sábado, 1 de dezembro de 2018
PERDEMOS PEDRINHO DOS SANTOS
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Almeida
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13:58
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
A patinha feia
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A ESTRADA "CAMINHO DE SERTÃO DO MEIO,desde 1590 |
"Da largura que a terra do Brasil tem para o sertão não trato, porque até agora não houve quem a andasse, por negligência dos portugueses que, sendo grandes conquistadores de terras, não se aproveitam delas, mas contentam-se de as andar arranhando ao longo do mar como caranguejos."
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11:24
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Voltando à velha escola.
Foi um bonito encerramento da “X Semana Literária”, dentro do Projeto Vivenciando o Saber”, com declamação de poema, apresentação de números artísticos, falas rápidas e variadas – no meu caso, fiz a apresentação formal do conjunto de banners com a história de Itabaiana em imagens, legendadas, naturalmente - entrega de moções, e aí a minha surpresa: recebi uma placa, em agradecimento – não sei se o que fiz vale tanto – e pelo fato de ser aluno fundador da escola.
Em tempo: num aspecto, a escola não mudou. O mesmo denodo com que a minha professora primária fez-me atravessar os cinco anos regulares que ali passei, tem as atuais, a partir da direção, em manter a tropa atual em forma, centrada, com espírito humilde, mas de atitude vencedora. Alegre e confiante.
É bom recordar.
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Almeida
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21:43
domingo, 28 de outubro de 2018
Mais um desastre brasileiro?
Desenha-se a partir de hoje mais um desastre político-social, queira Deus que não muito pior que de 1967-1976, que culminou com a selvagem e covarde execução de Vladimir Herzog nas masmorras do Doi-Codi da velha amedrontada – e por isso tão reacionária - São Paulo, em 25 de outubro de 1975. Foi preciso uma conjunção de fatos e fatores para que o general-presidente Ernesto Geisel tivesse pulso para, por um lado fechar o Congresso, e reendurecer temporariamente o regime, mas por outro, sair um pouquinho de debaixo das asas do Departamento de Estado americano, voltar aos investimentos nacionais em estrutura e estratégia, estabelecer um programa de “abertura lenta, gradual e segura”, não depois de mostrar ao “capo” do país, Roberto Marinho, senhor da Globo, e por ela do “pensamento” de 80 por cento dos brasileiros, sobre quem agora estava no comando da nação.
“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formou um público tão vil como ela mesma”, para usar integralmente as palavras de um ícone do jornalismo e pensador, Joseph Pulitzer. De repente nos vemos perigosamente mergulhados num protofascismo, irracional, como lhe é próprio, com um “inimigo” totalmente identificado, isolado e acuado, o que exigirá do novo presidente uma atitude geisiana, pra dizer o mínimo, a desarmar a bomba que a infâmia, a maledicência armou, máxime em 13 anos de derrotas eleitorais fragorosas e conseqüentes mentiras e verdades tornadas mentiras pela distorção dos fatos criou.
Ocorre que este presidente, que acaba de ser eleito tem bastante experiência, porque do mais nebuloso nicho da política brasileira – o Rio de Janeiro – mas até o momento não a apresentou; guiando-se por chavões fascistas, tão ao hematológico gosto dos zumbis, da cobertura à senzala, que, cínicos, sádicos e insensíveis somente se comprazem, temporariamente, vendo o sangue alheio escorrer. Foi essa caterva, sempre latente entre os grupos humanos, que a nossa vil imprensa despertou e tem gestado nos últimos 35 anos, e radicalizado a partir do sucesso lulista, desde a eleição de 2002, mas principalmente com o magistral descolamento pessoal de Lula, da patacoada cognominada “mensalão” (em minúscula mesmo).
O trabalho de desconstrução da política pela vil imprensa, reconheça-se, com justiça, o valor do invejoso Fernando Henrique Cardoso e do cabeça oca Aécio Neves na patranha, forjou uma sociedade “apolítica”, bem o demonstrou o resultado do primeiro turno das eleições deste ano, onde, quanto mais o grupo susceptível à deseducação da imprensa, mais expressiva a derrota da política para o aventureirismo.
