Hoje, assinei, para experimentar, o Netflix. Exceto a internet não gosto de ter assinatura de nada; mas acabei caindo na cantada da propaganda e assinei o tal canal de filmes pela rede. Vinte e seis reais e uns quebrados por mês, e aí me vem à lembrança valores doutros tempos e a constatação do quanto caíram os valores da indústria do entretenimento por conta da digitalização e consequente pirataria. O mesmo CD que eu comprava há vinte anos na banca de jornais, ou seja, preços populares, em dez reais, continua em dez reais. Tudo bem se aqueles R$ 10 de 1995 não fossem hoje iguais a R$ 50,58, conforme o IGP-DI.
E sobre os filmes? Em 1997 um amigo abriu uma locadora e, por se tratar de um negócio pequeno não dispunha de funcionários o tempo integral, mormente no período noturno, quando o fluxo era maior; e eu que nada tinha pra fazer pela tardinha, ia pra lá "peruar" e o ajudava no despacho das locações. Conversávamos muito, e, de fato, eu vivia com ele os dramas de administrar aquele negócio. Lembro bem que a fita VHS ficava em torno de R$ 20,00 (R$ 80,61 em preços de hoje), e sua locação não podia ser de mais do que R$ 2,00 (R$ 8,06). Em geral era assim: fitas de baixo teor de qualidade (pornôs, por exemplo), ou de filmes já antigos, eram locados a R$ 2,00; médias, (fitas com mais de ano ou clássicos antigos) ficava em R$ 2,50 (R$ 10,08), e as "top", especialmente lançamentos, em imperdoáveis R$ 3,00. Nos grandes centros esses preços eram mais salgados. Dependendo da locadora em Aracaju, capital de meu estado, a fita “top” não saía por menos do que R$ 5,00 (R$ 20,15). A aquisição de fitas médias custava por volta de R$ 40,00 (R$ 161,22), mas os super lançamentos ninguém conseguia por menos de R$ 75,00. Lembro-me do meu amigo comprando fitas a R$ 77,00 (R$ 310,34 atuais) e a distribuidora ainda ameaçando: "É pegar ou largar!"
Acabou tudo. Tivessem ido com menos sede ao pote no momento da digitalização, talvez tivessem salvado a maior parte; mas a ganância foi tão grande, que, mesmo diante da clara ameaça, já que sob uma tecnologia a popularizar-se, ao contrário, fizeram foi aumentar os preços. Os criadores de jogos, logo, logo, perceberam o novo mundo e se adaptaram a ele: praticamente inexiste a pirataria em matéria de jogos. Já a turma da música e do vídeo ainda não conseguiu se achar. Talvez iniciativas como essa do Netflix venha se converter na redenção da arte industrializada. Já que as TVs também continuam na mesma linguagem que destruiu o mega mercado do entretenimento, quem sabe, a mesma internet que difundiu a pirataria e acabou com intensa especulação redima a indústria do entretenimento a partir de agora.
Atualização monetária aqui:
http://www.fee.rs.gov.br/servicos/atualizacao-valores/
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Remoendo pensamentos
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Almeida
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00:55
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
CDL, 25 anos
Recebi agora pela tarde, das mãos do dublê de melhor office boy/gerente da cidade e melhor treinador de Futsal de Sergipe, quiçá do Nordeste, moirão da CDL Itabaiana, glória do Futsal brasileiro, Wilson Mendonça, ou simplesmente Galego da CDL, um convite proveniente da diretoria da instituição para a Festa de Confraternização que ocorre neste próximo sábado, 20, na sede da entidade, à Avenida Dr. Luiz Magalhães, Bairro Marianga, aqui em Itabaiana. Pra mim, não é somente a alegria de me fazer presente a um tipo de festa cada vez mais rara na comunidade itabaianense, onde pela natureza da mesma é reunida a sua elite, mas por ter o prazer de comungar dos 25 anos desta jovem senhora que ajudei a nascer, e dela só me distanciei quando a mesma festejou seu debut, há dez anos atrás. Um sonho que deu certo! Uma instituição que é a cara da moderna ex-seiscentista vila de Santo Antônio e Almas da Itabayana. É gostoso saber-se que nossos esforços, somados aos de tantos outros, não foram em vão. De uma ideia de cooperativa de compras a uma instituição sólida, altaneira. Parabéns, senhora, pelos seus 25 anos.
