Iguá, Mitidieri e bolivianização de Sergipe... você achou que a Iguá ia ser igual à Deso?
República Velha na veia!
Enquanto houve a figura do Imperador, até novembro de 1889, o país não muito andou; mas houve certa contenção dos egos inflados, e sua óbvia descarga como violência barata contra os mais pobres. Quando desaparece a figura do Imperador, a arrogante oligarquia fabrica seus grupos que, como desde a Atenas do século doze antes de Cristo, só houve coesão social na hora de roubar outrem; e enquanto roubavam. Recomeçando, naturalmente, o eterno dissenso na hora da partilha do saque.
E aí o Estado, nos seus três níveis – Município, Estado e União ou Federação – foi reduzido a pouco mais de zero. Foi necessária uma Revolução de 1930, e até um golpe de Estado - o Estado Novo - logo após, para que viéssemos a ter um programa – de Estado – que recolocasse o país mais ou menos ao nível do segundo governo monárquico.
Na República Velha, a decantada iniciativa privada imperou em tudo. E nos colossais abusos.
Se na federação modelo – os Estados Unidos da América – culturalmente formado por pequenos agricultores, que depois cresceram, tanto abusos foram cometidos, imagina numa federação macaqueada, com origem no medieval megalatifúndio, verdadeiros ducados – as capitanias hereditárias - e seus arraigados vícios.
Só para ilustrar, a criação de gado em Itabaiana foi feita por curraleiros; arrendatários das terras, que pertenciam a reinóis (portugueses de Portugal), que nunca pisaram os pés em Sergipe; mas recebiam rendas anuais das terras que o rei tomou dos índios e distribuiu entre eles, os nobres locadores. Vêm daí as apartações, depois vaquejadas.
A água, especialmente no Agreste e Sertão nordestinos sempre foi moeda de opressão política e econômica.
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| A cavação do poço artesiano (hoje caixa d´água da Praça João Pessoa) em 1927, acompanhou a abertura da primeira rodovia, a Itabaiana-Laranjeiras. Obras feitas pelo DNOCS. |
A criação do DNOCS, pelo presidente Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa, um paraibano, em 1919 veio fazer um pequeno diferencial.
O DNOCS, em verdade, foi o aríete na enorme e indecente muralha do coronelismo, que usava o isolamento de extensas comunidades interioranas (por falta de estradas), e o controle sobre cada pingo d’água, como forma medieval de seus verdadeiros pequenos reinos. Vêm daí também o terno curral eleitoral.
Desde a venda da DESO, em setembro de 2024, voltamos a uma situação de insegurança hídrica; e pior que nos anos 1920, antes do DNOCS.
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| Certamante essa cisterna será capturada pela Iguá. A ideologia do lucro não respeita fronteiras |
Até 1920, só o sertanejo, hoje 10,94% da população sergipana, era totalmente escravo do coronel, senhor das terras e das águas. Porém, o agresteiro, hoje 36,57% da mesma população, e principalmente o litorâneo, ou seja 52,48% da população sergipana atual, podia pegar água no rio; abrir uma fonte ou poço artesiano no fundo do quintal; ou construir uma cisterna, para captar água das chuvas.
Agora, não mais.
Houve recuo estratégico, relativo às cobranças pela água de poços artesianos, particulares, obviamente. Mas eles voltarão à carga; e não só contra os ricos e médios dos poços; mas especialmente dos pobres, sem voz. É para tirar até as tripas. Os gritos de euforia dos "investidores" merecem.
Em breve até um tonel para captar água das chuvas pode ser proibido; ou só com licença – e pagamento – a Iguá.
Pior: o que ocorre em Sergipe é um teste. Para ser aplicado no país inteiro.
E só deixarão para o governo quando rasparem o tacho. Levarem tudo, e só restar o bagaço.
Agnus Dei que tollis peccata mundi, miserere nobis!