Tudo começa a se materializar quando Fernando Henrique Cardoso, subscritor-mor do golpe reorganiza o “mensalão”, ao concitar ao “não perder o foco”; e transforma-se em tragédia diante da incompetência de Aécio Neves, em 2012, em mal articular sua vitória, o que criaria com ela uma descompressão e aparente natural alternância de poder: Aécio, por pura preguiça, negação ao gênio político do avô – Tancredo Neves - e arrogância, não negociou com os caciques nordestinos. Botou tudo a perder. Todos os males porque o país vem passando e venha passar nos próximos anos credite-se na conta desses dois homens de caráter frouxo. Não esquecendo, claro, os traidores menores, como o sempre ”Gollum”(1) José Serra.
Baixa com desonra
O ocaso das atuais lideranças políticas, como sempre, premiará, a médio prazo, líderes que sustentaram a falange até o último segundo; colocará no ostracismo os que se revelaram pífios, e porá na eterna execração as biografias polêmicas. Ninguém, contudo, sobreviverá politicamente. Nem mesmo o hoje eleito presidente. De todos, porém, a História será implacável contra os três supra nominados e mais uma meia dúzia de figurões, todos da chamada direita.Geisear radical... ou o caos.
Diante da vileza da parte enfascistada da sociedade – que não votou em Jair Messias Bolsonaro; votou na condução do PT ao tronco, com açoites, óbvio, “tudo sem processo algum, pelo simples mandado do juiz de fora” (2) – Bolsonaro não terá alternativa: intervirá no Congresso com cassações e prisões; manterá Lula preso, reprenderá Dirceu, prendendo mais alguns ex-figurões do PT para saciar a sede de sangue de “seu” eleitorado. É pouco, porque os ensandecidos são insaciáveis, e por isso, como o foi em 1968, logo, logo a classe média antipetista tornar-se-á antimilitarista; e passará a fustigar-lhe, mais violentamente do que fez a partir de 1968, porque cem por cento conectada. Bem vindo a um novo AI-5! Sofisticado, porque, com fechamento do Congresso, censura pesada, talvez cassações das redes de fofocas, e maledicências, ditas notícias, e toda a cartilha já por demais conhecida, vem aí mais o controle estrito de toda a sociedade mediante os algoritmos. Ditadura à la chinesa. O Admirável Mundo Novo.Fecho da tragédia
Por fim, voltaremos aos tempos de governo petistas, com sinais trocados: um grupo – os militares e seus puxa sacos, interesseiros, como de praxe – um “inimigo” totalmente identificado, isolado e acuado; só que armado, e como é próprio da sua natureza, e diante da titânica responsabilidade nos ombros de “última barreira à destruição do Estado”, destruição da pátria... do Brasil, vai reagir violenta e às vezes irracionalmente.O futuro imediato cobra, pois, do presidente Jair Messias Bolsonaro que seja uma perfeita combinação de Lula e Geisel: habilidade política a toda prova, e força firme, precisamente aplicada.
Será?
Agnus Dei, miserere nobis!
_______
(1) Personagem da trilogia “Senhor dos Anéis”.
(2) ALVARÁ SOBRE O MESMO. (03/03/1741) Anais da Biblioteca Nacional, vol. 28, p.200, Rio de Janeiro, 1906
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20:10
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
Uma Exposição Industrial em Terras Vaqueiras
Um sucesso! Se levarmos em conta a apenas recente explosão, mesmo que moderada, da atividade industrial em Itabaiana, podemos afirmar que foi um retumbante sucesso. De público e de vendas. E mais que isso: a perda da timidez em pensar grande, empreender, nesse nosso grave momento de crise política e econômica, onde há dez anos que se trabalha o contorcionismo como tentativa de escapar ao desastre americano, e por tabela mundial, de 2008. E é justamente nessa “década perdida”, que um lugar sem tradição industrial vem celeremente se transformando em potência industrial.
