quarta-feira, 18 de junho de 2008

De volta à República Velha.

A cassação do mandato do vereador João Cândido – por hora suspensa - é de uma violência ao instituto da democracia que nem mesmo o AI-5 foi capaz de chegar a isso. E olha que, segundo observações do ministro aposentado e ex-presidente do TSE, Carlos Velloso, em participação ontem, 18, no programa Observatório da Imprensa pela TV Brasil, uma Lei de 1972 fazia exatamente o que querem agora os justiceiros da mídia empenhados em pautar a Justiça, que está a aceder. Em nome de uma campanha política movida pela oposição ao presidente Lula, alarmada com a defecção de seus quadros, sem que se faça o que deve ser feito, ou seja, uma Lei definitiva que puna quem vive de pular, a Justiça Eleitoral está de volta aos velhos tempos das eleições de bico de pena da República Velha. Onde grupos econômicos e políticos ditavam como queriam ganhar cada eleição.
A mais nova sandice é a defesa do Estado de exceção com pessoas sendo penalizadas sem que tenham sido julgadas ou, tendo que submeter-se a dois tipos de leis: a geral, consignada no Código Civil e na Constituição Federal e basilar ao Direito dos Povos através da respectiva Declaração Universal; e a matreira, momentânea, sob encomenda para ferrar alguém, aqui subentendida como Lei Eleitoral. Neste particular, nosso conterrâneo, o ministro Carlos Ayres de Brito, com quem até pouco tempo atrás tive contrato em questões trabalhistas, e principal arquiteto da Lei Orgânica Municipal de Itabaiana, em 1989, anda se portando tal qual o seu colega Marcos Aurélio Mello, há pouco tempo atrás. Alguém tem que alertar ao ministro que quem pode e até deve falar muito é o outro membro do clã dos Britto, por ser presidente de uma entidade realmente política, a OAB nacional. O Santo Antonio do Urubu de Baixo da Barra do Parapiá não pode correr o risco de ver seu ilustre filho passar de autoridade respeitada a um mero indesejável. Aliás, foi o TSE de Britto quem cravou mais essa excrescência republicana, a da limitação de vagas pra vereadores com conseqüente criação da desproporcionalidade absurda que aí está. Mais uma vez a Justiça foi pautada pela mídia grande que, entre outras coisas, prometia ao cidadão que seus impostos iam baixar já que as câmaras iriam receber menos dinheiro. O festival de corrupção foi às nuvens.
E em se falando de câmara, o advogado e presidente do Diretório local do Partido dos Trabalhadores, Olivier Chagas resolveu dar murro em ponta de faca ao propor nesta semana a surdíssimos vereadores que é possível, seguindo a Constituição, o retorno do número de dezessete vereadores ou até mais já que quem determina o dito número é a Lei Orgânica do Município; a mesma que o então advogado Britto ganhou dinheiro para assessorá-la e que, lembro-me bem do seu discurso durante a instalação presidida pelo então presidente Nivaldo Alves de Oliveira, o conhecidíssimo Nivaldo de Senhora, quando o mesmo Britto proferiu que “tem de botar tudo na Lei Orgânica, tudo mesmo”. Esqueceu de botar a quantidade de vereadores que agora, seu TSE resolveu “fazer justiça com as próprias mãos” detonando a proporcionalidade tornando-a algo meio surreal. Valeu a intenção, caro Olivier, mas o salve-se quem puder da eleição passada foi só um aquecimento para o "investimento" que virá agora nessa. Lotação esgotada, desculpe!
Enquanto isso dorme em gaveta esplêndida da magnânima Câmara Federal à espera de esquecimento total e sua destinação “lixal” a PLP-217/2004. Seria praticamente o fim da corrupção no Poder Público. Mas isso não interessa aos políticos, aos jornalistas, aos... aos...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Quem vai decidir é a banca.