Na montagem fotográfica, o símbolo original do então Clube de Diretores Lojistas com o inevitável barco fenício; o selo desenvolvido para comemoração desta magna data e a pracinha com a torre de iluminação sobre a qual, em novembro de 1989, o próprio presidente e fundador, sob permissão da Prefeitura, Josenildo Pereira de Souza nela subiu pessoalmente lá em cima colocando a dita bandeira que tremulou por meses, fazendo a dita praça relembrar seu nome original de Praça da Bandeira. Agora da bandeira do comércio. Em tempo: na fotografia, que é de 1972, nota-se a presença do antigo Hospital Regional Dr. Rodrigues Dórea que, na época do alegado hasteamento já não mais existia.
(O selo comemorativo e de autoria de Eldon Santana)
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Almeida
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21:31
sábado, 13 de dezembro de 2014
Dia de Santa Luzia
Duas imagens me vieram à cabeça hoje pelas cinco da manhã, quando fui acordado, involuntariamente, pela vizinhança próxima, ou nem tanto, e seus foguetórios de uma dúzia ou meia de foguetes. Logo me lembrei: dia de Santa Luzia. Dia de aniversário de Luiz Gonzaga, o eterno "Rei do Baião".
Sobre Santa Luzia, sua lembrança me leva diretamente às novenas rezadas por meu saudoso pai, com jaculatória em latim (também ladainha e às vezes até a Salve-Rainha ou “Ave Regina”); à imagem de minha prima em terceiro grau, Conceição, e as balas de hortelã que me deu, quando eu tinha cinco anos e pouco de idade. De fato, até então, mesmo estando sempre na capelinha da Mangabeira com meus pais, quase todas as semanas, não lembro de lembrar da santa. Mas, a primeira viagem que me ficou na memória à Padaria, ou O Ponto, nomes com os quais se denominava o ponto de espera de condução na BR-235, e que hoje é o populosíssimo povoado Rio das Pedras, disso eu não esqueço. E não esqueço porque, além de ver a bonita prima, mocinha de seus 15 ou 16 anos, filha do primo Zé de Didi, filho da tia-avô Didi, claro, e de quem tanto minha mãe falava de boca cheia... além disso, a Ceição me deu cinco balas de hortelã, as quais me eram desconhecidas. Eu sempre ganhava balas e bombons; especialmente de Seu Martim de Cuta, bodegueiro e na Mangabeira; mas aquelas cinco balas me marcaram porque, além de diferentes, foram dadas por minha bonita prima... e que por conta da menta, arderam na boca que só o diabo! E aí, passei a observar que os quadros com figuras de Santa Luzia, misteriosamente com seus olhos no lugar, mas ao mesmo tempo portando um prato com fiéis cópias dos mesmos olhos dentro... eram a cara da minha prima Ceição. Adotei-a, pois; não mais apenas como mais uma santa católica; mas como uma espécie de membro da família. E não um membro qualquer porque... a minha bonita prima Ceição de Zé de tia Didi.
Sobre a devoção à Santa, isso nos leva diretamente à psicologia de Moisés, preso no deserto com uma multidão de miseráveis e esfomeados, perigosamente no limite entre a razão e a insanidade, e ainda tendo que lidar com importunantes cobras, e valendo-se da sugestão como antídoto eficaz (Então disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre uma haste; e será que todo mordido que olhar para ela viverá. Num. 21, 8). Num tempo onde ter cegos perambulando pelas feiras livres, a cantar seus lamentos em troca de esmolas; e onde até os relativamente ricos como Cazuza Queiroz, e Otoniel Dórea, ex-intendentes de Itabaiana, ou poderosos bandidos como Lampião, eram cegos, em geral pelo acometimento do sarampo durante a infância, não era de se estranhar que tanta gente tivesse tal devoção à Santa. Pelo visto, a devoção continua forte, mesmo nestes tempos de sarampo praticamente erradicado e outros achaques visuais mitigados pela fantástica tecnologia de cura, hoje existente.
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Almeida
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09:04
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Do financiamento de campanha e lendas de boto.
A explosão de mais um mega escândalo, desta vez o da Operação Lava Jato, apesar de fato corriqueiro, mais uma vez deixa o país boquiaberto. Petistas veem golpismo da oposição, que não faz o menor esforço pra que seja diferente; a oposição, por seus extremados, cunham, mais uma vez, a pecha de ladrões em petistas; e no fim, todo mundo treme, porque sabe muito bem que o monstro é uma hidra de milhares de cabeças, entranhado na sociedade brasileira desde os tempos de Mem de Sá quando foi proclamada a Lei dos Conluios por D. Sebastião, em Portugal. Todo brasileiro minimamente informado sabe que no Governo, ninguém faz nada sem levar vantagens extras. Do fiscal municipal de rendas a impolutos senadores e ministros, poucos são os que, tendo poder de decisão, se salvam. Não é de hoje, não é de ontem; vem de muito tempo. Sou funcionário público há 36 anos e estou cansado de ver colegas gabando-se de vantagens auferidas, quais seja a de poder chegar mais tarde no trabalho “que o outro”, ou até de faltar dias seguidos, “que o outro” não pode. “Levar vantagem”, é a ideia fixa.
