domingo, 16 de dezembro de 2007

Ganhou o PT de Luciano.

Nas eleições de segundo turno para o Diretório Municipal de Itabaiana deu Olivier Chagas com 57 votos contra 48 de Gilmar Passos.
E daí?
Se tivesse sido confirmada a vitória de Gilmar Passos seria a vitória do PT de Maria. Ou melhor, dos contra Luciano. Uma vez tendo acontecido a virada para Olivier Chagas a vitória passa a ser de Luciano, por mais que esperneiem os componentes da chapa.
O PT de Itabaiana nunca esteve tão fora de rumo como anda desde a briga de Olivier e João Cândido. No momento atual desenha-se uma situação interessante. O PT de Maria apóia Maria Mendonça, naturalmente; que tem não no PT, mas nos irmãos Amorim seus aliados que conta. aliás, periculosamente tem sido plantado pelos partidários desta a idéia que "SÓ O DINHEIRO" ganha eleições. Um dos irmãos Amorim, o que manda porque é quem tem o dinheiro é Edvan cujo casamento com a filha de João Alves Filho, arqui-adversário do PT trouxe gente do porte do ex-Presidente José Sarney (IstoÉ, 1.123, Guerra das Festas, 03/04/1991). O PT de Luciano, por outro lado, é mais independente. É contra Maria o que fortalece Luciano, aliado de Zé Carlos Machado que é afiliado desde 1975 a João Alves Filho (Prefeitura biônica de Aracaju no Governo de José Leite Rollemberg), cujos não dormem um dia sem bater duro no fígado de Marcelo Deda e Lula e até na sigla pt usada pelos Correios ao fim da redação de cada telegrama. Tudo bem que dos três o mais possível de largar João Alves e correr pra Deda é Luciano através de Jackson Barreto e do eterno mimetista Benedito Figueiredo, o problema é que o eleitorado mais influente de Luciano em Itabaiana é radicalmente anti-petista e nem que Jesus desça dos céus abrirão mão disso.
Resumo da ópera: o PT de Itabaiana deve escolher por qual caminho cai nos braços de João. Se por Maria ou se por Luciano. Em ambos os casos lhe restará apenas raspas.
O PT de Itabaiana não aprendeu absolutamente nada com o PT nacional.
É uma pena.

Parindo velhos vícios

Termina neste domingo, 16 de dezembro, a temporada de festas alusivas à santa católica Nossa Senhora do Bom Parto na Matriz de mesmo nome, aqui na Itabaiana.
Como sempre, uma festa bonita - mesmo para incrédulos como eu – com muita gente exercendo seus êxtases espirituais baseados na fé, enfim, a extensão da alma levada ao mais alto nível.
Por trás do êxtase da esmagadora maioria, todavia, ergue-se, projeta-se, e por isso acabam sobressaindo as velhas manias patrimonialistas de apropriar-se, em nome próprio, de alguém ou de um grupo, de determinada situação. E por mais que alguém tente aplainar os picos de insensatez, como se diz no ditado popular, “não se esconde o diabo deixando de fora o rabo”.
Chamou a atenção um detalhezinho, pequenino, quase nada. O cartaz da festa, peça publicitária obrigatoriamente bem elaborada, portanto bem pensada, não traz em sua frente nenhuma alusão à Prefeitura Municipal de Itabaiana, parte integrante, também quase que obrigatória em todas as festividades desse tipo e em todas as administrações desde 1698. Ali estão, contudo, e com justiça, uma quantidade quase visualmente poluente de marcas empresariais que patrocinam o evento. Em compensação, foi feita uma grosseira promoção pessoal de três políticos e, até a compensação tentada no verso do cartaz – onde aparecem as informações adicionais – usou o nome da Prefeita e não o da Prefeitura como seria o correto. Óbvio, neste caso pode ter se tratado realmente de uma doação pessoal da cidadã, já que ali aparecem os nomes de outras pessoas do povo. Rumores dentro da comunidade católica afim, contudo, demonstra claramente que houve proposital esquecimento da marca da Prefeitura Municipal como co-patrocinador da festa. Isso é ruim. Demonstra que costumes que se tenta banir, neste caso o da apropriação de um bem público, a religião, continua em alta por aqui.

