sábado, 24 de agosto de 2013

Dedé de Pepeu.

Antes de ontem tomei um susto: no Facebook, uma amiga postou algo sugerindo algum problema com Ariano Suassuna. Aguçou minha curiosidade e, à minha pergunta sobre o que teria ocorrido, uma segunda amiga falou que ele tivera um infarto, mas que já estava tudo bem, fora de perigo, etc.. Aí, lembrei que na semana anterior o Carlos Mendonça havia me ligado alertando que o Suassuna estava no especial da TV Senado. Seria um pecado imperdoável perder. E lá fui eu me plantar diante da TV e nem vi o tempo passar, óbvio. Aí o Suassuna falou sobre as virtudes da mentira; a boa mentira, aquela que não faz mal a ninguém; apenas diverte e excita a fantasia porque, naturalmente, uma mentira fantástica. Lembrei de Seu Dedé de Pepeu, de quem nunca lhe soube o verdadeiro. 
Seu Dedé, que alcancei residindo no povoado Forno, próximo de onde morávamos, eu e minha família, tinha histórias do arco da velha. Era uma diversão, qualquer reunião social naquelas paragens e que tinha a sorte de contar com sua presença. Pantaleão, famoso personagem do inesquecível Chico Anizio perdia feio pra ele. Certa feita ele contou uma que, ao me recontarem, grudou-me na mente e nunca esqueci. Seu Dedé era sitiante e, como praticamente todo sitiante pobre da Itabaiana interior, também um mascate. Vendedor de seus produtos de feira em feira. Era tradicional uma linha que fazia, parece que imitando meu bisavô, sempre pela linha paterna, José Bomfim de Góis, que compreendia as feirinhas dos povoado Jenipapo e Urubutinga, e a própria feira do Lagarto, cidade em cujo município estão os dois povoados. Certa feita, numa sentinela, uma dessas mulheres curiosas começou a encher-lhe de perguntas sobre suas viagens e aí Seu Dedé saiu com a pérola a seguir. Certa vez vinha ele do Jenipapo, e, ao se aproximar do Rio Vaza-Barris lhe apareceu tanta mutuca, mas tanta mutuca que, segundo ele, ao matar a todas e guarda-las nos caçuás vazios, encheu todos os seis que trazia nas três burrinhas que também eram seu ganha pão. E o que fez das mutucas? Quis saber a curiosíssima senhora. Aí ele explicou que, depois de ter passado por tanto sufoco, não deixou por barato. Transportou-as até o sítio e aproveitou pra usá-las como fertilizante numa plantação de mandioca. Mas isso era pouco pra tanta curiosidade e, claro, a mulher queria mais. Ela quis saber se a mandioca fora produtiva. Aí o Seu Dedé resolveu finalizar com chave de ouro. Contou ele que um ano depois teve um dor de cabeça daquelas com um das burrinhas que desapareceu sem deixar rastro. Amarrada num bamburral na malhada e, simplesmente desapareceu. E aí, toca ele a procura-la e a procura-la; quando já se sentia desanimado ouviu um relincho e, claro, reconheceu de pronto: “minha burrinha!” Mas, onde? A busca agora se tornou frenética. Procurou por toda a pequena malhada e nada; aí, de repente a burrinha resolveu relinchar novamente. Mas... o relincho parecia vir de debaixo do chão? Como pode? Continuou sua busca servindo-se dos relinchos da burrinha até que descobriu o segredo: a coitadinha se soltara da corda a que estivera amarrada e foi em busca do mandiocal. Lá chegando encontrou uma raiz de mandioca e começou a comê-la; tanto comeu que se perdeu dentro da raiz e ficou sem saber dela sair... estava lá dentro a pobrezinha, já há dois dias. Claro, a mulher ficou um pouco duvidosa, mas, bom mentiroso não deixa dúvidas. Mesmo que sobrem algumas, vem logo algo como as respostas do Chicó, de Suassuna: “Não sei! Só sei que foi assim!”

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Por pessoa de satisfação na companhia da Itabaiana.