As Feiras Industriais
Com o avanço da Revolução Industrial, em início do século XIX pipocaram feiras industriais pela Inglaterra, e em menor freqüência e número, em outros centros industriais menores, como a Holanda, França, e na Renânia da proto Alemanha, desaguando na primeira Exposição Universal de Londres, de 1851. Desde o seu início foram momentos ideologicamente indutores. Autoconfiança, progresso, bem estar, inovação. Poder.A primeira destas feiras a seriamente impactar o Brasil foi a Exposição Universal de 1876, na Filadelfia, estado da Pensilvânia, Estados Unidos. Nela, um Estados Unidos realmente unido pela força das armas e da razão, com o fim da ultrajante escravidão se mostrou ao mundo, refeito completamente de uma terrível guerra cível há pouco mais de dez anos, e que pôs irmão contra irmão, se apresentando como líder mundial, que o tornaria no bicho-papão dos últimos oitenta anos. Uma Roma contemporânea. Nas entrelinhas da documentação imperial, a nítida percepção de um Imperador D Pedro II, enquanto fantasiado com o que lá viu, caindo na realidade de contar apenas com um império gigante muito mais adormecido do que antes imaginara, com excesso de esperteza e zero de iniciativa. Que o perigo não estava no abatido Paraguai ou mesmo na então exuberante Argentina, a nação mais rica do continente; estava bem ao norte. Na terra dos homens de iniciativa. Que trazia todo o aprendizado dos guerreiros vikings e celtas, da diplomacia comercial portuguesa, da agressividade comercial anglo-holandesa, contaminado com o recém-nascido império da razão alemão. Perigo real e imediato. Que se confirma até hoje.
Ousadia
“Quem não arrisca, não petisca”. Foi pensando assim que surgiu a Expo Indústria de Itabaiana. Fruto do pensar, quase em devaneio de uma turma de jovens e confiantes empresários, que não param de surpreender, pela audácia, arrojo e afinco com que tem perseguido seus sonhos. A frente da Expo esteve, máxime os empresários Honorino Dias Jr (Perfil Empreendimentos) e Givaldo Marcelino (Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Itabaiana, ACEI), mas também uma plêiade de jovens empresários, sempre comungando em momentos como esse. Junto desse grupo mais jovem, gente tão arrojada, como o empresário Manoel Messias Peixoto, proprietário do Shopping Peixoto, e os sonhadores – e realizadores - de sempre, como o empresário e ex-secretário de Indústria do Município, Francisco Altamiro Brasil, enfiado - quase sempre pai - em dez em cada dez “maluquices”, sadias, obviamente, em Itabaiana nas últimas quatro décadas, e Luiz Bispo, ativista e empresário, também ex-ocupante da pasta, e sob os quais se deu toda a arrancada para os dias atuais.A idéia que permeou o evento é que ganhe periodicidade bienal. A cada dois anos, o que deixa ainda mais forte a necessidade de um centro de convenções, uma infra-estrutura mínima para eventos dessa natureza e porte.
Sucesso! Esperemos pela próxima.
Passou no teste.
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10:46
sábado, 22 de setembro de 2018
NOITE DE CONCERTO
Está de parabéns a equipe de apoio da Filarmônica, o pessoal local, especialmente o coordenador Clóvis (coordenador da capela de N. S. Santana, local da apresentação), os assistentes inclusive os de fora, como o professor José Costa Almeida, que veio da capital rever o local do inicio de sua carreira estudantil, e aqui, o meu agradecimento especial aos garotos e garotas: Ana Luiza, Amanda, Beatriz, Dayse, Fabiana, Gabriel, Greci, Ilana, Joana, Jonathan, Laedson, Layslaine, Liliane, Lirithy, Luana, lucas Alves, Lucas Silva, Luiz, Maria Eduarda, Naiara, Stéfany, Thauana e Yan, que brilharam como músicos; ao maestro Clodualdo Nunes Silva, que também brilhantemente os conduziu; ao maestro-presidente, Valtênio Alves de Souza, pelo esforça na execução do projeto; e aos meus confrades na Academia Itabaianense de Letras, Dr. Rômulo de Oliveira Silva, ex-presidente da Filarmônica Nossa Senhora da Conceição e entusiasta do projeto, este, em particular, e Antônio Samarone Santana e sua equipe Serigy, pelo apoio à maravilhosa noite de hoje.
