Um giro rápido hoje, para me atualizar, dei de cara com nada menos que 8 (oito) elefantes brancos; obras iniciadas pela Prefeitura Municipal de Itabaiana e todas paralisadas, quatro delas com severos prejuízos ao cidadão-eleitor-pagador de impostos (uma, de administração federal). E olha que sequer aventurei ir até onde se diz seria construído um novo Matadouro com uma verba que veio pra melhorar o antigo, e não para construir outro: aí, nem uma coisa nem outra. Serviu apenas para encher os olhos dos financistas que, certos de já encontrarem o cofre da viúva forrado, investiram e elegeram um prefeito tirando a reeleição de outro.
domingo, 28 de abril de 2013
O parque dos elefantinhos brancos.
Neste dia 30, última segunda feira de abril do ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2013, completam cinco anos que a toque de caixa e repique de sinos o funcionalismo que ocupou por 26 anos as dependências do antigo prédio do SESP deixou aquelas dependências, sendo realocados “por breve tempo” em locais totalmente inadequados para suas funções porque os próprios prédios em si já não foram construídos seriamente, e, claro não o foram com destinação para uma unidade de Saúde do gênero. Faz cinco anos; e lá está o elefante branco a quase quatro sem ninguém mexer em praticamente nada e sem uma explicação convincente à população. Como sempre, as ilações “partidárias”: uns apontam os dedos sujos pros outros “o culpado é você”. E todos continuam numa boa. Por quê? Silêncio.
Quando municipalizado, a unidade de Saúde do SESP, já com a nova denominação de FUNASA foi repassada ao Município mediante convênio: foram cedidos funcionários, equipamentos e imóveis (também tem o posto de Saúde do Pé do Veado). Cláusula pétrea porque proveniente de Lei maior, lastreada na Constituição: não pode mexer na estrutura, na denominação... nem mesmo construir sem expresso consentimento das partes, leia-se, o dono do prédio, o Ministério da Saúde. Construir; e não derrubar, qualquer coisa que seja. Cessão não é doação. Pois bem. Aí, a administração municipal não somente fez tudo isso como ainda deve ter DOADO o prédio ao Governo do Estado. Quando digo DEVE é porque não o afirmo já que sem documentação comprobatória; todavia, até onde vão meus conhecimentos, as unidades de Saúde da Família são de propriedade do Governo do Estado de Sergipe, cedidas à administração municipal para operacionaliza-la. Ora, se “isto for”, o que realmente está pegando e nem a administração de Maria Mendonça nem a de Luciano Bispo e agora a de Valmir dos Santos Costa querem realmente dizer, o que realmente está travando o fim deste embrulho, eu, portanto, arriscaria que: a Prefeitura doou ao Estado um prédio que é do Ministério, que não doou previamente à Prefeitura e sim, cedeu-o para uso, apenas. Aí, o caixa do Estado fica em aberto porque não pode tomar posse do que foi doado pela Prefeitura Municipal de Itabaiana sem que fosse dela. É já que não pode tomar posse não pode justificar a dinheirama ali derramada pra transformar um prédio moderno, bem ventilado e iluminado num cubículo do mais péssimo gosto como ficou. Por outro lado a administração municipal deve estar tendo que prestar contas ao Ministério da Saúde de uma doação do que não é do Município. É confusão pra vinte anos. E enquanto isso, tuberculosos, hansenianos, grávidas, convalescentes de todos os tipos se espremem nos corredores escuros e sem ventilação do prédio anexo ao Centro de Especialidades, onde opera a parte de ambulatório; e no Centro de Especialidades Odontológicas, pacientes fazendo cirurgias bucais tem de conviver com o cheiro de merda que emana do laboratório, este sem absolutamente estrutura alguma todos os dias. Se houvesse Vigilância Sanitária já teria mandado fechar.
