sexta-feira, 21 de junho de 2013

Itabaiana, suas praças e suas árvores.


A polêmica agora criada com a história da reforma da Praça João Pessoa (veja aqui o convênio) para criar mais vagas pra carros se deve ao histórico das administrações municipais e suas respectivas fixações em destruírem praças e transformarem-nas em lajes de concreto.
O primeiro caso concreto de uma praça de Itabaiana transformada em laje foi a Praça Santo Antônio, desde 1960 convertida definitivamente em Largo. O segundo caso foi outro espaço também convertido em Largo, logo em laje de concreto, o Largo José do Prado Franco. Em ambos, funciona a Feira Livre.
Há também o memorável caso das praças que nunca foram. A Dom José Tomaz foi doada à Igreja que nela construiu o que é hoje o CTP. A Honório Mendonça, como a Prefeitura Municipal nunca indenizou negociadamente o dono do terreno, Dr. Gileno Almeida, este doou parte, quase toda à Associação Atlética de Itabaiana, criada por ele; parte foi vendida diretamente em lotes e em outra parte foi indenizado na marra já que a Prefeitura invadiu, doou terrenos ao INSS e aos Correios. E não pagou. Foi parar na Justiça com Dr. Gileno, naturalmente ganhando a causa, não sem algumas perdas. A Sebrão Sobrinho, essa é que nunca ninguém aventurou sequer negociar. E, como não houve invasão da Prefeitura, acabou sendo loteada. Houve ainda os casos peculiares da São Luiz, hoje renomeada para Sebrão Sobrinho, e que nunca foi do Município, porque terreno particular da família Teixeira e doado à Igreja; o caso da Praça João Pereira, cujo terreno foi doado junto com a parte onde hoje se assentam as escolas Airton Teles, Nestor Carvalho e Lenita Porto; e há o caso da José Francisco de Mendonça, no Conjunto Euclides Paes Mendonça, onde o Município construiu uma escola, depois saiu doando terrenos à Igreja, cuja última doação ocorreu no mês passado e a Praça vai encolher mais cinco metros, é o que dizem. Aliás, neste caso, existe a praça do Conjunto José Luiz Conceição onde mais da metade foi tomada pela Igreja na construção de outra paróquia.

A grande laje – a Praça de Eventos.

Desde que se estabeleceu no lugar onde foi a sede da fazendola de João Teixeira, pai de Oviedo e do prefeito Silvio Teixeira e avô de José Carlos Teixeira, que a hoje Praça de Eventos, oficialmente Praça Etelvino Mendonça passou a fazer parte das preocupações dos vários prefeitos: um pepino gigante a ser descascado. Até pra cimentar era complicado porque o maior espaço aberto urbano de Itabaiana. Em 1991 João Alves Filho foi reconduzido ao Governo do Estado, com votação maciça de Itabaiana na eleição de 1990; não tanto como em 1982, mas maciça. Em 1994 foi forçado pelas circunstâncias a apoiar Albano Franco que, ressalve-se, nunca foi bom de urna. Teve fim aí a urbanização da Praça de Eventos. O modelo, tipicamente ao gosto dos administradores de Itabaiana, como se vê no projeto original, baseado na laje; pelado. Como mera ilustração, árvores num triângulo na esquina das avenidas Manoel Teles com João Teixeira; metade da quadra onde hoje foi apropriada pelos topiqueiros e duas fileiras – não apenas uma como é hoje – de árvores ao redor do conjunto. Informaram-me na época em tom de ufanismo que era um projeto baseado numa praça na Califórnia, não sei se em San Diego, San Francisco ou outra cidade do grande estado americano. Ocorre que toda a Califórnia está numa latitude acima de 30 graus; logo, com níveis de insolação de metade do que temos no inverno e menos de um terço do que temos no verão. O Parque do Ibirapuera em São Paulo, capital, e o Central Park em Nova Iorque não são propriamente lajes de concreto; todavia a atividade cultural ali, incluindo megashows é intensa. Mas aqui preponderou a laje. Como se vê no projeto original aqui anexado, sequer a quantidade de árvores planejada foi plantada. Quase 30 mil metros quadrados com apenas míseras 102 árvores, quase todas arbustivas. Existem R$ 2.032.000,00 pré-contratados junto à Caixa Econômica (ainda depende de alguns detalhes pra serem liberados pelo Ministério do Turismo) para reforma da dita Praça. Ao que parece, nem projeto existe. Esperemos o que virá – e se virá – pela frente.

