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| A acadêmica sorridente, depois de ser empossada na Academia Itabaianense de Letras, em 27/11/2015. No mapa, da cidade de Itabaiana, em 1938, em vermelho, o local do sítio onde nasceu. |
Hoje, dois de outubro do ano de Nosso Senhor Jesus Cristo, de dois mil e vinte e seis, a Academia Itabaianense de Letras; a família Itabaianense; e sua sociedade desse velho município tem a comemorar uma data emblemática para sua história: o centenário de D. Ieda Tavares Silveira.
D. Ieda é testemunha, como agente, e como beneficiária, da rápida evolução do sistema educacional do município, um dos pilares da sua atual grandeza. Foi aluna da primeira turma do Grupo Escolar Guilhermino Bezerra, a primeira escola de fato em Itabaiana, se formando no Normal em Aracaju, depois assumindo uma cadeira de mestra, devolvendo à sua terra o que ela pôde lhe dar de melhor.
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| As décadas de 1930 e 1940 foram riquíssimas para Itabaiana. E para a geração como a da garota Ieda Tavares, assinalada em vermelho. |
Foi testemunha da reorganização administrativa, com o surgimento da estatística profissionalizada, método racional de compreender e acompanhar os frutos do progresso, fazendo precisas correções. Seu esposo, José Silveira Filho, foi durante anos agente estatístico do IBGE.
Nasceu em um sítio, no subúrbio da pequenina cidade, hoje zona urbana, já sob o ronco dos motores, com seu futuro sogro introduzindo o primeiro automóvel na cidade, antes mesmo de 1° de abril de 1927, quando foi inaugurada a rodovia Itabaiana-Laranjeiras. Tinha apenas um ano e meio, quando o bom senso fez retornar a feira livre, ainda hoje o coração econômico de Itabaiana, ao Largo Santo Antônio. A garota Ieda viu também roncar o primeiro caminhão, de Esperidião Noronha.
Porém, uma das histórias, presentes na memória da família, traz que a então garotinha Ieda, conviveu por breves meses com a presença de um garoto do povoado Saco Torto, município de Malhador, a ajudar nas lides do sítio, antes deste se debandar e se converter no poeta e cangaceiro Antônio dos Santos, o Volta Seca.
Aos sete anos, saíram do sítio para a Praça Maior, ou seja, a Praça da Matriz, ou Fausto Cardoso. Foi testemunha ocular dos efeitos da terrível seca de 1932, registrada em fotografia, publicada em jornal.
Viu surgir mais um traço de refinamento de Itabaiana, com a inauguração do coreto da praça da matriz, certamente ali assistindo alguma retreta de que não se lembra.
Em 4 de abril de 1937, testemunhou a consolidação de um sonho multissecular, qual seja a inauguração da primeira escola construída em solo serrano: o Grupo Escolar Guilhermino Bezerra. No qual concluiu seus terceiro e quarto ano do curso primário, aproveitando os bons ventos, que nascia com as ideias universalizantes na Educação, trazidas por Anízio Teixeira e outros.
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| Jornal O Progresso, de Itabaiana, e o Posto Agropecuário da Fazenda Grande. De 31 de agosto de 1941. |
Testemunhou o burburinho sobre a Fazenda Grande e sua transformação em projeto de qualificação agropecuária; os lamentos e apreensões com nossos pracinhas, rumo à Itália conflagrada pela cruel Segunda Guerra Mundial, e as procissões promovidas pelo Padre Eraldo Barbosa, incluindo o fim do conflito, e a alegria do retorno dos que lá foram.
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| Procissão em 13 de maio de 1945, para comemorar o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. |
De algum modo foi também afetada pelas brigas entre pessidistas e udenistas, da qual resultaria as mortes de seus dois maiores líderes, duas décadas depois.
Enquanto isso, a pequenina cidade em que tinha nascido se transformava celeremente.
Em 1949 foi inaugurado aquele que seria seu endereço de trabalho, e a redenção da vetusta cidade: a Escola Normal Murilo Braga, hoje Colégio Estadual. Naquele ano, também, dez grupos escolares, denominados Escola Rural, foram construídos no município, que ainda englobava o atual município de Moita Bonita. E, começaram as obras d'arte, preparando a BR-235, inaugurada em 1954.
Do ponto de vista estritamente pessoal, finalmente, o que começara com recadinhos musicais no alto-falante da Praça, operado, obviamente pelo Dom Juan, José Silveira Filho, em nove de junho de 1951 veio o enlace matrimonial entre os dois; união que perduraria até o falecimento dele, em 21 de julho de 2000, quase meio século, depois de enriquecer a família Itabaianense com mais nove cidadãos e cidadãs de primeira classe.
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| A Veraneio de Dr. Pedro Garcia Moreno Filho. Com amigos. |
Num belo dia de 1971, na Veraneio de Dr. Pedro Garcia Moreno Filho, embarcou todo mundo definitivamente pra morar na capital.
Ali D. Ieda acabou de criar os nove filhos, e está hoje, cercada de netos, bisnetos, como se a mirar desde a cumeeira exclusiva de Sergipe - a serra de Itabaiana – a contemplar esse século de vida, riquíssimo de história. A nossa História.
Parabéns, confreira da Academia Itabaianense de Letras, D. Ieda Tavares Silveira.
Itabaiana sente-se grata pela sua existência.




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