“Sabe essas noites que cê sai caminhando sozinho, de madrugada, com a mão no bolso”
(Você Não Soube Me Amar, Evandro Mesquita e outros)
Noite do dia 03 de janeiro, de repente me sinto saturado de festas (e como tem festas na atualidade), declarações de Feliz Ano Novo (a grande maioria, fria; mecânica; e até mais falsa que beijo de rapariga), depois de leve papo com presentemente reduzida família, quero procurar algo que me ocupe o tempo até o sono chegar. E, obviamente esquecer violentos assaltantes. Os comuns; e os oficiais, como o governo da maior empresa banqueira da história – os Estados Unidos da América – como o último assalto, roubo ou garfada (você é livre pra decidir), em cima da Venezuela, um país tampa de um imenso barril de petróleo... e sem uma bombinha atômica sequer. Só bravatas.
Bem, quero relaxar. Esquecer as mazelas do mundo.
A TV aberta, acabou. E continuo a resistir em assinar, pagar para ver uma TV-propaganda
Vou para a velha locação de filme. Não a da loja de até vinte anos atrás; mas a virtual. Americana, obviamente. Via internet. No sistema “corrente”, chamada pelos tabaréus colonizados de “streaming”. Pars servitus, como se diria num fórum romano, vinte séculos atrás. Ou seja, parte, sinal, da nossa servidão ao supracitado império banqueiro, que também planta, cria e fabrica. E faz guerras. Muitas guerras. Um assalto atrás de outro.
Às vezes, passo preciosos minutos, correndo com o controle remoto as intermináveis listas de filmes. Quase tudo lixo. Tudo produto da “caixinha”: sexo, violência, terror, desespero... pronto para preencher o tempo dos zumbis, viciados em cenas tétricas.
Modéstia à parte, acho-me demodê; careta. Não gosto de filmes violentos ou dramáticos, tensos... quando me sento em frente à uma tela é para relaxar; rir, sonhar e até me enternecer. Pra pensar, leio. Pra induzir ao pré-pensamento, vejo documentários. Não os espetaculosos; eivados de breves, ou às vezes grandes mentiras como se fossem verdades. Também a mentira, tem que ser como o dos caubóis: clara e insofismável. Adoro a série Trinity por isso: “Mentiras sinceras me interessam”, já dizia o Cazuza.
Bem, sem mais trololó, ontem encontrei Caramelo. O cachorro mais safado do mundo. Um vira-lata de verdade, magnificamente historiado, numa história simplória, como convém a pessoas comuns, interagindo comumente com um vira-lata comum, que só faltou ter nome de peixe, como disse o grande Luiz Gonzaga, e também grafou o grande Graciliano, entre outros.
Assisti até a última raspa.
Caninamente humano.
Uma grande produção nacional, dessas que despretensiosamente saem da “caixinha” do intelectualismo tóxico, nos aproximando daquilo que continuamos e continuaremos a ser: humanos.
Palmas para os excelentes atores e toda a equipe envolvida, porque sozinho não se faz nada.
E para o Amendoim, o nosso Caramelo.
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