quinta-feira, 9 de julho de 2026

SINAIS DE GLÓRIA

 

Caminhão e tricolormania: uma sina serrana.

Em 1938 foi ano de boas colheitas, depois dos tristes anos de seca, especialmente 1932. E principalmente de grandes esperanças.

Fila da água salobra, no poço da Praça Fausto Cardoso(hoje sob o coreto), em 1932. Revista Noite Ilustrada de 26-05-1934, p.13, Rio de Janeiro-RJ.
A administração se encontrava sob o prefeito Silvio Teixeira, eleito em 1935. Na sua administração já estava consolidado o Cinema Popular, o Hospital Regional ainda não funcionava, mas sua imponência impressionava, bem como o Grupo Escolar Guilhermino Bezerra, inaugurado há dois anos, ali já funcionavam as primeiras turmas. As fofocaiadas da politicagem local, que antes explodiam nos jornais da capital, achavam-se sob controle do DIP, ou seja, da censura do Estado Novo. Estado Novo que acabara com a vila, como sede municipal, deixando tudo, doravante chamado de cidade.
Em 1937, duas construções robustas, um (o Grupo Escolar Guilhermino Bezerra) com funcionabilidade imediata, mudaram a paisagem atrasada de Itabaiana, estagnada há 300 anos.
O futuro prometia, e é nesse clima que, surge no dia 10 de julho de 1938 o Botafogo Sport Club; três meses depois, mudado para Itabaiana Sport Club, preservando as cores do Botafogo carioca. E, mudando a denominação para Associação Olímpica de Itabaiana, e as cores para as atuais, em 1950. 
Ainda com as cores do Botafogo carioca
As cores Vermelho e Azul e faixa branca é uma homenagem ao Brasil e Santa Cruz, primeiros clubes de futebol lá pelo início dos anos 1920
O tricolor serrano levaria 21 anos para conseguir o primeiro título regional do interior, porém, dez anos depois chegaria à maturidade, surpreendendo o Brasil ao se tornar Campeão do Nordeste, dois anos após, até hoje o único título nacional do futebol sergipano, mesmo que relativo à região Nordeste.
Se em 1938, a nova agremiação pungava nos bons momentos que então pairavam, em 1969 e anos seguintes, o clube amalgamou o espírito serrano para não esmorecer, num momento-chave da nossa história recente, conduzindo a cidade a resistir contra toda má sorte e até perseguição, para chegar ao que hoje é e mais promete para o futuro.

Parabéns, Associação Olímpica de Itabaiana; e todos os seus benfeitores, por esses 88 anos de glória!


(Texto baseado no original BREVE HISTÓRICO DA ASSOCIAÇÃO OLÍMPICA DE ITABAIANA. Por Antônio de Oliveira, patrimônio tricolor e itabaianense, completando 100 anos de nascimento, neste dia 11, depois do aniversário do clube a que tanto amor devotou) 

terça-feira, 7 de julho de 2026

A INAUGURACÃO

"Nossos amigos, e até nossos inimigos, precisam se sentir seguros. Precisam ir dormir, sabendo que o presidente está sentado nessa cadeira. Protegendo-os."

O conjunto, Residencial Prefeito Serapião Antônio de Gois, em ato de inauguração, no último dia 3 deste julho.
A política partidária, não deveria ser, mas acaba sendo um negócio. O topo das relações humanas. Sua alternativa, é a guerra; o mata-mata. Mas nem toda negociação política envolve usura, na forma de dinheiro ou qualquer espécie de bem. Na maioria das vezes é somente a busca pela segurança. Pertencimento.

Em Itabaiana, como em qualquer lugar do mundo, e em qualquer momento da história humana, sempre que houve instabilidade severa no comando, na liderança, houve hesitação da sociedade; medo. E até desesperança, o pior estágio mental do ser humano. Confirmando a frase com que abro esse artiguete, do filme, uma comédia americana dos anos 90, “Dave, presidente por um dia”. Estagnação.

O exemplo mais marcante é o da nossa história recente, depois de 1950. Golpes e contragolpes, na política serrana, cessaram desde então. Vinham eles, de desde a Proclamação da República. E não foram cessados com a estabilidade forçada do Estado Novo, onde houve um certo armistício, recomeçando as escaramuças logo após a queda de Getúlio Vargas, em 1945.

