segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Resultado duvidoso

Leio meio incrédulo que houve uma certa corrida de aliados do ex-prefeito Luciano Bispo para no apagar das luzes do prazo de filiação entrarem no PSDB, o partido dos tucanos. A minha incredulidade vem do fato de que é exatamente a alta esperteza que tem norteado a vida das lideranças políticas de Itabaiana em toda a sua história. Esperteza às vezes tão grande que acabou por atrasar a evolução do município numa confirmação de que, quando o feitiço é demais vira bicho e engole o próprio dono, ou criador.
O PSDB, apesar da hiper-blindagem do alto conservadorismo nacional expresso despudoradamente na Justiça, na mídia grande e em boa parte das confrarias profissionais, inclusive empresariais está em frangalhos; anda em baixa e, com certeza não será o grande partido de direita assumida e sem vergonha de se assumir como tal que brilhará no teatro nacional em tempos próximos futuros.
O PSDB foi criado aparentemente de centro esquerda e com a finalidade de ofuscar o brilho de novidade do PT; de tomar-lhe o discurso. Sua reprogramação para partido de direita o faz agora necessitado de uma urgente reengenharia, talvez uma refundação. Tornar-se um partido nacional de fato e não uma mera repetição do PRP – Partido Republicano Paulista da República Velha. No mínimo que venha a ser como o sucessor do PRP, a UDN. Porém, como o partido foi gerado para São Paulo impor-se ao resto do país é quase impossível que os doutores da USP e da FIESP queiram dividir poder com os pés raspados dos demais Estados da Federação.
Pois é exatamente nesse partido que ainda tem gente apostando por aqui. Sei não!

domingo, 23 de setembro de 2007

A companheira socialista Maria Mendonça

A coisa mais certa é que, ao sair do PSDB, a prefeita Maria Mendonça ingressaria num partido da base aliada do governo do Estado e do presidente da República. A questão era: que partido? Ora, modestamente, eu já sabia. O PSB. E porque o PSB? Além de um partido da base aliada – de primeira hora, frise-se - dos governos petistas no Estado e na União, o PSB tem três peculiaridades que favorece Maria quais seja o fato de ser um partido nanico em Itabaiana com alguns gatos pingados cheios de fé e vazios de votos – e de bolso - como o signatário que vós deita esta lauda; tem apenas Valadares como estrela no Estado já que os demais são do porte da Prefeita ou até inferiores em densidade de votos; e é o partido de Valadares, político simondiense, das Matas do Caiçá - como diria Sebrão Sobrinho, de boa cepa ceboleira antiga - com larga tradição de amizade com a família Teles de Mendonça. Em 1970 o jovem deputado foi o quarto mais votado no Estado com 5873 votos e boa parte destes foram transferidos a partir de Itabaiana sob a liderança de Francisco Teles de Mendonça que estava impedido de candidatar-se. Além de não poder candidatar-se, nenhum dos seus filhos tinha dezoito anos razão pela qual foi também impedido de apresentar algum deles como o faria quatro anos depois, em 1974 com José Teles de Mendonça. Em 1974 Chico apoiou o ex-governador Luiz Garcia para deputado federal que obteve 3.546 votos, 40 por cento dos votos para o cargo em Itabaiana. Valadares só conseguiu 12 votos para deputado estadual, porém, em 1978, o apoio de Chico rendeu a Valadares 5.450 votos, agora pra deputado federal, ou seja, cinqüenta por cento dos votos do município para o cargo.
Nos acordos palacianos Valadares assumiu a Secretaria de Estado de Educação e logo, a força dos Teles de Mendonça que já era enorme ficou ainda maior com toda a Educação sob o comando da família.

