domingo, 1 de junho de 2025

350 ANOS: A ESCOLA ENTRA EM CAMPO NA COMEMORAÇÃO.

 

Na última sexta-feira, 30 de maio, uma reunião deixou a mim, e deve ter deixado os historiadores itabaianenses e demais cultuadores da itabaianidade satisfeitos, mesmo a maioria, dela não tendo participado. É que a batalha de um guerreiro só, travada desde 30 de outubro, próximo passado, de 2024, pelo pároco Marcos Rogério Vieira, da paróquia-mãe, a de Santo Antônio e Almas, finalmente repercute na municipalidade que vai entrar com tudo na comemoração. A reunião, da qual honrosamente participei foi para traçar diretrizes com vistas à Educação do município, que tematizará o sempre grandioso Sete de Setembro.


O pároco, Padre Marcos Rogério Vieira, timoneiro no zelo pela história da segunda mais antiga paróquia de Sergipe, desde outubro passado, ao abrir o ano do sétimo Jubileu de Ouro da Paróquia de Santo Antônio e Almas de Itabaiana. (Em colagem com a antológica foto da matriz, de Miguel Teixeira, de mais um século, colorizada por Robério Santos).

Os temas expostos no Sete de Setembro têm poder transformador, por ser este a vitrine do que repercute, repercutiu ou repercutirá no meio educacional da cidade, além da rotina curricular. O tempero. A cereja do bolo. O que de fato acaba se irradiando à toda a sociedade, presente e vindoura, com suas lembranças e seu patrimônio cultural.

A Educação, ao menos a do município, passa agora a tratar da data magna, o nascimento da cidade de Itabaiana, com a fundação da Paróquia de Santo Antônio e Almas, como tema escolar; e exporá isso em pleno desfile do Sete de Setembro, que dessa vez não passará batido como em 1975, onde só ficou a memória do Terceiro Congresso Eucarístico.

Os preparativos vão continuar. Agora é só esperar a magnanimidade do desfile por seus envolvidos diretos – mestres, administradores, e alunos – e indireto: o público e sua reação.

Vou estar na arquibancada.

Fazendo História
Da esquerda para direita: Tati, Carlos; Leila; o Secretário Éder; José de Almeida Bispo; Diego Procópio; Wanderlei Menezes, buscando enriquecer a História de Itabaiana, usando a vitrine educacional do Sete de Setembro como desde 1938; e carregando a bandeira valentemente içada pelo Padre Marcos Rogério Vieira, já em fase despedida para a Paróquia de Nossa Senhora das Dores dos Enforcados.


quinta-feira, 29 de maio de 2025

NOS 350 ANOS, SANTO ANTÔNIO DE VOLTA

 

Domingo, 1° de junho, será realizada mais uma Caminhada de Santo Antônio, o fujão, uma forma de manter viva essa lenda, qual origem se perde nos tempos, sobre os dramas que envolvem a fundação da cidade de Itabaiana.

A caminhada, que tem sido das ruínas da Igreja Velha para a matriz de Santo Antônio e Almas, dessa vez terá o percurso invertido: vamos pegar o Santo na quixabeira simbólica e devolvê-lo à capela original. Claro que ele voltará. Coisa de santos poderosos.

A logística de transporte e demais apoio já está acertada; tudo pronto. Tudo preparado. 

E os fiéis, os curiosos e os andarilhos contumazes de canelas afiadas.

Neste ano, no dia 30 de outubro, faz 350 anos de fundada a Paróquia de Santo Antônio e Almas, que marca a fundação da cidade.

Diz a lenda, para os que ainda não a conhecem, que o santo, entronizado na capela da Igreja Velha, antes de invasão holandesa, em 1637, fugiu constantemente de lá, vindo parar no galho de uma quixabeira, onde foi construída e hoje está, a Matriz de Santo Antônio e Almas de Itabaiana.

Que, com a transferência definitiva, em 30 de outubro de 1675, há 350 anos, nasceu a cidade de Itabaiana.

Comemorada este ano.

Extrato de mapa holandês, publicado em 1646.
A equipe de topógrafos de Georg Marcgraf e Conrad Golliat, do governo holandês de Maurício de Nassau, depois da conquista, encontrou a igreja de Santo Antônio, perto do Jacaracica. Poximo, a fazenda de Simão Dias, o Francês.



Ancelmo Rocha, timoneiro e organizador, desde a primeira. 