Na foto acima: projeto arquitetônico em 1994, antes da construção; o lugar onde seria o parquinho em 2009, já com os topiqueiros dela apossados; e em 1995, um ano depois da obra inaugurada.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

De vícios e embromações

É incrível o quanto o poder fiscalizador do Estado – um dos pilares do poder de Estado – tem se aviltado nas duas últimas décadas, deixando prosperar absurdos administrativos, cevados a mentiras e embromações de todos os tipos. 
Informa Diógenes Brayner, em sua coluna de Plenário, no faxaju que o prefeito de Salgado Duilio Siqueira encontrou o funcionalismo de seu Município com salário mínimo em 415 reais, quando de fato ele já é de 714 reais em todo o território nacional. E na semana passada, o radialista Rosalvo Soares falava sobre o mesmo drama em Santa Rosa de Lima em seu programa matutino, na FM Itabaiana. É simplesmente inacreditável a desonestidade, além da cara de pau dos prefeitos, que deixaram cair ou o mantém caído, o valor mínimo de remuneração de seus funcionários. Absolutamente nenhum município brasileiro da atualidade tem a menor justificativa para não pagar como manda a Lei.

Mais que Itabaiana, Lagarto ou Estância.

A divisão do bolo tributário feita pela União tentou reequilibrar o jogo de forças da Federação pelas finanças municipais através do FPM, mas acabou sendo involuntariamente por demais generosa com administradores desonestos. No caso dos municípios pequenos, pouco visíveis, isso é uma praga. Aos prantos eternos do “coitadinho”, sempre presentes nos municípios pequenos, se agregam a esperteza danosa do desperdício, da adinamia e até do roubo.
Os municípios brasileiros mais complicados de serem administrados são os exatamente dentro das características de Itabaiana: município médio-pequeno, entre 15 e 100 mil eleitores (25 a 150 mil habitantes); e que tenha natureza econômica predominante nos setores de serviços e comercial, ou agrícola; logo, município não industrial. Além do assédio do eleitorado bem mais próximo do administrador e quase sempre recheado de vícios seculares, a renda própria do município é sempre pífia, carecendo constantemente de aportes estaduais e federais, que também carecem de complicadas negociações e até mesmo da disponibilidade de recursos próprios, já que investimentos federais e estaduais na municipalidade exigem contrapartidas. Estas não chegam a tanto, uma vez que em cada uma delas - geralmente só dez por cento - de contrapartida feita pela Prefeitura, cinco deles voltam obrigatoriamente em forma de Imposto Sobre Serviços, o ISS; todavia, tem de ter inicialmente os dez por cento pra fechar a conta.
Comparando as rendas dos municípios de maior arrecadação em Sergipe, e tomando como base a execuções orçamentárias municipais brasileiras de 2011 (as de 2012 só serão publicados pela Secretaria do Tesouro Nacional em agosto)temos o seguinte quadro nas respectivas rendas tributárias:

  • Aracaju: renda de 1.021.671.488,20, população de 579.563 habitantes, renda per capita de R$ 1.762,83.
  • Nossa Senhora do Socorro: renda de 148.921.993,17, população de 163.047 habitantes, renda per capita de R$ 913,37.
  • Canindé do São Francisco: renda de R$ 101.863.707,37, população de 25.219 habitantes, renda per capita de R$ 4.039,16.
  • Lagarto: renda de 109.294.976,36, população de 95.746 habitantes, renda per capita de R$ 1.141,51.
  • Estância: renda de 108.086.707,22, população de 64.825 habitantes, renda per capita de R$ 1.667,36.
  • Itabaiana: renda de 98.028.587,34, população de 87.747 habitantes, renda per capita de R$ 1.117,17.
  • Carmópolis: renda de R$ 75.184.503,29, população de 13.822 habitantes, renda per capita de R$ 5.439,48. 
  • Rosário do Catete: renda de R$ 53.646.026,78, população de 9.384 habitantes, renda per capita de R$ 5.716,75. 