A formatação do Estado colonial português deu nisso. Um Estado formado a fórceps, recém-saído da Idade Média, e carregando todos os vícios daquela; que teve de administrar uma expansão absurda de seu reino num prazo de menos de meio século, onde, além dos citados vícios, contou com a quase inexistência de uma mínima máquina administrativa. Considerável parte dos documentos portugueses de até fins do século XVII tem sérios problemas na grafia do idioma, pressupondo pessoas que simplesmente não sabiam falar bem o português, ou, se o faziam, eram pessimamente alfabetizadas. Em 1610, o viajante francês, Pyrard de Laval, conforme o Visconde de Taunay, horrorizava-se com a intensidade da corrupção existente no Brasil que burocraticamente mais importava naquele momento: a Cidade da Bahia ou Salvador, então capital da colônia. E não era pra menos, uma multidão de expatriados cristãos-novos, todos roubados, deserdados e ameaçados, tornados bichos encurralados pelas inúmeras e constantes extorsões e medo da maldita Inquisição espanhola (Portugal estava sob domínio espanhol), e certamente o assédio virulento, até mesmo por parte dos “da nação”, já incrustrados na máquina governamental. A coisa era tão brava que em carta à rainha D. Catarina, viúva de D. João III, de 06 de março de 1570, Mem de Sá justificava certas permissividades dizendo que as leis do Reino não podiam aqui serem aplicadas, por simplesmente não caber, correndo a colônia sérios riscos se o fosse. De medo, cinismo e hipocrisia formou-se o Brasil.
A tolerância e sua origem.
Em 1759 os jesuítas foram expulsos do Brasil e de todas as colônias portuguesas; e, obviamente de Sergipe. Durante mais de dois séculos a Companhia de Jesus tinha feito fortunas no Brasil, capitalizando-se para suas querelas paroquias na Europa. Nenhum interesse em ensinar curumin a ler, nem mesmo à maioria dos filhos de senhores de currais e engenhos. Foram os maiores senhores de escravos indígenas; assumiram o filão da agiotagem, herdando o mesmo gosto pela avareza condenada aos calvinistas e judeus holandeses, quando em Pernambuco. Enfim, fizeram fortunas. Em meados do século XVIII, pouco antes de serem expulsos de Sergipe chegaram a possuir 500 escravos indígenas somente na fazenda, hoje povoado Tijupeba, município de Itaporanga d’Ajuda. Além das outras “missões”. Mas em 1759 foram presos e deportados para fora do império colonial português. Claro, seus bens foram a leilão, em benefício da Coroa. Quatro anos após o primeiro leilão em Sergipe, o capitão-mor Joaquim Antônio Pereira da Serra Monteiro Corréa foi preso e enviado a ferros para Lisboa; todavia, ficaram os indícios de que, de fato, o grande articulador dos prejuízos à Coroa não foi o capitão-mor, e sim o ouvidor-mor Miguel de Arez Lobo de Carvalho, nunca provado.
O brasileiro, via de regra sempre foi assim: o Estado é o rei; e é pra ser roubado, extorquido. Absolutamente ninguém põe na mesma balança o assalto a uma empresa e a sonegação desta mesma empresa, ao Estado, obviamente. Em contrário: sonegar constitui um ato de bravura; de defesa contra o “rei mau”. Culturalmente é isso que pensam quase todas as pessoas. De forma que os crimes de apropriação indébita são muito relativizados, dependendo de quem o praticou e contra quem praticou. Logo, desvios de dinheiro público para fins eleitorais passa a ser devidamente perdoados; desde, claro, que o chefe da quadrilha divida parte deste dinheiro com os eleitores, que aqui e agora se constituirão em bando. Isso passa sob nossos narizes o tempo inteiro. Desde as eleições municipais, às de nível estadual e federal todo mundo rouba o erário, supostamente pra comprar votos e é devidamente perdoado porque roubou, mas dividiu com os componentes menores do bando.
A justificativa.
Existe na Amazônia a lenda do boto encantado, que aqui acolá deflora uma virgem engravidando-a. Ao aparecer grávida, a comunidade inteira – e não somente a família, especialmente o pai ultrajado, e às vezes o namorado, idem - jura matá-la, esfolá-la viva até que tomada de pavor a devassa torna-se uma pobrezinha revelando: “foi o boto”! Foi o boto! Ora, se foi o boto, fazer o quê? Cuidar do bebê, arranjar um pai adotivo, enfim. Todos os ânimos serenados e retornados à sua vidinha regular.