O Paulo Henrique Amorim, jornalista da Rede Record e blogueiro cunhou uma sigla interessante, conquanto que paradoxal, mas que diante dos motivos se aplica muito bem e vem ganhando corpo cada vez mais junto ao povão. Trata-se da sigla PIG, Partido da Imprensa Golpista. O paradoxo é porque, em tese, a imprensa é a maior arma contra qualquer anormalidade democrática, inclusive o golpe de Estado. De fato o PIG é bem maior que a imprensa ou a mídia paulista onde se origina já que se compõe também do PSDB paulista, de várias entidades de classe do mesmo Estado numa versão atualíssima da UDN visceralmente anti-getulista dos anos 50, além dos meninos de recado como Arthur Virgílio, Demóstenes Torres, Mão Santa, Aleluia e tantos outros fora dos clubes prives de São Paulo.
Bem, tudo isso é para comentar sobre certo segmento forte junto ao ex-prefeito Luciano Bispo que, a exemplo do PIG em maio de 2005, em relação ao presidente Lula, o dito segmento acha que Maria já era. Que Luciano já é o prefeito e que apenas por uma dessas desordens da vida foi surripiado no seu “divino direito” de manter-se à frente da Prefeitura. Mas que em janeiro, tudo “volta ao normal”. Pior – pra ele, Luciano – é que o mesmo de vez em quando dá amostras de que acredita nisso. Bem, aí vem o lado da prefeita Maria Mendonça. Certo dia tomei um moto-táxi com um moto-taxista “roxo por Chico” como se diz por aqui, e não sei por que cargas d’água quis ele saber do meu posicionamento em relação ao pleito de 05 de outubro. Deslizei, busquei ser sincero sem, no entanto fazer o jogo de ninguém já que entendi tudo o que ele queria. Eis que o mesmo finalizou a conversa asseverando que “não tem jeito”, quem vai decidir é o dinheiro. Hoje, 16, encontrei uma figura de fora dos circuitos, “ma non troppo”. O rapaz, medianamente é bem informado. Segundo ele – contrariadíssimo - o banqueiro de uma eleição anterior de certa candidatura vitoriosa já estaria fechado com a candidatura então contrária e hoje na oposição. Esse pessoal – o banqueiro – não dorme em serviço. Usa a política escanchadamente como forma de fazer fortuna. E apenas isso. Ora, então, já que todos concordam, porque contrariar a maioria?
Não há um só projeto apresentado à sociedade por Luciano enfocando o que fará no seu retorno. Isso aponta para a mera continuação da forma como estava em 2004 e que foi desaprovada pela maioria, mesmo que pequena. Da mesma forma do lado da prefeita há uma enormidade de promessas. Umas poucas obras de certo grau de visibilidade, e barbeiragens, como por exemplo, o caso da Avenida Leandro Maciel, há quase um ano começada, e que quase não sai do lugar. Pior é que já surgem denúncias até de que pedras para o dito calçamento estariam sendo retiradas pela construtora para outros municípios. Aliás, não há nenhum ineditismo nisso. Desde os anos trinta que as obras de papel são freqüentes por aqui. Enquanto isso a torcida de parte considerável do eleitorado mariano, expressa no linguajar da Rádio Capital do Agreste é a de que Luciano seja impedido de ser candidato por estar sob investigação, numa contradição brutal ao direito consolidado mundialmente. Isso acaba por mais fortalecê-lo.
Desta forma ficam num placar de 1x1 ou, pior, 0x0. Quanto ao critério de desempate? Depois a CGU e o TCE; e as justiças, estadual e federal correm atrás. Dois mais dois jamais darão cinco ou qualquer outro número diferente de quatro.
Se o governo sergipano do PT quiser fazer alguma coisa por Itabaiana que se espelhe nos governos Graccho Cardoso e José Rolemberg Leite, “meta os peitos” e faça. Da mesma forma, se o governo do PT em Brasília quiser fazer alguma coisa por Itabaiana, vá além das escolas. Por exemplo, ampliem o campo de ação de nossos comerciantes com o asfaltamento da BR-235. Até o Juazeiro já tá de bom tamanho. Foi isso - as estradas - quem realmente mudou o destino de condenado dessa terra num passado próximo.
Por aqui vamos continuar a administrar o sinecurismo; a politiquinha através de cargos públicos de quinhentos contos.
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Post Scriptum: Futuramente publicarei um micro-estudo sobre os investimentos municipais nos últimos vinte anos por aqui.

sábado, 14 de junho de 2008

Saudosa Princesa.

