sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Sessão recordar é viver - Velhas sabedorias pop(II)

Brasil, Cazuza

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convercer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes d'eu nascer

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha

Brasil mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil qual é o teu negócio
Em nome do teu sócio
Confia em mim

Não me sortearam
a garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim
Ver TV a cores
na Taba de um índio
Programada pra
Só dizer sim, sim

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Crise de identidade

Apesar de verdade seletiva, como aliás tem sido quase todas as matérias políticas do Grupo Folha de São Paulo nos últimos tempos, uma meia verdade, portanto; mas é verdade nua e crua o disposto na matéria da Folha on line do último dia 06 (clique aqui para ler). Obviamente que o pau canta nas costas dos de sempre: políticos do PT, juízes sem pedigree e políticos do Nordeste em geral, mas não deixa de ser verdade, mesmo que pela metade.
A vinda do Desembargador Artêmio Barreto (ver materia no blog de Aninha Mendonça) – salvo lapso ou confusão na informação prestada pela Prefeitura Municipal de Itabaiana – tem um pouco da matéria da Folha: fogueira de vaidades. Nada contra uma autoridade judicial visitar a cidade, aliás, melhor seria que todas elas aqui residissem, entretanto, se o governador em exercício vem para “vistoriar obras”... fica um pouco esquisito até para o decoro do cargo já que o mesmo é por natureza substituto do substituto, uma exigência legal e necessária, mas daí a bancar o obreiro, sinceramente não há sentido.
Mesmo que a tal vistoria seja em obra do judiciário, aqui, pela efemeridade e natural descolamento da situação não é o governador em exercício quem deve aparecer e sim o presidente do Tribunal de Justiça do Estado.
Obviamente que o governador em exercício jamais será lembrado por visitar canteiro de obras em Itabaiana ou qualquer outro lugar, e sim, pelos anais, por ter assumido o governo de Sergipe.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Sessão recordar é viver - Velhas sabedorias pop

Não Leve Flores
Belchior, Antônio Carlos Gomes (...) Fontenelle Fernandes - discos WEA (P
1976)

Não cante vitória muito cedo, não.
Nem leve flores para a
cova do inimigo,
que as lágrimas do jovem
são fortes como um
segredo:
podem fazer renascer um mal antigo.

Tudo poderia ter mudado, sim,
pelo trabalho que fizemos - tu e eu.
Mas o dinheiro é cruel
e um vento forte levou os amigos
para longe das conversas, dos cafés e dos abrigos,
e nossa esperança de jovens não aconteceu, não, não.

Palavra e som são meus caminhos pra ser livre, e eu sigo, sim.
Faço o destino com o suor de minha mão.
Bebi, conversei com os amigos
ao redor de minha mesa
e não deixei meu cigarro se apagar pela tristeza.
- Sempre é dia de ironia no meu coração.

Tenho falado à minha garota:
- Meu bem, difícil é saber o que acontecerá.
Mas eu agradeço ao tempo.
o inimigo eu já conheço.
Sei seu nome, sei seu rosto, residência e endereço.
A voz resiste. A fala insiste: você me ouvirá.
A voz resiste. A fala insiste: quem viver verá.

Qual é a de Déda?

Tá no Faxaju (aqui) que o governador Marcelo Deda esteve na quadra da Mangueira no último sábado juntamente com José Eduardo Dutra, presidente da BR Distribuidora e mais um time de figuras ligadas a promoção publicitária. Que estaria querendo o governador de Sergipe? Diversão? Promoção pessoal? Ou tentando algum recurso publicitário para o anêmico, quase inexistente turismo de Sergipe, através de uma das várias vitrines cariocas, como tem feito outro Estados e até países, como a Venezuela recentemente.
Em matéria carnavalesca Aracaju tem o melhor carnaval baiano fora de época do Brasil. É de fazer corar o banqueiro Barão de Maruim (inventor da cidade) e seu esforço – regado a copiosas propinas a autoridades baianas e sergipanas - para libertar de fato Sergipe da Bahia. Óbvio, ao turista interessaria Sergipe. Em se tratando de Bahia ele vai ver o original.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Quanto de dinheiro federal Maria terá (por enquanto) em 2008