“Peço que tanto que Vossa Mercê receber esta me proponha na dita Companhia de Itabanhana pessoas que nella morem e dignas de se lhes mandar passar Patente, porque sou informado haver naquelle districto algumas de satisfação e desde logo hei por reformado o dito Luiz Pereira. Guarde Deus a Vossa Mercê. Bahia e julho, 22 de 1673. Afonso Furtado de Castro do Rio de Mendonça.”ff 67. Carta que se escreveo ao Capitão mor de Sergipe del Rei, João Munhos para por pessoa de satisfação na Companhia da Itabanhana. De 22 de julho [1673]
Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, volume 05, p.17. Rio de Janeiro, 1878-1879.

Itabaiana é livre, porque livre é a alma de seu povo. Escrevi isso recentemente na Revista Perfil, deste agosto em curso, e replico aqui. Não é um lugar pra se deixar à toa. A mesma liberdade que produz progresso também produz excesso. Que não é saudável para nenhuma sociedade e deve ser tolhido, aparado, e conduzidas as suas energias unicamente para o progresso. A Justiça é o ponto chave de uma civilização. Foi isso que deu à República de Roma sua chance de se tornar imperial. O que infelizmente também a levou a corromper-se mortalmente, mas aí já é outra história. O fato é que a Segurança, por si só, pode represar os instintos selvagens de retorno ao primitivismo que cada um de nós carregamos; mas jamais produzirá efeitos duradouros porque não educante; não convencedor; não justo, como é o caso da Justiça. Juntos, porém, Justiça e Segurança levam inexoravelmente à Eunomia e à saúde do convívio social.
Ontem, dia 22, mais uma vez uma saraivada de prisões envolvendo graúdos de Itabaiana foi perpetrada. Excelente: a Polícia agiu. Cumpriu com sua parte no processo civilizatório. O problema é o porquê de ter chegado a este ponto; e não ser a primeira vez. Aliás, tem sido recorrente esses processos, em que pese insatisfatórios, porque é como se não estivessem recolocando as cousas em seus devidos lugares. Meras ações punitivas pontuais.
Em meados do século XVII, mais precisamente em 05 de novembro de 1656, uma rebelião contra a cobrança de impostos – extorsiva, diga-se - teve ligar em Sergipe com epicentro em Itabaiana. Somente quinze anos depois é foi completamente debelada; o que na prática destruiu o processo de colonização iniciado depois de primeiro de janeiro de 1590. Foi necessário um exército de paulistas, depois chamados pomposamente de bandeirantes, que pôs quase todo mundo à fuga, e a outros matou e espandongou. Num lugar de espírito tão liberal como o nosso, os cuidados devem ser redobrados. É como aquele garoto levado, hiperativo, inteligentíssimo que, sem bem guiado, será um grande cientista, um grande artista, ou mesmo empresário ou político, elementos tão carentes à sociedade humana; se mal conduzido, seja por repressão excessiva, seja por desleixo, se tornará um frustrado perigoso, no primeiro caso; ou um feroz criminoso, no segundo. Cronicamente temos tido o desleixo das autoridades policiais e judiciais. Vê-se isso no período colonial, no período monárquico, na anarquia da República Velha, e quase nada mudou desde então. Salvo lapsos momentâneos, sempre há carência de policiamento e, a Justiça, segue o padrão nacional. Num lugar onde energia e criatividade são o que não falta. Mesmo que não concorde com a verdadeira história de Rui Barbosa, mas o mesmo foi lancinante, perfeito, no seguinte pensamento “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra E A TER VERGONHA DE SER HONESTO.” É a que tem sido levado vários cidadãos itabaianenses que não mal usam a energia e a criatividade de que dispõem.
Passemos, pois, ao próximo Ato!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A luta entre o velho e novo.

