domingo, 29 de março de 2026

SEPULTADO MAIS UM MONUMENTO HISTÓRICO DE ITABAIANA.

 

Ironicamente, por remoção completa, caíram os últimos tijolos do cemitério dos crentes, nessa sexta-feira, dia 27 de março, deixando o chão onde se assentou limpo de qualquer vestígio de um símbolo sagrado para humanidade, qual seja, o seu último descanso, ao menos desde que o primeiro faraó se eternizou em sua tumba, acompanhado de texto mágico, prometendo sua ressureição, há cerca de cinco a seis mil anos.

A construção, há décadas em ruínas, era também o último símbolo de uma era socioeconômica gigante na história serrana: A Era do Algodão.

Nos escapa quando foi vendido para empreendedores pela congregação presbiteriana. Porém, em 1995 já estava abandonado, Aí, derrubaram a capelinha; logo a seguir se convertendo em lixeira. Hoje pedaço de terra tão valorizado, foi limpado para nova destinação, ficando apenas na memória, pelas imagens recolhidas. Os corpos lá sepultados? Ora, os mortos; quem liga pra eles, né?

Mesmo tardiamente, mas, como a capela da Igreja Presbiteriana, inaugurada em dezembro de 1939, e derrubada 2019, o Cemitério Presbiteriano, que nos escapa o ano de construção, e que teve o seu fim final nesta semana, era um raro símbolo do nascimento da nova Itabaiana que começou com as feiras de algodão de 1863. Ali, a bicentenária pequenina vila deixou de ser o lugar da paróquia, da Câmara de Vereadores se reunindo de ano em ano; dos cartórios, onde registrava terras e escravos, e dos enforcamentos, para ser também a feira dos sábados e assim dar o seu primeiro respiro na finalidade de hoje ser o que é, prometendo ser bem mais, futuramente.

A belíssima e singela capela, na esquina das ruas Sete de Setembo com Barão do Rio Branco, marco na cidade, desde dezembro de 1939, tombou, literalmente, em 2019. Oitenta anos depois.

O protestantismo na serra.

Foi a cultura do algodão e a influência inglesa, por seu imenso parque fabril, que em 1885 trouxe o primeiro credo protestante para as Caraíbas, e dali, se espalhando muito lenta, mas firmemente, até a construção, em 1939, da primeira igreja protestante em solo serrano, na Rua Sete de Setembro, na cidade, onde sobreviveria por exatos 80 anos.
O cemiteriozinho e a capela presbiteriana, símbolo do pluralismo religioso entre nós, com o vapor de Joãozinho Tavares (Fábrica de Beneficiamento São Luiz) eram os símbolos que ainda sobreviviam até o presente século XXI.
Vale das serras da Itabaiana, com a Estrada dos Entradistas do século XVII (dos Sertões do Jeremoabo-BA), ao descer da baixa serra do Pinhão, tendo em primeiro plano o povoado Caraíbas, que com o povoado Flechas, abrigou a primeira fase do grande projeto de expansão da cotonicultura de D. Pedro II, resultante da crise no mercado mundial do algodão, provocada pela Guerra de Secessão americana, de 1861-1864.

O vapor despareceu em 2009; a capela em 2019; e o cemitério que vive em decadência a aproximadamente cinco décadas desapareceu para sempre na última sexta-feira, 27.
Ao menos em termos de lembrança física, estão enterrados pra sempre dois momentos na construção da Itabaiana atual: a Era do Algodão e a chegada do protestantismo.
Memórias apagadas da Era do Algodão. 
O Vapor de Joãozinho Tavares, ou Fábrica de Beneficiar de Algodão 
São Luiz: logo após a inauguração, em 1939; fechado, em 2007; e o terreno limpo em 2009... pra evitar aventuras do governador Marcelo Déda, em transformá-lo em centro de memória??? (Terreno passou quase quatro anos servindo de estacionamento, até ser reconstruído).