A religião e o voto.

Política e religião têm muito mais a ver do que se imagina em nosso município. Por origem, a própria região eleitoral foi estabelecida pelos portugueses ainda nos tempos coloniais partindo da área da Freguesia católica. Em geral essa área se confundia com o próprio município. O município de Itabaiana, por exemplo, foi dividido por muito tempo apenas com outra freguesia que não a de Santo Antonio que foi a de Nossa Senhora da Vitória de São Cristóvão, cuja área passou depois para a Freguesia de Nossa Senhora do Socorro, ou seja, toda a área compreendendo o Vale do Cotinguiba desde o povoado Jurema, vizinho à Usina Pinheiro até as serras, incluindo aí as atuais Areia Branca e Malhador. A maior parte dos senhores de engenho da Itabaiana, portanto, votavam no município de São Cristóvão. A família Franco, inclusive.
A carnificina de outubro de 1848 ocorreu em frente à Matriz de Santo Antonio, pois era ali que se realizavam as eleições. Aliás, era o único prédio digno de respeito na atrasadíssima vila. Foi também na Matriz de Santo Antonio a confusão com o Padre Vicente de Jesus que resultou na morte do avô do radialista Francis de Andrade, já em fuga, na esquina da Rua General Siqueira, em frente à casa da prefeita.
A religião, até o advento do rádio – a primeira grande forma universalizada de comunicação - foi o único sustentáculo de controle social - exceto à força - leia-se dominação. Isso leva muita gente ainda a usá-la como meio de campanha política, mesmo que subliminar, ou no mínimo por mera birra.
Na primeira metade da década de setenta do século que passou o padre Monsenhor José Curvelo Soares, quase ao apagar das luzes de seu mandato na Paróquia de Santo Antonio conseguiu romper um círculo vicioso que se arrastava desde os tempos coloniais, qual seja o de ter como patrocinadores da Festa de Santo Antonio, famílias ou pessoas poderosas da sociedade local, tornando-a assim, motivo de fortes disputas entre famílias de mesmo grupo político; e extremamente acirradas entre famílias de grupo rivais. Desde então, os ditos patrocínios recaem em entidades que, mesmo ainda contaminadas com o interesse político partidário reduziu bastante estas nefastas interferências na festa do dono da cidade de Santo Antonio e Almas da Itabaiana.

Obs. Antes que alguém estranhe o fato de sempre falar Itabaiana como “a” Itabaiana, venho esclarecer o seguinte: antes de Itabaiana, originalmente Vila de Santo Antonio, vilarejo sem importância alguma por séculos, vem a Itabaiana, a região importante, rica e cobiçada, onde se assentam vários municípios. Logo, ao me referir à atual cidade o artigo desaparece. Quando o assunto transcende ao sítio urbano, obrigatoriamente há a necessidade da aplicação do artigo, já que se trata de uma região geo-política que ultrapassa em muito, até mesmo os limites do atual município.

sábado, 15 de dezembro de 2007

A conferir

Vem por aí temporada de deserções. Tomara que não, mas... Tá brabo!
"Aquilo lá não é uma bodega!" Palavras de um amigo meu há muitos atrás sobre imperícias ou inapetencias administrativas de um outro.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Afiando o canivete

Mastruz e erva cidreira debaixo de um jatobá
Menino querendo oiá as caiças da lavadêra
Um chiado de porteira, um fole de oito baixos
Pitomba boa no cacho, um canário cantador
CAMINHÃO DE ELEITOR com os votos TUDO VENDIDO
Isso é cagado e cuspido, paisagem de interior