O hiato no relacionamento
A história só mudaria a partir de 1984.
Por um capricho da política houve um momento dificílimo no relacionamento entre Valadares e a família Teles de Mendonça. Deu-se quando o mesmo foi candidato ao governo do Estado em 1986, apoiado pelo então governador João Alves Filho, rompido com Chico desde 1984 e tendo este apoiado José Carlos Teixeira. Curiosamente, apesar de ser o governo de alguém tão ligado sob o ponto de vista pessoal, foi no governo de Valadares onde mais as portas se fecharam para a família Teles de Mendonça. Explica-se tal atitude de Valadares por ter sido ele um governador imprensado por um ex-governador que logo viraria ministro do Interior, um cargo vital para Sergipe; pela Assembléia Legislativa majoritariamente alvista e sob o comando de José Carlos Machado; e pela própria conjuntura onde depois da derrota de José Teles frente a Luciano Bispo em 1988 pareceu que seria ali o ocaso político da família Teles de Mendonça.

O reatamento

Porém, antes mesmo que saísse do governo Valadares costurou o acordão envolvendo Albano Franco e João Alves e todos os pesos pesados da política interiorana, inclusive pondo num mesmo saco o balaio de gatos chiquista e lucianista daqui de Itabaiana. Conseguiu algo inédito: inaugurar o Mercadão que leva seu nome em 1990 com a presença em palanque de José Teles e Luciano Bispo. Obviamente que ter também a presença do patriarca Francisco Teles de Mendonça já seria querer demais. Chico não apareceu lá.
Sob o ponto de vista do relacionamento pessoal, apenas no período de dificuldades políticas maiores ele ficou morno; nunca esfriado. Logo, seria de esperar a atitude da Prefeita, especialmente quando se sabe que a família não costuma atirar com a pólvora alheia. Fazer acordos com os irmãos Amorim, tudo bem. Mas é só isso. Os irmãos até poderão se apoderar de parte ou do todo do espólio eleitoral que é anterior ao próprio Chico. Mas, além de esperar muito vão ter que trilhar longo caminho.
Bem, enfim, saudações socialistas, Prefeita. Não sei se lhe interessa - e ao Senador - a minha permanência no partido, mas, por enquanto estamos(?) no mesmo barco.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O tamanho da encrenca

O ano de 2008 se aproxima e por toda parte vê-se sôfregos pretendentes à cadeiras das 75 viúvas municipais. Um levantamento da situação que serve de aviso aos navegantes: nem tudo são flores nesse reino da fantasia. Fomos buscar no Tesouro Nacional os balancetes de cada município referentes a 2006 e eis aqui o que conseguimos:

MUNICIPIO.........População..Rec Orçament...Média/mês..Ranking/Est

Amp. de S. Francisco....2.397......4.860.237,78.......168,97.....4°

Aquidabã....................19.873.....16.087.281,30........67,46....42°

Aracaju....................505.286....503.448.431,82........83,03....22°

Arauá.........................11.061......9.964.510,85........75,07....31°

Areia Branca...............17.989.....14.229.562,67........65,92....47°

Barra dos Coqueiros.....21.562.....20.877.668,08........80,69....24°

Boquim......................25.055.....17.437.076,53........57,99....57°

Brejo Grande................7.398......8.207.850,70........92,45....18°

Campo do Brito..........16.472.....11.824.231,71........59,82....53°

Canhoba ....................4.040......5.337.598,00.......110,10....14°

C. de São Francisco.....22.396.....51.402.103,99.......191,26.....3°

Capela........................27.562.....23.903.587,19........72,27....35°

Carira........................19.508.....15.527.662,26........66,33....43°

Carmópolis................11.252.....40.211.311,46.......297,81.....1°

Cedro de São João........5.567......5.493.907,06........82,24....23°

Cristinápolis...............16.734.....10.649.582,00........53,03....62°

Cumbe........................3.883......4.693.244,15.......100,72....15°

Estância.....................62.796.....56.394.336,00........74,84....32°

Feira Nova....................5.549......5.590.209,00........83,95....21°

Frei Paulo...................13.226......9.121.232,22........57,47....58°

Gararu..........................12.027......9.005.575,07........62,40....49°

General Maynard...........2.586......4.573.459,85.......147,38.....6°

Ilha das Flores...............9.135......7.599.076,02........69,32....40°

Indiaroba....................14.294.....13.599.253,42........79,28....26°

Itabaiana....................85.664.....45.520.110,06........44,28....66°

Itabi..............................5.425......5.541.645,03........85,12....20°

Itaporanga d'Ajuda......29.294.....25.842.030,00........73,51....33°

Japaratuba..................15.703.....31.005.126,18.......164,54.....5°

Japoatã........................14.846.....10.930.709,36........61,35....51°

Laranjeiras.................26.972.....45.359.532,33.......140,14.....8°

Macambira......................6.418......5.895.036,38........76,54....28°

Malhada dos Bois............3.694......5.083.503,22.......114,68....12°

Malhador......................12.589......8.361.221,71........55,35....59°

Maruim........................16.024.....14.464.542,00........75,22....30°

Moita Bonita..................11.886......9.446.328,23........66,23....44°

Mte Alegre....................13.064.....10.972.769,60........69,99....37°

Muribeca.........................7.411......6.486.872,91........72,94....34°

Neópolis.......................20.823.....14.719.003,80........58,90....54°

Nossa S. Aparecida...........8.054......7.653.736,66........79,19....27°

Nossa S. da Glória.........29.447.....19.233.708,53........54,43....60°

Nossa S. das Dores......24.109.....17.013.179,41........58,81....55°

Nossa S. de Lourdes........7.024......5.967.325,49........70,79....36°

Nossa S. do Socorro....179.060.....80.519.982,18........37,47....67°

Pacatuba......................11.563.....12.937.080,46........93,23....17°

Pedra Mole.....................2.989......4.791.716,69.......133,59....10°

Pedrinhas.......................8.389......8.835.323,06........87,77....19°

Pinhão............................5.846......5.565.981,73........79,34....25°

Poço Redondo...............30.358.....21.351.717,22........58,61....56°

Poço Verde....................21.678.....18.111.113,87........69,62....39°

Porto da Folha................27.281.....19.789.384,15........60,45....52°

Propriá..........................29.081.....16.332.552,76........46,80....65°

Riachão do Dantas...... .20.835.....16.358.239,27........65,43....48°

Riachuelo........................8.918.....10.375.703,00........96,95....16°

Ribeirópolis..................16.479.....12.337.509,14........62,39....50°

Rosário do Catete............8.183.....25.933.110,00.......264,09.....2°

Salgado........................20.472.....13.305.408,86........54,16....61°

Sta Luzia do Itanhy .......15.336.....12.135.267,93........65,94....47°

Sta Rosa de Lima............3.766......5.142.704,00.......113,80....13°

S. do São Francisco..........6.357......5.773.663,87........75,69....29°

Sto Amaro das Brotas....10.704......8.507.459,24........66,23....45°

São Cristóvão..............77.278.....32.532.362,06........35,08....68°

São Domingos...............10.375......8.509.675,81........68,35....41°

São Francisco................2.761......4.833.236,04.......145,88.....7°

São Miguel do Aleixo......3.680......5.375.027,56.......121,71....11°

Simão Dias..................40.225.....22.728.624,00........47,09....63°

Telha............................2.958......4.743.046,03.......133,62.....9°

Tobias Barreto............47.307.....26.682.978,39........47,00....64°

Tomar do Geru...........13.994.....11.750.861,99........69,97....38°

(Descupem a sinuosidade da tabela. O blog não me dá condições de melhorá-la como num site comum)


Ficaram de fora desta relação do Tesouro Nacional os municípios de Divina Pastora, Gracho Cardoso, Lagarto, Pirambu, Siriri, Umbaúba. Fatos dessa natureza ocorre quando no momento do fechamento geral o município em questão se acha em débito com as informações, geralmente passadas à STN - Secretaria do Tesouro Nacional, até o mês de abril subseqüente ao fechamento da Execução Orçamentária anterior.