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21:55
terça-feira, 14 de agosto de 2018
REVOLUCIONÁRIOS EM ATIVIDADE
Antes de entrar no assunto em pauta, uma observação: tudo que em Itabaiana foi feito de positivo nada teve de ideologia de qualquer natureza; só a luta pela sobrevivência, a garra de quem aproveitou as oportunidades pra sair do limbo e conquistar o seu lugar ao sol. Desde as aulas na Filarmônica Nossa Senhora da Conceição, tomadas por Luiz Americano, em preparo para uma vaga no Exército brasileiro, e depois sua gloriosa carreira de co-fundador do Chorinho; da vanguarda no comércio varejista, com duas das cinco maiores redes de supermercados do país – chegando a três entre as dez, se ampliarmos o leque – de fins do século próximo passado, à explosão no número de universitários da década de 70 em diante, tem sido tudo em busca do sucesso pessoal, aproveitando o mar de oportunidades com o Nacional-Desenvolvimentismo de Vargas, que no seu núcleo duro foi preservado pelo regime Militar-Civil, e que está sendo sepultado agora por essa corja de criminosos que assumiram o poder, o governo de fato, desde junho de 2013.
Revolução Popular
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12:02
sábado, 28 de julho de 2018
EXPRESSÃO DE VIDA
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21:37
quinta-feira, 5 de julho de 2018
Ecos de boas lembranças.
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Convite. À direita. escritor em turma de 1975 do Colégio Estadual Murilo Braga |
Será lançado hoje, às 17:00 horas, o livro, “A Vida Como Vocação”, do amigo, irmão por adoção mútua - ex-colega de JUC-Juventude Unida a Cristo, fins dos anos 70, e de Correios e Telégrafos, na mesma época - José Ginado de Jesus, Ginaldo de Seu Zé Mateus. O livro é prefaciado por ninguém menos que o arcebispo de Aracaju, Dom João José Costa.
O lançamento em Itabaiana ocorrerá no CTP-Centro de Treinamento da Pastoral, ex-Escola Técnica de Comercio de Itabaiana, na Rua José Mesquita da Silveira, 458, Centro, antigo QG da turma da sobredita JUC nos fins dos 70, como já dito, e início dos 80.
Creio-lhe, um momento sublime porque próprio do autor sempre fazer; nunca aparecer. Mas um livro é um livro. O eternizar de idéias: das mais simples, às que transformam a história humana. E, como ativista católico, por quase meio século, Ginaldo tem um arsenal de conhecimentos e experiências acumuladas que agora compartilhará, mas além que usualmente faz.
Às 17:00 horas estarei lá.
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09:24
domingo, 3 de junho de 2018
Crise econômica tucano-jurídico-midiática ainda não chegou a Itabaiana.
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12:56
sexta-feira, 18 de maio de 2018
O PT e a Revolução Taiping
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11:01
domingo, 13 de maio de 2018
Uma Mãe Menininha
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Em seminário da SM da Saúde, 12/03/09 |
A Casa do Estudante foi mais uma das instituições criadas pelo CASCI, com a finalidade de suprir um antigo sonho da Itabaiana esmagadoramente rural e agrária, portanto, com o advento de uma escola agrícola, que nunca saiu das intenções. Uma das últimas realizações do paroquiato do padre Arthur Moura Pereira, ficou latente sob aquele e sob o curto período do padre José Araújo Santos. Veio funcionar com destinação secundária, ou seja, de república estudantil, a partir da chegada do Segundo Grau na cidade, em 1970, decisão do Monsenhor Soares, animado pelos resultados positivos da Escola Técnica de Comércio, hoje CTP-Centro de Pastoral.
Ficava num sítio na periferia da cidade, na quadra compreendida entre as avenidas 13 de Junho e Manoel Francisco Teles, e as ruas Pedro Diniz Gonçalves e Quintino Bocaiuva, a do SENAC, Colégio Djalma Lobo, Secretaria Municipal de Educação e Energisa, que lhe ficam de frente. Dividia-se em três unidades, a saber, a Casa dos Meninos, o Refeitório, para ambos, a Casa das Meninas, único que estava dentro da cidade, na esquina da Avenida 13 de Junho com Quintino Bocaiuva, já com formação urbana, reconstruída e atualmente abrigando alguma coisa da Prefeitura. O resto, sítio.