A Prefeitura Municipal vem fornecendo apoio logístico, através das secretarias de Cultura e do Turismo, também concorrendo a firme participação da Igreja, mediante as duas paróquias envolvidas; e a imprensa local, indistintamente.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

EU VOU


Lançamento nessa próxima quarta-feira, as 19 horas, na CDL-Itabaiana, do livro de contos Crônicas da Minha Infância, promete enriquecer um pouco mais a história serrana recente.

Trata-se do 21° livro do magistrado, contista, romancista, historiador e folclorista, Vladimir Souza Carvalho, ex-juiz estadual e depois federal, e agora desembargador federal aposentado, apresentando, de forma leve e despretensiosa, sua história pessoal; porém, naturalmente ambientada numa Itabaiana das décadas de 50 e 60, despertando para o progresso, depois de então quase três séculos de adormecimento. Logo, a real cara de Itabaiana na retomada de sua grandeza histórica, na própria história da formação do nosso pequeno Sergipe.

Não tenho conhecimento do conteúdo. Já que não fui ao lançamento, na sexta-feira passada, na Escariz da Av Jorge Amado, na capital; porém, intuo, que, além da prosa leve, o Mestre, mais uma vez traga um caudal de lembranças da nossa então pequena urbe em frenética ebulição. Em todos os sentidos. Vividas de per si.

Quarta-feira, estarei na fila dos autógrafos, papeando com os amigos.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

80 ANOS DE UMA GRANDE COMEMORAÇÃO


Amanhã faz 80 anos da presente foto dessa multidão. 

Foi em 13 de maio de 1945, um domingo. Um simbólico dia da aparição de Fátima para o enorme rebanho católico. Mas não só isso, mesmo isso tudo tendo a ver.

Em 9 de maio, quatro dias antes, o que restou do exército alemão, assinou a rendição incondicional diante dos soviéticos, depois de ter mergulhado a Europa - e o mundo - na mais sangrenta, destrutiva e mortífera guerra que o mesmo jamais vira.

Itabaiana, não ficou incólume na guerra. Aliás, um seu filho ficou entre as primeiras vítimas brasileiras, a dos navios covardemente abatidos pelos submarinos alemães. A canificina começou em águas sergipanas, e que inflamou o país; e que por isso esteve, a partir de 1942, em estado de guerra, apesar de aparentemente tão distante do teatro de horrores.

A guerra, ao se iniciar, sempre divide a humanidade. Medrosos, prudentes, racionais, de um lado; e uma massa estúpida, inconsequente, que sempre vê o evento macabro como um brinquedo de pega-pega... e de lucro. Até aparecerem as montanhas de defuntos e espandongados.

Contudo, ao entrar o ano de 1945, mesmo aqueles que não foram diretamente afetados, e entre os vencedores, estavam exaustos; e os perdedores, desesperados. Enfim, todos cansados da letal estupidez coletiva, que sempre esteve presente na história.

Às alvíssaras de esperança; e à convocação do Padre Eraldo Barbosa, a Praça se encheu naquele domingo, trazendo um laivo de alívio.

Caras reconhecidas, na foto, como dos músicos da Filarmônica Nossa Senhora da Conceição, eternizados pela câmera de João Teixeira Lobo, o Seu Joãozinho Retratista, demonstram muito bem o peso simbólico daquele momento.

À frente da multidão, postada entre o coreto da Praça Fausto Cardoso e a matriz de Santo Antônio e Almas, músicos da Filarmônica Nossa Senhora da Conceição; reconhecível por este cronista, o maestro Antônio Silva (1), e logo à frente seu filho, o popular Nilo Base (2)

Logo, logo, a cidade também receberia seus filhos sobreviventes dos campos italianos, que foram vingar, entre outros, Diógenes Lima Carvalho, maquinista do navio auxiliar VITAL DE OLIVEIRA, afundado na costa do Rio de Janeiro, depois daquele fatídico agosto de 1942, em Sergipe(*).

No grupo de fotos, dois dos vazos afundados na costa sergipana, e que incendiaram o país por uma resposta; enterro das vítimas fatais; e três dos nossos heróis pracinhas ceboleiros, o primeiro, à esquerda, Seu João carteiro ou do cinema; a quem conheci pessoalmente.


(*)Sic Luiz Antônio Barreto, Os náufragos, uma história sangrenta no mar de Sergipe. Republicado no sítio “Coisas de Socorro”, Quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012)


quarta-feira, 7 de maio de 2025

33 ANOS DE FEIRA DO CAMINHÃO.

Nesta quinta-feira, 08, à noite, o Prefeito Valmir Costa, com sua equipe lançará a programação, que deverá, se muito, sofrer alguns ajustes, para a próxima Feira do Caminhão.