Itabaiana entre os três piores e Pedra Mole entre os dez melhores.
Mesmo não aparecendo o nome e consequentemente os dados de seis dos setenta e cinco municípios sergipanos nesta lista, entretanto, valores esparsos consultados apontam para uma imobilidade na tabela entre os últimos colocados; e pouca mudança entre os dez primeiros colocados. Neste caso, a entrada de municípios de forte arrecadação como Divina Pastora, Pirambu e Siriri, pode retirar de Pedra Mole a posição de décima melhor arrecadação municipal do Estado. No segundo, no qual se inclui Itabaiana, apenas uma correção nas expectativas populacionais de acordo com os números reais do IBGE reem fechados pode mover de lugar o município de Nossa Senhora do Socorro e aí Itabaiana passaria para o penúltimo lugar já que com certeza os números de Gracho Cardoso e Umbaúba são melhores que os de Itabaiana e até mesmo o de Lagarto, numa prévia, uma arrecadação algo em torno de 49 reais por habitante ao mês.

Carmópolis e Rosário do Catete: arrecadação de cidade alemã.
Pouco mais de cinqüenta municípios brasileiros tem arrecadação per capita melhor do que Carmópolis e Rosário do Catete. Dentre elas, São Caetano do Sul, no Estado de São Paulo, IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano municipal de padrão europeu há pelo menos dez anos. E Rosário, alguém poderia responder?

A tragédia canindeense.
Um dos piores IDH-M do Estado, Canindé do São Francisco é o segundo município que mais arrecada no total e terceiro no proporcional, não perdeu o ar de lugarejo esquecido por Deus. Apesar da intensa irrigação monetária e do primeiro PIB municipal do Estado – quase o dobro de Aracaju – o município é uma penúria só. Arrecadação de Joinville (SC); PIB de Campinas (SP) e padrão de vida compatível aos piores municípios do Brasil.

Obs. A população aqui referida é a previsão para 2006 pelo IBGE e não a real, constatada no último censo que ora se fecha.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Terras do Rio de São Francisco do Sertão de Baixo

Tópico na coluna de Cláudio Nunes desse dia 17, no portal Infonet traz à tona um problema trissecular e aponta para um fato interessante: enterraram um sapo no Baixo São Francisco, ao menos no que diz respeito ao convívio da Igreja Católica com proprietários locais. Desta feita há ameaças ao padre Isaías e mesmo ao bispo da Diocese de Propriá, D. Mario Rino Sivieri, todavia, essa história é antiga e os que se acharam sob o cetro de D. José Brandão de Castro tiveram muitas dificuldades, especialmente em 1982 quando em Ilha das Flores o padre foi posto a correr.
Mas, recuando um pouco mais vamos chegar em 20 de novembro de 1711, com as primeiras confusões, desta feita em Neópolis, então um simples povoado, e que forçou ao governo geral enviar tropas para sufocar levante na região. A igreja, como sempre ocorria naqueles tempos chegou bem cedo à povoação
(Carta que se escreueo ao Vigr° de Seregipe del Rey Ant° de Souza de Brum, sobre
o leuantam.to dos moradores da Villa noua do Ryo Sam Franc°. Da mesma data.