O portal da cidade foi um pleito da administração Maria Mendonça junto ao Governo Federal ainda em 24 de dezembro de 2007. O dinheiro terminou de sair no dia 02 de julho de 2008, já na campanha eleitoral, perfazendo o total de R$ 195.000,00 conveniados. Obviamente que Maria Mendonça deve ter deixado o dinheiro em caixa porque se tratou de uma responsabilidade da Prefeitura e, Luciano Bispo ao recebê-la não reclamou absolutamente nada ou se negou a nada. O detalhe curioso é que a mais pura obra de faixada já que posta à entrada principal da cidade. Nem mesmo assim foram capazes de terminar a obra que, sincera e pessoalmente, julgo dispensável.
Esta, num valor de R$ 243.750,00 com início do convênio em 16 de junho de 2008, teve sua última remessa em 25 de outubro de 2010. Dispensa maiores comentários.
Foi celebrado um convênio com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no valor de R$ 1.950.000,00 com início em 22 de dezembro de 2006, assim que se consolidou a aliança política da Prefeita com recém-eleito governador Marcelo Deda com aa eleição deste, obviamente. A última remessa saiu no dia 03 de setembro de 2007. Somente no início de 2008 é que surgiu o boato que seria “feito um novo matadouro”. Ora, o dinheiro era apenas como diz no convênio, “modernização do matadouro”, logo, não dava pra nada, além disso. Além do mais é proibido por Lei dar destino diverso do previsto a verbas com destinação específica. Como resultado? Nem o “novo” nem o “mandado” e ficaram disponíveis pra Luciano Bispo a quantia nominal de R$ 2.145.000,00, que, exceto o tal do Pórtico a enfear a entrada da cidade, ninguém sabe, ninguém viu. Consta no Portal da Transparência que a Inadimplência por conta desta verba está suspensa; logo, o Município continua com condições de negociar verbas com o Governo Federal; não foi bloqueado por isso. Como? Não sei.
Teria sido ótimo. Cinquenta e sete anos depois que meu pai marcou o primeiro lote na praça que ele convenceu sua irmã, meu tia Josina a abrir, pra vender os lotes, e eis que chega o “primeiro mundo”. Água encanada, iluminação moderna, pavimentação, esgoto e um palco para os esforçados habitantes do lugar que todo ano vem fazendo uma belíssima apresentação da Paixão de Cristo. Seria.
O convênio com o Ministério do Turismo foi publicado (logo liberado) em 06 de janeiro de 2010. Valor? R$ 292.500,00 que acabaram de serem pagos no dia 27 de outubro do mesmo 2010. No dia 24 de dezembero de 2010, dois meses depois de ter saído a primeira parcela para a construção da Praça, sem medir nada, muito menos ter tido a prestação de contas, o mesmo Ministério do Turismo conveniou mais 438.750,00 para pavimentação de toda a área urbanizada do povoado. Até 20 de dezembro de 2012 recebeu R$ 154.176,75 num montante de 35 por cento. Total recebido? R$ 446.676,75. As fotografias aqui expostas é dar desgosto em quem não mora lá, imagina para as pessoas que lá moram.
Uma emenda do então deputado Albano Franco, os R$ 1.560.000,00 da parte do Governo federal foram conveniados com o Ministério dos Esportes em 26 de novembro de 2009, Tinha prazo de 210 dias ou sete meses. Está parada, ao menos depois de sua última medição pela Caixa Econômica em 15 de agosto de 2011, entretanto, já haviam sido repassados 65 por cento do valor federal. Curiosamente desapareceram alguns dados da placa.
Desse, por se tratar de uma obra da Saúde, a área em que há mais nebulosidades nos repasses federais a Municípios e Estados e destes para os Municípios, sequer existe o valor conveniado na placa que existe no local; porém, como preservamos uma foto da placa original, de março do ano próximo passado, de quando a mesma foi lá colocada, dá pra ver que o valor total era de R$ 335.708,06, e que o Governo Federal, supostamente teria entrado com R$ 100.000,00. É tudo por suposição porque com a referida nebulosidade somente se pode confiar nos números de órgãos superiores do Estado, mas principalmente da União. A obra foi iniciada há menos de dois anos, todavia já estava na planilha do Ministério desde 2008. É, pelo tempo, o elefante mais elegante já que praticamente está dentro dos prazos de construção.