Causa-me tristeza – antes causava-me furor, que tive de administrá-lo – quando vejo certas obras nas cercanias, visivelmente superfaturadas, armengadas, e, salvo a oposição, sempre venal, ninguém diz nada! Nem mesmo pessoas que sabidamente não estão “comendo”. Nos idos de 2000 passei a navegar na internet e logo dei de cara com os portais do Governo Federal onde já dava pra se ter ideias razoáveis sobre os encaminhamentos de verbas federais. Logo estava arranjando confusões com gestores locais, empenhados em fazer politicagens ou sei lá por quais motivos mentindo sobre prazos e valores. Fixei na primeira página do meu portal os endereços dos ditos portais, e, depois que retirei o portal do ar, mantive tais endereços no blog que até hoje mantenho. Mas logo estava me impacientando com pessoas razoáveis, colegas da comunicação, inclusive, a replicarem notícias falsas, ao invés de irem na fonte. Pior: o maior portal do país laçou um sub-site denominado Contas Abertas, mas só o fez quando o grupo entrou pra valer no oposicionismo total ao partido então no Governo Federal, e, claro, todas as informações passaram a serem usadas, não pra esclarecer; mas, pra confundir, usando números verdadeiros, porém escondendo todos que não interessavam partidariamente, o que, de certa forma, acaba por desmerecer a informação verdadeira, tornando-a falsa. Em resumo, quase ninguém está nem aí para a sonegação contra o Governo e para a roubalheira no mesmo. Exceto a oposição, como sempre; até mesmo por falta de propostas mais claras e atraentes.
Muita gente saudando a apuração de mais essa roubalheira; que agora vai, que isso, que aquilo... “já combinaram com os russos”? Ou, como estão se comportando... qual o real interesse dos donos do dinheiro – o povo – em limpar a corrupção no Governo? Ele, o povo, se acha dono daquele dinheiro?
Implicitamente, se o dinheiro roubado foi para a campanha política, então tá perdoado. Obviamente que mais da metade do apurado vira "sobra de campanha". Mas aí, "já que foi o boto...!"
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Almeida
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18:06
terça-feira, 12 de agosto de 2014
O diabo é Chico!
Conta o anedotário político itabaianense que, o advento do acordão em 1990 pegou todo mundo de saia justa. Estava tudo certinho! Chiquistas votariam com Albano e com Collor; anti-chiquistas (ainda não havia propriamente o lucianismo) votariam com João Alves Filho, e aí, as opções para presidente se dividiam entre Ulisses Guimarães, Brizola e até Lula. José Queiroz da Costa, deputado federal, desportista, empresário, quase dono da Associação Olímpica de Itabaiana e da Rádio Princesa da Serra, osso duro de roer, estava mais que decidido: João Alves em Sergipe, e Brizola, em nível nacional. Prazos se aproximando - eleições, acima de tudo, são prazos - e o nervosismo cada vez maior. No plano municipal, Queiroz e o deputado estadual Djalma Lobo haviam rompido com o prefeito Luciano Bispo; e Chico de Miguel (Francisco Teles de Mendonça) estava completamente na oposição. Mas aí entra em cena o presidente da República, Fernando Collor de Melo, instando junto ao então governador Antônio Carlos Valadares, para que esse ajeitasse as coisas por aqui, onde coubesse eleições tranquilas, tanto pra Albano, quanto para João. Zoou um boato que Albano, antes do congelamento dos saldos bancários imposto por Collor em 15 de março do ano anterior, ao assumir, havia retirado enorme soma de dinheiro dos bancos. E que por isso, os demais teriam aceitado o "acordão" de forma mais fácil. O fato é que todo mundo aceitou entrar no mesmo. Quase todo mundo; Queiroz... não!