Como se pode ver, em Sergipe (o comparativo com os demais municípios não é muito diferente), exceto Canindé, Carmópolis e Rosário do Catete, municípios como Salgado 26.376.462,35 para 19.403 habitantes (R$ 1.359,40 per capita) e Santa Rosa, 11.060.273,65 para 3.761 habitantes (R$ 2.940,78 per capita), estão em bem melhores condições de melhor pagarem aos seus barnabés que os maiores e de renda total maior.  Até mesmo que a capital, Aracaju. Salgado é 36º dentre os 75 municípios sergipanos (ver tabela, abaixo) e Santa Rosa de Lima, o sétimo que melhor arrecada. Leve-se em conta que no caso de Santa Rosa de Lima, sua população praticamente toda na zona urbana dispensa maiores investimentos dispersos pelo pequeno município. É um escândalo que não pague seu funcionalismo conforme a Lei, ou crie artifícios para reduzir a qualificação da massa salarial.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Porque parou? Parou por quê?


Quase todos os dias eu passo por baixo de três belas árvores (as da foto à esquerda). Uma benção! Além da beleza que ostentam em conjunto com o ambiente, nos presenteia com sombra e frescor. Isso num lugar de altíssimo índice de raios UV (índice ultravioleta próximo de 10), que tem um dos mais altos índices de câncer de pele de Sergipe e, claro, também do Brasil. Acompanhei seus crescimentos desde o transplante, uma iniciativa da direção do SENAC, localizado neste muro à direita com cercas elétricas. Torci pelo seu sucesso, e hoje, o conjunto formado pelas esquinas das ruas Quintino Bocaiúva com Pedro Diniz Gonçalves (Pedrinho do Brejo) é um pequeno pedaço urbano de Itabaiana formidável, especialmente quando com ele se compõe ao longe a Serra de Itabaiana, na direção Leste. Claro, contribui para isso o próprio projeto da sede do SENAC, arborizada, com seus flamboyants quase sempre floridos e, salvo engano neste momento, até mangueiras tem ali presente. Mas o lamentável é que apenas três árvores foram plantadas na calçada de quase dois metros de largura, e que, em conjunto com a contígua do Ginásio de Esportes Augusto Franco, do SESI(vê foto à direita), tem mais de 150 metros disponíveis, sem nenhum proprietário de "bacias" (êta gostinho arquitetônico miserável!) a querer cortar as plantas para mostrarem suas "conquistas" através de suas "mansões", como disse, de gosto arquitetônico pra lá de brega. Aí a pergunta: Porque não plantar no resto da calçada? Nos demais 150 metros? Em tempo: a direção do SENAC demonstra bom gosto e urbanidade da mesma forma que a direção do Ginásio do SESI, onde em relação a ambas, não me canso de elogiar o cuidado, o zelo com as instalações, a começar de seus respectivos gramados, como o do SESI, na foto à direita, sempre verdinho e limpo. Ao menos nos espaços públicos, um pouco de urbanidade. Então, por que somente três? Porque parou nas três?

segunda-feira, 3 de junho de 2013

É coisa de bandido!

