quinta-feira, 8 de maio de 2008

Dengue mais mortal em Sergipe.

Com base nas precárias estatísticas de acompanhamento sobre a evolução dos casos de dengue publicados nesta última quarta-feira temos que Sergipe tem uma epidemia mais descontrolada ou pelo menos mais letal que o Rio de Janeiro. No Rio (veja mais aqui), de 131.238 casos notificados (1 caso para cada 117 habitantes), 106 morreram da forma hemorrágica da doença o que dá uma morte para cada 145.476 habitantes. Já em Sergipe, mesmo ainda faltando confirmar pelo laboratório – não existe isso no Estado – de Recife, 6.849 exames, os 5.018 até agora confirmados nos coloca com um doente para cada 386 habitantes, mas, o pior, as 17 mortes já confirmadas nos coloca em primeiro lugar em mortandade já que isso dá uma morte a cada 114.083 (mais aqui). Ganhamos do Rio de Janeiro.
Uma observação grosseira desses números sugere que o socorro por aqui ta bem pior que no Rio de Janeiro.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Notas e nota$

Geração de notas noticiosas e notas fiscais, é disso que começo a suspeitar dessa propaganda maciça, mania dos governantes de querer que o povo – e não ele, o governo; seja municipal ou estadual – combata aquilo que até agora não deu certo (leia mais aqui), no caso, a dengue. E nem vai dar. E que ele, o governo, lavou as mãos de sua responsabilidade constitucional. É preciso Estado. Jamais o povo vai se auto-coordenar numa ação fulminante para essa vergonha nacional. Isso é prerrogativa de Estado. É preciso governo. Não adianta ficar gerando despesas com propaganda inútil. É preciso dar o exemplo. A propaganda é ótima para o mercado publicitário, porém, se só propaganda desse certo, depois de bilhões torrados desde 1994 não haveria um só mosquito da dengue vivo.
Tão tratando coisa séria como espetáculo.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Devoto de São Tomé.

Como sou burro e meio, gostaria que alguém me mostrasse algum vestígio, o menor que fosse, que ateste que o ex-prefeito Luciano Bispo é o preferido do eleitorado itabaianense para as próximas eleições de 5 de outubro, como apregoa esta matéria no portal Itnet. Aqui acolá se ouve plantações, quer do lado da prefeita, quer do lado do ex e candidato a futuro prefeito. Números, mesmo que com alguma mentira, nada. Números, cadê os números?
É concurso pra ver quem mente mais?

sábado, 3 de maio de 2008

Inquietante.

Hoje, sábado, 03 de maio, pela manhã, acordei às seis ao som de um telefonema. Era um garoto amigo dos meus garotos, aflito, em busca de doadores de sangue, cuja doação fora solicitada por uma médica que está cuidado de um seu parente. O parente em questão é um outro garotão que ainda na terça-feira, 29 de abril, saltitava alegremente dentro da casa de shows Espaço Emes, em Aracaju, no momento em que recebiam a titulação de bacharéis vários colegas seus, inclusive um dos meus garotos. Óbvio, o garotão estava contente como todos os de sua faixa de idade pelo momento que também sonha passar brevemente.
Tá difícil!
De repente descobrimos que “apesar de termos feito tudo, tudo o que fizemos; ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”(*). Arriscaria tetravós. Ainda morremos de dengue. Mas o pior é descobrir que morremos de incompetência, de inépcia, de descaso, de desgoverno, de abandono de um Estado que somente serve para arrumar a vida de alguns mediante empregos e outros contratos. De vez em quando também coisa cabeluda.
Em recente entrevista ao jornal Folha de São Paulo (07/04/2008, clique aqui se assinante do jornal ou do UOL), o médico Antônio Sérgio Almeida Fonseca, que em 1986 examinou em Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro o primeiro caso de dengue após décadas sem registros, foi categórico: vamos para uma epidemia do tipo 4. Das brabas. Mas o que achei mais interessante foi o dito médico por o dedo na ferida: O governo – União, Estados e Municípios – ao insistir de fato apenas em propaganda vem buscando culpar a população pela epidemia e esquecendo de fazer a sua parte que é a vigilância epidemiológica como devido, com extenso controle, apoio e treinamento.
Do lado da política, prato cheio. A oposição a cada prefeito - principalmente - tá com a faca e o queijo para 05 de outubro. Vai pegar o momento melhor para detonar com os candidatos situacionistas, seja em reeleição ou em apoio a outro. Assim que passar o frio de agosto, a primavera chegará em primeiro para o mosquito.
A incapacidade gerencial é tanta que sequer informações concisas, além da gritaria comum não existem. Em geral, governo de Estado e prefeituras detonam horrores de dinheiro pagando a radialistas, jornalistas e donos de rádios, jornais e revistas para sair bem na foto. Sobre a epidemia o que se vê é um bate cabeça sem fim de pessoas sem a menor formação em saúde pública dando declarações em tons de aconselhamento e a turma dos governos – estadual e municipal, principalmente – dá entrevistas. Tão vazias e auto-promocionais quanto as matérias feitas pelas redações ou comentários de comunicadores.
Sequer há uma estatística confiável já que evocando a responsabilidade pela não criação de pânico e a irresponsabilidade pela falta de dados estatísticos, uma ferramenta vital na administração pública, suprime-se as informações sobre o estado real da epidemia dando lugar a mais alarmismo por parte da turma do quanto pior, melhor.
Ah, sim. O rapaz a quem me reporto está com dengue hemorrágica. Por isso a preocupação do outro e de sua médica em arranjar doadores de sangue.
A quem interessar possa: em outubro, o estrago da dengue vai ser bem pior.
(*)Como nossos pais. Belchior (com o mesmo ou Elis Regina).
O signatário é laboratorista do Ministério da Saúde, desde 1982, com atuação em imuno-hematologia e parasitologia entre outros.