O médico Luiz Carlos Andrade, hoje imortal na Academia Itabaianense de Letras, logo, meu confrade, é de uma inteligência e um nível de humor e ironia imensos, além do sarcasmo lancinante, era presidente do partido de Queiroz, que, óbvio, demonstrou-se incomodado em entrar no acordão, e preferiu correr por fora, juntamente com seu parceiro Djalma Lobo. Mas Queiroz era Queiroz e possuía um canhão nas mãos chamado Rádio Princesa da Serra que, mesmo depois de 27 anos de existência de outras emissoras na cidade, ainda é olhada com respeito por quem entende disso, e por temor, pelo baixo clero da moralidade, em toda a região. Logo, Queiroz não era desprezível; descartável. Antônio Carlos Valadares tinha rusgas com o velho turrão, de muito tempo; João Alves Filho, em questões de Itabaiana, sempre seguiu seu braço direito, o itabaianense José Carlos Machado. Que nunca se afinou com Zé Queiroz. Coube, portanto, a Albano Franco, pré-candidato à reeleição ao Senado, a inglória tarefa de convencer Zé Queiroz a entrar pro acordão, e assim fechar a cancela. E lá se bota Albano a conversar com Zé Queiroz, que disse a ele, ser Luiz Carlos Andrade, ou, Luiz de Iracema, como ainda é conhecido em Itabaiana, quatro décadas depois de ter-se mudado para a capital, seu guru para tomada de decisões. E lá vai Albano conversar com Luiz Carlos. Promessas vão; promessas vem... quando Luiz Carlos assentia, Albano avivava os olhos e então fazia a pergunta cabal: “Estamos certos, então?” Luiz Carlos, então, saía com essa: “Tudo bem, Dr. Albano; mas, o problema é dividir o mesmo palanque com Chico de Miguel!” Aí, Albano rasgava mais outra ladainha, e isso, e aquilo e por fim, a pergunta: “Estamos certos?” E Luiz Carlos: “Tá tudo uma maravilha! Uma beleza. Mas... o problema é Chico!” Albano avermelhou as orelhas, depois o rosto, coçou a cabeça inúmeras vezes, e à quinta ou décima resposta de Luiz Carlos resolveu fazer a retirada estratégica. Óbvio, buscou aparentar deixar a porta aberta; mas nunca mais a ela retornou. O acordão deu certo pros seus protagonistas; Itabaiana ganhou várias obras do Governo do Estado, inclusive seu mercadão de hortifrutigranjeiros, e Queiroz e Djalma perderam suas respectivas eleições.
Esta história veio-me à mente há pouco, justamente ao ver a advertência de alguém de que uma terceira pessoa, junto a um determinado candidato, é-lhe perda de voto na certa. Ou seja, o eleitor até pode estar pensando em reconsiderar posições tomadas anteriormente, contra o dito candidato; mas, ao ver a criatura, estabanadamente com todo o seu poderio junto ao mesmo, vai recitar o Luiz Carlos: “Tudo bem! Mas, o diabo é estar junto com Chico!”
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Almeida
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22:50
sábado, 21 de junho de 2014
O espírito do caudilho.
Tá faltando grama, neste jardim;Tá faltando árvore, nessa cidade;Tá faltando oxigênio, nessa atmosfera;O que será, o que será, o que será,o que será da biosfera?(BENJOR, Jorge. Salve o verde)
O estado de São Paulo entregue, à talvez maior adinamia administrativa de sua história, com sérios riscos até de não ter água pra tomar banho na região metropolitana da capital. Mas, segundo pesquisas de opinião, o candidato disparado pra ganhar as eleições pro Governo daquele estado é justo o que está no cargo, e que nele, via seus partidários, tem estado nos últimos vinte anos. Por outro lado, o país quase chega ao nível do chamado "Primeiro Mundo", com economia sólida, conseguindo se segurar diante de todas as campanhas especulativas dos abutres mundiais, nesta crise mundial interminável, além de enfrentar a politicagem local, e, a candidata à reeleição e atual dirigente máxima está na frente; mas não com a folga que teoricamente deveria estar.
Faz justo um ano que a mídia turbinou uma manifestação amorfa, sem pé nem cabeça, nem mesmo sob a coordenação do Instituto Millenium – versão atual do golpista IPES de 1964 – a coisa fechou num rumo coerente. Mas houve! E não adiante tentar minimizá-la. Foi um quinto do que faz supor a mídia, toda ela politicamente contra o Governo Federal; mas houve, e não foi pequena.
Leio hoje, especial intitulado “Des anos sem o caudilho”, no Notícias Terra, que, óbvio, fazem justos dez anos que Leonel de Moura Brizola nos surpreendeu, negativamente, ao nos deixar de uma hora pra outra, sem sequer um anúncio prévio. Voluntarioso, dono de si, surpreendente, como sempre, até ao morrer. Um típico produto dos pampas gaúchos e seus campos intermináveis, com seu absoluto instigar à liberdade plena. Foi-se ali, a última grande referência da paixão como forma de exercício político. O fogo! O arder! A palavra dita com maestria, arte, e tal vitalidade, que incendiava corações. O linguarudo. O político em essência. Aquele que não levava desaforos pra casa. Que nem estava aí de peitar o sistema; pouco importando, nem mesmo se o dito sistema era o de dominação americana, calcada num império de comunicações muito bem plantado no país, tal qual a denominação hispânica dos primeiros séculos de Brasil, calcada no trabalho de suas ordens religiosas, todas católicas, obviamente.