Promete ser mais uma grande festa, provavelmente ainda melhor que as passadas.

Nestes 350 anos de fundação, Itabaiana, a Capital Nacional do Caminhão(*), e seus despretensiosos heróis redentores dessa terra multissecular merecem.


A 1ª Feira do Caminhão

A primeira edição foi realizada no Calçadão da Avenida Dr. Airton Teles, à época o espaço de shows, cada vez mais barulhentos, ao lado de uma casa de Saúde, a Maternidade São José, local do primeiro milagre de Santa Dulce dos Pobres.

Declino de tecer comentários sobre o sucesso comercial da Feira, por desconhecimento integral de seus resultados; mas foi um assombro; especialmente pela ousadia de trazer a recentemente denominada Rainha dos Caminhoneiros, Sula Miranda, que estourara nas paradas musicais em todo o país, em fins de 1986, com um mega sucesso dedicado ao caminhoneiro: Caminhoneiro do Amor.

Neste ano de 2025, 33 anos depois, informou-me o Secretário de Cultura, Antônio Samarone, Sula estará, mais uma vez, presente, assinalando seu prestígio às gerações e gerações de guerreiros da estrada.


As procissões dos motoristas.

À esquerda parte da fotografia de José Paulo de Oliveira (Paulinho de Doça), do recem renomeado Bairro São Cristóvão e sua antiquíssima capela. E à direita, o cartazete de João de Balbino, líder pioneiro da festa, e já passando o bastão ao então jovem Rolopeu, nove anos depois da festa criada, e tendo São Cristóvão como padroeiro.

Começou por São Cristóvão, o padroeiro dos viajantes, portanto, também dos motoristas. Na campanha política de 1958, Euclides Paes Mendonça era candidato ao retorno à Prefeitura e seu partido, através do Prefeito Serapião Antônio de Góis criou uma espetacular campanha de marketing envolvendo a categoria profissional mais promissora da época: os motoristas.

Para isso transformou o velho Tabuleiro dos Caboclos em Bairro São Cristóvão, inclusive com denominação de sua capela, de tempos imemoriais, e a festa católica, com procissão e outros atos religiosos, tudo isso coordenado por João de Melo Rezende, o João de Balbino, que, mesmo depois de se mudar para a capital ainda permaneceu no comando, até sua passagem para Antônio Francisco de Jesus, o antológico Rolopeu.

Em 1975 a Paróquia mudou o patrocínio do novenário, tirando as famílias tradicionais, e passando estes para as categorias profissionais. Por ser a dos motoristas a mais vistosa, mais rica e prestigiosa categoria, ficou com a última noite de patrocínio desde então. Rolopeu, na organização.

Em 1976, diante da proximidade das duas festas – Trezena de Santo Antonio em 12 de junho, e São Cristóvão em fins de julho – Santo Antônio ganhou prioridade, mesmo continuando São Cristóvão sendo o padroeiro. Foi ali a reduzida última vez. Desde então, é sempre no dia 12 de junho o momento máximo.


Quando nasceu e Feira do Caminhão.

Calçadão da Avenida Airton Teles, palco da 1ª Feira do Caminhão, na festa de Santo Antônio de 1992. Sublimado, anotações da reunião em que fiquei ciente da programação da 1ª Feira.
Foi um período estressante para mim. Secretário do partido que acabaria elegendo o sucessor,  e consolidador da liderança política de Luciano Bispo, em término de primeiro mandato, o tempo andava muito encurtado pra mim, entre as obrigações com o meu ganha-pão; as atribuições sociais, meu pré-escritório de marketing (que acabou, morrendo na praia); e ainda me envolvi e envolvi outros, de certo modo e especialmente meu saudoso amigo-irmão, Josenildo Pereira de Souza, na solução de uma problema que parecia insolúvel, qual seja, o impasse entre a teimosia do também saudoso amigo e patrão na Rádio Princesa da Serra, José Queiroz da Costa, de um lado; e do outro, o citado prefeito, que, apesar de uma boa administração não andava bem das pernas, politicamente. Carecia de algo revigorante para fazer o seu sucessor e despontar para a gloriosa carreira que despontou. Detalhe: enfrentaríamos a máquina poderosa de Francisco Teles de Mendonça, o saudoso líder Chico de Miguel, ferida, mas longe ser abatida. E a genialidade política do velho líder trazia uma novidade: Chico resolveu candidatar a sua filha, a educadora Maria Vieira de Mendonça ao cargo de prefeito. Seria a primeira mulher a administrar o município, em seus já 295 anos de existência. Não ali, mas acabou sendo depois, em 2004.