Ao apagar das luzes de 2007 a prefeita Maria Mendonça conseguiu em Brasília a assinatura de contratos em vários ministérios que, juntos, somam a importância de R$ 3.436.150,00. Somados aos já existentes - pagos, porém, pelo que indicam as não conclusões, ainda pendentes - o valor total executável sobe para R$ 6.393.021,75, só em recursos oriundos da União.
Foram contratados no último dia 24 de dezembro os seguintes itens:
Pórtico na BR-235, acesso a Itabaiana (acreditamos que na ponte do Rio das Pedras, início do território do atual município): 195.000,00
Urbanização no Bairro Amâncio Oliveira (o bairro é a área entre o cemitério Santo Antonio e avenida do hospital, pelo lado esquerdo da Av Luiz Magalhães, sentido saída para Aracaju): 97.500,00.
No dia 26 foi firmado um novo para Construção/reparo de Escolas: 700.000,00
E no dia 31 o jumbo de 2.000.000,00 para Urbanização dos conjuntos da Fazenda Grande (Maria do Carmo, Miguel Pedro, e etc.).
Ainda há pendentes para execução os seguintes:
Calçamentos (genérico) 443.650,00;
Equipamentos de micro agro-indústria 40.878,00;
Agricultura orgânica 86.250,00;
Mecanização agrícola 438.750,00;
Melhorias sanitárias (restos a pagar das melhorias antigamente feitas pelo SESP como fossas, etc.) 80.000,00;
Calçamento e drenagem (restos) 141.618,75 ;
Praça no Bairro Santo Antonio (tudo indica que de fato, o Largo Simão Dias, na confluência dos bairros Mamede Paes Mendonça e Sitio Porto com o Centro): 219.375,00; e
Matadouro Municipal no povoado Roncador: 1.950.000,00.
Informa o SIAFI que nestes dois últimos casos o dinheiro já foi todo depositado na conta da Prefeitura, apesar da Caixa Econômica deixar a dúvida se os mesmos valores estão cem por cento liberados ou se estão sob bloqueio.
Já é uma grande melhora em relação aos outros anos da atual administração, porém ainda bem inferior aos quase dez milhões (atualizados) conseguidos em 2000 por Luciano Bispo. Também, mesmo com esse aporte de recursos, salvo uma compensação por parte do governo estadual, ainda será uma média abaixo da média dos dois mandatos de Luciano Bispo (apesar das então constantes perdas), mesmo descontada a torrente da era do eletro-cheque de 1998 (algo como 23 milhões de reais atualizados), e bem abaixo da possibilidade de alocação de verbas federais e da necessidade. Por exemplo, continuam sem serem contemplados os povoados já com formação urbana como o Carrilho, a Mangabeira, Terra Dura, Cabeça do Russo, Mangueira, Gameleira, Barro Preto, Lagoa do Forno, São José, entre outros, além do crescimento verificado noutros já com alguma urbanização como Ribeira, Bom Jardim, Cajaíba e o pior cartão postal de Itabaiana atual: o povoado Mundés, e seu aspecto de cidade do oeste americano com direito às nuvens de poeira do começo ao fim, quase na entrada do município na ligação com a Capital, e explodindo em crescimento sem planejamento nem infra-estrutura alguma. Também ainda é pouco diante do crescimento urbano observado nos bairros Sitio Porto, no José Milton Machado (Coruja), e Marianga. Logo, parece que continuaremos bem distante de por em dias a urbanização no município.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Leão sossegado?

Em conversa com um colega de mídia neste fim de semana o mesmo chamou a atenção para a aparente maré mansa da fiscalização estadual no comércio local. Arriscou o mesmo que talvez se deva tal comportamento a uma preparação ao certame eleitoral deste ano. Nunca se sabe, né? É melhor não agitar a galera.
Talvez ele tenha razão quanto a um abrandamento dos fiscais da SEFAZ, entretanto, pelos números e pela história imediatamente pregressa parece que não procede tal cisma.
O histórico de repasses ao município, em geral segue o de arrecadação. Esta, por sua vez, não apresenta grande variação, até mesmo porque quase todo o ICMS arrecadado em Itabaiana provém do consumo de serviços como água, luz e telefone. Impostos altíssimos e "insonegáveis". Para ilustrar, um outro item - quase "insonegável" - na cesta de rendas repassadas ao município, o IPVA, sozinho corresponde historicamente a mais de vinte e dois por cento de toda a arrecadação municipal com repasses do Estado. Como outro exemplo, somente as oito mil linhas telefônicas fixas de Itabaiana rendem por volta de um milhão e duzentos mil reais em ICMS por ano. (que a Prefeitura não saiba, mas a cobrança de uso dos postes para linhas telefônicas feita pela Energipe dá uma dinheirama extra à esta e, salvo engano, a viúva municipal não pega absolutamente nada por isso. Aqui, em Itabaiana, claro. E nós, os manés, pagamos a TIP, CIP ou seja que diacho for.)
Entre 2000 e 2004 o município perdeu posições no ranking do Estado como bem se vê pelos repasses. Em 2001 o município estava em oitavo lugar, recebendo 1,64% de todos os repasses de ICMS feito pelo Tesouro Estadual. Em 2004 caiu para 11º no Estado e, pior, continuou a cair até chegar em 2006 em 13º com participação total no bolo de apenas de 1,004% no total repassado que, repito, guarda proporção direta com o total arrecadado.
Em 2001, com repasses de R$ 2.469.849,20, Itabaiana estava atrás de Aracaju (R$ 35.663.875,08) Canindé do São Francisco (R$ 26.728.355,27), Laranjeiras (9.188.624,78), Estância (7.869.712,17), Nossa Senhora do Socorro (7.169.265, 68), Rosário do Catete (5.001.641,89), Lagarto (3.584.714,26) e Itaporanga d’Ajuda (2.530.261,74).
Em 2006 adicionaram-se à lista de mais aquinhoados: Japaratuba, Carmópolis, Capela, Riachuelo e São Cristóvão.
É uma situação parecida à do fim do século XIX (1896), não totalmente igual apenas pela inexistência na atual lista das então pujantes economias de Frei Paulo, Propriá e Maruim, enquanto que aqui, na atualidade entram outros municípios bem mais novos como Canindé e Carmópolis.
Voltando ao viés político é provável que o meu colega esteja errado porque o último governo João Alves demonstrou que, mesmo esperneando, a maior parte do comércio itabaianense – a força econômica mais importante daqui – nem ta aí para as supostas perseguições do fisco, quando o assunto é política. Mesmo depois da “derrama” alvista João Alves e seus aliados foram mais bem votados que os demais. Tá provado que o problema político não é fiscalização. Também não procede a idéia que o atual governo estadual esteja com medo de investir em fiscalizações mais rigorosas para com isso ganhar aliados. Talvez seja o sistema de arrecadação que melhorou.
Em tempo: os números do ICMS de 2007 melhora um pouco o ranking de Itabaiana que sobe para 11º lugar no Estado. Desceram na lista Carmópolis, Riachuelo e São Cristóvão.