No clímax do lançamento do PAC em 2007, mais uma obra pra virar elefante branco em Itabaiana: as instalações da Unidade de Ensino Descentralizada, uma extensão do CEFET de Sergipe. A obra com inicio em 13 de outubro de 2008 travou logo no início misteriosamente. Sobre seu valor de R$ 3.126.261,74, e respectivas parcelas pagas não temos a menor ideia já que de fato não existe no orçamento do Ministério da Educação de forma individualizada e sim agregada a outros valores investidos na Educação Pública Federal em Sergipe. O fato é que término era pra ocorrer em 13 de abril de 2009 e já estamos em 30 de abril de 2013, quatros anos depois, e até as polacas de identificação desapareceram, restando apenas suas lembranças em fotografias.
P.S. Para acompanhar os convênios federais não lincados aqui, clique no linque da Caixa Econômica, aqui do lado direito em DE OLHO NO DINHEIRO.
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Almeida
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quinta-feira, 18 de abril de 2013
Quando o feitiço é demais.
Ontem, 17 de abril deste 2013 fui convidado a proferir uma rápida palestra para uma turma do primeiro período de Direito da UNIT, núcleo de Itabaiana. Assunto? Política e administração municipais, centrado no período de 1980 a 1988, anos coincidentes com o início do declínio da liderança de Francisco Teles de Mendonça, da sua perda de controle da Prefeitura Municipal de Itabaiana e consequente início da liderança de Luciano Bispo de Lima. Logo depois da minha fala, nos costumeiros bastidores um dos alunos me pôs contra a parede. O assunto fugiu ao período dissertado, mas é ainda de longe o assunto de ordem política mais popular, digamos, relativamente à história recente de Itabaiana. A pergunta: “Quem matou Euclides Paes Mendonça?” Inicialmente busquei contextualizar, porém, na primeira oportunidade ele me obstou com a afirmação: “Como todos, o senhor não respondeu à minha pergunta... quem matou Euclides?” Fiquei surpreso e ao mesmo tempo maravilhado. Em primeiro lugar, sua determinação e perspicácia promete um grande advogado; segundo porque ele me pegou, de certa forma, fazendo o que ele está farto de ouvir, que todos estamos fartos de ouvir, mas que não temos a coragem devida de romper com essa cultura, a da dissimulação, do desconversar, varrer pra baixo do tapete, tirar por menos ou simplesmente mudar de assunto. Não era essa a minha intenção; tampouco a conversa parou aí; mas que de certa forma e em princípio eu me comportei dentro do padrão da tragédia colonial brasileira e que ainda hoje resiste e persiste, isso foi.