Maciel Melo - Paisagem de Interior


No último domingo o ex-deputado José Milton de Zé de Dona, como de seu hábito resolveu começar a zoada em prol das eleições de cinco de outubro vindouro. Foi algo surreal. Uma festa, volumosa por sinal, porém no povoado Junco que, apesar de estar na fronteira com o município de Itabaiana, é município de Areia Branca. Um outro aspecto do surrealismo miltiano é o fato de que ninguém dá um conto pela sua posição no ranking dos prefeituráveis, já de hoje concentradíssimo na prefeita Maria Mendonça e no ex-prefeito Luciano Bispo. Com se diz por aí, é briga de cachorro grande mesmo. Tipo pitbulls. E porque Zé Milton entra nessa? Em primeiro lugar, ao contrário de seu irmão, o ex-prefeito João Alves dos Santos – João de Zé de Dona, queira muita gente ou não, Zé Milton, mesmo a peso de ouro tem liderança política e sempre se posiciona de forma tal que, se “rodarem a cara” ele entra com tudo. Segundo que todo mundo que habita a política partidária sabe – principalmente o eleitor – que os políticos vivem de vender e comprar apoios. Ou seja, quanto mais visado, maior é o preço. Isso num lugar como Itabaiana, onde até uma informação sobre uma rua, antes que seja repassada é pesada pra ver se dali não pode sair uma coi$inha, tem um valor enorme. Zé Milton não será candidato. A menos que haja algum impedimento de Luciano Bispo, porque, mesmo esse apoiando outro, há chances reais para o crescimento da propalada terceira força. Todavia, o cabra é bom de zoada. Tem faro apuradíssimo pra lidar com povo, gente, plebe; e tece magistralmente o velho assistecialismo de guerra. Vai fazer muita zoada daqui até o prazo final dado pela Justiça Eleitoral, antes das eleições.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Comunicação em alta

É! Ao menos, num aspecto a nomeação de Francisco Ferreira Pereira o Chiquinho para a Secretaria de Assuntos Parlamentares e Comunicação Social – SEAPCS, já denota uma melhora considerável na comunicação social da Prefeitura Municipal de Itabaiana, antes, sofrível até mesmo na emissora pertencente ao grupo que ora governa o Município, qual seja a Radio Capital do Agreste. Possivelmente Chiquinho teve melhor sorte em montar uma equipe qual não teve o mesmo seu antecessor, Marco Aurélio.
Temos observado que insistentemente têm aparecido boletins informativos propagandísticos ou, americanizando o termo: “newsletters”, por sinal, bem escritos, com concisão e naturalmente, objetividade.
Num outro flanco, finalmente apareceu o portal da Prefeitura Municipal, sonho que acalentei juntamente com um provedor local a mais ou menos dez anos quando tomei conhecimento sobre a chegada da revolução da informação com primeiro provedor de internet em Aracaju e que, sem falsa modéstia, quatro anos depois necessitei “forçar a barra” em 2001 com o lançamento do itabaiana.inf.br.
Cansei de alertar as autoridades municipais pertinentes à comunicação acerca da importância de se instalar um provedor de internet que nos conectasse ao mundo. Por dois anos paguei DDD para me conectar a capital enquanto que outras cidades menores como Estância e Propriá, juntas com menos terminais telefônicos que Itabaiana já navegavam na rede. Isso, por aqui e naqueles tempos só poderia ser bancado pelo Poder Público municipal, único com capacidade de absorver o baixo retorno comercial de tal empreendimento. Até que em 20 de março de 2001 pus o itabaiana.inf.br no ar e, finalmente, através da CDL começamos o projeto de implantar o provedor. Um empresa privada correu por fora e se adiantou nos livrando dessa responsabilidade e, ainda por cima, destravando um estranho comportamento do então maior provedor de internet de Sergipe que teimava em não estender seu link para Itabaiana (já estava na Estância e Propriá), prejudicando assim dezenas de profissionais como contadores e advogados, e que, diante da ameaça do referido provedor privado de Itabaiana, em menos de cinco dias pôs o seu link no ar. Desde então temos dois provedores locais, hoje estendidos para mais outros quando se trata de Banda Larga.
Voltando ao Portal, está faltando ali informações imprescindíveis ao bom e desejado Estado democrático e de direito qual sejam as referentes às contas públicas. Neste item, contudo, é compreensível já que, além do portal ser novo, o do próprio Tribunal de Contas (alguns preferem faz de contas) do Estado de Sergipe tem o hábito de sonegar ou no mínimo postergar a perder de vista o resultado de suas contas. Estamos em fins de 2007 e no site do referido Tribunal, cujos conselheiros ganham nosso dinheiro para zelar pela lisura dos dinheiros, inclusive cumprindo o artigo 37 da Constituição Federal no seu caput, e apresentam apenas e de forma extremamente às escondidas suas contas relativas a 2003, conjuntamente com outros dados bem mais volumosos e que geralmente aumenta a dificuldade de achá-las (clique aqui e baixe o arquivo para seu computador, depois o abra pelo Word).
Com relação ao atual estágio de comunicação da Prefeitura Municipal, palavra de amador: todavia, apesar de toda a boa comunicação, não basta a propaganda. É preciso marketing, algo bem mais complexo.

