sexta-feira, 3 de julho de 2026

DESUMANIDADE

 

Quando comprei o meu primeiro computador pessoal, em 1996, as bancas de jornais estavam repletas de revistas de informática. Programinhas DE GRAÇA para todos os gostos. Tinha até jogos (hoje, e “on line” quase só tem jogos).

Consumi os tais programinhas, alguns de excelsa utilidade, como os de C+++ e outros, que possibilitaram ao meu filho programar o primeiro site de Itabaiana, publicado por mim, em 26 de marco de 2001.

Mas em 2008, mudei o tom.

Entrei na internet em 1999, e em 2008 a lixaria digital já se agigantava, apesar da larapiada que hoje tomou conta do meio ainda ser raríssima. É que ela veio com força depois do smartphone. E foi aí, em 2008, que desisti de “me atualizar”, com novos e mais novos programas, restringindo-me apenas aos essenciais, e já com prazo vencido. Não dá para acompanhar a loucura da "novomania", a menos que eu me torne uma mera projeção idiota dos porta-algoritmos.

Logo, me tornei um dinossauro digital. Ainda uso CDs, pendrives, HDs... e só não uso disquete (Foi da sua época, hein?) por falta de insumos: discos e leitores. A "nuvem", só em ultimíssimo caso. Quero continuar com a ilusão que tenho alguma coisa, e "nuvem" é dos detentores, dos donos de ultra data centers.

A desumanização

Há três anos que vou me valendo da minha agência bancária.

Aposentado, necessitando fazer todo o ano, a prova de vida, além de saco cheio, de ter de dialogar com máquina, ainda me oferecem a tal prova de vida, “online”. Como se fosse um bocó, em busca de preencher o espírito com essas tralhas digitais. 

Ocorre que como quase todos da minha idade, tenho deficiências visuais, carecendo do uso de óculos. Que a máquina não enxerga. Não consegue me identificar, usando óculos. E como peste eu vou ler e digitar informações sem óculos?

Trabalhei no serviço público de saúde por 36 anos. Mais precisamente num laboratório clínico. Então, eu e colegas fazíamos tudo; inclusive recepção e cadastramento de clientes-contribuintes. Fazíamos uma ficha completa do paciente em dois minutos e meio. Atualmente, quando preciso ir a um laboratório realizar algum exame, para conferir o cadastro, exímias e experientes funcionárias levam cinco, entre acessos e conferências nas fichas digitais e outros badulaques.

Para a contabilidade e as estatísticas, ótimo! As totalizações em segundos, a um simples toque de dedo. Porém, quando se trata de gente, de carne, osso e alma, só promessas e amolação de paciência. Humilhação.

Em tempo: descontar um cheque no banco demorava menos de três minutos de atendimento. Pagar uma conta, o tempo que demora pagar o talão de água no correspondente bancário.

terça-feira, 30 de junho de 2026

RODOVIA BR-349. CONHECES?

 

A segunda ponte sobre o rio São Francisco será entre Neópolis e Penedo.
Já a primeira (acima), há tempos que existe. Em Bom Jesus da Lapa-BA.

É que a BR-349 tem origem em Brasília... e termina em Marechal Deodoro. No projeto.
Com pouco mais de 500 quilômetros asfaltados em território goiano e baiano, dos cerca dos 1.300 total; e menos de duzentos em Sergipe e Alagoas, a rodovia deveria recolocar Itabaiana como entroncamento nacional, ao compor com BR-235 um eixo rodoviário, senão da importância de Feira de Santana, porém semelhante. Contudo, seu traçado em Sergipe ainda é incerto. Aventando-se a hipótese, inclusive de logo chegar ao litoral, ao partir de Riachão do Dantas. Sem obviamente passar pelo restante do traçado da SE-170, de Riachão à Moita Bonita.
A seguir a lógica, a rodovia que liga Itabaiana à Moita Bonita - a SE-170 - por ela seria sobreposta a BR-349, a encontro da SE-335, até Neópolis.

É interessante que apenas em alguns trechos, todos sob administração dos Estados, tem acostamento.
A ponte, ora em construção, entre Neópolis e Penedo tende a ser um investimento doméstico; sem aspirações maiores, como próprio de assuntos provincianos.
E Sergipe continuará agarrado às areias da praia como caranguejo, sem atentar para a importância de desenvolver seu interior. Sem a sua segunda artéria de ligação norte-sul, implementada pelos conquistadores portugueses em 1600; mas nunca levada a sério.
A menos que o governo federal assuma a rodovia que projetou.
Das duas grandes estradas no século XVII, uma delas, desde Itapicuru, na Bahia, seguia justo o curso provável da BR-349, até Alagoas, hoje Marechal Deodoro, no estado de mesmo nome.