Há mais de uma semana que eles não mais coaxaram.
A festa emudeceu.
O palco? Um pequenino sítio que ainda resta, entre as ruas São Luiz e Vera Cândida de Santana, cujas retificações, sepultaram um pequenino trecho da quatrocentona estrada colonial, Salvador-Olinda, a do sertão. Passando, naturalmente por Itabaiana.
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| Traços da quatrocentona estrada (em vermelho), ainda visíveis na fotografia aérea de Walmir Almeida, de 1986. Em verde a localização atual do "palco" em questão. |
Porém. neste ano, mesmo sem alteração física no seu meio, por intervenção humana, a orquestra anda devagar.
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| O local referido, paraíso da saparia, e de ouvidos que com seu cantar se delicia, entre as ruas São Luiz, acima; e Vera Cândida, em baixo. Bairro Club. |
Em abril, só veio chover por aqui no finzinho do mês.
Em maio, continuou o iniciado em abril, parando completamente por uns quinze dias; dando um pequeno agrado em junho, depois do Santo Antônio, e só voltando a chover, também no finalzinho do mês e início desse que ora termina. Nesse, choveu bem no dia 16, e menos no dia 17. Hoje, 30 de mês, só uma ameaça a cada semana. Ameaça, mesmo.
Aí a turma da maravilhosa orquestra não aguentou: guardou os instrumentos para dias melhores.
Uma pena: serve de atração especial toda vez que vou ao estúdio de pilates, especialíssimo porque é o único da cidade com visão para a história – ao menos para mim – contida no fiapo de estrada acima citada, com coqueiral a farfalhar suas palmas preguiçosamente, infundindo calma e bem-estar, enquanto as instrutoras capricham em seu afazer de desbastar a ferrugem de articulações viciadas e cansadas, operando milagres.
Sem a orquestra ranária, fica faltando um pedaço.
E sobram, de certo modo preocupações, já que o consumo de água explodiu na últimos 30 anos, e as nossas barragens construídas nos governos pós-redemocratização – João Alves Filho e Antônio Carlos Valadares – sequer estão sangrando como de outros anos.

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