domingo, 25 de novembro de 2007

Xenofilia

Não precisa ser mago ou pitonisa para descobrir que pegou mal mais essa escolha da prefeita Maria Mendonça de preencher um cargo de alto vulto, no caso o de Secretário Municipal de Saúde de Itabaiana por um profissional sem vínculo absolutamente algum até a presente data com a sociedade itabaianense.
Não quero entrar no mérito da capacidade pessoal do Secretário nomeado, o geriatra Antônio Cláudio Santos das Neves, haja vista não o conhecer, sequer por ouvir dizer, todavia, a inquietação geral é por que tem gente de mais de fora do município em cargos de grande importância e visibilidade.
A escolha da prefeita ainda coincide com uma onda que vem se espalhando perigosamente contra a sua administração qual seja a de que em seu governo “não corre dinheiro”. E esse item – o dinheiro - tem sido ao longo da história humana o fator essencial de todas as discórdias. Ou acertos sociais.
Itabaiana tem uma característica: ninguém “de fora” “arma” aqui. O maior político de fora do município que tivemos foi Batista Itajay, um lagartense, que espertamente casou-se com uma senhorita da mais fina cepa itabaianense antes de entrar na política. Mesmo assim, parafraseando Luiz Gonzaga (Lampião falou), não foi "bom nem foi feliz".
É compreensível a dificuldade de encontrar a pessoa certa para tão relevante cargo haja vista o empossado ter pela frente a administração de mais de um quarto de todo o dinheiro do Município o que equivale a todo o orçamento municipal de cada um, de mais de cinqüenta por cento dos municípios sergipanos. Para comparação, se iguala aos orçamentos de Campo do Brito, de Ribeirópolis, Areia Branca, entre outros. É muito dinheiro. E muita responsabilidade.
Percebe-se desde a municipalização iniciada timidamente no governo municipal de João Alves dos Santos – o João de Zé de Dona – a dificuldade de encontrar o perfil ideal para tal cargo. O principal problema é a remuneração, baixa demais para tanta responsabilidade e a necessidade de compensação. Neste último caso, um médico ao abraçar a administração da Secretaria Municipal de Saúde, imperiosamente terá que a ela se dedicar o que o afastará automaticamente de sua clientela. Quando a esta quiser retornar vai ser difícil de encontrá-la. Isso tem que ser pesado pelo administrador-mor ao fazer um convite a um profissional de saúde para tal cargo. Daí porque o perfil técnico do profissional de saúde para esse cargo, salvo raras exceções nunca deverá recair em um médico. A menos que o Município venha criar mecanismos de compensação, inclusive quarentena para os nomeados no futuro. Caso contrário é prejuízo na certa. E pior: quase sempre será para ambos, o profissional e o povo do município. Paradoxalmente isso não é necessariamente aplicável a municípios menores, não centralizadores do sistema, e onde o profissional pode muito bem fazer a "meia-sola". Ou à capital, com renda superior em muito a Itabaiana.
Talvez a justificativa da prefeita seja exatamente essa: a falta de sintonia entre a condição do profissional ideal local e a disponibilidade deste em assumir tal tarefa, porém, com já fiz aqui neste espaço, pergunto: e por que tem que ser um médico, o administrador da Saúde? Por acaso alguém duvida que - descontando o descalabro da dengue - o economista Zé Serra se deu bem melhor no Ministério da Saúde que o indiscutível técnico Dr. Adib Jatene? O que não pode ocorrer é que os cargos eminentemente técnicos dos quadros da Secretaria fiquem em mãos de pessoas sem a qualificação acadêmica necessária, e, preferentemente com experiência no quesito Saúde Pública.
Da nossa parte ficamos aqui a torcer que o Dr Cláudio das Neves venha realizar um bom trabalho.