D. Menininha chegou na Casa em 1973, Depois de malsucedidas gestões outras em bem conduzir três e até cinco dezenas de jovens e adolescentes, com os hormônios lá em cima e a rebeldia própria de quem está para o despertar da vida plena. Vinha de uma família interiorana típica, exceto no número de seus membros; religiosa, conservadora. De repente se viu diante de membros das mais estranhas tribos. Houve momentos da Casa contar com pessoas de 40 localidades diferentes. Era muita diversidade! Solteirona, nunca sequer namorou, e de família pequena para os padrões da época, era de se esperar que a falta de experiência em lidar com tal diversidade público a conduzisse a rotundo fracasso; mas não.
Com sua personalidade explosiva, acelerava em dez segundos, ficando vermelha como uma pimenta, quando alguma coisa a contrariava; do mesmo modo desacelerava, e logo estava rindo com aquele sorriso quase infantil, porém sem jamais abrir mão da firmeza, dos princípios. Determinada, virou motorista de seu fusquinha azul celeste em 1977, numa época de raras motoristas por aqui. Tinha prazer em servir.
Era só gerente da Casa, mas não raras vezes emprestou dinheiro aos seus pupilos, que por um motivo ou por outro a mesada atrasou. Era solidária até nas desilusões amorosas da garotada. Desde que não envolvendo membros “da família”. Nada de namoricos entre membros da casa. Tinha um faro exemplar pra evitar problemas e sabia muito bem do que era capaz a menor quantidade possível de pólvora perto da menor fagulha. Viveu cada momento da vida de cada um de nós que pela casa passamos nos dez anos que a dirigiu. Mais que uma gerente e até uma preceptora: uma segunda mãe.
Hoje, dia das mães, ao ouvir Maria Bethânia e Gal Costa cantando o clássico de Caymmi, Mãe Menininha do Gantois lembrei dessa passagem que me marcou. A Casa, no seu plantel feminino sempre possuiu exemplares que “olho ruim não podia ver”. Meninas belas, meigas, o que elevava a testosterona da macheada, só de nelas pensar. Mas o controle era rígido: terminou a refeição, único momento de congraçamento sob os olhares vigilantes de D Menininha e sua fiel escudeira, Zefinha, logo vinha a ordem: todo mundo se recolher aos seus aposentos. Mas a inteligência é criativa. No princípio do segundo semestre letivo de 1975, de repente resolvemos fazer uma serenata para as meninas; e aí, a galera chegou no pé do murinho na delas, já sabendo que viria bronca de lá pra cá. Tombeira (nome de guerra de Antônio Beltrame), adolescente, mas já era baixista no conjunto Musical Embalo D, de Nossa Senhora das Dores, à época um dos melhores do estado - e era, claro, o nosso artista - no violão; Fernandão, Eduardo, Aluísio, eu, Valtênio, e outros a cantar. De repente a luz acendeu no interior do casarão! Já esperávamos mas.. era ela, D. Menininha.
De imediato a música mudou. E entoamos em coro a Mãe Menininha do Gantois. Nem sequer atinamos que poderia ter efeito inverso, já que D. Menininha era católica tradicional, e a música louva, de certo modo, ao candomblé. Qual nada! Uma cara sorridente apareceu na janela que se abriu, para, mesmo por trás de um belo sorriso ditar a firme ordem: "vão dormir, meninos. Já está tarde viu?"
Fechou a janela. E satisfeitos saímos cantarolando a Mãe Menininha do Gantois pelos cem metros de estrada que nos separava, com aquele sorriso típico de mãe em nossas mentes para mais uma noite de sono.
Saudades!
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11:22
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Malhando em ferro frio para tirar dele um mínimo de calor
Bem, contratei hoje o artista plástico, desenhista e escultor, Adilson Lima, que me ajudará a criar, em cenas, passos da bela, profunda e grandiosa história de Itabaiana. Eppur se muove, dizia Galileu. Serão dezoito a vinte banners, com mapas, gráficos, e muitas cenas fotográficas – desde o advento da fotografia por aqui, a partir de 1890 – e desenhos, que, uns raros, de mera ilustração vali-me do magnifico acervo de autoria de Percy Lau, e seus registros do cotidiano nordestino, o e grosso pela pena do Adilson, exclusivamente para o tema em foco.
