Lampião diz que é valente;
É mentira, é corredor
Correu “da” Mata Escura
Que a poeira alevantou (Volta Seca)
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| Coreto na Praça Fausto Cardoso (foto cortesia: Juarez), em montagem com o poeta-cangaceiro Antônio Dias, o Volta Seca, depois de cumprir pena pelos anos de cangaço; e figura simbolizando o enforcamento de Mata Escura, em 8 de março de 1847. Poucos metros adiante da igreja matriz de Santo Antônio e Almas de Itabaiana-SE. |
O Tanque da Pedreira, que ficava na quadra em frente à Praça João Pereira, “saída das Candeias”, segundo amigos, garotos em fins da década de 1950, início da de 1960, em cuja foi aterrado, tinha “a forca”.
Não uma forca; mas uma estrutura para pegar água no tanque, de relativa profundidade, confundida pela molecada, possivelmente pelas histórias orais que ainda abundavam no imaginário popular, sobre os enforcamentos havidos na pequena cidade, onde os mais rumorosos casos, e com registro, foram do mascate João Gomes; e, oito meses antes, o de Mata Escura, Antônio José Dias, enforcado na Praça Fausto Cardoso, em 8 de março de 1847, amanhã, domingo, fazem 179 anos.
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| Se desconhece o objetivo oficial da abertura da Pedreira, que gerou o Tanque, e que deu nome a uma rua, estrada de acesso a ele (circulo em amarelo); mas ele existiu até início dos anos 1960, e sua estrutura de coletar água na parte mais profunda, gerou o imaginário da forca, existente algumas vezes na Praça da Matriz, hoje Fausto Cardoso. Nos anos de aterramento do Tanque, vizinho surgiu a Praça General João Pereira. |
Menos de um ano, depois de negada a clemência do Imperador D. Pedro II, ao bandido Mata Escura, foi a vez do inocente, como se provaria depois, o mascate João Gomes.
Mata Escura, bandido das matas da Santa Rosa de Lima e do atual Malhador, até o boqueirão da Sarafina e Zanguê, infernizava a vida do pessoal da região mais rica de Itabaiana, de então; e trazia perigo e desassossego constante aos mascates itabaianenses que demandavam as ricas feiras dos engenhos, especialmente, Maruim e Laranjeiras.
Deve ter ficado na memória viva da região, pois, quando, de brincadeira, mas cismava de enfrentar Lampião nas reuniões do bando, Antônio dos Santos, o Volta Seca, nascido no Saco Torto, e criado entre aquele povoado e Itabaiana(*), se referia ao chefão do cangaço como nos versos iniciais, acima, para chamar o chefe de frouxo.
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| Foto de Walmir Almeida, de 1986 (acervo Robério Santos), mostrando a testada da serra grande e seu limite ao norte, assim como as matas transseranas do Malhador e Santa Rosa de Lima, habitat de Mata Escura, há 180 anos. |
(*)Volta Seca, antes de matar aos 12 anos o cunhado, abusador da sua irmã, e embrenhar-se no cangaço, foi menino de recado de Francisco Tavares de Jesus, pai, entre outros, de José Araújo Tavares – o saudoso Zeca Araújo; e D. Ieda Tavares Silveira, no sítio suburbano do Canto Escuro, hoje a região do CTP.
Leituras:
MENEZES, Wanderlei de Oliveira. Festa, Farinha e Forca: a pena de morte na província de Sergipe. Monografia – UFS-São Cristóvão-SE, 2008).
SOUZA, José Crispim de, O Serrano, nº 250, p5, 12/11/1977).
SANTOS, Robério. As quatro Vidas de Volta Seca. Infographics, Aracaju, 2017.