Foto: crédito Leonardo Dias, Itnet (clique pra ler a reportagem)


Não se trata mais de pirraça de adolescente mal educado; de querer por querer incomodar. Não se trata de garotões deslumbrados com o crime, apenas, brincando de mocinho e bandido, de índio e branco, de samurai ou homens maus. O modus operandi denuncia que se trata de gangues; organizadas para qualquer fim. Coordenadas. Formação de quadrilha. O esquema de replicância usado durante toda a noite do sábado (parava numa região da cidade e começava em outra) pra despistar a polícia; as tábuas cheias de pregos para impedir a ação das viaturas policiais, a sincronia das baterias de badernas, não deixam dúvidas: é coisa de gangue. Ou o Estado age, ou perde completamente o controle. Vamos virar uma grande Rocinha ou Vidigal. Aqui já houve figurão da política avisando bandido pra fugir da polícia; pareceu caso isolado. Cabo eleitoral, vereador, prefeito e até deputado porta de cadeia nunca foi difícil de encontrar por aqui. Porém, tudo parecia com certo controle. Mas a resistência de algumas formas de ações criminosas, a naturalização do crime, tudo isso demonstra que estamos perto de perder o controle – se já não o perdemos. Sinceramente, Sergipe é muito pequeno e, em particular a Itabaiana como região pra que se deixe isso acontecer.
Em tempo: coibir baderna é obrigação da Polícia Militar; mas preveni-la, matá-la no ninho, antes de nascer, seja por punição desde o início, seja por dissuasão, isso é coisa da Polícia "técnica".

terça-feira, 28 de maio de 2013

Dois anos de uma revolução ainda não percebida.