Sobre nobrezas e velhas práticas.

Parece ser um desabafo o escrito pelo articulista Cláudio Nunes em seu último post do dia 04/01/2008, às 06:04 hs no Portal Infonet, todavia, já que o assunto me instigou fui a “consultar meus alfarrábios” como costuma dizer o colega radialista Rosalvo Soares e acabei por chegar à conclusão seguinte.
Dos sobrenomes poderosos ainda na lembrança sergipana o mais antigo deles que conseguimos localizar é Maciel. Em 22 de abril de 1614 Miguel Maciel foi nomeado Escrivão da Câmara da Capitania de Sergipe (ANAIS, Bibl. Nacional do Rio de Janeiro, Inv. dos doc. Rel. ao Brasil, existentes na B.N. de Lisboa, Chanc. de D. Felipe II, Vol. 75, p.71). Mas o sobrenome mais poderoso de todos e ainda hoje no poder é sem dúvida o Rabelo Leite. O primeiro Rabelo apareceu na “Carta para o Capitam mor da Capitania de Seregippe Del Rej Balthazar dos Reis Barrenho sobre a Gente que vaj cõ o Dez.dor Bento Rebello. De 12 de dezembro (1656). Foi o desembargador plenipotenciário e executor da cobrança de impostos do gado da Itabaiana que, entre outras coisas, deu origem à rebelião dos curraleiros do lendário Simão Dias de que falam Sebrão Sobrinho, Maria Thétis Nunes e a farta documentação existente nas bibliotecas nacionais do Rio de Janeiro e de Lisboa (Torre do Tombo). O segundo é Jose Rabello Leite, Capitão-Mor de Sergipe em 1670. Durante os três séculos que se seguiram o sobrenome reaparece com freqüência, geralmente ligado ao Poder Judiciário.
Alguns sobrenomes famosos que por aqui andaram nos seiscentos, tais como Castelo Branco e Porto Carreiro desapareceram daqui reaparecendo em outras localidades. Castelo Branco ainda sobreviveu até o Capitão Pedro Gomes Castelo Branco, o dono de Porto da Folha até a canetada pombalina que quebrou meio mundo de hereditariedades, ou no nome do Capitão das Ordenanças da Itabaiana em 1799, João Nepomuceno Regalado Castelo Branco. De todos, o mais famoso foi D. Rodrigo que veio procurar prata na Itabaiana em 1674 e foi morto por Borba Gato seis anos depois em São Paulo..
São bem antigos, porém da segunda grande leva migratória, os francos e os pimentéis dos quais descende o ex-governador Albano Franco. Jose de Barros Pimentel veio de Pernambuco em meados dos setecentos e casou-se com uma filha do chefão de Santo Amaro. Já João Gonçalves Franco aparece ao fim dos setecentos nos registros de terra constantes dos Anais de Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.Por não perceber continuidade ou freqüência cronológica não dá para se ter certeza de que os mesmos Falcão de hoje descendam do Coronel Matheus Marinho Falcão, em São Cristóvão em 1668.