O partido em formação (PDC, Partido da Democrata Cristão, inspirado nos alemães); as forças em composição, e as inúmeras reuniões, quando necessárias, a discutir tudo, e, obviamente fechar questão.

O bunker era a então casa do próprio candidato, João Alves dos Santos, o João de Zé de Dona, o segundo andar da Rua Boanerges Pinheiro, 995.

E o foco do mês de maio de 1992, foi a Trezena dos Motoristas, do dia 12 de junho, a seguir, coadministrada pelo Município, ou seja pelo prefeito – e seu candidato - primeiro teste de fogo da campanha.

Sugestões vão, sugestões vêm, e, numa reunião da segunda quinzena de maio, alguém falou em algum tipo de exposição, outro, de desfile diferenciado do já promovido desde 1975, na procissão; por fim também se falou em feira. Até ali eu era quase que o único marketeiro da ainda pré-campanha, claro, ouvindo todos os pitaqueiros. Ao pronunciarem a feira eu assenti com veemência, colhendo também o assentimento do pré-candidato, do também assessor Moacir Santana, e do próprio prefeito, além dos demais. Desde então, ficou grande demais para mim. Saí do controle, que, logo depois o perderia de toda a campanha. E, na reunião de 8 de junho já foi anunciada toda a programação, inclusive a presença de Sula Miranda.
Exemplo também foi o que correu à minha revelia, porém com toda a minha aprovação, a ideia nascida na Ala Jovem, da realização da carreata mirim. 
E o modelo veio até hoje, praticamente sem mudanças; salvo as pontuais, desde as atividades da 1ª Feira do Caminhão de Itabaiana.


(*) Lei Federal 13.044 de 20/11/2014


segunda-feira, 5 de maio de 2025

CHRONOS NÃO PERDOA...

 

Mais um amigo cumpre seu tempo – breve - e se vai: faleceu Valfrando Gomes da Mota, popular Nem de Abdon, meu amigo e comparsa de rock e demais estilos musicais que a minha geração teve o privilégio de com eles se deliciar.

Que a flecha do tempo não para; isso está mais que consagrado. Porém, como diz meu também amigo, Dr. João de Oliveira, o João de Benício, a gente docemente se engana, os jovens sem na morte pensar; ou se desespera - os maduros e velhos - com a certeza de que a hora, cada vez mais próxima, vai chegar.

E, enquanto isso, inundamos nosso conhecido vale de lágrimas com nossas dúvidas, mesmo que sobre as certezas.

Conheci Nem, por acaso, 1980, com minha estreia de discotecário-programador na velha Rádio Princesa da Serra. Nem de Abdon, queria trocar vinis, coletâneas "da Parada", por raridades da MPB e de rock, especialmente country, em duplicidade (a emissora tinha dois), ou descartáveis, por estar muito acima da média da audiência da emissora. Negócio da China, já que as coletâneas, em geral eram de temas de novelas, da Som Livre (Sistema Globo) que não distribuía gratuitamente às emissoras. Sucesso garantido, quando já não estourando nas paradas. Juarez Ferreira de Góis, meu chefe, autorizou

Foi empatia imediata. Com pequenas - e às vezes profundas - diferenças, ali fizemos amizade, que adormeceu nos últimos trinta anos, já com ambos casados e pais de família, como quase todos demais do grupo que veio depois; mas aquele tipo de amizade, focada, máxime na música, onde a cada vez mais raro encontro, vinha uma resenha acerca de novas obras, novos artistas, e toda a plêiade dos veteranos, que embalaram nossas vidas, "na alegria e na tristeza", enfim, na vida vivida, arrisco, esplendorosamente.

Vai com Deus, amigo; é tudo posso dizer agora.

E, se lá existir essa cópia daqui, como insinuam, vai preparando um novo Arizona(*), porque, já foram outros, antes de você, e até eu por lá chegarei, entre agora e mais uns cinquenta anos, não sei; mas que irei, irei.

Adeus, sujeito!