Como dizem os mais velhos, pus a mão na boca quando um amigo em comum me veio dizer que a prefeita Maria Vieira Mendonça só saia da Prefeitura por volta das nove da noite e depois de examinar pessoalmente, tin-tin por tin-tin, em toda a administração, diariamente. “Vai dar tudo errado”, pensei. Era o terceiro ou quarto mês de sua administração, em 2005. Não deu tudo errado; mas o governo municipal não andou, não progrediu, não supriu as carências e principalmente as expectativas; e, no segundo ano de mandato seu irmão já perdeu uma eleição impensável de perder, a de deputado estadual. E mais dois anos depois, seu adversário, Luciano Bispo retornou, lhe retirando a reeleição. E nenhum político tem como bem administrar num ambiente negativo; onde tudo que faz é visto com outros olhos. E isso não é culpa do povo que, aliás, nunca tem culpa de nada: o político é que não teve a necessária sabedoria para agradá-lo.
Há um descompasso gigantesco entre o Brasil velho, todo ele entranhado na administração pública de alto a baixo; mas com mais persistência ao nível de Município, e o Brasil moderno da empresa ágil, do sistema bancário mais moderno do mundo - em que pese o mais caro - e do setor de serviços em geral, às vezes melhor que as mecas do capitalismo como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. É no Município onde as mazelas da nossa colonização, logo da fundação do Brasil, tanto persistem.
Tenho acompanhado a administração pública de meu município de Itabaiana a mais de três décadas, desde que me envolvi na política partidária e ao mesmo tempo nas comunicações, com inclusive a fundação de um efêmero jornal em março de 1982. Nunca gostei do que tenho visto. Na última administração de Luciano Bispo, se já andava descrente, a casa caiu quando no quarto mês da dita administração, uma estrela do grupo do Prefeito, ao comentar comigo sobre um assunto estratégico para a cidade, não somente desclassificou o objeto da minha preocupação – quase desdenhou – como em seguida me afirmou: “Não adianta lutar por isso; isso é assim mesmo e pronto!”
Um fato é relevante: boa parte da perda de controle das administrações tem sido por não saber administrar em tempos de inflação baixa. Luciano Bispo se elegeu a primeira vez quando a inflação chegava a até 1000 por cento ao ano; e Maria Mendonça e boa parte de seu staff, havia antes administrado o Município com inflação de até 300 por cento ao ano. Uma inflação dessas mói todos os salários, o que significa poder empregar mais gente com menos dinheiro. O atual prefeito é o primeiro relativamente descontaminado com isso; porém, ainda tem resquícios deste tempo consigo.
Mas o fato mais relevante nas administrações municipais que até aqui tivemos é sua total falta de profissionalismo e o total uso do improviso, onde os orçamentos são peças totalmente decorativas, pra fazerem frente às exigências de instâncias superiores, especialmente a União.
Não há propriamente uma burocracia de Estado no Município de Itabaiana. Por outro lado, tenho observado que a pretensa melhoria neste quesito tem se perdido na ineficiência de gestão, tornando o modelo antigo, do compadrio e apadrinhamento até mais eficiente. Fui testemunha de uma experiência pra lá de complicada. Uma pessoa de excelente nível técnico foi colocada pra gerenciar certo local.  Como disse, tecnicamente em sua área, irrepreensível, contudo, o que veio ganhar com a função era irrisório para dedicar-se exclusivamente, e por isso não abriu mão de outros vínculos empregatícios que tinha. Logo transformou sua vida e a vida de todos os seus subalternos num inferno. À não presença buscou compensar com o que há de pior na natureza humana: o puxa-saquismo. Contou-se em certo momento dez pessoas que “entregavam” umas às outras e a terceiros via celular... a administração on line; no pior sentido. O ambiente de trabalho virou um inferno e ela perdeu o controle muito mais rápido do que se possa imaginar. Como resultado, os novos contratados mediante concurso público logo estavam repletos de vícios e “de direitos”; os nomeados por partidarismo em luta constante entre si e o serviço a degringolar. Somente por sorte, pura sorte, o prefeito resolveu nomear uma pessoa a pedido de outra que conseguiu contornar a situação e por ordem na casa sem maiores danos. O medo de errar tolhe a ousadia e a iniciativa. E o medo de errar é justamente o produto do obsessivo controle e vigilância. Uma espécie de terrorismo auto-infligido.
Os nossos políticos e politiqueiros não demonstram saber trabalhar num Estado moderno; onde a política sirva pra resolver as pendências coletivas, e não apenas as vantagens estritamente pessoais de cada um. Não bem administram no sistema velho, porque agigantado e por isso viciado, carcomido de corrupção; e não sabem, ou nem querem saber um mínimo sobre como usar a técnica da boa administração para fortalecer a política, inclusive suas próprias permanências nela.
Outro dado é importante frisar. No caso específico do Município de Itabaiana, o mesmo há 30 anos era responsável por menos de 50 por cento da alfabetização e zero por cento nos graus mais adiantadas na Educação; no caso da Saúde, mal possuía um médico ocasional. Até o serviço de odontologia a escolares seguia o curso das verbas federais. O funcionalismo se restringia aos poucos da Educação, os poucos da área fazendária, da tímida assistência social, esta majoritariamente feita pelos politiqueiros, e à burocracia propriamente dita. A modernização a fórceps pós Constituição de 1988, a municipalização da Saúde e da Educação e outras áreas menos visíveis tornou obrigatória à administração pública municipal o ingresso na administração técnica. Que não tem ocorrido satisfatoriamente. E, quanto mais tempo isso demorar, mais problemas acarretarão a todos; inclusive aos que supõe tirar vantagens da bagunça.
Nenhum prefeito pode prescindir de um bom secretário; e para ser um bom secretário, na atual estrutura administrativa do Município de Itabaiana, este tem de assumir com no mínimo umas cinco pessoas de sua inteira confiança e capacidade, nas secretarias menores. No caso das áreas da Saúde e da Educação, esse leque de pessoal é muito mais amplo porque o Município conta com mais 30 postos de Saúde e mais de 40 unidades municipais de ensino em todo ele. Na Saúde ainda mais porque ainda existem pelo menos dez programas de Saúde específicos, que demandam corpo técnico qualificado, mas ao mesmo tempo não podem prescindir do sátrapa; do “olho do dono”, ou seja, gente que administre tecnicamente, mas sem perder o viés político. Já que não existe nem deve existir administração pública sem política; já que do povo, para o povo e pelo povo.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Simplicidade dos pequenos gestos.