Afonso de Taunay, em sua obra de coletânea de artigos coloniais intitulada Na Bahia Colonial, de 1610 a 1764 [Revista do IHGB, Tomo 90, vol.144, 1921] nos traz vários momentos impressionantes sobre a nossa formação. Numa das passagens ele fala de nossos ancestrais judeus, os cristãos-novos: “"Davam-se na Bahia, diariamente, muita conversões à fé cristã, mas, no seu entender, estes neófitos valiam muito menos do que os das Índias Orientais, 'ficando sempre assás levianos e brutais'. Numerosos judeus ali existentes, fugidos à Inquisição, tremiam de medo que se transplantasse à América a instituição peninsular a que fugiam." De fato, aqui trata-se de um estudo sobre as observações do francês Pyrard de Laval que andou pelo Brasil em 1610. Embrutecidos. Em 1610 já se iam quase um século e meio de perseguições, as mais bárbaras possíveis. As mais amenas eram algum tipo de acusação como justificativa pra tomar-lhes os bens; mas tinham também a escravidão, o desterro, a obrigatoriedade de se tornarem cristãos para em seguida serem acusado de cripto-judaísmo e, naturalmente vir a perda de todos os bens, da família e da própria vida numa fogueira “purificadora”. Bichos. Eram proibidos de ler porque a leitura era privilégio de autoridades, de profissionais licenciados... e do clero. Como resultado, um país fundado inicialmente pela raça mais culta do período imediatamente anterior logo se converteu num país de embrutecidos analfabetos. Mentir, dissimular, fingir, calar ao menor sinal de risco, preparar a cilada, trair, levar o individualismo ao extremo, ser indiferente, desesperançados; enfim, sobreviver, ganhar o sustento e até enriquecer, pouco importa se do próprio suor ou escravizando outros miseráveis como índios e africanos. Contribuíram em quase sua totalidade a “purificadora” ordem fundado por Ignácio de Loyola, a Companhia de Jesus ou simplesmente jesuítas. Eram os fiscais, conversores, os acusadores, os doutrinadores, logo, difamadores; e os maiores beneficiados como ocorreu na montagem da fortuna da ordem, por exemplo, em Sergipe. Quebraram por completo perto de dois mil anos de uma cultura em parcela considerável de um povo, e em seu lugar plantaram a vilania e até o cretinismo. Com o tempo aprendemos a retomar o gosto pelas coisas. Mas certos vícios aprendidos durante os momentos negros da sobrevivência, permaneceram. João Grilo, Cancão, Pedro Malazartes, Troncoso e tantos outros personagens criados e calcados na malandragem, na desfaçatez, mentira, safadeza... tudo pela sobrevivência em um campo do guerra, permaneceram. Mesmo nos dias atuais, falar a verdade diretamente, responder claramente a um questionamento depende em muito de quem está do outro lado e o que pergunta. Quase nada é respondido em definitivo.
Numa entrevista nos idos de fins de 1992, quando o mundo político brasileiro desabava sobre a cabeça do então presidente da República, Fernando Collor de Melo, o então senador paraibano Humberto Lucena, ao dar uma entrevista ao jornalista Heródoto Barbeiro, então na TV Cultura de São Paulo, perguntado por este qual tinha sido seu mais árduo trabalho de investigação a serviço do Congresso Nacional, Lucena citou o processo de apuração dos assassinatos do então deputado federal Euclides Paes Mendonça e seu filho, então deputado estadual Antonio Oliveira Mendonça em 08 de agosto de 1963 em frente da Prefeitura Municipal de Itabaiana, Estado de Sergipe: “Pareceu que nem a viúva conhecia os mortos”, afirmou ele. E assim foi. Ninguém viu nada; todos ouviram dizer que alguém viu. Ninguém ouviu nada especificamente; todos ouviram "boatos". E o assassinato de um dos maiores líderes da rasteira política sergipana ficou sem resposta condizente. Logo, à pergunta do jovem estudante de direito, respondo aqui como o Chicó, personagem criado pelo escritor Ariano Suassuna e inspirado no sobrevivente cristão-novo descrito no segundo parágrafo destas linhas: “Não sei! Só sei que foi assim”.
Meu velho pai, que se vivo estivesse teria completado 99 anos no último dia 27 de março costumava filosofar pra mim que, “quando o feitiço é demais, vira bicho e come o dono”. Claro, meu pai, assim como eu, e acho que todos os que lerem este artigo era um herdeiro legítimo dos envolvidos nesta tragédia. A sanha destruidora do caráter cristão-novo nos levou ao padrão João Grilo. E continuamos sem responder as perguntas. A dissimular; a evitar o confronto de ideias; a dizer a verdade, mesmo que de forma sofisticada. A acumular dúvidas, dissensos e problemas que de vez em quando explodem estraçalhando a todos.