Anais BN-Rio, Vol. 10, p.86).
Em 24 de fevereiro de 1754, a Câmara Municipal
“da Villa Nova Real del Rey do Rio de S. Francisco”,
faz representação contra o Padre Joaquim Marques de Oliveira. A confusão rolou por mais de quatro anos. Somente quando veio o reforço militar e as negativas das cortes de Lisboa sobre a pretendida remoção do padre é que os ânimos se acalmaram. Em 1757, fruto dos tempos da organização administrativa de Pombal, em artigo escrito para a Real Academia de Lisboa o padre deu a primeira descrição minuciosa da região, inclusive da instabilidade das terras na boca do São Francisco onde fica o famoso povoado Cabeço.
Em 05 de outubro de 1761 o desembargador Joaquim José de Andrade oficia
"ao governo interino da Bahia, informando ácerca da syndicância a que procedera
sobre o procedimento dos Padres Barbadinhos italianos que tinham estado nas
Missões junto ao Rio de S. Francisco",
dentre as quais Pacatuba e Ilha de São Pedro (Japoatã era então dos jesuítas). As mesmas confusões de terras atuais.
Em setembro de 1788, segundo ofício do arcebispo D. Antonio Corrêa, de 09 daquele mês, a tragédia se confirma: foi assassinado
"o Padre Luiz Coelho de Almeida, Vigário encommendado da freguezia de Santo
Antonio da Villa do Rio de São Francisco"
(do Urubu de Baixo, ou seja, Propriá). A freguezia era a segunda do município de Neópolis.
Em 1792, uma representação de Antonio Gomes Ferrão Castelbranco que se apresentou como
“Fidalgo cavalleiro, na qual pede que sejam cassados os autos de medição e
repartição de umas terras pertencentes ao morgado instituido por seu avô o
mestre de campo Pedro Gomes (...)e dadas as necessarias providencias para o
supplicante no ser inquietado pelos mesmos Índios e pelo seu missionario Fr.
Isidoro Vignale, religioso italiano Barbadinho.”
Ou seja: mais uma vez o problema da terra.
Deixemos as confusões de desde então em banho-maria, já que foram muitas e dá um livro de no mínimo 600 páginas.

domingo, 16 de setembro de 2007

A tragédia do desperdício.

Dos R$ 971.066.007,00 autorizados no OGU – Orçamento Geral da União, ano 2007, para Sergipe, R$ 290.216.677,00, estão dentro dos programas que dependem diretamente dos administradores públicos estaduais e municipais para sua execução. São os programas fora das chamadas Transferências Constitucionais, que são aquelas em que o administrador local presta contas, todavia, é obrigatório o seu envio pelo governo federal. No caso dos 290 milhões, estes se situam dentro das Transferências voluntárias e é por isso que dependem quase que exclusivamente dos administradores locais, pois, se os mesmos não forem buscar, o dinheiro não virá.
Dentro desse valor – o das Transferências Voluntárias - estão, por exemplo, as verbas para pavimentação de ruas, para esgoto, para construção de casas de alvenaria no lugar de casas de taipa, enfim, de obras em geral além de atividades como estímulo à cultura, ao esporte e ao lazer.
O detalhe é que dos ditos 290 milhões, até o dia 10 de julho haviam sido empenhados – o que não significam ainda, liberados – apenas R$ 31.384.992,00, ou seja, em pleno sétimo mês do ano menos de onze por cento haviam sido procurados por quem de direito; os prefeitos municipais. Se esse fosse um fenômeno referente apenas ao ano de 2007 poderia ser considerado apenas um caso especial. Torna ainda mais desanimador quando nos debruçamos nas execuções orçamentárias dos últimos dez anos e vê-se que essa é a regra. Ou seja, todo o ano sobra mais de cinqüenta por cento dos recursos que poderiam ser bem utilizados para a melhoria a vida do povo.

Escorrendo pelo ralo.

Num mundo onde há a necessidade de investimentos no chamado setor de serviços, o turismo, uma fonte de riqueza importantíssima para todo o Estado de Sergipe só tinha recebido até a data de dez de julho pedidos de 400 mil reais no Programa de código 1166 - Turismo no Brasil: Uma Viagem para Todos. Dos 24 milhões empenhados, isso dá 1,66 por cento do disponível para o ano todo. Destes, 395 mil reais para a Prefeitura de Itabaiana.(*).
No Programa 1250 (Esporte e Lazer da Cidade), dormiam até o dia 10 de julho em berço esplêndido todos os R$ 5.570.000, alocados para Sergipe. Esse pode ser o tamanho do desperdício da força e garra de nossa juventude em 2007. Nos demais anos não têm sido diferente. O mesmo ocorria com o Programa 9991 (Habitação de Interesse Social) com empenhos de sete milhões e meio de reais. Quantas casas de taipa dariam para substituir por construção de tijolo e reboco com esse dinheiro?
O abastecimento, com o Programa 515 (Proágua Infra-estrutura) teve 59 milhões em empenhos, mas até a data consultada não havia saído um centavo, mesmo com tantos povoados e até periferias de cidades necessitando de expansão na distribuição de água potável.
Há uma montanha de povoados em Sergipe que já comportam um trabalho sério de melhoria na vida de seu povo, mas o Programa 1128 (Urbanização, Regularização Fundiária e Integração) do qual pode ser extraído dinheiro para, por exemplo, pavimentação nos povoados continuou sem uso dos seus quase 23 milhões de reais previstos para ser gastos em Sergipe.
O pior é que por falta de conhecimento técnico, falta de interesse ou mesmo preguiça, milhões também deixa de vir nos programas de execução automática, como saúde e educação, já que estes, apesar de como dito, serem automáticos, carecem de boletins precisos e constantes no acompanhamento. Ou seja, se não mandar o relatório direitinho o dinheiro não sai. Ou sai pela metade. Uma olhadela grosseira aponta para desperdício de no mínimo dez por cento nos quase 600 milhões desse tipo de verba previstos para esse ano.