Exportando capital realizado.

Junto com a inquietação provocada por mais uma nomeação extra-territorial feita pela prefeita Maria Mendonça está uma constatação - por percepção - da sociedade, confirmada por números alarmantes, mesmo que inconclusivos, da fuga de capital de Itabaiana em direção, principalmente à capital sergipana.
O fenômeno é comum em todo o Estado de Sergipe, porém no caso de Itabaiana, dado à quantidade de dinheiro e à proximidade física entre as cidades, esse fluxo é inumeramente maior que nos demais municípios de porte similar ao nosso.
No próximo dia 18 de dezembro será feriado municipal e, desta vez, certamente a polêmica não reaparecerá, ou, se vier, virá suavizada, já que o dito dia cairá numa terça-feira e não numa quarta-feira ou sábado. Todavia, todas as vezes que ocorre cair num desses dias enumerados o comércio todo entra em pé de guerra contra o feriado. O motivo é simples: o consumidor itabaianense aproveita esse feriado para fazer compras, especialmente em Aracaju e, quando ocorre a coincidência com um feriado do dia de feira-livre, ou o comerciante se expõe à Justiça do Trabalho abrindo ilegalmente seu estabelecimento comercial num dos melhores dias de venda, ou tranca tudo e perde o filão.
O equilíbrio econômico é de uma fragilidade impressionante. Um boato e trabalho de anos vai pelo ralo.
É perceptível que a classe média itabaianense tradicional - constituída de profissionais liberais e fun cionalismo graduado - vem definhando ano após ano. A classe média itabaianense atualmente é quase toda constituída por pequenos comerciantes e não por aqueles segmentos tradicionais acima expostos. Isso é prejuízo para o comércio local.
Uma olhadela no Orçamento da União mostra claramente a desvantagem dos municípios do interior em relação à Capital, e não somente em termos de convênios para repasses de verbas, mas também nas verbas de custeio de pessoal – aposentados inclusive – quase todos residente na capital.
A chegada de instituições de reconhecida remuneração melhorada aos seus profissionais em Itabaiana não tem sido acompanhada de uma política de desenvolvimento urbano satisfatória para segurar esse consumidor de alto poder aquisitivo, e, para resumir, as atividades culturais mais interessantes no município continuam sendo os bares tipo inferninho e suas serestas pontas-de-faca. Um péssimo exemplo de quem precisa competir com uma Capital que além de ser capital tem estrutura muito melhor.
Ser velho em Itabaiana é a cara de ser velho no Brasil. O município não tem absolutamente nenhuma política de desenvolvimento urbano – que aqui é confundido com o mero calçamento de ruas (das praças nem se fala pela despesa durante e depois) – e isso se reflete em quem quer morar bem. O problema – financeiramente falando – é que por ocasião de debates na Câmara Municipal em 2001 sobre o recolhimento sobre os salários dos vereadores para a Previdência já era informado ali que o aposentado contribuía com um aporte de cerca de cinco milhões de Reais na economia itabaianense. Detalhe: toda a arrecadação de Impostos – Município, Estado e União - do ano foi de 7.626.000 (Atlas de Desenvolvimento Humano – PNUD/IPEA - 2001). Todo o Orçamento Municipal daquele ano foi de R$ 17.863.346,00. O PIB municipal foi de 153 milhões, o que deixou somente as aposentadorias responsáveis diretas por 3,2 por cento do ingresso direto de capital. É muito dinheiro.
Do ponto de visto do consumidor de alto poder aquisitivo, como exemplo, o último Delegado de Polícia que efetivamente aqui residiu – com família, obviamente – foi o Bacharel Nivaldo Elias Barbosa que daqui mudou-se em 1981. O último Juiz de Direito daqui havia se mudado em 1977 e o último Promotor pelo mesmo período. O bancário (ainda bem remunerado), o médico, a enfermeira, o dentista, o petroleiro, o técnico da Justiça, da Saúde... cada dia a mais prefere a Capital deixando Itabaiana. Enfim, vamos nos tornando cada vez mais um mercadão onde as pessoas ganham dinheiro de dia e à noite vão para seus palacetes. Isso é sentido pelo comércio e, mesmo que não haja debates profundos e científicos sobre o drama, ele é percebido e causa apreensão.
Qualquer fagulha causa incêndio de enorme proporções neste palheiro.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

CEMB em Ação! Que politicagem é essa desta vez?