Em 1980 o país acordou para uma nova realidade: o primeiro partido realmente operário do país, formado a partir de um símbolo, seu operário-mor, que conseguiu chegar à Presidência da República e viabilizar este mesmo partido como o partido modernamente mais bem organizado e poderoso do país. Tudo isso teve custas. E seu operário-mor, que sempre disse o mesmo que diz hoje, teve que vestir o figurino do rude torneiro mecânico de sua origem, na sua origem; mas volver-se para uma versão amena que o tornou o maior líder atual do país, um dos maiores de sua História, e referência na própria História mundial, da atualidade. Sua figura, transformada no grande estadista que se revelou, contudo, tem um preço, preocupante: no seu próprio partido, todos passaram a serem "Lulas paz e amor"; bombeiros de incêndios inexistentes, enquanto sem preparo algum pra dominar o fogo, pra que este arda, e somente onde deve arder.
Estamos ficando fartos de politiquinhos bonzinhos, educadinhos, refinadinhos, mansinhos e de falas mansinhas. Na minha modesta opinião, parte do que se viu há um ano, foi este grito por socorro.
Tá tudo enlatado, certinho, previsível demais. Em São Paulo, entre o extranumerário do Opus Dei, Geraldo Alckmin e sua mansidão, e o manso Padilha... ora, porque mudar, se são a mesma coisa? E porque mudar da gerentona Dilma Roussef, pro candidato do Choque de Gestão, Aécio Neves, se, além de seu tal Choque não ter transformado Minas Gerais numa vitrine, vem acompanhado dos mesmos bonzinhos, educadinhos, refinadinhos e mansinhos de falas mansinhas, que foram tirados do poder em 2002?
Sergipe... meu Sergipe! Aqui a coisa é um pouquinho pior. Pra variar, a última grande novidade na política sergipana, Marcelo Deda Chagas, é falecido. A segunda mais nova, João Alves Filho, hoje prefeito de Aracaju, tem 40 anos de ingresso nela. Quatro a menos que o atual governador, Jackson Barreto de Lima. Como viabilidade ainda temos Antônio Carlos Valadares, com 48, Albano do Prado Pimentel Franco, idem. E aí vem a novidade: Eduardo Amorim. Bonzinho, educadinho, mansinho, de fala mansinha... e pior: sem comando político, porque o comando político é do seu irmão, Edvan Amorim. Será a eleição “compre um, e leve dois”. Particularmente, acho pouco provável o atual governador, Jackson Barreto de Lima, se reeleger; mas quem será o governador, não será Eduardo, todos sabem; será Edvan, que de fato, já tem o real controle, o comando, de muita coisa dentro da máquina do Estado. Uma máquina formidável de comando e estratégia tal, que começo a vê-lo semelhante a José Matheus da Graça Leite Sampaio, o construtor – esquecido – da Independência de Sergipe; do Barão de Maruim, o agiota que consolidou a mesma Independência (além de mudar a capital para Aracaju); ou o grande coroné sergipano da República Velha por estas plagas, Manuel Presciliano de Oliveira Valadão. De fato, até o momento, mais está a parecer com este: o domínio da política como fator de sucesso meramente pessoal. E porque acho que Jackson Barreto não ganha? Ora, bonzinho, educadinho, mansinho, de fala mansinha... um pelo outro, é muito mais provável o Eduardo Amorim, porque, além de ter apenas 12 anos na política, há a vantagem, sobredita do “compre um, leve dois”. A mídia sergipana, praticamente toda ela, está cercada com os tentáculos de Edvan; há indícios de sua influência direta em pelo menos metade dos 75 municípios de Sergipe, através de suas prefeituras. O Governo de Sergipe se encontra numa situação análoga à do Governo Federal: tem a caneta, mas depende de acordos. Acordos com os comandados de Edvan. Tem o poder, mas não parece exercê-lo com presteza, nem mesmo nos atos administrativos simples; já que todas as secretarias estão contaminadas com agentes de Edvan. No Judiciário, é um Deus nos acuda. Bonzinho, educadinho, mansinho, de fala mansinha... isso não era Jackson Barreto a peitar a família Franco da década de 70, o que o tornou grande liderança e grande aliado de João Alves Filho, este já sob o mesmo fogo “amigo”, assim que cravou 79 por cento dos votos pra governador do Estado na primeira eleição direta do fim da Ditadura, em Sergipe. Aquele Jackson Barreto, hoje, além de ser governador, o que exige outra postura, praticamente acabou em 1998. Sergipe perdeu ali seu último caudilho, ganhando em contrapartida um político “técnico”. E, técnico por técnico, a estratégia de Edvan Amorim para assumir de fato o comando do Estado e do estado, está me parecendo infalível.