Completou trinta anos ontem, 13, que a segunda emissora do interior de Sergipe e sétima em todo o Estado, foi ao ar oficialmente. Trinta anos de inaugurada a Rádio Princesa da Serra. A emissora que nasceu de um cochilo dos políticos da situação e da agilidade dos de oposição fez história e pode-se dizer que influenciou em muito a história política no município. Mas a sua real importância foi sumariamente negligenciada, esquecida, minimizada. A partir de 1978, o município que já se refizera das desgraças de 1963 e 1967 estava pronto para reagir positivamente, todavia, as condições econômicas gerais no país não eram das melhores e o Estado vivia a reboque do que acontecia na macro-economia e política federal. Mas a chegada da emissora deu um ânimo local muito forte turbinando o comércio fazendo valer a tendência natural que tinha o município. Mesmo sem outras situações inerentes a uma boa infra-estrutura de cidade (faltava um hospital, por exemplo), mas o município reagiu bem à novidade.
O uso abusivo da emissora como palanque político, entretanto quebrou-lhe a magia e, conseqüentemente o poder de mercado e o de influenciar. O feitiço virou contra o feiticeiro. Que pena! A emissora foi a escola de muitos talentos do rádio sergipano. Mesmo não me enquadrando nesta constelação, mas tive o prazer de nela dar meus primeiros passos na área de comunicação.
Parabéns, Princesa!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Oba! Já temos vinte assassinados neste ano.

A índole de todos hé de uma summa reserva e vingança; por qualquer leve capricho se despicão e o fazem atraiçoadamente a tiro, vulgarmente de traz de páu; o primeiro cuidado d'estes he haver huma arma de fogo, ornato que temem muito, se tornão atrevidos e capazes de todo o mal; e n'este continente he o uso da espingarda frequente, as mortes frequentes; os homens quietos e arranchados temem estes vadios e os soffrem, por evitarem cahirem na indignação d'elles... (...) as justiças se não fazem (...)


Diante do vigésimo assassinato no ano em Itabaiana – 50 por cada cem mil habitantes na média anual - ocorrido nas proximidades do Estádio Presidente Médici nesta quarta-feira, 11 de junho, só nos resta lamentar como o fez o Ouvidor-mor Antonio Pereira de Magalhães Paços em carta à Sereníssima Rainha D. Maria I em 26 de abril de 1799, relativo a Sergipe.
Por aqui é assim. A polícia só prende bagrinho, bêbado ou algum leve arruaceiro; esquentado que atirou em alguém, talvez. Quanto à bandidagem, estes vivem impunemente e se acertam da forma como sabem: matam-se uns aos outros. Se no meio aparece alguém que não faz parte desta corriola, se a família é "de sangue no olho", vai à forra através de um pistoleiro. Se não, resigna-se e pede a Deus pra que nunca mais aconteça. " As justiças se não fazem(...)"
E meus impostos continuam a ser cobrados.

Baixo meretrício.

A prisão de várias pessoas em Sergipe (leia mais aqui), policiais federais inclusive, envolvidas em crime de sonegação mostra a que ponto chegou a desmoralização do ato de se corromper. Até propina de vinte contos tinha policial pegando. Nada de Land Rover na garagem, escritórios presenteados a filhos de autoridades, apartamento de cobertura, chácaras paradisíacas, contas bancárias recheadas na Espanha, perdão, Andorra; ou na Inglaterra, perdão, Ilhas Jersey, ou na França, perdão, Mônaco; nada, nada. Míseros vinte contos é o suficiente pra comprar um funcionário federal, geralmente concursado e com poderes de polícia.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Clima preocupante.