Chego na lanchonete para pedir o cafezinho. Antes mesmo que faça o pedido, o garçon, um garotão de menos de dezoito me traz a mercadoria. O estabelecimento é tocado pelo seu cunhado, que nele emprega pelo menos uns cinco da família. O atendimento é muito bom, por sinal, todos atenciosos. Mas o que me chamou a atenção segunda-feira última, 15, foi a recepção pelo próprio dono. Ele sempre me recebeu bem, mas segunda-feira foi especial. Havia um brilho diferente em seus olhos. Que logo descobri o porquê. Ao me aproximar do balcão de atendimento, enquanto o rapaz me servia o cafezinho ele, o dono, primeiro acenou, em seguida se aproximou e emendou:
- Oh, pensei que tivesse ficado de mal da casa!
Aí me caiu a ficha: há quase dois anos que aboli o cafezinho por conta de certa elevação na taxa de glicose sanguínea que, claro, ele não ficou sabendo. Ao me sentir afastar de seu estabelecimento onde era habitual, apesar de sempre me ver passando, logo começou a matutar que eu tivesse tido algum tipo de contrariedade. Que nunca teve oportunidade de me perguntar, nem eu, obviamente de explicar. Desfeito os seus temores com a minha explicação, ele abriu um sorrisão e lá se foi cuidar de seus afazeres, enquanto eu, me sentindo feliz pela segurança que tais atitudes de acolhimento nos produzem, tomei meu caminho e fui embora de goela e estômago reconfortados pelo saboroso cafezinho.
Coisas tão simples e que tanto valem.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Hoje: 394 anos da lenda da prata de Itabaiana.