Até que o espírito do incendiário, passional, torrencial, Leonel de Moura Brizola, baixe em alguém, que dê uma firme sacudidela em “tudo isso que está aí”, vamos continuar no campeonato entre os bonzinhos, educadinhos, mansinhos e de fala mansa.
Ah se pelo menos os cinemas ainda existissem, e José Queiroz da Costa fosse vinte anos mais moço...
Tá faltando oxigênio nessa atmosfera!
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16:37
segunda-feira, 9 de junho de 2014
A única saída.
Desde sua Independência, em 08 de julho de 1820, que Sergipe vive a saga da democracia sem democratas. Vieram os partidos dos camundongos e rapinas que se digladiaram até o fim do Império; e, em seguida, pebas e cabaús mantiveram a mesma rota. Depois udenistas e pessedistas e seus atuais sucedâneos. A existência da polaridade, coisa normalíssima e salutar em qualquer estado, em Sergipe, reveste-se de uma peculiaridade ridícula, que é o coronelismo. Os grupos tem se mantido com razoável união, graças ao instituto do coronelismo. A política estadual nasceu assim, com José Matheus da Graça Leite Sampaio de um lado e José Acioly de Barros Pimentel do outro. O desaparecimento de ambos deu na substituição por outros, sempre. Manteve o status quo.
Nunca na história de Sergipe houve a formação de um grupo, coeso, democrático internamente e de propostas desenvolvimentistas. A História de Sergipe está repleta de individualismos e brigas encarniçadas pelo poder pelo poder. Todos os momentos de progresso do estado deveram-se a intervenções externas. Todos. Inclusive na administração do Estado. A fórmula criada no Império mostrou-se quase eficaz: um presidente – e às vezes outros agentes administrativos – nomeado diretamente pelo Imperador, em pessoa de sua inteira confiança, preparado tecnicamente, razoavelmente isento das querelas e mesquinharias paroquiais; para dar um viés democrático, até seis vice-presidentes – às vezes até o terceiro assumiu, temporariamente - porém, sem força política acima das diretrizes imperiais. A segunda grande intervenção veio com o estabelecimento da cultura do algodão que livrou o estado da monocultura açucareira, criando, assim, um mínimo de diversidade. Desde então, às crises internacionais do açúcar, houve a resposta do setor cotonicultor, constituindo estes dois setores, nas duas alavancas ao desenvolvimento que levou Sergipe a ser o segundo estado mais industrializado do Nordeste em 1910, e o oitavo no país. Tão logo o Estado de Sergipe se consolidou, saindo de debaixo do Governo da Bahia a quem pertencera completamente de 1759 a 1820, e na prática e parcialmente, desde 1590 a 1757, houve sensível progresso na então província. Isso em nada teve com a possível ideia progressista de suas elites, enfronhadas, unicamente, na ideia de manterem seus privilégios na máquina pública, e os contratos de entrega de açúcar, que os deixavam em dia com banqueiros, que, de fato, foram os grandes beneficiários dos lucros fáceis da escravidão. Observa, com propriedade, a historiadora Maria Thétis Nunes, que foram os pecuaristas, e não os senhores de engenho de Sergipe, os responsáveis por todas as grandes transformações que houve no estado; até mesmo a sua Independência. Sempre dependemos “do homem”. Aquele que, com seu sacrifício, sempre e inicialmente na vã ilusão de obter vantagens, bem ou mal, tem conduzido o estado. Até ser substituído.