Jerusalém foi refundada como capital do povo hebreu há cerca de três mil anos atrás. Desde então, nunca deixou de ser a referência deste povo, do qual, em boa parte, nós brasileiros descendemos, e especialmente nós itabaianenses. Mas os hebreus nunca pararam quietos num só lugar. Em linhas gerais, exceto com os atrozes assírios, espanhóis de Izabel e Fernando e nazistas de Hitler, sempre se deram bem com todos os impérios. E por um motivo simples: hebreus, depois judeus, sempre foram comerciantes e prestadores de serviços. E, neste caso, quanto maior a área em que se pode atuar e quanto maior a estabilidade política nela, melhor. Eis porque há judeus pretos, louros, morenos, mongólicos e brancos, naturalmente, espalhados por quatro dos cinco continentes. Todos eles, porém, preservaram sua identidade racial graças a dois símbolos poderosíssimos: a Torá, ou o dito Velho Testamento cristão; e a mítica cidade de Jerusalém.
Jerusalém é uma cidade hipoteticamente fadada ao insucesso. Não está às margens de um grande rio, muito menos à beira mar. Encravada numa região agreste, tem pouquíssima água e, quando foi fundada e até os anos de Salomão era um centro exponencial devido ao pequeno tamanho e à natureza da economia da época onde todo mundo que circulava entre os ricos Egito e Mesopotâmia, por ela tinha de passar. Mas com o passar dos anos, já no reinado de Salomão que os judeus começaram uma grande diáspora pelo mundo, então influenciado pelos fenícios, desde a Ásia Menor (atual Turquia) até a Espanha. O Mediterrâneo foi primeiro um “Mare nostrum” dos fenícios e judeus que dos romanos. Quando Saulo, auto nominado de Paulo de Tarso escreve às sete Igrejas da Ásia, está justamente se dirigindo aos judeus ali fixados desde os tempos salomônicos; mas, nessa mesma época, os judeus já eram grandes comerciantes em ligação com a poderosíssima Roma, desde as cidades da Índia. Logo, já se estendiam da Índia à Sefarad, hoje Espanha.
Longe, muito longe; a quilômetros-luz da situação de Jerusalém, Itabaiana tem sido para os itabaianenses o que Jerusalém tem sido ao longo de três séculos para judeus de todo o mundo. Uma referência. Um lugar onde sequer é visitado pelos “estrangeiros”, mas que volta e meia é lembrado pelas gerações que se sucedem, às vezes até a quarta ou quinta, dos dela emigrados. Não há dados em que confiantemente se possa basear, mas é possível que a população nascida em Itabaiana e sua descendência até segundo grau, espalhada pelo país, seja maior na atualidade do que a residente no município. Metade desse contingente vivendo na capital do estado de Sergipe, Aracaju. A curta experiência de polo agregador, de atração da migração, experimentado entre as décadas de 50 e 70, desapareceu desde a década de 80 do século próximo passado; e na década de 90 houve forte queda nas expectativas de crescimento que se mantiveram com suave melhoria na primeira década deste século. O motivo é simples: a economia. Como os nossos ancestrais judaicos que até nós chegaram como cristãos-novos, somos comerciantes e prestadores de serviços. Foi justamente durante o período de crescimento da produção agrícola, verificado entre as décadas de 50 e 70 que o município realmente experimentou crescimento. A saída contínua em busca de mercado de trabalho, contudo, tem feito sofrível o crescimento populacional atual do município como um todo, mesmo que a cidade continue a se expandir.
Há tempos que se tenta alguma forma de congregar os milhares de itabaianenses: os que se vão e os que ficam. Todavia, a ausência de um impresso perene, seja jornal ou revista nunca facilitou essa tarefa. Ao contrário, sua ausência mais ajudou a dissipar, à medida que as gerações se sucedem e mais se distanciam consanguineamente.  