Em 16 de julho de 1619, finalmente a comitiva do Governo-Geral, com seu mais novo comandante, o governador-geral D. Luiz de Sousa chegou numa colina qualquer do lugar conhecido desde remotas eras, pelos indígenas, seus habitantes, por Gandu, caa andu em tupi, ou, mata rala, no hoje município de Itabaiana, estado de Sergipe. Por quase três décadas, Melchior Dias Moreia, neto materno de Diogo Álvares Correia, o Caramuru; e paterno de Garcia Dias d’Ávila, o lendário primeiro latifundiário brasileiro havia se esmerado em cartas e mais cartas e até em viagens a Lisboa e até Madri, em busca de licenças pra explorar uma mina de prata. Ninguém o tinha ouvido. Coube a D. Luiz a esperteza de buscar ver se conseguia algum fruto pessoal pelo feito. Mas era fruto estritamente pessoal; e Melchior não estava a fim de “entregar o ouro”; fazer a glória de ninguém e ficar a chupar dedo. Trouxe o Governador à dita colina e nesta se travou um duelo de palavras entre a autoridade máxima do país e um subalterno, mesmo que da linhagem mais nobre que então havia no país.
Melchior pediu pelas mercês a que vinha pedindo desde a primeira carta para entregar a dita mina de prata. O Governador vinha em nome próprio, apenas pensando em si próprio, e nada tinha pra Melchior. Ao contrário, uma das mercês reclamada por Melchior, a de Marquês das Minas, a Espanha que então dominava o império português havia dado a um tio de D. Luiz, D. Francisco de Souza, Governador do Sul, no São Sebastião do Rio de Janeiro, quase vinte anos antes, onde conseguiu de seus moradores o jocoso título de “Marquês das Manhas”. O Governador nada tinha pra dar a Melchior; exceto punição pela ousadia em peitar a autoridade máxima da colônia. Melchior, então, não revelou a tal mina e por isso ficou preso em Salvador por três anos, além de sua família ter despendido de pesadíssima soma, segundo o governador-geral D. Luiz de Sousa, a título de indenização por prejuízos causado à Coroa espanhola.
D. Luiz de Souza esteve no Governo-Geral até 1622 quando retornou a Portugal e veio a ser tempos depois o Conde do Prado. Melchior faleceu em sua fazenda no hoje povoado do Jabiberi, atual município de Tobias Barreto, no mesmo 1622. Logo ao sair da prisão. E sua mina de prata virou uma lenda, com localização dentro da Itabaiana, ou seja, o círculo de serras da qual faz parte a maior, a hoje Serra de Itabaiana.

Referências:
  • ABREU, João Capistrano de. Capítulos de História Colonial.
  • Carta de S. A. sobre D. Rodrigo ir ao entabolamento das minas de prata da Itabaiana. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, volume 04, p. 424.
  • Sobre o engenheiro do Estado vir para esta praça. de 2 de janeiro de 1674. Com.= Com a aviriguação das amostras (de prata) que leuarão a S. A. das minas da Itabayana, se seruio mandar em hum dos nauios q' agora chegaram de Lisboa por administrador dellas hum D. Rodrigo de Castello Branco, pessoa inteligente naquela profição; =. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, volume 05, p.121
  • Regimento que trouxe Dom Rodrigo de Castelbranco a que Sua alteza envia p'a administrador e Provedor geral das Minas de Prata da Itabaiana neste Estado do Brazil. Lisboa 4 de setembro de 1673. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, volume 09, p.513.
  • 1603 - Agosto, 15-Valhadolid. Regimento de El-Rei D. Filipe II sobre a descoberta das minas de ouro e prata no Brasil, resolvendo que os descobridores as explorem livremente, (...). Original. A fl. 1 a 13. (F.G. 6.908). Inventario dos documentos relativos ao Brasil, existentes na Biblioteca Nacional de Lisboa - IV Grupo (1534/1805*). Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Volume 97, p.09. Rio de Janeiro, 1977.
  • SETÚBAL, Paulo. O Romance da Prata. Saraiva livreiros. São Paulo. 1956.
  • De las minas de plataesnotorio que há algunos anos, que vinounhombre a Hespañaoffrecerse a descubrirenla parte que cayeenelgoviemo de lacíudaddel Salvador minas de muchaplata(...). Advertência que de necessidad (...) y desinfestacion de nuestros mares Hechas por Luys Álvares Barriga CavalleroPortoguez. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Volume 69, p.238. Rio de Janeiro, 1977.
  • 1618 - Agosto, 8 - Lisboa. Registro do regimento que S. M. D. Filipe II mandou passar sobre as minas do Brasil. Original. A fI. 15 a 18 v. (F. G. 6.908). Inventario dos documentos relativos ao Brasil, existentes na Biblioteca Nacional de Lisboa - IV Grupo (1534/1805*). Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Volume 97, p.09. Rio de Janeiro, 1977.
  • 5764. - Decreto del Duque de Lermaembiado al Cons° de Portugal en 23 de Deziembre de 1606 sobre las minas del Brasil q' se entregaron a D. Fran.co de Sosa, e outros papeis relativos ao mesmo objecto. 1606-1630. (B. N.) Cópia. contemporânea. In-fol. 12 ff. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Volume 9, T-I, p.490. Rio de Janeiro, 1881-1882.
  • CAPÍTULO de carta de Sua Majestade sobre as minas de ouro do Brasil e as que Belchior Dias Moréa pretende descobrir. (28 de fevereiro de 1618). Indice de documentos relativos ao Brasil pertencentes ao Arquivo Histórico Colonial de Lisboa. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Volume 61, p.198. Rio de Janeiro, 1939.
  • Carta do Governador do Brasil D. Luiz de Souza, ao Rei relatando a viagem que fez juntamente com Melchior Dias Moréia à Serra de Itabaiana, para comprovar a existência de minas de prata que o referido afirmava ter descoberto. Data 15 de setembro de 1619. Arquivo do Conselho Ultramarino. Inventário CTAN: Cx 01; Doc. 01.