domingo, 27 de abril de 2008

Fim da quarentena

Como havia previsto aqui, acabou a quarentena a que o MP itabaianense colocou os fiéis do costume dos marginais americanos(*). O de surdar os transeuntes com seu barulho, naturalmente ensurdecedor. E a Micarana é a "grande culpada". Em nome da "alegria", as bombas sonoras em fundos de carros particulares voltaram a circular com toda a força. Neste domingo tá um inferno. Certamente algum chefe de bando deu o comando: faça qu'eu garanto. Esse é o modus operandi de tudo o que ocorre de ilegal, de marginal. Alguém com poder, real ou suposto, tem que dar o comando. Exceto algum aloprado mais vigoroso; ou criminoso poderoso, todo transgressor é covarde. Só age sob proteção. Neste caso, resta saber de quem.
(*)Os filmes barra pesada com Charles Bronson muito bem ilustram isso.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Metendo o bedelho.

Num excelente artigo publicado no jornal sergipano Correio de Sergipe, o itabaianense Vladimir Souza Carvalho, historiador, contista, fundador do jornal O Serrano, daqui de Itabaiana nos idos de 1969 e ora juiz do Tribunal Federal da 5ª Região, em Recife, questiona o, ou os porquês de as autoridades estarem catando cavacos no que se refere ao combate do mosquito da dengue. Eu que modestamente sou da área desde setembro de 1982, venho aqui meter o bedelho na história.
Em primeiro lugar, a maldição neo-liberal da (des)administração pública protagonizada pelos pupilos da Escola de Chicago desde o governo Collor desmontou o núcleo de todo o controle de endemias que se havia a duras penas implantado no Brasil desde 1942 quando se criou na Amazônia, mediante convênio com os americanos de Roosevelt e sob a administração destes, os Serviços Especiais de Saúde Pública, depois renomeados para Fundação SESP. Logo a seguir veio o desmembramento de ações com a criação do departamento de combate a malária e o Departamento Nacional de Endemias Rurais, o DNERu, de cujo órgão foi chefe aqui em Itabaiana por muitos anos o saudoso Dr. Pedro Garcia Moreno Filho. O dito sistema acabou com a malária na região de Mata Atlântica, inclusive em Sergipe; reduziu, controlou, e em alguns casos até acabou com a esquistossomose, a doença de Chagas, a leishmaniose cutânea (ferida braba), a leishmaniose visceral (calazar), imunizou milhões de brasileiros contra a varíola que tantos milhões antes matou, enfim, apesar dos desmandos de (des)administradores federais, especialmente no período democrático ou de apadrinhados no sistema ditatorial, o Brasil saiu da zona negra da Organização Mundial de Saúde.
Em segundo lugar, não contentes com a destruição protagonizada durante o governo Collor, a turma da Escola de Chicago no governo FHC através de seus ministros da administração Bresser Pereira (depois Claudia Constin, atual diretora na Veja), e da Saúde, José Serra, destruíram as últimas cepas daquilo que apelidaram “herança maldita do getulismo”, e a partir daí entregando uma soma enorme de recursos aos municípios(veja aqui) sem a menor condição técnica e sem a menor intenção política de bem gerir, antes, sim, destruindo a tímida e já claudicante malha fiscalizadora federal. Resultado, já em 96 o então prefeito João Alves dos Santos, o João de Zé de Dona, daqui de Itabaiana, mediante denúncias de fiscais da Dengue foi às barras da Justiça para explicar o não aproveitamento correto da verba para combate à doença.
