quinta-feira, 30 de julho de 2026

ORQUESTRA SILENCIADA

Há mais de uma semana que eles não mais coaxaram.

A festa emudeceu.

O palco? Um pequenino sítio que ainda resta, entre as ruas São Luiz e Vera Cândida de Santana, cujas retificações, sepultaram um pequenino trecho da quatrocentona estrada colonial, Salvador-Olinda, a do sertão. Passando, naturalmente por Itabaiana.

Traços da quatrocentona estrada (em vermelho), ainda visíveis na fotografia aérea de Walmir Almeida, de 1986. Em verde a localização atual do "palco" em questão.
E a depressão restante no terreno criou uma espécie de lagoinha seca, mas em que todo os invernos, brotam sapos, caçotes, jias e outras modalidades de rãs, que quando em tempos bons, coaxam e coaxam, revivendo a orquestra da natureza, que a humanidade cada vez mais sepulta.

Porém. neste ano, mesmo sem alteração física no seu meio, por intervenção humana, a orquestra anda devagar.

O local referido, paraíso da saparia, e de ouvidos que com seu cantar se delicia, entre as ruas São Luiz, acima; e Vera Cândida, em baixo. Bairro Club.

Em abril, só veio chover por aqui no finzinho do mês.

Em maio, continuou o iniciado em abril, parando completamente por uns quinze dias; dando um pequeno agrado em junho, depois do Santo Antônio, e só voltando a chover, também no finalzinho do mês e início desse que ora termina. Nesse, choveu bem no dia 16, e menos no dia 17. Hoje, 30 de mês, só uma ameaça a cada semana. Ameaça, mesmo.

Aí a turma da maravilhosa orquestra não aguentou: guardou os instrumentos para dias melhores.

Uma pena: serve de atração especial toda vez que vou ao estúdio de pilates, especialíssimo porque é o único da cidade com visão para a história – ao menos para mim – contida no fiapo de estrada acima citada, com coqueiral a farfalhar suas palmas preguiçosamente, infundindo calma e bem-estar, enquanto as instrutoras capricham em seu afazer de desbastar a ferrugem de articulações viciadas e cansadas, operando milagres. 

Sem a orquestra ranária, fica faltando um pedaço.

E sobram, de certo modo preocupações, já que o consumo de água explodiu na últimos 30 anos, e as nossas barragens construídas nos governos pós-redemocratização – João Alves Filho e Antônio Carlos Valadares – sequer estão sangrando como de outros anos.

Em 2019, mesmo com a barragem sangrando por algum tempo, chegamos ao fim do ano em situação crítica de abastecimento, com suspensão da irrigação. Itabaiana continua no semiárido; apesar de toda tecnologia hoje disponível.



quarta-feira, 29 de julho de 2026

PEREGRINAÇÃO DE SANTA DULCE, 2026

"Coisa que pra mode ver, o cristão tem que andar a pé" 

(Estrada do Canindé - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)

No próximo domingo, 2 de agosto, tem início mais uma esplêndida jornada, de fé, oração e ecologia. De enlevo. (Leia também aqui. Clique.)

Trata-se de mais uma jornada, na maior parte, de um seleto e pequeno grupo; mas que iniciará irmanada com ruidosa e festiva multidão, acima de cinco mil caminhantes, na primeira etapa do tramo sergipano. Os 13 quilômetros do marco zero, oitão da Maternidade São José, até a ermida de Santa Dulce dos Pobres, vizinha a outro ponto emblemático, que é o Parque dos Falcões; e próximo de outro ponto, ainda inexplorado, mas de grande peso na História do Brasil: o local da prisão de Melchior Dias Moreia, e consequente nascimento da Lenda da Prata, em 16 de julho de 1619 (mais aqui).

Saída da estrada principal, no povoado Serra; e entrada numa secundária, sob o olhar da imagem de Santa Paulina.

A saída está marcada para as seis da manhã, com previsão de chegada às nove, a seguir, na sobredita e bendita ermida.

Essa primeira etapa é de inteira responsabilidade da Casa de Santa Dulce, com amplo apoio do Executivo municipal; de empresas, da mídia, impressa e eletrônica e deve repetir, com algum ganho, obviamente, as que já ocorreram nos anos anteriores.

Em foto de 2023, o apoio logístico do Município, com a segurança da SMTT e Guarda Municipal, coorganizando a saída com a comissão da Casa Santa Dulce.

A primeira e mais concorrida etapa será encerrada com Santa Missa às 9h, presidida por Dom Josafá Menezes, Arcebispo Metropolitano de Aracaju.

Em foto de 2025, um mesmo momento em duas posições: passando pelo riacho do Cedro, atual limite entre a cidade e o povoado Lagamar, com a cidade, ao fundo; e com a cidade deixada para trás.

Sinalização impecável: Na própria trilha; e na própria BR-235, acessos, e ao mesmo tempo escape. 

Completando a jornada

Deixada a massa de peregrinos, ao fim da primeira etapa, na ermida, os com destino a Salvador terminam de subir a serra, entrando no município de Areia Branca, a partir da capelinha em cima da serra. Sempre tocando em frente.

Concluída a primeira etapa, com a celebração da Santa Missa, já à meia serra, na ermida de Santa Dulce dos Pobres, os peregrinos da grande jornada até Salvador, agora sob a coordenação da Associação Sergipana de Peregrinos, seguirão adiante, descortinando o belo horizonte de cima da montanha sagrada sergipana, até Areia Branca, depois Laranjeiras, enfim, seguindo pelos próximos 15 a 21 dias, em belíssimas paisagens, com praias maravilhosas, campinas exuberantes, belas colinas, e abundantes pontos turísticos, em Sergipe e na Bahia, até o Santuário de Santa Dulce, em Salvador.

Flagrante da jornada inaugural completa, em 2022, no local onde a Irmã Dulce demonstrou sua santidade futura, ao recolher enfermos extremamente necessitados.