sábado, 19 de setembro de 2026

LONGA VIDA À CASA DE ZÉ CRISPIM! MEMÓRIA PRESERVADA.

 

A velha fachada de 1990 (1ª, à esq.), depois da residência ser substituída por uma mais nova, na outra rua, aos fundos, começou a vestir roupa nova. Aqui, (à dir.), em obras, em fins do último setembro.

Faz tempos que a vi pela primeira vez. Foi em 1975, quando me matriculei na escola de datilografia de Antônio Alves dos Santos, Tonho Patola, sob as orientações de Lenita, sua então futura esposa, à época, na Rua das Flores.

Acima, recibo do meu primeiro mês de datilografia, na escola que funcionava na Rua das Flores (Rua Marechal Floriano Peixoto).
Embaixo, foto panorâmica, de 1941, a partir da torre direita da matriz de Santo Antônio e Almas, vendo-se por cima das casas da praça, sobressaindo os enfeites do platibanda, os mais ao centro da foto, agora repintados.(Foto João Teixeira Lobo)
Logo me disseram que era a morada de Zé Crispim da Loja, o alfaiate e comerciante José Crispim de Souza, poeta e cronista nas horas vagas.

Achei a arquitetura interessante; um pouco parecida com as supostas ruas de Ilhéus, da novela Gabriela, Cravo e Canela, então passando em primeira versão.

O impacto era porque, na zona rural de onde eu vinha, a maior parte das vivendas, todas médias, de sitiantes; ou pobres, de pataqueiros, o modelo comum era o chalé e o vão, poucos em alvenaria, e a maioria de taipa com acabamento de piso de tijolo e reboco e pintura; e as mais pobres, a “mão na testa”, de uma única água.

A cidade, estava em franca construção e reconstrução, em alvenaria, mesmo de residências ainda humildes. Ver algo mais caprichado, causou-me certo prazer em deslumbrar.

A Rua das Flores já tinha 15 anos de dividida pela Avenida Ivo de Carvalho, mas, território da incipiente classe média da pequenina urbe, apesar de em franco crescimento. Nela, tanto na parte renomeada de Floriano Peixoto, como na Barão do Rio Branco, endereço do prédio em foco, várias casas no mesmo estilo, que foram desaparecendo, principalmente à medida que as contas bancárias ficavam mais polpudas.

Porém, Zé Crispim fez outra casa, ao fundo, de frente para a Rua da Jaqueira (R. Manoel Garangau), pedaço da antiquíssima estrada real Salvador-Olinda; mas não mexeu na fachada da Rua das Flores.

Bem, depois de ter resistido por quase um século, a velha fachada do imóvel, hoje sob a administração do seu filho, Antônio “Grampão” Crispim de Souza, recebeu ampla reforma, terminada na semana passada, no alvorecer deste setembro, antecipando a primavera. E volta a encantar quem gosta de ter história pra ouvir e contar.

A outra resistente é a casa que pertenceu a Francisco Vilobaldo de Oliveira, o antológico Chico do Cantagalo, construída em 1926, aqui, à dir., e com detalhe, o mais antigo registro, feito por Percílio Andrade, em 1929.

Restam só duas construções centenárias. Simbolicamente, de um momento em que Itabaiana finalmente estava despertando de um sono letárgico de dois séculos e meio, parada no tempo, como um município rico, mas com uma sede paupérrima.

Longa vida à casa de Zé Crispim!