Em terceiro, o Estado brasileiro continua a serviço de gente de pouca ética; que se aproveita do Estado para ganhar mole. Por isso é que até agora ninguém falou em acabar com o BNDES. Logo, o Estado – União, Estados ou Municípios - não investe, principalmente em aspectos em que os resultados demoram a aparecer. Daí que só teremos uma tecnologia contra a dengue, uma doença tropical que muito pouco interessa a americanos, japoneses e europeus, se a Índia ou a Malásia, países também tropicais, investir. Por aqui, a Fiocruz vai continuar sob contenção de verbas; o laboratório de arbovirus Evandro Chagas vai continuar servindo apenas de altar de imolação de profissionais dedicados e frustrados. Isso dá discurso político que não mais acaba, dos mais indignados de vitrine possíveis, e até alguns votos. Além de dor, sofrimento e morte.
Em quarto e último, jamais os municípios conseguirão dominar as endemias pelo simples fato de que moscas, mosquitos, barbeiros (o inseto), cães, gatos, aves em geral, nenhum deles tem obrigação de reconhecer limites territoriais humanos. Isso somado à clássica indisposição dos politiqueiros, preocupados apenas em fazer o mínimo para manter-se o máximo em seus cargos, já nos dá uma dimensão da nossa triste situação.
Ah, sim, Vladimir questionou por que a AIDS tem tratamento vip, se mata tão poucos, proporcionalmente; além de extremamente previsível. Pra refrescar a memória, a AIDS foi diagnosticada primeiramente nos Estados Unidos, entre riquíssimos e famosíssimos, gente da alta mídia e que, ao chegar ao Brasil, o mesmo Estado que era proibido de gastar com pobre comum foi pressionado para gastar tudo com pobres especiais – os aidéticos – em cujo meio estavam também os rajás da cobertura. A mesma turma que prega a destruição do Estado para o povo, mas adora o BNDES pra financiar fábricas pré-falidas, jornais, idem etc., e etc. Rios de dinheiro são gastos com a AIDS. Junte todas as doenças imagináveis de alcance mais comum – diabetes, dengue, cardiopatias, amarelão, amebíase, chagas, tifo... o diabo, e o dinheiro que laboratórios, clínicas, fábricas de aparelhos e insumos referentes a AIDS levam ainda é muito mais. É a indústria da doença em ação. Derrubou até as idéias de Bill Clinton de fundar um sistema de saúde nos Estados Unidos igual ao do vizinho Canadá. Comprou todo o congresso americano. Inclusive Hillary Clinton. Imagina aqui onde qualquer institutozinho de meia tigela – de araque, claro – mantém a ração para dúzias de deputados e senadores, além de comunicadores e até professores universitários com a finalidade de servir-lhes.
Tá tudo dominado!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Noite de insônia.

Certos assuntos costumam mudar o comportamento do nosso cotidiano como, por exemplo, afetar o sagrado ato de dormir. Pois bem, hoje, quarta-feira, vinte e três deste abril, deste ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2008, receio que não dormirei. O motivo é o dilema a que me expuseram hoje rádios e portais locais da internet com essa terrível dúvida se Maria será, ou não será candidata a prefeita (à reeleição). Essa dúvida é que me mata.
E eu aqui me matando de pensar em devaneios do tipo, obras de infra-estrutura física como pavimentação, esgotos, áreas de lazer; programas de excelência administrativa, investimentos em estrutura social como emprego, educação, cultura, erudição e saúde... Enfim, o boboca aqui pensando abobrinha enquanto o mundo tá acabando por causa da maldita dúvida se Maria será ou não será candidata.
O pior é constatar que é a mediocridade, e não a excelência, que compõe o dia a dia. Logo, em tese, a mediocridade é sempre vencedora.
E eu, que também estou morrendo de dúvidas, não dormirei.