Por ser de lá do sertão, lá do serrado/Lá do interior, do mato, da catinga, do roçado/Eu quase não saio, eu quase não tenho amigo/Eu quase que não consigo ficar na cidade sem viver contrariado.
Anastácia e Dominguinhos (MORAIS, José Domingos de)


O jornalista Luis Nassif cunhou a expressão cada vez mais freqüente no mundo intelectual “Cabeça de Planilha”, numa alusão aos papagaios que só sabem repetir velhas e surradas fórmulas, mesmo que comprovadamente ineficazes ou, no mínimo de eficácia questionável. Pois bem. A política provinciana de qualquer lugar tem como característica básica a papagaiada, o “planilhismo”. Exemplo, um esquemão em 1992 derrubou Fernando Collor de Melo levando deputados que o apoiaram até dez dias antes a bradar do microfone da Câmara, “em nome da moralidade pública de meu país; e da minha cidade Itabaiana, sim!”(ao impeachment de Collor). Eis que em 2006, uns e outros quiseram repetir a fórmula que acabou não dando certo.
Mas aí, no plano local, os maiores contendedores do próximo certame eleitoral vivem de apostar no “planilhismo”, na reedição mais que cansada e cansativa de acusações inócuas que, pela própria natureza, somente preenche os egos nada louváveis da turma dos seus próprios esquemas que então estufa o peito e berra: “toma aí, seu...”. Enquanto isso, o município continua sem uma diretriz sobre o seu futuro dentro daquilo a que se pode chamar de planejamento, civilidade. É só tricas e futricas, coisa de gente miúda, no pior sentido.
O ex-prefeito e pré candidato ao retorno, Luciano Bispo, tem insistido em algo que, inclusive não faz parte de sua forma de agir: a fofocaiada. Essa de denunciar que a família da prefeita Maria Mendonça está majoritariamente ocupando os cargos públicos do município, por exemplo, que diferença faz? Será que Itabaiana já cresceu tanto que os mais interessados na vida pública não têm disso conhecimento? Por outro lado vem o pessoal da prefeita e resolve mexer no baú e botar pra fora as traquinagens políticas de Luciano mostrando que até vereador ou ex de outros municípios estiveram na folha de pagamento em 2004 (por enquanto). E daí? Será que Itabaiana não lembra quando existiam por aqui até pessoas funcionárias do esquema Maluf (antes de ser satanizado em 1985) na Prefeitura de São Paulo? No momento consta que parte considerável e estratégica nos vários escalões do governo municipal é de estrangeiros que sequer conhecem Itabaiana. Muda, portanto, em que essa infra-linguagem? Salvo em queda no nível de discussão, desviando-o de seu objetivo, que seria o de fazer Itabaiana progredir, isso só leva ao atraso. Como nos tempos de Sebrão e Itajay em que apenas os Antonio Dultra e Cajuza Queiroz da vida conseguiam salvar a situação. Ou pior ainda, fica mais próximo dos tempos dos irmãos Bezerra, ao fim do período imperial, onde quase Itabaiana acaba.

sábado, 7 de junho de 2008

Neurolinguística.

É impressionante o peso que determinadas palavras tem. Daí porque todo o cuidado do mundo é pouco quando se fala ou escreve, mesmo que com todo ele, inevitavelmente acabe-se por cometer algumas barbeiragens aqui e acolá. Aliás, em se tratando de matéria prévia o dito cuidado é sempre necessário com tudo. Lembro-me que noutras épocas, quando assessorei a CDL, Câmara de Dirigente Lojistas daqui de Itabaiana que, a maior preocupação ao construir uma campanha promocional que envolvesse premiação era a de não deixar furo algum para que alguém pudesse por ali usar de má-fé e destruísse a credibilidade da campanha. Existia até a assessoria especial de “testes de resistência” da campanha. Pois bem. Tudo que me levou a escrever essas mal traçadas linhas foi a constatação – já de algum tempo – que a turma do Partido da Frente Liberal, o PFL, errou feio ao querer imitar os americanos se renomeando de Democratas, o que inexoravelmente daria no trocadilho Demo. Ora, isso nos Estados Unidos, é no máximo uma inocente apresentação já que recentemente com o advento da informática tornou-se usual a palavra demo, de demonstração. Por aqui, demo vem do “coisa ruim”, “ferrabrás”, ‘trevoso” e haja nomes pra etiquetar o pobre diabo. Logo, só um marqueteiro “cabeça de planilha”, “americanizado”, pra botar um nome destes num partido que sonha com o poder vinte e quatro horas por dia.