Entre 1890 e 1930, vinte e um prefeitos, então chamados de intendentes, mais ou menos, sob comando central de dois chefes políticos, se revezaram na administração de Itabaiana. Depois de duzentos anos de estagnação total.

No período pós-revolucionário de 1930, até 1935, seis prefeitos se apresentam, deles por apenas três meses.

A administração do jornalista Silvio Teixeira, a partir de 1935, confere certa estabilidade. Mesmo com a sua renúncia, em 1941, e substituição pelo candidato que derrotara em 1935, Manoel Francisco Teles. Mas o golpe que derrubou este, em 1945, retornou à instabilidade, com quatro prefeitos, entre 1945 e 16 de novembro 1947, quando toma posse Jason Correia, eleito em 19 de outubro, próximo passado.

Ali começou  estabilidade, mesmo que relativa.

Mapa da Fazenda Grande, de 1950, (em montagem sobre foto de onde foi a sede), mostra a imponência do investimento federal, e sua estrutura, que revolucionou a pequena agricultura, no Agreste de Itabaiana.

Foram momentos auspiciosos, com pesados investimentos federais, mormente com o apogeu do projeto do Posto Agropecuário da Fazenda Grande, que reprogramou a agricultura agresteira; e especialmente da construção do Colégio Estadual Murilo Braga, e início da construção da BR-235, a traqueia da economia itabaiananense.

A eleição, a seguir, da até hoje, maior liderança política na história itabaianense, Euclides Paes Mendonça, apesar da radicalização partidária que se seguiu, trouxe relativa estabilidade de comando, que se manifestou no esplendor de uma cidade que até então só tinha colhido decepções e estagnação. Não à toa, seu nome é tão lembrado quanto os das lideranças atuais, mesmo só tendo durado treze anos no comando, e desaparecido violenta e precocemente há quase 63 anos.

Itabaiana dobrou em dez anos: 1950-1960.

A morte de Euclides Paes Mendonça, deu um tremendo baque na cidade; mas a máquina do desenvolvimentismo já andava tão azeitada, que mesmo por vinte anos só tendo praticamente o seu sucessor, inicialmente num doloroso processo de consolidação, se firmado quase dez anos depois, o município se manteve em crescimento com a troca de comando, explodindo este nos últimos vinte anos.

O Serapião II

O Residencial, que está no limite urbano oriental máximo, conta com 214 unidades de padrão decente para uma família de baixa renda, com casas mais espaçosas e bem construídas; com instrumental necessário a uma população, com ruas pavimentadas a concreto, esgoto, água, quadra de esporte, e até uma biblioteca (abaixo), montada pela Secretaria de Municipal de Cultura. Um templo do saber.

A inauguração do Residencial Prefeito Serapião Antônio de Gois II, no último dia 03, mais que a mera inauguração, é também momento de celebrar a história e suas felizes coincidências. 

Depois de 75 anos de relativa estabilidade; de atravessar os comandos de Euclides Paes Mendonça, Francisco Teles de Mendonça e Luciano Bispo de Lima, ora estamos na fase Valmir dos Santos Costa. Com o privilégio de podermos, na mesma foto, ter três prefeitos: o líder maior e seus amigos, o atual prefeito, José Paes dos Santos, e o anterior, Adailton Rezende Souza.

Não deixa de ser um momento histórico, a cena rara de três administradores juntos, comemorando um projeto que começou com Adailton Souza, continuou sob Valmir Costa, e está entregue ao povo, pelo atual, José Paes dos Santos, o Zequinha da Cenoura. Desconhecemos tal nível de compartilhamento de momentos como esses em toda a história, logo registrados, em Itabaiana. Uma demonstração de maturidade política.

A própria obra, produto da política federal de habitação do Presidente Lula, e dos esforços do deputado federal Ícaro Costa, não teria vindo não fosse o espírito de agente público do então prefeito Adailton Souza, que foi continuado pelo sucessor, Valmir Costa, e ora inaugurada pelo atual, José Paes dos Santos.