sábado, 13 de julho de 2013

Fim da Praça João Pessoa: temores cada vez mais reais.


Quando foi iniciada a polêmica com a história da “Revitalização” da Praça João Pessoa, há mais ou menos um mês atrás, me vieram temores que por trás do tal projeto, de fato estivesse a intenção de transformar o espaço verde – um dos pouquíssimos que temos em nossa cidade – em mais um largo pra estacionamentos de empresários que ganham dinheiro de dia por aqui, e à noite vão passear na belíssima Orla de Aracaju, onde moram. Mostraram um projeto feito pela arquiteta Catarine Cunha e juraram que não seria arrancada nenhuma árvore. O primeiro ato da tal “Revitalização” foi cercar pra ninguém ver o que lá dentro ocorre; o segundo... arrancar a primeira fila de árvores, como previsto. Por trás da dita construção está a mesma mente que de fato inspirou a construção do calçadão da Avenida Airton Teles em 1986, uma eitada de pedra para montanha de granito nenhuma botar defeito; aliás, como quase todos os entusiastas do mega-estacionamento, morador há anos em Aracaju. 
Pois bem, mais dois ingredientes agora me aumentam a preocupação: o dinheiro é pouco. A última praça construída em Itabaiana foi a João Pereira que na época recebeu o aporte federal de 400 mil reais e tiveram de arranjar mais duas verbas adicionais uma de 400 e outra de mais de 200, algo em torno de um milhão na época e que hoje seria de um milhão e meio atualizados; isso levando em conta que a quadra já estava pronta desde a administração anterior. Mas, a maior preocupação, e que aponta no sentido de destruição total da Praça é a história cada vez mais forte e espalhada pelos entusiastas a qualquer custo da atual administração de que o Ficus, a árvore hoje reinante, é prejudicial. Uma plantação da ideia de que deve ser substituído. É a mesma história de fins da década de 60 quando destruíram as árvores no Largo Santo Antônio. A mesmíssima. Claro, literatura a respeito, contra e a favor, se encontra aos montes na internet, inclusive com as opiniões dos indefectíveis “especialistas”. E, portanto, os fícus serão substituídos pelo quê, se o dinheiro não dá? Ora, paralelepípedos, como no “Espaço Jovem”. No máximo na pedreira desenhada que é o calçadão.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Itabaiana, suas praças e suas árvores.