Um fato novo, porém, veio dar um alento na tentativa de reatar laços rompidos pela necessidade de sobrevivência e progresso pessoal de cada itabaianense, especialmente dos que partiram em relação aos que ficaram: a internet. Ainda hoje vibro de alegria com os primeiros e-mails recebidos de itabaianenses residindo nos quatro cantos do mundo, bem como de pessoas que conosco conviveram por algum tempo e depois retornaram aos seus lugares de origem. Isso ocorreu quando pus o primeiro portal de internet de Itabaiana no ar em 2001. Foram vários pedidos pra localizar parentes e amigos, muitos até que já não viviam ou haviam se mudado para outras localidades. Um festival de informações solicitadas de gente com saudade do torrão onde nasceu e se criou. Mesmo meu portal tendo tido vida efêmera, ao sair do ar ele já deixou como filhos os portais da Câmara Municipal e da CDL e como espelho o Itnet que ainda hoje aí está, e que continuou a receber o mesmo tipo de solicitação. Mas de dois anos pra cá a coisa ficou mais dinâmica. Não se trata mais daquele e-mail que depende da disponibilidade e vontade de quem manda e da vontade de responder ou ajudar de quem receber; agora a coisa é quente, ao vivo, direto, agora é o fenômeno Rede Social; essa magnífica ferramenta da internet que não para de inovar.
No dia 28 de maio de 2011 eu fique chateado: uma reunião com pesos pesados da cultura sergipana como o presidente da SEGRASE, Jorge Carvalho e do grande e saudoso Luiz Antônio Barreto e pesos pesados da cultura itabaianense, para a qual fui convidado de próximo, à ela não pude comparecer. É que eu estava com viagem marcada, inclusive dependendo de terceiros para um roteiro que incluía entre outras localidades, a cidade de Itapicuru. A velha vila do Itapicuru onde foi traçado parte do destino da Independência de Sergipe que teve Itabaiana como pivô. Não fui à reunião. Dela, porém restou uma ideia; um grupo de itabaianenses a por em marcha a cultura local de forma organizada, vivaz, não sujeita, pois, aos tantos trancos que tal essência social tem quando numa terra aonde tanta gente sempre vai embora. Inicialmente a ideia era apenas um grupo como grupo qualquer. O que no meu íntimo logo temi pela sua continuidade. Mas era impossível não se contaminar com a fibra de guerreiro cultural de Luiz Antonio, bem como a disposição dos que então o acompanhavam. Mas a certeza de que isso renderia; de que o Itabaiana Grande não seria mais um daqueles grupos que no passado tanto se criou para logo fenecer, foi quando na segunda reunião Robério Santos anunciou a criação do grupo no Facebook, bem como se delineou ali suas diretrizes: agregar itabaianenses em qualquer lugar do mundo pelas suas memórias. Vida! Cultura viva. Gente trocando experiências vividas; reforçando a história oral, dando testemunho de pedaços na história escrita, contando sua própria história; enfim, reunindo na internet uma Itabaiana, não mais e apenas física, geográfica e entre suas serras; mas em todo o mundo onde se encontre alguém que aqui nasceu ou que nasceu de alguém que aqui nasceu. Desde então milhares de fotografias, pessoais, familiares, de grupos outros, paisagens antigas... fantástico! Já em seguida aquele esplêndido 28 de maio de 2011 surgiu em outubro seguinte a Bienal 2011, a primeira feira de cultura erudita num lugar que teve seu primeiro prédio escolar construído apenas em 1936, 260 anos depois de fundado, e melhor, vários autores da terra expondo seus trabalhos. Para coroar o momento, instalamos mais um grupo de cultura erudita, a Academia Itabaianense de Letras que neste próximo dia 31 terá sua primeira sessão de posse solene de membro, no caso do médico e escritor Antônio Samarone Santana, principal estimulador e um dos fundadores do grupo-pai, o Itabaiana Grande.
Só temos a comemorar. Meus parabéns ao Antônio Samarone por ter sido o pivô dessa ideia tão bem sucedida; e ao Robério Santos por ter tido a visão da grandeza do que se poderia ter nessa missão ao incluir o povo mediante o grupo na rede social via Facebook; e pela dedicação e intenso trabalho neste que é um trabalho estritamente voluntário, pouco importando o lucro maior obtido, que é a satisfação do servir. Parabéns, Itabaiana Grande, pelos seus dois anos neste dia 28 de maio de 2013. Não somos a Jerusalém com seu Muro e suas relíquias, também há quatro séculos que nossos ancestrais cristãos-novos não suportarando a tirania da Inquisição deitaram fora suas raízes pela sobrevivência; mas temos a Serra, Santo Antônio, a Associação Olímpica de Itabaiana e nossa história que cada vez mais se recupera. Não temos uma religião que nos una em todo o mundo através de seu livro sagrado, mas agora, modestamente temos as redes sociais, e, para nelas começar, o grupo Itabaiana Grande.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Os prefeitos das praças.