A Revolução de 1930 modificou muita coisa no país. Em Sergipe, muito pouco. Os novos atores durante o período revolucionário, especialmente durante o Estado Novo, não passaram de coronéis, com nova roupagem, a tentar se imporem; sem muito sucesso, porque apolíticos. No ressurgimento da democracia, a partir de 1946, criou-se a figura de transição, do burocrata, desenvolvimentista, bem ao gosto do Nacional-Desenvolvimentismo, jovem, egresso da velha elite, na sua parte mais poderosa. Não demorou e a briga intestina do velho senhorio de engenho restabeleceu os tempos de chumbo de camundongos e rapinas, pebas e cabaús, até que o Golpe de 1964, apoiado por ambos, gerasse mais um hiato nas tensões. Estas, contudo, se mantiveram latentes, nem sempre preservando o armistício; apenas contidas pela intervenção do poder central do país. O retorno à democracia, iniciado antes mesmo do fim do regime de 1964, muito prometeu. Pela primeira vez, um homem totalmente do povo, ocuparia o poder central. Coincidentemente, tutelado pelo mesmo agente transformador da outra abertura política, 36 anos antes, o novo governante era a cara do povo; seria o fim de um sistema que transformou um estado pequenino, facílimo de administrar, numa das mais intricadas porções de terra deste país, tais os interesses espúrios arraigados, de gerações secularmente nutridas pela máquina pública. Não deu! No segundo ano, depois de dois de intensos tiroteios, traições dentro da máquina, reformulação das panelinhas ou fortalecimentos delas, na mesma; negociatas impostas pelo Legislativo no melhor estilo rapina e camundongo, o Governo foi às cordas, num escândalo armado com a imprensa nacional. E desde então, foi um correr atrás de prejuízos sem fim. Em 1986, correu-se o risco, inclusive, de aborto na retomada dos investimentos, de fato iniciados em 1977. Num momento delicado da política nacional, com a República acéfala, já que havia apostado todas as suas fichas “no homem” Tancredo Neves, falecido antes da posse; com a volta da política em toda a sua dimensão, inclusive na corrupção, de que de fato nunca se afastara, mesmo nos anos de suposta administração “técnica”, dos militares, o quadro era preocupante. A solução não poderia ter sido melhor: um homem público para administrar o que viria a seguir. Nada de super-herói; do cara sabe tudo, resolvedor; mas, um político. Na mais fina acepção da palavra. Conduziu com maestria um estado e um Estado carcomido de vícios seculares e de tudo o que disso possa advir. Abriu mão de permanecer no primeiro time em nome de uma conciliação extremamente necessária naquele momento. Tranquilamente retornou ao centro quatro anos depois onde ainda hoje permanece. Participou de mais uma tentativa de mudança na política do estado, nunca titubeando na sua função, ora de bombeiro, ora de escora, até mesmo de oráculo. O que veio a seguir ao fim de seu governo, foi o acirramento das posições beligerantes entre os grupelhos em disputa pelos quinhões dentro da máquina pública; que não deu trégua, sequer ao homem mais poderoso do estado, porque o mais rico, quando no comando do Governo. O ápice desta guerra movida contra o Estado e seu homem de comando ocorreu com o trágico desaparecimento da última esperança, em termos de novidades, dos últimos 50 anos: Marcelo Déda Chagas, morto por um câncer; mas, antes, abatido, de joelhos diante de uma sociedade manipulada pelos que vivem com a cabeça em 1800.
A democracia é o pior dos regimes, exceto todos os outros. A afirmação de Winston Churchill é inquestionável. E a grande vantagem da democracia é a possibilidade que temos, de consertar tudo, a cada quatro anos. Nada se compara a isso. Homens aparecem e desaparecem. As sociedades, também; em que pese viverem e permanecerem, de um modo ou de outro, por algum tempo mais. Dependem deles, pois, que, como ganho, a única vantagem de que dispõem é o reconhecimento pela História, contada e estudada pelas gerações futuras. Claro, seus descendentes próximos, no máximo até a quinta geração, também serão beneficiados; mas é a história que os perpetuarão. Sergipe tem, neste ano, mais uma chance. No plano estadual, o que se verifica é o preocupante avanço cada vez maior da agiotagem sobre o comando do poder; quer nas instâncias menores, os municípios; quer na instância maior, o Estado, e em todas as suas casas legislativas, com cada vez mais gente de condutas questionáveis ascendendo ao poder. Essa agiotagem é criminosa, não somente pelo ato em si, mas pelo que engendra em todo o seu conjunto; já que o crime nunca se compõe de apenas um ato criminoso. O escândalo envolvendo Floro Calheiros (assassinado), Joaldo Barbosa(Nego da Farmácia)(assassinado), e Antônio Francisco Sobral Garcez, não acabou este tipo de crime no estado; em contrário; mais se acentuou e se sofisticou, depois daquela tragédia. Diante da polaridade ora verificada, com nítidas chances de absurda piora no quadro geral do Estado e por tabela no estado, resta-nos a esperança de uma ponte. Alguém que consiga transitar por este mar de vícios, recuperando o máximo possível do que for recuperável; isolando o que não tem jeito, já que sua destruição nem sempre é salutar. E até queimando a erva daninha, irrecuperável. Alguém que conduza. Ao menos que dê um refresco, por algum tempo. Um político. Só um político, salva Sergipe do desastre que se anuncia. Depois de 50 anos de vai-e-vem... restou Antônio Carlos Valadares; atual senador, PSB. Pessoalmente, ou voto nele, ou não voto em ninguém. O tempo dirá se teremos sorte; se eu estou certo. Mas não vejo outra saída.
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Almeida
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12:42
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