraseando Alan Greenspan, em 1998); mas a metade já era um absurdo de bom para aquela passagem de século.

Ninguém me ouviu.

Naquele fim de 1999 eu decidi tirar leite de pedra.

E eu tinha ferramentas em casa, que sequer suspeitava.

À esquerda, cópia da página principal, de 28 de agosto de 2001, quando ansiosamente aguardava o Itnet ir ao ar, postergado até o 7 de Setembro pela Telemar, então a concessionária de telefone (fixo). Gentilmente capturada nos bancos de dados por Jamisson Machado, e a nós ofertada, quando completamos o terceiro ano.
À direita, meu filho, Uriel Marx, ainda tomando aulas e já desenvolvendo os primeiros passos de programação, responsável direto pelo meu êxito.

Em 2001, a internet era uma criança: sem ladrões; cheio de sugestões de criatividade em uma enormidade de publicações, inclusive programa de criação de sites. Apesar dos computadores ainda terem preços proibitivos, mesmo já tendo desabado dos (pasmem!) R$ 5.586,00 de 1994, em preços de hoje... R$ 64.843,74. (anúncio à esquerda).

Meu filho primogênito, Uriel Marx dava trabalho o tempo inteiro na escola de informática básica. Era uma reclamação por semana: "Uriel está descontrolado; indisciplinado, querendo passar a frente dos outros". 

Eu ouvia, mas confesso sem muita aptidão para o censurar. Até que percebi o porquê: ele estava adiantadíssimo no conhecimento da linguagem, como programação. 

Sempre fui pela manutenção da ordem; desde que não trave a inteligência. As boas e excelentes ideias.

Confessei-lhe certas dificuldades em alocar o material numa página virtual, fazer um sítio ou site.

Ele me falou que como fazer e fez. E, a quatro mãos – conhecimento geral, mais conhecimento técnico – em 26 de março de 2001, pus Itabaiana para todo o mundo ver. Literalmente.

Melhor: comecei a remotamente colocar itabaianenses mais curiosos em contato com sua terra, muito antes de existirem as redes sociais.

Porém o melhor estava por vir: Despertei dois interessados de peso, quais sejam, o presidente da CDL-Itabaiana, Edivaldo Francisco da Cunha; e o ainda mini empreendedor Jâmisson Machado.

Qual não foi minha surpresa, três meses depois, ao descobrir no escritório da CDL local, um equipamento, que, muito além das necessidades comunicacionais da entidade, já era uma amostra do que viria depois.

E, um mês depois, a revelação pelo próprio Jâmisson Machado, um “atirado”, meio inconsequente, no entender do meio, mesmo do mais moderno empresariado; um deslumbrado com a tecnologia. Na calada, Jâmisson, como é da natureza dos negócios, ainda garotão, havia queimado o parco patrimônio que tinha para se lançar na aventura de fundar o Itnet.

Confesso que me custou muito argumento, dissuadir o presidente da CDL, convencendo-o a hibernar, depois abortar o projeto da instituição, naturalmente mais pesada que uma entidade privada, e ver no que daria o voo solo do Itnet.

Bem, para quem reside em Sergipe, especialmente em Itabaiana já sabe do resultado: sucesso total! O Itnet é hoje, seguramente, senão o maior, mas entre os dois maiores genuinamente sergipano.

Em junho de 2002, data dessa foto de baixa resolução, e nove meses depois de ir ao ar, o Itnet se constituía num santuário para a galera dos novos tempos que estavam se descortinando. 

Sem tino empresarial, e sem tempo de administrar meu site; e com a consolidação do Itnet, a presença de provedores concorrentes, que logo, finalmente apareceram; e novas formas de acesso à rede, em junho de 2004, três anos depois, arrumei os trens e caí na estrada em busca de outros horizontes.
Meu PC, (fundo real removido) em junho de 2004, com a última imagem do site "Portal Itabaiana", ou Itabaiana.inf.br.
A consolidação de Itabaiana na internet, portanto, veio seis meses depois, em 7 de setembro do mesmo 2001, com o primeiro chiadinho da conexão, de um provedor local, simbolicamente locado num andar superior, na esquina das ruas Jackson de Figueiredo com General José Calazans, esse, um itabaianense, um construtor, do Exército brasileiro de um século atrás; e ao fundo do primeiro prédio escolar da cidade, o Guilhermino Bezerra.
Provocado pelo primeiro portal de Itabaiana para o mundo, o Itabaiana.inf.br, que faz 25 anos nesse 26 de março de 2026, quando entrou no ar.
Um quarto de século. Bodas de Prata.
Pausa para uma devida homenagem a dois grandes da internet: Shaun Fanny, criador do Napster, primeiro site de trocas de músicas pela internet; e ao criador do mp3, Karlheinz Brandenburg.
Antes que tudo virasse um reles... negócio.