O Residencial Prefeito Serapião Antônio de Góis, homenageia esse outro agente público por excelência, o ex-prefeito em Ribeirópolis e depois de Itabaiana, depois tabelião do Registro Civil por três décadas, desde sua última experiência administrativa. Um funcionário do povo, que criou a Festa do Caminhão e renomeou o bairro onde se assentado o sobredito Residencial.

Justiça feita.

Limite urbano (por enquanto) com direito a cheirinho do interior (zona rural), mesmo se residindo na cidade. Ao fundo a ex-Fazenda Grande compõe com a Itabaiana Grande a linha do horizonte.


segunda-feira, 6 de julho de 2026

OS RIACHOS SECOS DA CIDADE DE ITABAIANA

 

O sítio urbano atual espraia-se sobre um divisor de águas, com córregos e riachos, que adiante vão alimentar as barragens, que abastecem a cidade e os perímetros irrigados. Das barragens, uma delas, o Açude da Macela (planta; e não Marcela, pessoa), já se encontra envolvida pela zona urbana. 

Foto de 1986, por Walmir Almeida, mostra a cidade menor que hoje. Assinalado em círculos amarelo e vermelho as nascentes dos dois córregos, que formam o riacho e açude da Macela. O amarelo, onde hoje se encontra o campus da UFS; e o vermelho, na mesma avenida, início da Rua Manoel Teles de Mendonça.
Quando foi fundada, através da sua matriz, Santo Antônio de Itabaiana, foi num local rodeado de nascentes, de riachos secos, da microbacia do rio “Do Esconderijo (cova), do Jaguar”. Jaguar, na língua tupi, é onça em português. Ou simplesmente rio Jacaracica.
Por 250 anos a cidade quase nada cresceu. Porém, desde 1950, se espraiou, cobrindo essas nascentes secas, mas perfeitamente identificáveis nos dias atuais.
Devido à pouquíssima importância, quase ninguém as identifica; obviamente só lembrando de algo relacionado, quando sob efeito das esporádicas enchentes.
Ei-las aqui:

Nascença do riacho do Fuzil:

Acima, foto de 1995, o Tanque das Queimadas, hoje bairro, marcava a nascença do riacho do Fuzil, hoje quase todo dentro da zona urbana. O tanque, como visto na foto inferior, desapareceu.

Nascente do riacho doce

Ainda em processo de urbanização, porém já cercada pelo bairro que lhe toma o nome emprestado.

A nascente do riacho da Macela

O outrora tanque particular, na nascente do córrego da Macela I, jaz hoje, sob uma via de intenso movimento, entre a Escola Estadual Augusto César Leite e a Universidade Federal de Sergipe, Campus Alberto Carvalho, Itabaiana.

Nascença do riacho da Macela II

A esquina em frente (carros em movimento) é onde nasce o riacho Macela II, o primeiro barrado na zona suburbana, de 1848, quando construído o primeiro Tanque do Povo; depois, em 1864, com a construção do tradicional, maior, ainda na memória dos mais idosos, onde hoje se encontra o Mercadão. Tem sido o riacho mais rebelde em cheias, contra a imprudência de lhe fecharem o leito. Ora, acha-se canalizado, e em boa parte retificado.

Nascença do riacho Canabrava

O Tanque da Santa Cruz não mais existe. Desde 1970. Hoje sobre o local, uma quadra inteira, contígua à Praça de Eventos Etelvino Mendonça; mas, originalmente é aí que nasce o riacho da Canabrava, hoje, metade em zona urbana, deste ponto até a Rua Tarcísio Meneses Santos, confins do Loteamento Oscar Niemeyer.

Nascente do riacho do Barrado

Aqui, neste ponto da passagem da BR-235 fica a origem do riacho do Barrado. Hoje, completamente em zona urbana, canalizado, e por enquanto, sem nenhum tratamento; como o Canabrava, de quem é afluente, transformado em canal de esgoto.

Onde nasce o riacho do Batula

Jaz sob o aterro, do qual faz parte a futura matriz da Imaculada Conceição e São Lucas, no Bairro Miguel Teles de Mendonça, a nascente do riacho do Batula, também quase todo em sítio urbano, e transformado em esgoto.