A minha previsão é que esteja o projeto todo pronto em agosto, o mais tardar em vinte de outubro, quando começa a quinzena máxima na história de minha cidade, com a criação do município, 20 de outubro (com a instalação da Câmara de Vereadores, em 1697); o fundação da cidade, de 30 de outubro (com a instalação da paróquia de Santo Antônio e Almas, 1675); e finalmente a Rebelião dos Curraleiros, de 5 de novembro, data da invasão de São Cristóvão por vaqueiros revoltados contra o padre que obstou o reconhecimento da Igreja Velha como paróquia, pelo bispado na Bahia, e cobrança abusiva de impostos sobre o gado, em 1656.
Tarefa muito difícil, especialmente porque, além de trabalhosa, muito dependente de terceiros. Mas acredito nas parcerias. Acredito que vai dar.
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21:04
domingo, 22 de abril de 2018
Mais uma comemoração fixa a cultura serrana: Santo Antônio fujão
O povo de Itabaiana queria a Igreja Velha; mas o Estado, representado pela Igreja, ou seja, pelo padre Sebastião Pedroso de Gois queria a Paróquia noutro lugar: seco, esturricado, aqui seria instalada a Irmandade das Almas, mola mestra da cidade de Itabaiana, até que essa viesse a ser tornar viável, quase dois séculos depois. E a igreja oficial. A outra, a Igreja Velha, nunca foi reconhecida; mesmo sendo uma construção robusta, que apesar de 250 anos de abandono e depredações, alguma coisa ainda resta de pé. A Matriz de Santo Antônio, só veio a ser construída em 1763, noventa anos depois.
Foi um ato de força de Estado a fixação da Paróquia na Caatinga de Ayres da Rocha; e, se era o Estado, através da Coroa e da Igreja, ninguém era doido contestar: seria executado pelo governo e maldito pela Igreja, sem direito a sonhar com o paraíso depois da forca. Mas, o Poder que tem juízo só usa a força bruta em ultimíssimo caso; algum padre criou A VONTADE DO SANTO, como forma de convencimento e aculturação. A imagem furtivamente fugia da Igreja Velha e vinha se postar na forquilha de uma quixabeira, ao lado da casa da fazendola dos herdeiros de Ayres do Rocha Peixoto, conhecida como caatinga. E, como era da vontade do santo, aqui foi instalada a Paróquia.
A REVITALIZAÇÃO DA LENDA
As ruínas da Igreja Velha, primeira tentativa de estabelecimento de uma paróquia e cidade. No detalhe, 250 anos de abandono não abalou a fé por inteiro.A data de origem da lenda se perde no tempo, mas vem sendo cuidadosamente revitalizada por um grupo, pequeno, mas determinado, liderado pelo médico Antônio Samarone Santana, escritor, pesquisador, professor da UFS e acadêmico das academias de Medicina de Sergipe, e Academia Itabaianense de Letras, onde ocupa a cadeira número 1, que tem como patrono Alberto Carvalho, entre outras obras, compositor do hino da Associação Olímpica de Itabaiana.
No dia 19 do próximo passado mês de março, junto ao Secretário de Agricultura do Município de Itabaiana, Erotildes de Jesus, e do prefeito Valmir dos Santos Costa, Samarone começou a materializar a ideia com o plantio de uma muda de quixabeira, na Praça Fausto Cardoso, em gente à matriz de Santo Antônio. Mas não fica por aí. Está agendada para o próximo 13 de junho, dia do santo padroeiro, uma caminhada desde a Igreja Velha até a sobredita quixabeira, distribuição de material informativo-educativo entre outros, doravante todos os anos na mesma data.
É o início de mais um evento cívico-cultural que a cidade estava a dever a seus filhos e outros interessados. Três séculos depois.
Que seja bem vindo!
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10:11
segunda-feira, 9 de abril de 2018
O "ALVARAL"
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Almeida
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20:16