Em tempo: a primeira grande leva em 1590-1610 de colonizadores sergipanos e itabaianenses em particular foram os mesmo judeus convertidos descritos por Laval.
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domingo, 14 de abril de 2013
Opiniões que importam. E muito.
Em 2002, quando tudo se encaminhava para um fim naqueles tempos malucos do neoliberalismo pra lá de irresponsável do governo de Fernando Henrique Cardoso, o país que observa mais longe foi torpedeado com a notícia de que o Advogado Geral da União Gilmar Mendes seria ministro do STF, a mais alta Corte de Justiça do país. Todo mundo medianamente bem informado percebeu ali que se tratava de uma armadilha para prender, aprisionar, tolher a liberdade de um possível futuro governo petista em desfazer o absurdo que foram as privatizações tucanas, que aqui em Sergipe tiveram maior visibilidade na doação da Energipe e Telergipe que gerou o Eletro-cheque com o qual foram corrompidos quase todos os políticos sergipanos, inclusive os de Itabaiana. Aliás, até radialistas. Já se sabia qual era a missão de Gilmar Mendes e o que ela representaria para a institucionalidade brasileira. Fato que foi comprovado quando uma parcela mínima, não contaminada pela corrupção, da Polícia federal prendeu o "general romano assaltante de províncias" Daniel Dantas e Gilmar deu, não um, mas dois Habeas Corpus em menos de 24 horas, isso depois de reportagem da própria Rede Globo envolvida no esquema mostrar a tentativa de corrupção de policial, ao seu comando. Era sabido que Gilmar destruiria o moral e status de seriedade do STF, como ora se vê, com as cenas lamentáveis de bate-bocas entre ministros e histórias escabrosas do comportamento, senão criminoso, deplorável de nossos defensores-mores da República.
O Artigo do grande Dalmo Dallari é lapidar, Ei-lo:
Degradação do Judiciário
DALMO DE ABREU DALLARI
Da Folha de S. Paulo – 08/05/2002
Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais.
Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.
Essas considerações, que apenas reproduzem e sintetizam o que tem sido afirmado e reafirmado por todos os teóricos do Estado democrático de Direito, são necessárias e oportunas em face da notícia de que o presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica.
Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.
Segundo vem sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação, agora concretizada, do atual advogado-geral da União, Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente da República, para a próxima vaga na Suprema Corte. Além da estranha afoiteza do presidente -pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga-, o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.
É oportuno lembrar que o STF dá a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e dos atos das autoridades públicas e terá papel fundamental na promoção da responsabilidade do presidente da República pela prática de ilegalidades e corrupção.
A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha inadequada
É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em “inventar” soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, “inventaram” uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.
Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.
Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio judiciário”.
Obviamente isso ofendeu gravemente a todos os juízes brasileiros ciosos de sua dignidade, o que ficou claramente expresso em artigo publicado no “Informe”, veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (edição 107, dezembro de 2001). Num texto sereno e objetivo, significativamente intitulado “Manicômio Judiciário” e assinado pelo presidente daquele tribunal, observa-se que “não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo”.
E não faltaram injúrias aos advogados, pois, na opinião do dr. Gilmar Mendes, toda liminar concedida contra ato do governo federal é produto de conluio corrupto entre advogados e juízes, sócios na “indústria de liminares”.
A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista “Época” (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público -do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários- para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na “reputação ilibada”, exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.
A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a arguição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou “ação entre amigos”. É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.
Dalmo de Abreu Dallari, 70, advogado, é professor da Faculdade de Direito da USP. Foi secretário de Negócios do município de São Paulo (administração Luiza Erundina).
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14:57
terça-feira, 19 de março de 2013
Cultura de roubo.