Leia partes anteriores:
1ª Parte (Clique)
2ª Parte (Clique)
3ª Parte (Clique)

domingo, 22 de março de 2026

ITABAIANA - 25 ANOS NA INTERNET. Parte 3

 

3ª Parte: 
1996 - Meu primeiro computador

Em 1996, trabalhando com marketing eleitoral, nível interior (o faz-de-tudo), atendi as sugestões de um amigo, Milton Sobral, que então, de olho num aparelho mais novo, me ofereceu o que anteriormente havia comprado, um dos poucos moderníssimos, com Windows NT e processador Intel 386 e super HD de 500Mb... pra mim, o ideal. O preço? Bem, como de segunda mão, R$ 1.420,00 atuais. Um novo, ali, com o básico, apesar da queda das tarifas ainda sairia, em preços de hoje, por uns oito mil reais. E top, "de marca", não sairia por menos de 17 mil.
Início de uma caminhada, que quatro anos depois deu no primeiro site da história de Itabaiana.
Em destaque, o meu garoto de então 12 anos, Uriel Marx, programador inicial dessa aventura, com o primeiro computador, que seria posta no ar em 26 de março de 2001.
Seis meses depois, finalmente a provocação, absorvida por Jâmisson Machado surtiu efeito: entrou no ar o provedor Itnet, que no Sergipe atual dispensa apresentações, definitavamente nos conectando ao mundo.
 
A internet era ainda um boato para o futuro. Nada mais.
Em janeiro de 1997, ao criar a arte para o Bloco Tchan desfilar na Micarana de abril daquele ano, além de me convencer da necessidade de uma máquina mais potente, também tinha o problema de programas gráficos rodarem muito melhores, e que o velho 386 não aguentava.
A arte para o Bloco Tchan, local, criada em janeiro de 1997, no PC, I386, para desfile na Micarana (micareme), de abril do mesmo ano.
(Agradecimento pelo fotograma ao jornalista Luciano Correia, em primeiro plano, tomando sua latinha e envergando o manto sagrado da folia, naquele ano).

Ao fim do ano comprei minha primeira máquina na caixa. Zero km. Não um "de marca"; mas um genérico, montado na Jamsoft Informática. Aproximadamente 8 mil reais, em valores atualizados.
A internet já zoava cada vez mais perto; mas nada que me tirasse o sono.
Em 1998, a internet se popularizou na capital. Mais ainda: começou a migrar para o interior. Salvo engano, Estância, Lagarto e Propriá receberam terminais. Itabaiana, não.
Como a internet era por conexão discada, competindo pela linha do telefone fixo, esperava-se que o então maior provedor do serviço no estado, ao menos colocasse Itabaiana ao mesmo nível das demais. Afinal, já tínhamos um excelente padrão econômico, com o número de linhas quase igual à soma das três cidades agraciadas; A Justiça e o Fisco estavam rapidamente entrando no modo “on line”, o que significava uma excelente e potencial clientela.
Porém a rede continuou distante.
Em 26 de março de 2001, meu sonho de compartilhar conhecimento começou a se concretizar. Senão uma Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (esq); mas algo mais modesto, inclusive tendo nela apoio.
Em 2002 eu havia mudado a denominação para Portal Itabaiana, numa tentativa de facilitar a busca. A internet ali ainda era uma criança, ávida de novidades, porém inocente (pintura no muro do velho Colégio Estadual Murilo Braga).

A partir de 1999, percebendo que havia outros interesses para não se efetivar um provedor local, sem DDD, e incapaz de sonhar, eu próprio, de o fazer, passei a usar meus contatos na cidade, e tentar estimular que alguém nos trouxesse o serviço, via instituição, especialmente o Executivo Municipal. Nada. Todo mundo surdo.
Até outubro de 1999, meu encantamento era pelo que lia; mas naquele mês, tomei coragem, assinei um provedor paulista, com filial em Aracaju, e tive o meu primeiro acesso à rede. E o que vi, me encantou. Muito além do que pensara. E um futuro promissor pela frente. 
Ainda era muito restrito e o trânsito via rede telefônica era de em geral 56kbps; e a base de dados acessáveis, uma pequena fração do que hoje. Mas eu me perdi no meio deles e nunca mais me achei longe, ao menos do que acho de importância.