A polêmica agora criada com a história da reforma da Praça João Pessoa (veja aqui o convênio) para criar mais vagas pra carros se deve ao histórico das administrações municipais e suas respectivas fixações em destruírem praças e transformarem-nas em lajes de concreto.
O primeiro caso concreto de uma praça de Itabaiana transformada em laje foi a Praça Santo Antônio, desde 1960 convertida definitivamente em Largo. O segundo caso foi outro espaço também convertido em Largo, logo em laje de concreto, o Largo José do Prado Franco. Em ambos, funciona a Feira Livre.
Há também o memorável caso das praças que nunca foram. A Dom José Tomaz foi doada à Igreja que nela construiu o que é hoje o CTP. A Honório Mendonça, como a Prefeitura Municipal nunca indenizou negociadamente o dono do terreno, Dr. Gileno Almeida, este doou parte, quase toda à Associação Atlética de Itabaiana, criada por ele; parte foi vendida diretamente em lotes e em outra parte foi indenizado na marra já que a Prefeitura invadiu, doou terrenos ao INSS e aos Correios. E não pagou. Foi parar na Justiça com Dr. Gileno, naturalmente ganhando a causa, não sem algumas perdas. A Sebrão Sobrinho, essa é que nunca ninguém aventurou sequer negociar. E, como não houve invasão da Prefeitura, acabou sendo loteada. Houve ainda os casos peculiares da São Luiz, hoje renomeada para Sebrão Sobrinho, e que nunca foi do Município, porque terreno particular da família Teixeira e doado à Igreja; o caso da Praça João Pereira, cujo terreno foi doado junto com a parte onde hoje se assentam as escolas Airton Teles, Nestor Carvalho e Lenita Porto; e há o caso da José Francisco de Mendonça, no Conjunto Euclides Paes Mendonça, onde o Município construiu uma escola, depois saiu doando terrenos à Igreja, cuja última doação ocorreu no mês passado e a Praça vai encolher mais cinco metros, é o que dizem. Aliás, neste caso, existe a praça do Conjunto José Luiz Conceição onde mais da metade foi tomada pela Igreja na construção de outra paróquia.

A grande laje – a Praça de Eventos.

Desde que se estabeleceu no lugar onde foi a sede da fazendola de João Teixeira, pai de Oviedo e do prefeito Silvio Teixeira e avô de José Carlos Teixeira, que a hoje Praça de Eventos, oficialmente Praça Etelvino Mendonça passou a fazer parte das preocupações dos vários prefeitos: um pepino gigante a ser descascado. Até pra cimentar era complicado porque o maior espaço aberto urbano de Itabaiana. Em 1991 João Alves Filho foi reconduzido ao Governo do Estado, com votação maciça de Itabaiana na eleição de 1990; não tanto como em 1982, mas maciça. Em 1994 foi forçado pelas circunstâncias a apoiar Albano Franco que, ressalve-se, nunca foi bom de urna. Teve fim aí a urbanização da Praça de Eventos. O modelo, tipicamente ao gosto dos administradores de Itabaiana, como se vê no projeto original, baseado na laje; pelado. Como mera ilustração, árvores num triângulo na esquina das avenidas Manoel Teles com João Teixeira; metade da quadra onde hoje foi apropriada pelos topiqueiros e duas fileiras – não apenas uma como é hoje – de árvores ao redor do conjunto. Informaram-me na época em tom de ufanismo que era um projeto baseado numa praça na Califórnia, não sei se em San Diego, San Francisco ou outra cidade do grande estado americano. Ocorre que toda a Califórnia está numa latitude acima de 30 graus; logo, com níveis de insolação de metade do que temos no inverno e menos de um terço do que temos no verão. O Parque do Ibirapuera em São Paulo, capital, e o Central Park em Nova Iorque não são propriamente lajes de concreto; todavia a atividade cultural ali, incluindo megashows é intensa. Mas aqui preponderou a laje. Como se vê no projeto original aqui anexado, sequer a quantidade de árvores planejada foi plantada. Quase 30 mil metros quadrados com apenas míseras 102 árvores, quase todas arbustivas. Existem R$ 2.032.000,00 pré-contratados junto à Caixa Econômica (ainda depende de alguns detalhes pra serem liberados pelo Ministério do Turismo) para reforma da dita Praça. Ao que parece, nem projeto existe. Esperemos o que virá – e se virá – pela frente.

Na foto acima: projeto arquitetônico em 1994, antes da construção; o lugar onde seria o parquinho em 2009, já com os topiqueiros dela apossados; e em 1995, um ano depois da obra inaugurada.