quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

TIRO DE GUERRA 142. DE VOLTA.

 

Entre 1971 e 1976, rumores de retorno se resumiram a rumores. 

E eis que recebo um convite através do amigo, protético de profissão, ex-colega de ECT, ex-vereador, e entusiasta do serviço militar Pedro Edson de Campos, para a inauguração de mais uma etapa do Tiro de Guerra a se instalar em Itabaiana. A solenidade acontecerá hoje, 15 deste janeiro, quinta-feira, logo mais às 11 da manhã.  Será na Praça da Juventude Romeu Alves dos Santos, vizinho ao Ginásio Chico Cantagalo, no Bairro São Cristóvão.

É luta antiga. Antes da década de 1960, foi por uma possível carreira militar, vista como alternativa de emprego. Que passou, desde então, a ser uma questão de honra. E isso tem sido uma preocupação do entusiasta Pedro Edson, que, antes mesmo de ser eleito vereador nas eleições de 1988, já lutava pelo retorno do Tiro de Guerra. Mas sempre dependendo de aportes municipais.

Agora conseguiu.

Apesar da posição estratégica de Itabaiana, um cercado de serras, forte natural, no centro do pequeno Sergipe, forças de segurança nunca foram levadas a sério por aqui. Nem mesmo em se tratando da Segurança Pública. Em 1986 tínhamos menos policiais que em 1858. Hoje, esse contingente me escapa.

As Ordenanças do período colonial, não eram propriamente escolas ou formações militares; mas seus membros referenciados como potenciais defensores, em caso de ameaça de outras nações.

Ordenanças, século XVII. Exceto o comando maior não vencia soldo e eram convocadas quando de uma ameaça maior.

O Exército, que brasileiramente nasceu de pretos, índios e mestiços, na Estância de Henrique Dias do Rio Real em 1640, nunca teve com Sergipe grandes afinidades. Daí a ousadia do Capitão Harro Schacht, em escolher a costa sergipana para afundar nossos navios, naquele infeliz 1942. Não tínhamos absolutamente nenhuma condição de reagir, sem exército, ou mesmo marinha. Apenas tênues representações. 

E, tiro de guerra, há indícios de ter havido aqui em Itabaiana, ainda na época da Guarda Nacional; depois, no curto período da administração euclidiana, e pronto.

As ameaças de revitalização do Tiro de Guerra dos anos 1970, ficaram somente como lembrança nas páginas de O Serrano, e raros discursos na Câmara Municipal. Particularmente, ficaram nas minhas correrias junto aos médicos, em busca de um atestado, no caso Dr. Ormeil Câmara de Oliveira, para me livrar de perder o primeiro emprego ao ficar impedido por seis meses, enquanto durasse o serviço. Nem precisou. Fui “Dispensado por excesso de contingente, e ser portador de polidactilia na mão direita”.

Oxalá o Tiro de Guerra agora dure bem mais que das tentativas anteriores.

Defesa sempre foi o bem maior de qualquer grupo humano. Sem ela, não há segurança; porque tudo que se produzir está sob sério risco. Não há progresso.


Com Sergipe engolido pela Bahia, eis a situação de defesa do muncípio de Itabaiana, em 1787.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

RESGATE HISTÓRICO

 

Já se encontra disponível, na Biblioteca Municipal Dr. Florival Oliveira, Rua Álvaro Fonseca Oliveira, 466, esquina com a Manoel Domingos Pereira, a coleção de 294 volumes do antológico jornal O Serrano, para consulta digital e cópia.

O Serrano, publicação de maior longevidade na história itabaianense, cobre, especialmente, os anos de 1968 a 1977, particularmente os cinco primeiros anos com pouquíssimas falhas, semana a semana. E tentativa de retomada, entre 1983 e 1988, com apenas 29 números no período.

É, portanto, um retrato documental da nossa sociedade, seus dramas, tragédias, infortúnios, sucessos, vitórias, glórias, delas estrondosas, como a primeira conquista de um campeonato estadual de futebol, em 28 de agosto de 1969. Está lá. Eternizado em letras para sempre. Muito além das memórias de muitos torcedores tricolores, que, infelizmente, já se foram.

O drama e consequentes dores de cabeça de Adelardo José de Oliveira, em administrar a magra e incerta renda, para a reforma da matriz de Santo Antônio e Almas; os números, cada vez mais crescentes de ceboleiros vitoriosos nos vestibulares; formaturas, desde o Normal do Colégio Estadual Murilo Braga, às colações de graus, pela UFS, em Aracaju; a luta titânica de José Augusto Machado, para que viesse o curso científico para Itabaiana, concursos, listas de personagens à disposição do júri da Comarca, ou das mesas eleitorais; indenizados pela passagem do asfalto... enfim, um mundo mágico que ocorreu há quase 60 anos, e se mantém ecoando em nossos dias.

Vale à pena uma viagem no tempo.

Na publicação da revista Omnia, dezembro de 2012, Robério Santos, diretor da citada revista e do grupo no Facebook, Itabaiana Grande, sobraçando os 265 volumes encadernados e carinhosamente guardados pelo seu ex-diretor, Abrahão Crispim de Souza, à esquerda; comigo que acabara de o entrevistar à direita. Os demais 29 volumes, foram adquiridos por intermédio de garimpagem de José Queiroz da Costa Filho, Zezinho, junto ao APES, e gentilmente a nós repassados.