Leia também:
Parte 1 (clique)
Parte 2 (clique)

...continua amanhã, a última parte.

sábado, 21 de março de 2026

ITABAIANA - 25 ANOS NA INTERNET. Parte 2

 

2ª Parte: 
O atraso brasileiro

Somente em 1989, o Brasil, enfim, teve um sistema, uma coluna vertebral, ou backbone, a sustentar sua internet.
Aquilo que houve nos Estados Unidos, 30 anos antes. 
Totalmente uma extensão da internet americana, que, por ser a poderosa proprietária é dona do Protocolo de Internet, ou IP, sem o qual é impossível entrar na internet. 
Mas, em 1º de maio de 1995, veio a abertura ao uso comercial no Brasil. Não logo disseminou-se devido a minúscula quantidade de terminais - computadores - existentes.
Evolução dos computadores:
Até 1980, os computadores eram imensos; empresariais ou institucionais. Mas na década de 1980, tudo se precipitou, e em 1985 já estávamos com máquinas pessoais, e muito mais eficientes.
Atraso na implantação rede de fibra ótica, e uso ainda exclusivo da linha telefônica, bem como capacidade técnica, incluindo a de software; bem como os preços dos aparelhos pessoais, na casa dos atuais 21 mil reais (US$ 4.000) no Brasil, frearam qualquer avanço mais rápido. Somente em Aracaju começou a funcionar um sistema "pra rico" curioso, em 1996. Porém, em 1995, havia sido lançado o Windows 95, plataforma que revolucionou a linguagem computacional, popularizando-a, e cujo modelo, com as mudanças de praxe para agregar valor, ainda hoje se mantém. E os aparelhos estavam com preços desabando, depois de quedas na origem, e fim das barreiras tarifárias: em 1997, eu já comprei o meu zerado por cerca de um mil dólares, ou, cinco mil e trezentos reais atuais.

Extrato de uma revista especializada, de novembro de 1996, quando a internet estava chegando em Sergipe, traz os preços praticados na aquisição de um computador pessoal: R$ 1.963,00 (o mais barato), corrigido para hoje, pelo IGP-M/FGV: R$ 17.305,84. Isso mesmo: dezessete mil e trezentos e cinco reais, e oitenta e quatro centavos.


...continua amanhã.

sexta-feira, 20 de março de 2026

ITABAIANA - 25 ANOS NA INTERNET.

1ª Parte: 

Internet – Um Produto da Guerra Fria

Em 1945, os Estados Unidos torraram e até evaporaram quase um quarto de milhão de japoneses, nos dias 6 e 9 de agosto, em duas cidades, com a explosão de duas bombas atômicas.
Em cima: explosão atômica sobre Nagasaki. 60 mil mortos imediatos, alguns literalmente evaporados; (mais 70 mil, depois de muito sofrimento).
Embaixo: Primeiro teste russo soviético, quatro anos e vinte dias depois.
Há tórridas discussões se aquele extremo de violência teria sido necessário, para abreviar a guerra, como a mídia ocidental, brasileira, inclusive, sempre a serviço do anglo americanismo espalhou. De fato, e encarando a realidade, foi um alerta à Rússia, então União Soviética: “agora que as potências europeias acabaram, o mundo é nosso”.
Mas os soviéticos surpreenderam; e, em 1949, explodiram a sua bomba. Pior, assombravam os super autoconfiantes americanos, ao passar por suas cabeças o Sputinik, em 1958, o primeiro satélite artificial da história. O Estado americano entrou em pânico. O inimigo podia agora vê-los de forma inalcançável, quando e onde quisesse. 
Montagem fotográfica: Central telefônica moderna brasileiro, anos 1990; e réplica do Sputnik, russo soviético, primeiro satélite artificial a orbitar a Terra, em 4 de outubro de 1957. Em 12 de abril de 1961, o primeiro homem, Iuri Gagarin, a 315 quilômetros de altura exclamava a frase: "Meu Deus, a Terra é azul!" 

E aí a corrida tecnológica da guerra foi apressada. 
E enquanto, em 12 de abril de 1961, Dia do Descobrimento da América, o soviético Iuri Alexeievitch Gagarin, exclamou, de uma altura de 315 km, "Meu Deus , a Terra é azul", os Estados Unidos, que já tinham o domínio da narrativa, pelo domínio total da mídia mundial (Hollywood & Cia), voltou-se aos velhos experimentos de Graham Bell, conectando computadores já existentes, usando as linhas telefônicas. A intrarrede, ou rede interna; hoje, popularmente, internet.
E, de universidade em universidade, e outros pontos estratégicos, onde foi havendo um computador, houve um quase secreto terminal da rede.
Em 1970, o governo americano se sentiu seguro, o suficiente, para liberar a rede para entes privados especiais. Já que o computador pessoal só viria uma década depois.

...continua amanhã.