Nos barracos da cidade
Ninguém mais tem ilusão
No poder da autoridade
De tomar a decisão.

Gilberto Gil/Liminha, in
Nos barracos da cidade



Sequer procurei saber dos resultados, mas me chamou atenção uma matéria publicada no portal Itnet, hoje, 22 de novembro, às 06:18 horas.
Não por acaso, um dia depois do aniversário do velho Colégio Estadual Murilo Braga (PL nº 106 de 21 de novembro de 1949).
No país da boquinha só se pavimenta rua quando a pedreira, a caçamba, o cimento e até a firma construtora é de “amigos” o que significa notas fiscais engordadas, empreguismo público camuflado em empresa de prestação de serviços - logo, trocado por voto - e por aí vai. Passam-se anos e anos com um problema e, de repente, quando ninguém mais espera e todos os desesperados já se mudaram, eis que chega a providência Quando se vai passar a lupa aí começam as decepções adicionais (a primeira foi não terem resolvido a tempo). Só se constrói açude com o “laudo técnico” que aponta para a localização do terreno dentro da propriedade de algum privilegiado. Até a escola, inexplicavelmente é construída a hectômetros e até a quilômetros do local onde a maioria das pessoas reside, na maioria das vezes levantando a forte suspeita de que tal decisão deveu-se pelo fato de a indenização do terreno ter sido orientada para um “amigo” (vide fotos: apenas dois dos inúmeros exemplos de localizações inadequadas, somente aqui, de Itabaiana).











Pois bem, na matéria anunciaram uma “Ação Social” no Murilo Braga neste último dia 22 e a pergunta é: qual é realmente a função de um colégio que foi parte importantíssima na transformação da história de Itabaiana, qual seja a de um vilarejo trissecularmente condenado a desaparecer e que despertou para se tornar uma verdadeira cidade depois de 1950?
Em nosso modo de ver as coisas, a função de um colégio é instruir para o conhecimento, para o saber. Da minha parte acho que um colégio cumpre bem sua função quando professores não fazem corpo mole ou simplesmente desaparecem para ganhar num colégio privado (onde ninguém é besta faltar) menos do que ganha nesse mesmo colégio público. Também quando por capacidade gerencial de diretores e mestres assombram um Estado inteiro com a quantidade e qualidade de alunos aprovados nos vestibulares. Quando impõe respeito às demais agremiações de ensino através de seu trabalho esportivo. Como por exemplo, ser um referencial por anos de Handbol em todo o Estado. Quando se faz respeitar pela qualidade de seus trabalhos artísticos e culturais de viés erudito (já que o popular o povo já o faz).
Essa é a função de um colégio: educar para a vida.
Ação Social feita por colégio, por mais bem intencionada que seja vai parecer politicagem ou lavagem de dinheiro, essas práticas nefastas tão entranhadas em nossa sociedade de esperrrrrrrrtos. E por isso tão limitada.
Onde estão os esforços para o desenvolvimento intelectual e científico... a feira de ciências do Murilo Braga, por exemplo? Cadê o vídeo, a monografia, a revistinha (como O Serrano, que lá começou mimeografado), cadê?
Quais são de fato os interesses por trás desses apelos populistas de ação social? Quem está bancando?
Mesmo que todos os profissionais envolvidos prestem seus serviços de graça, algum custo existe. E quem banca?
Cadê o sítio eletrônico, perdão, (tabaréu só sabe chamar se for americanizado), cadê o sáite do Colégio anunciado e não aparecido? (O caminho para registro é na http://www.registro.br/) Ao menos aqui é mais barato expor as idéias da garotada.
Sem entrar no mérito sobre quem teve essa idéia, porém, ela é no mínimo tola e inconseqüente. Misturar educação com atividade de viés extremamente politiqueiro.