Eu estou assustado com a naturalidade que cada dia mais percebo nas pessoas ao tratar do assunto “roubo”. Parece uma coisa não somente comum; mas natural. No domingo à noite, cheguei à minha janela que dá pro lado da rua e presenciei um papo entre jovens que me deixou mais preocupado do que o habitual. Tratava-se de cinco garotos onde o mais velho deve ter seus dezesseis anos. Inicialmente, nada de novo; mas a minha insistência em tentar entender seu mundo, mesmo a certa distância também me levou a ouvir as lamúrias de dois deles que dirigiam suas motonetas e as mesmas não davam partida. Um terceiro deles, o mais velho e sozinho em sua motoneta se aproximou e começou a dar dicas de como fazer para as motonetas – acho que Shinerays – pegarem. Até aí tudo bem: papo de adolescente e pré-adolescente. Mas quase não acredito quando um dos mais novos dentre eles fez a pergunta: “Essas duas aí são as roubadas, é?” Como os três que pilotavam estavam por demais entretidos, a pergunta foi refeita: “Essas são as roubadas, né?” Ao que assentiram dois deles. Numa naturalidade, em pleno meio da rua, por volta das dez da noite, logo com muita gente acordada e possivelmente ouvindo, como eu ouvi, e onde os únicos complicadores para serem identificados era que todos usavam bonés, o que pra mim no primeiro andar era bem mais difícil ver-lhes; e principalmente estarem a uns vinte metros da lâmpada local e, claro, já ser... mais de vinte e duas horas. Depois disso, saíram empurrando calmamente “suas” motonetas e conversando... sem o menor sentimento de culpa ou medo; aliás, percebia-se, de vantagem, frustrada, talvez pelas motonetas possuírem algum mecanismo de trava, não sei. Hoje vejo notas de que Polícia e SMTT andaram... mais uma vez (isso se tornou rotina) fazendo uma pequena limpeza nas motos “irregulares”.
É horripilante esse estado de primitivismo a que chegamos. Justo porque parece que ninguém mais se importa.
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23:20
quinta-feira, 7 de março de 2013
Alegria de pobre.
Dizem que alegria de pobre dura pouco; e dependendo do tipo de alegria, aqui em Itabaiana não dura quase nada. Por exemplo, o prazer de em algum momento ser sentir num lugar civilizado, de gente, bem cuidado. A reportagem do Itnet (clique para ler) é elementar: parece uma tolice, uma besteira, como querem os idiotas fissurados em símbolos de exibicionismo, confundidos com símbolos de riqueza como carros, casas enormes, de arquitetura de gosto duvidoso, mas ostentatório e por aí vai. Mas é de uma gravidade estonteante.
Em novembro de 1983 senti uma ponta de orgulho e ao mesmo tempo de alívio. Estava em Palmares, Pernambuco, e um vizinho à pensão onde fiquei hospedado por quase seis meses me veio contar eufórico que havia passado por minha Itabaiana. A princípio fiquei temeroso das descrições porque, Palmares não era melhor que Itabaiana. Cidade com alta concentração de pobreza, encravada nos canaviais e rodeada de usinas de açúcar que juntos lhe despejavam – acho que ainda façam – toneladas de fuligem diariamente; uma cidade ribeirinha sujeita a desastrosas enchentes periódicas, enfim, não tinha nem tem do que se achar melhor que Itabaiana, mas, a gente sempre quer estar um ou vários degraus acima; e quando o rapaz me veio falar que havia passado por aqui fiquei temeroso que tivesse visto alguns probleminhas crônicos que então existiam. Mas não. Ele passara apenas pela BR-235, pela noite e havia poucos dias que fora inaugurada a iluminação da Avenida Luiz Magalhães, que foi o que o fascinou: “Rapaz, que cidade bonita, a sua!” Repetiu ele umas quatro vezes. Só um energúmeno completo é que não liga para a má impressão que dá a entrada da cidade desarrumada, tomada de buraqueira, lixo, terrenos baldios sem nenhum traço de vegetação, coisa de vilarejo do Oeste selvagem americano dos filmes de faroeste.