(*) Arizona era o apelido da tenda de Nem, onde trabalhava, pondo fotos e gravuras em quadros para vender, na Rua São Paulo, aqui em Itabaiana-SE. O nome pegou porque até o sábado, ao meio dia, era lugar de trabalho, de negócios; apesar de já se ensaiar um Jimmy Hendrix, Bob Dylan, Belchior, Alceu Valença, Heart, Creedence, Dire Strais, Quinteto Violado, Xangai, etc., etc., e etc.; mas no sábado à tarde, e domingos e feriados... de clássico a rock pauleira, rolava tudo. regado a cerveja, claro. E só juntava marmanjo. Por isso Arizona: "Onde os homens se encontram", como na propaganda do cigarro de mesmo nome, da Souza Cruz.


sábado, 19 de abril de 2025

ARCO DE CULTURA E FÉ

 

O Auto da Paixão, começou como uma iniciativa para reviver um povoado estagnado; de onde todo mundo que podia – ou precisava – ir, ia embora: a minha velha Mangabeira, onde nasci e vivi até os cinco de idade, atual região sul, do atual município de Itabaiana.

Para ilustrar, em 1975, a SUCAM encontrou no povoado 195 residências, assim divididas: na Mangabeira de Baixo, entre o riacho do Chico José e o rio das Pedras, 22 unidades; na Mangabeira de Cima, onde se encontra desde 1950, a formação urbana, 138, dispersas em sítios; e 35 concentradas em torno da Praça, hoje denominada Alexandre Frutuoso Bispo, o fundador da mesma.

Aproximadamente 600 habitantes. Em 2005, no entanto, varredura do PCE-Programa de Combate à Esquistossomose, da Secretaria Municipal de Saúde de Itabaiana, e Ministério da Saúde, localizou 462 habitantes.

Insegurança; concentração de melhorias na cidade, e a natural busca por elas, completa o quadro de abandono da zona rural, não somente na Mangabeira; mas em todo o município, que passou de 84% da população municipal rural, em 1940, para 17%, em 1991, numa inversão completa.

Em 1990, segundo o anunciado durante o evento, na última quinta-feira, 18, veio a primeira apresentação. Amadorismo total.

Claro. É um espetáculo amador. Atores, diretores, contrarregras... somente sonoplastas e iluminadores, providencial ajuda do Poder Público municipal, são profissionais.

São pessoas, em esmagadora maioria, que passam o ano inteiro labutando em seus sítios, para ao fim da quaresma, mesmo com o veteranismo da maioria dos componentes, se prepararem para o grande dia. De fato, a grande noite.

O evento ganhou tal projeção natural que, fruto dos novos tempos, a Administração Municipal viu ali um motivo de mão dupla – benefício com contrapartida do reconhecimento – o que é natural; e em 2009 entrou no Orçamento da União, recursos para a construção do conjunto urbanístico, com anfiteatro, cujas obras se iniciaram em 2010. Todavia, a obra empacou; e só foi destravada pela administração municipal seguinte, que a concluiu, em 2014.

Porém, salvo raras exceções, são 35 anos de apresentação, todas as noites de Quinta-Feira Maior, como dito, com várias inclusões de novos artistas e defecções de outros, mas que em torno de 50% permanece desde o começo.

O espetáculo da última quinta, 17, manteve a linearidade própria de um drama, que está prestes a completar 2000 anos. Belo, muito bem executado; tradicional. E casa cheia. Como sempre.

Cena final: Cristo ascende aos céus na Mangabeira.

Efeito multiplicador

Malhada, ou malhador, como local de plantação é um termo antigo. Ao menos nos Açores já era praticada, antes mesmo do Descobrimento do Brasil por Portugal. Consistia numa área pré-determinada, em que se deixava o gado pernoitar por vários dias. Daí o nome malhada, pelo aspecto que adquiria após a saída do gado, e deixando, obviamente, coalhado de excrementos – fezes, e uratos da urina - vitais para fertilizar a terra para o plantio.

A Malhada Velha, após o riacho do Cipó (Çanguê em tupi), na franja sul das terras do primeiro itabaianense e sergipano de sangue europeu, Simão Dias, o francês ou mameluco – a Cova da Onça ou Jacaracica, hoje parte de Moita Bonita – certamente, guarda esses predicativos.

A efervescência cultural serrana, pós-BIENAL 2011; e o estímulo de um exemplo que deu certo - a Mangabeira - moradores do antiquíssimo povoado da Malhada Velha começaram também uma apresentação, que se manteve no mesmo formato, até o ano passado, e agora sofre uma radical transformação com a entrada da força da grana – e, ressalte-se, da boa vontade em bem aplicá-la – e o espetáculo acaba de mudar do tradicional, amador, na raça, para dar passos rápidos à profissionalização.