No início dos anos 90 Itabaiana fervia de boas expectativas. A estagnação da agricultura tradicional, manual, calcada na policultura de gêneros alimentícios havia sofrido amargamente com dois fenômenos dos anos 70 e principalmente 80: a inflação galopante e a concorrência predatória do agronegócio, muito agressivo, competitivo e competente que o velho plantation. Foi o agronegócio quem sepultou a secular cultura do algodão de Itabaiana, depois a do feijão, do milho e por tabela a da produção de farinha de mandioca, esta, base alimentar do brasileiro até início do século XX, porém tendo resistido no Nordeste até os anos 70. Ficou impossível competir com o arroz barato; e com o milho e o feijão do agronegócio. Pois bem, em 1986 inauguramos as barragens e aí vieram estradas na zona rural, energia, mais escolas, postos de saúde que não funcionaram de pronto, mas estavam lá. E a política também mudou. Aliás, quase muda; mas o fato é que em 1990, Itabaiana transpirava futuro. E quem capitalizou tudo isso? Luciano Bispo de Lima, parte ativa no processo, mas, como Euclides Paes Mendonça, muito mais beneficiário dele. Chateados com o sucesso do novo prefeito, o eleitorado chiquista lhe pôs o apelido de “prefeito das praças”. Que, claro, soou como elogio, já que “quando o cavalo está carregado de açúcar, até o rabo é doce”.
Mas a mania das praças vem de bem antes de Luciano Bispo. De fato ela começa com a transformação da velha e secular Rua da Tenda, saída para a antiga capital, São Cristóvão, em Praça Pinheiro Machado, pela Lei 90 de 12 de julho de 1916, pouco depois do assassinato do avô do radialista Francis de Andrade pela polícia do coronel Sebrão. A Lei é a mesma que também nomeou o Beco Novo com o nome do Coronel Sebrão. Com a inauguração da Rodagem para Laranjeiras, que entrava na cidade pelo lado leste - frente do Banese - em 1° de abril de 1928, em 11 do mesmo abril, a Lei 111 (do período da República Velha) renomeou a praça para Coronel Manuel Dantas, o governador que fez a inauguração. E Pinheiro Machado, ainda vivo politicamente ganhou a Rua de Macambira como homenagem.  Em data incerta, contudo, a esperteza politiqueira a renomeou para João Pessoa, nome que preserva até hoje. Ou seja, a Praça João Pessoa já foi iniciada com o populismo de Sebrão que pra mais dar-lhe o tom deu-lhe o nome de Pinheiro Machado. É que o senador Pinheiro Machado era no início do século XX, o cara que, do Congresso mandava em tudo. Uma espécie de Antônio Carlos Magalhães do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. E o populismo interesseiro foi mantido para puxar o saco de Manuel Dantas; e depois do Governo Getúlio Vargas.
Todos os prefeitos desde Silvio Teixeira mexeram em alguma praça; todos. Desde a simples troca de arborização à transformação completa, como fez Maria Mendonça na Praça João Pereira. Mas a menina dos olhos de todos sempre foram as Praças Fausto Cardoso e João Pessoa, por motivos óbvios. Mexeram na Praça João Pessoa: Sílvio Teixeira, Manoel Teles, Euclides Paes Mendonça, Vicente Machado Menezes, Antonio José da Cruz, Antônio Teles de Mendonça e Luciano Bispo de Lima. Este duas vezes: a primeira em que pavimentou a praça com pedra portuguesa, inclusive seu interior, ainda na piçarra; mudou a iluminação, pôs uma fonte no monumento à Apolo XI, que nunca funcionou, e os quiosques; na segunda que mudou toda a arborização da mesma, retirando as velhas algarobas e substituindo-as pelas atuais. Mas a grande obra de Luciano Bispo em praça foi a repetição de Euclides Paes Mendonça: a Praça Fausto Cardoso com sua pavimentação a pedra portuguesa e calçadão em frente à bissecular Igreja Matriz de Santo Antônio. Observando à distância, 24 anos depois, fica cada vez mais evidente que alguém cutucou Luciano, que Euclides iniciou sua fama de desenvolvimentista pela reforma da Praça Fausto Cardoso. E ele fez o mesmo.
A primeira grande obra de Manoel Teles foi a primeira tentativa de urbanizar a Praça João Pessoa. A primeira grande obra de Euclides Paes Mendonça foi urbanizar de fato a Praça Fausto Cardoso. A primeira grande obra de Luciano Bispo foi justamente reformar a dita praça, dando-lhes os ares atuais. Vai ver que Valmir dos Santos Costa, aproveitando o convênio feito pelo próprio Luciano também quer impor sua marca pracista desde o início do mandato, com mais uma reforma na Praça João Pessoa, já que isso vem configurando sucesso político vindouro. Em que pese Manoel Teles não ter sido tão bem sucedido.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Democracia ditatorial.