O apontado na reportagem do Itnet, de tão comum tornou-se “coisa menor”, e, já que “coisa menor”, nos habituamos a tolerar. Todavia, quem nos visita no mínimo nos chama de sebosos ao ver como os recebemos já “no terreiro de nossa própria casa”.
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16:35
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Papagaio e periquito.
Olha, o que estão fazendo com João Batista Santana, pelo que já fizeram com a finada, a ex, a estuprada Associação Atlética de Itabaiana, é de uma falta de caráter que não tem tamanho... coisa de gente vil, mesmo. E essa história de papagaio comer o milho e periquito ficar com a fama, nem sempre cola. E essa não vai colar. O papagaio até pode comer o milho – se já não o comeu todo; e o periquito até pode sofrer alguns respingos. Mas neguinho não vai sair incólume dessa, não!
Meu Deus! Quando a gente imagina que o lodaçal já se esgotou por completo, eis que, quando menos se espera, lá vem mais outro caudal.
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19:44
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Cidadania em ação: uma ótima idéia!
Excelente a iniciativa - de quem eu não sei - essa de se manifestar cobrando do Poder Público municipal mais atenção com o perigosíssimo cruzamento das avenidas Olímpio Grande, Felisbelo Machado, Walter Franco e Praça que ora esqueço o nome, ali no acesso aos campi universitários e ao Colégio Estadual César Leite. Aliás, não é somente ali que o trânsito está bagunçado. A frouxidão começou na época da campanha eleitoral, com algum ajuste aqui ou ali, e só. E ultimamente tem dado a sensação de que está piorando. Na última sexta feira tive que refazer o trajeto de minha casa até a sede do Rotary Club quatro vezes. Duas porque a Prefeitura fazendo o louvável dever de consertar a buraqueira no calçamento esqueceu de colocar sinalização devida alertando para bloqueio da via logo adiante; mas duas foram simplesmente porque engraçadinhos estacionaram erroneamente e quem quiser que se vire. E, óbvio, não aparece ninguém da SMTT pra por ordem na casa. Estacionamentos em fila dupla virou rotina; em local proibido, passagem por cima de canteiros, calçadas... não tá bom! Infelizmente, a administração do atual grupo está só começando, mas tem setores como a Saúde e a Segurança, no caso a Segurança no Trânsito que não dá pra esperar os naturais ´-e até necessários - conchavos políticos: tem que entrar com tudo pronto, arregaçar as mangas e por-se com força no serviço. Se não, depois, ou não consegue impor a ordem ou o fará mui dolorosamente em prejuízo de todos, inclusive dos políticos da administração.
No caso em particular, no cruzamento de duas avenidas você tem naturalmente quatro fluxos conflitantes, geralmente resolvidos com sinalização ou guardas. Ocorre que ali a coisa é bem pior. Desce-se pela Walter Franco e choca-se de frente com a subida da Engenheiro Carlos Reis, ou seja, duas vias com sentido duplo. De fato são seis sentidos. De imediato é preciso modificar o fluxo na Walter Franco ou lado oeste da Carlos Reis/Praça: alguém tem que deixar de existir. Em função de uma situação mais natural, eu sacrificaria a descida pela Walter Franco, levando o fluxo a contornar o posto ali existente pela Florival Oliveira e fazendo o trajeto pelo Engenheiro Carlos Reis. Ai vem o problema da Felisbelo Machado (Zefinha de Capitulino mais adiante) e da Rua Antônio Cornélio da Fonseca. Essa ainda dá pra administrar porque pouquíssima movimentada, mas a Felisbelo, é muito complicado. Por fim a Percílio Andrade/Olímpio Grande, por sinal ligação interrodoviária entre a Rodovia Francisco Teles de Mendonça (das Candeias) e a Papa João Paulo II, do Campo do Brito, através da BR-235... bota complicação nisso.
Mas tem que tomar uma atitude antes que grande desgraça aconteça.
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