(*) No dia 06 foram acrescentados do Ministério do Turismo mais 135 mil reais nos valores pedidos pela Prefeitura Municipal de Itabaiana. O valor não aparece aqui no principal por ter o SIAFI fechado o sistema em que fizemos a pesquisa (programa) dando como data limite o dia 10 de julho, mas com dados anteriores. Pessoalmente ainda não atualizei, mas os valores recentes podem ser encontrados na página da CGU (geral) ou aqui (para o caso específico de Itabaiana).

Pra ler mais:

cofre cheio
Correio Braziliense (para assinantes)
Obs.: A composição da gravura é meramente ilustrativa e composta de paisagens urbanisadas brasileiras, não necessariamente de Itabaiana ou mesmo de Sergipe, porém comum a todo o Brasil.

Aviso aos navegantes

Aos "companheiros" - antigos e novos - que pensam em afiar os dentes pra cima dos cofres do Estado por conta das próximas eleições um aviso: cuidado, muito cuidado! A fama de pão-durismo do governador já é sabida, todavia, não custa nada relembrar.
E pra isso, um trechinho (aqui, para assinantes) extraído do jornal Folha de São Paulo, edição de 02 de julho de 2002, no Contraponto, da Coluna Painel, então assinada pelo jornalista Fernando Rodrigues:

Cultura fast food

O prefeito de Aracaju (SE), Marcelo Déda (PT), tirou férias no início deste ano e viajou com as três filhas para Salvador.
No primeiro dia de viagem, Déda frustrou a expectativa das crianças, que queriam conhecer shopping centers da cidade.
O prefeito saiu de carro para um passeio pelas atrações históricas da cidade.
- Esse aqui é o Forte de São Marcelo, construído para proteger Salvador da invasão holandesa- explicou Déda, no melhor estilo de guia turístico.
- Cadê o shopping, pai? -retrucou a filha mais nova.
Déda fingiu que não ouviu e continuou o passeio, descendo a ladeira da Barra:
- À sua direita está o famoso Farol da Barra.
Impaciente e com fome, a filha caçula retrucou, provocando gargalhadas na família:
- E à sua esquerda está o famoso Mc Donald's!”

sábado, 15 de setembro de 2007

Há tempos

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.”
(in Pais e filhos. Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá)

Há tempos desapareceu o belo painel de Cris pintado no oitão da casa da esquina na Barão do Rio Branco com Av Ivo Carvalho. Ontem num programa em que se redimiu da enorme quantidade de lixo com que nos premia insistentemente, a Rede Globo apresentou um especial do poeta líder de uma Legião Urbana para quem o sonho não acabou. Nem jamais acabará. A torrente de espírito que cessou. Um espírito que se fez arder; fumificou e foi pro céu deixando-nos a lembrança de um clarão tão ofuscante que nos fez esquecer a nossa miséria humana do cotidiano. Digo torrente porque me falta termo que melhor traduza o arrebatamento poético daquela alma brilhantemente atribulada.
Cris, que nos brindou com o dito painel também nos deixou. E isso também faz muita falta.