No Brasil, padecemos de males de origem que parecem não ter fim. Um deles, talvez o pior de todos é a falta de participação popular; o que atinge em cheio a democracia, logo o debate e o consenso consciente e consequente aceite racional de decisões tomadas. Ao contrário, assentimos a tudo, mas não nos identificamos com nada, e, claro, não nos sentimos compromissados com nada. Logo, mantemo-nos como nos primeiros tempos se mantiveram imigrantes judeus, ciganos e pretos escravizados, ou os indígenas, autóctones: à margem. Meros espectadores e ou aproveitadores, quando a situação assim nos permite. Como por exemplo: trocar o voto por qualquer coisa menor como se fôssemos afogados em plena agonia, matando até o nosso salvador. E resistimos a qualquer situação que demande discussão, dissenso, logo debate para em seguida vir a força do convencimento por vontade da maioria. Indiferença é o lema.
Hoje, 13 de maio, pela manhã me chamou a atenção um carro de som com uma propaganda da Prefeitura Municipal de Itabaiana que por mim passou, já próximo ao meio-dia. A emissão era de um convite da Municipalidade para que os cidadãos de Itabaiana compareçam neste dia 14 ao auditório da UFS, campus de Itabaiana, para a 5ª Conferência Municipal da Cidade. Ora, pra mim seria um espanto, porque nunca ouvi falar em nenhuma outra. Seria. Mas conheço minha cidade que é modelo das cidades típicas do Brasil velho. Aquele formado lá nos séculos XVII e XVIII e que ainda se mantém com um pé na Idade Média, em que pese usar o Facebook, Orkut, e muito bem operar os moderníssimos telefones celulares. Voltando à dita Conferência, não se trata de um assuntinho qualquer. Pressupostamente ali se determinará o que se quer fazer com a cidade e o município nos próximos anos. Logo, não é coisa pra se discutir em duas ou três horas de loas vazias, pró-forma, meramente pra preencher os requisitos do Ministério das Cidades e com isso capacitar-se a receber verbas. Itabaiana tem um monte de instituições civis, sejam as de classe, sejam as religiosas, sejam as mais generalizadas, como as associações de moradores. O correto seria determinar um ciclo de pelo menos três semanas para que essas entidades, inclusive com direito a assessoria do Poder Público, incluindo aí o Ministério Público discutissem seus problemas e com isso fizessem uma Paula de reivindicações e sugestões para, aí, sim serem discutidas em dois ou três dias por delegados escolhidos das mesmas, junto às autoridades. No mínimo isso gera consciência de cidadania; de dever para com a cidade, com suas instituições, com seu futuro. Não! Pra meramente fazer uma meia-sola, cria-se um falso fórum onde só comparecerão um ou dois cri-cris, algumas dezenas de puxa sacos, se muito, uma dezena dos velhos esperançosos de sempre; e de concreto? Uma ata pra enviar pro Ministério das Cidades, ou a lá quem for mostrando que tá tudo ok; já podem mandar o dinheiro.
Esses modelos impostos de cima pra baixo desde o Governo Itamar Franco, mantido por FHC, por Lula e agora pela atual Presidência, sinceramente, é uma escola de cinismo que não tem tamanho; por mais recheados de boas intenções que sejam. Parece aquela cantilena de parte substancial da classe média americana que de fato acredita que seus “marines” que estão matando gente no Oriente Médio não é por conta do petróleo; e sim de implantar a democracia para “aqueles pobres coitados”. Iniciou-se com a história dos conselhos e as municipalizações. De fato vem junto com o advento das Agências reguladoras que não regulam absolutamente nada, já que as galinhas são entregues às raposas. Tem tanto do conselho que não há conselheiros suficientes: Saúde, Educação, Ação Social e mais outros que agora me fogem à memória. Em cidades muito pequenas não há gente disponível e disposta para materializar um conselho; imagina cinco ou dez. Então, parte-se para as aparências. A velha hipocrisia do dia a dia brasileiro, e que tantos prejuízos tem causado a este país. A democracia imposta. Todos fazem de conta que. Até explodir a próxima crise institucional.
Ainda sobre a nossa Conferência Municipal, fosse o governo municipal realmente democrático teria convocado uma série de reuniões locais para preparar à grande conferência; e os partidos que lhe fazem oposição, se fossem democráticos e compromissados com o povo e seu futuro, estariam entrando de imediato na Justiça com um pedido de suspensão do evento para reconsideração e óbvio enquadramento no que requer evento de tal natureza. Mas, como por aqui todos calam diante dos erros dos outros para assegurar impunidade aos seus próprios, e ao mesmo tempo faturar em cima deles, os erros alheios, vamos continuar como dantes no quartel de Abrantes.