Ontem ocorreu a primeira apresentação em novo modelo. Eu não fui ver. Cansado de duas: a da Mangabeira, na quinta-feira, à noite; e a do Tabuleiro do Chico, da sexta-feira, às sete da manhã, minhas condições físicas de diabético me levam à contenção de qualquer arroubo. Ficou para o próximo ano. Mas já percebi os traços profissionalizantes, a partir da prévia cobertura da imprensa; e dos vídeos do tradicionalmente efêmero Instagram (belas imagens instantâneas, que quando se busca novamente, “já era”).


O Tabuleiro do Chico

No oeste do município, antípoda à Malhada Velha, está o Tabuleiro do Chico. De denominação recente, do último século. Inexiste no censo eleitoral de 1875, porém, por volta de 1930 já era assim conhecido, conforme informações da família Capitulino.

Recentemente, a comunidade religiosa do povoado, tradicionalíssima, como a vizinha Matapoã, resolveu seguir a Mangabeira e a Malhada Velha.

Ontem, Sexta-Santa, 18 de abril fui lá ver, pela primeira vez. 

Fiquei encantado!

A fórmula é a mesma que se repete, e repete, mundo afora; mas, o esforço amador, a energia, o denodo, aplicação, não fica nada a dever aos meus conterrâneos mangabeirenses; bem como a paixão com que o fazem. Perfeito!

Cenário simples, com alguns melhoramentos; adaptabilidade; coordenação exemplar. Estão de parabéns os tabuleirenses. Como diria meu pai, Alexandre Frutuoso Bispo: “Que Deus os conservem assim!”

Parabéns!

Cristo ascende aos céus, na última cena, no Tabuleiro do Chico.
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Tradição quebrada.

Um dia tudo e todos morrem. É a lei da vida: nascer, crescer, se reproduzir e morrer; e a Apresentação “do Campo” (estádio Presidente Médici, renomeado para Etelvino Mendonça), haverá de parar um dia; porém, causou um certo vazio no peito a ausência das multidões acorrendo ao Estádio para o último ato da Sexta-Santa, em Itabaiana.

O evento, criado pelas franciscanas, Irmã Caridade e Irmã Luciana Quaresma, dando direção espiritual à JUC-Juventude Unida a Cristo, da Paróquia de Santo Antônio e Almas, e abraçado pelo pároco de então, Monsenhor Mário de Oliveira Reis, na Sexta-Santa de 1977, e por todos os demais que o sucederam, apenas em três ou quatro oportunidades, teve breve solução de continuidade.

Mas neste ano se integrou ao projeto Malhada Velha II, a nova fase, deixando de ser executado.

De certo modo, a paróquia, que crava 350 anos de fundada, no próximo 30 de outubro, uma data magna, se ressente do tamanho da responsabilidade e das transformações do tempo, com encolhimento no quadro de paroquianos, seja por divisão de área de abrangência, seja por influências outras. 

A Paróquia, que foi criada há 350 anos atrás, com 3.500 quilômetros quadrados, do rio Cotinguiba ao Cansanção; do Sergipe ao Vaza-Barris, hoje se resume ao Centro da cidade: menos 1,8 km².

Atualmente, para realizar qualquer evento sofre as consequências com a exiguidade de obreiros. Até a instituição-mãe da cidade – a Irmandade das Almas – mais velha dez anos que a própria paróquia, teve de sofrer modificações no seu tradicional quadro de membros, tradicionalmente masculino, com o ingresso de mulheres para continuar a existir. Além de encolhimento natural, há cerca de cem anos deixou de trazer vantagens imediatas dela participar.

E assim, tomara que não, mas aquele esforço, daquela eletrizante geração de jovens, na qual me incluo, a fornecer mão-de-obra às sacras intenções das citadas irmãs missionárias, baldam-se aqui.

Irmã Caridade (in memorian), e Irmã Luciana Quaresma, criadoras junto à JUC da Paróquia de Santo Antônio e Almas, da Via-Sacra do Estádio, em 1977.

Epílogo

Todavia, o tradicional espírito religioso itabaianense, popularmente manifestado na Mangabeira por D. Maria Evangelista dos Santos e seu filho, Alexandre Frutuoso Bispo, com uma providencial mão de D. Zefinha de Gerino (Josefa da Cruz Santos, casada com Angelino Martins Santos), em 1949, e lá mesmo revigorado em 1990, com o Auto da Paixão, continua firme; e, o que é mais salutar: multiplicador.
O apoio oficial, especialmente do Poder Público do Município, através da Prefeitura e suas secretarias, sempre fará toda a diferença.